{"paper_id":"3b309a08-6b4d-4df6-9822-82eeec3a9527","body_text":"UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO \nFACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO \nDEPARTAMENTO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA \n \n \n \n \n \nJoão Vitor Santos Calzavara \n \n \n \n \n \nDesfechos reprodutivos de pacientes inférteis com endometriose atendidas no \nCentro de Reprodução Humana do HCRP. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRibeirão Preto \n2025\n\n \nJOÃO VITOR SANTOS CALZAVARA \n \n \n \n \n \nDesfechos reprodutivos de pacientes inférteis com endometriose atendidas no \nCentro de Reprodução Humana do HCRP. \n \n \nVersão Original \n \n \n \n \n \nDissertação apresentada à Faculdade \nde Medicina de Ri beirão Preto da \nUniversidade de São Paulo para \nobtenção de título de Mestre em \nCiências Médicas.  \n \n \nOrientador: Prof. Dr. Júlio César Rosa \ne Silva \n \n \n \n \n \n \n \nRibeirão Preto \n2025 \n\n \nAutorizo a divulgação e reprodução deste trabalho, por qualquer meio, para fins de \nestudo e pesquisa, desde que citada a fonte. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nCalzavara, João Vitor Santos. \nDesfechos reprodutivos de pacientes inférteis com endometriose \natendidas no Centro de Reprodução Humana do HCRP. Ribeirão Preto, \n2025. \n  65p. \n \nDissertação apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão \nPreto da Universidade de São Paulo par a obtenção de título de Mestre \nem Ciências Médicas. \nOrientador: Rosa e Silva, Júlio César. \n \n1. Infertilidade. 2. Endometriose. 3. Reprodução Assistida.  \n\n \nNome: CALZAVARA, João Vitor Santos. \n \nTítulo: Desfechos reprodutivos de pacientes inférteis com endometriose atendidas no \nCentro de Reprodução Humana do HCRP. \n \nDissertação apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto d a \nUniversidade de São Paulo para obtenção de título de Mestre em Ciências Médicas. \n \nAprovado em: ___/___/_____ \n \n \nBanca Examinadora: \n \n \nProf. Dr.:  __________________________________________________________ \nInstituição:  __________________________________________________________ \nJulgamento:  __________________________________________________________ \n   \nProf. Dr.:  __________________________________________________________ \nInstituição:  __________________________________________________________ \nJulgamento:  __________________________________________________________ \n   \nProf. Dr.:  __________________________________________________________ \nInstituição:  __________________________________________________________ \nJulgamento:  __________________________________________________________ \n \n \n \n\nAGRADECIMENTOS \n \nÀ Deus, por me sustentar em cada passo, e à Nossa Senhora, por ser consolo e guia nos \nmomentos mais difíceis. \nÀ minha esposa, Roberta, por todo amor, paciência e apoio incondicional. \nAos meus pais, Júnior e Cristina, e à minha irmã, Maria Fernanda, por todo carinho e \nincentivo de sempre. \nAo professor J úlio e à professora Ana Carolina,  pela orientação generosa, confiança e \ndedicação ao estudo. \nÀ CAPES - o presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de \nAperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superio r - Brasil (CAPES) - Código de \nfinanciamento 001. \n\n \nRESUMO \n \nCALZAVARA, J. V. S. Desfechos reprodutivos de pacientes inférteis com \nendometriose atendidas no Centro de Reprodução Humana do HCRP.  2025. \nDissertação apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de \nSão Paulo para obtenção de título de Mestre em Ciências Médicas, Ribeirão Preto, 2025.  \n \nA endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido \nendometrial fora do útero. Está associada a repercussões e impactos negativos sobre a \nqualidade de vida e fertilidade das pacientes. Estima-se que 190 milhões de mulheres em \nidade reprodutiva, principal fase acometida, sejam afetadas por essa doença em todo o \nmundo. O objetivo do presente estudo foi a valiar fatores preditores em desfechos \nreprodutivos de mulheres inférteis portadoras de endometriose submetidas à Reprodução \nAssistida (RA) no H ospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP) entre 2016 e 2021.  \nTrata-se de um es tudo observacional tipo corte transversal, com levantamento de dados \nem prontuários médicos das pacientes com endometriose submetidas a tratamento de RA \nentre 2016 a 2021 no HCRP. Foram incluídas apenas pacientes que constavam \nobjetivamente em prontuário  serem portadoras de endometriose documentada. Dados \nobtidos foram inseridos em formulário próprio desenvolvido especificamente para esta \npesquisa. Foram selecionadas um total de 252 pacientes que preenchiam todos os \ncritérios de inclusão e não tinham cri térios de exclusão. Sendo que 70  mulheres (28%) \nengravidaram, destas, 42  pacientes (60%) tiveram par to com nascido vivo, as demais \ntiveram aborto espontâneo (22 ,9%), gestação bioquímica (11,4%) ou outros desfechos \n(5,7%). Dentre as pacientes com desfecho de nascidos vivos, houve significância \nestatística a idade (p=0,0532), o número de embriões (p =0,0015), o número de embriões \ntransferidos (p=0,0224) e o número de oócitos MII (p=0,0594). Sendo assim, o número de \nembriões formado s, de embriões transferidos e oó citos maduros cap tados (MII) são \nvariáveis com diferença para predizer desfecho reprodutivo favorável em pacientes com \nendometriose que foram submetidas a reprodução assistida. \n \nPalavras-chave: Infertilidade; Endometriose; Reprodução Assistida.  \n\n \nABSTRACT \n \nCALZAVARA, J. V. S. Reproductive outcomes of infertile patients with endometriosis \ntreated at the Human Reproduction Center of HCRP. 2025. Dissertation submitted to \nthe Ribeirão Preto Medical School of the University of São Paulo for the degree of Master \nof Medical Sciences, Ribeirão Preto, 2025.  \n \nEndometriosis is a chronic inflammatory disease characterized by the presence of \nendometrial tissue outside the uterus. It is assoc iated with repercussions and negative \nimpacts on the quality of life and fertility of patients. It is estimated that 190 million women \nof reproductive age, the main phase affected, are affected by this disease worldwide. The \nobjective of the present study was to evaluate predictors of reproductive outcomes of \ninfertile women with endometriosis who underwent Assisted Reproduction (AR) at the \nHospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP) between 2016 and 2021. This is an \nobservational, cross-sectional study, carried out by collecting data from medical records of \npatients with endometriosis who underwent AR treatment between 2016 and 2021 at \nHCRP. Only patients who objectively appeared in the medical records as having \ndocumented endometriosis were included. Th e data obtained were entered into a form \nspecifically developed for this research. A total of 252 patients who met all inclusion \ncriteria and had no exclusion cri teria were defined. Of these, 70  women (2 8%) became \npregnant, of which 42 patients (60%) had a live birth, the others had spontaneous abortion \n(22,9%), biochemical pregnancy (11,4%) or other fetuses (5,7%). Among patients with live \nbirths, there was statistical significance to age (p=0,0532), number of embryos (p=0,0015), \nnumber of embryos transferred (p =0,0224) and number of MII oocytes (p =0,0594). \nTherefore, the number of embryos formed, embryos transferred and mature oocytes \nretrieved (MII) are variables with relevance to predict favorable reproductive development \nin patients with endometriosis who underwent assisted reproduction. \n \nKeywords: Infertility; Endometriosis; Assisted Reproduction. \n\n \nSUMÁRIO \n \n1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 08 \n2. JUSTIFICATIVA ..................................................................................................... 12 \n3. OBJETIVO ............................................................................................................. 13 \n4. METODOLOGIA .................................................................................................... 14 \n4.1 Critérios de inclusão ...................................................................................... 14 \n4.2 Critérios de exclusão ..................................................................................... 14  \n4.3 Gestão de dados ............................................................................................ 15 \n4.4 Análise estatística .......................................................................................... 16 \n5. RESULTADOS ....................................................................................................... 18 \n6. DISCUSSÃO .......................................................................................................... 29 \n7. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 33 \nREFERÊNCIAS ..................................................................................................... 34 \nANEXO 1 ............................................................................................................... 38 \nANEXO 2 ............................................................................................................... 43 \n \n\n8 \n \n1  INTRODUÇÃO \nA endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de \ntecido endometrial fora do útero ( Kennedy et al. , 2005 ). Ela está associada a \nrepercussões e impactos negativos sobre a qualidade de vida das pacientes. Além de \nimportante redução da produtividade laboral (C ulley et al., 2013), tem custos econômicos \ndiretos e indiretos na ordem de US$50 bilhões por ano nos Es tados Unidos da América \n(EUA) (Simoens et al., 2012). Estima-se que a prevalência de endometriose na população \nfeminina geral varie de 5 a 10% e até 50%  nas mulheres com infertilidade  (Eskenazi; \nWarner, 1997 ). Embora algumas mulheres possam sofrer com a doen ça após a \nmenopausa, as estimativas são de que ao menos 190 milhões de mulheres na idade \nreprodutiva, principal fase acometida, sejam afetadas por essa doença em todo o mundo  \n(Gemmell et al., 2017). \nDe acordo com a Sociedade Europeia de Reprodução Humana e  Embriologia \n(ESHRE), existe um atraso no diagnóstico da endometriose. Estudos mais recentes \nmostram que o tempo médio para o diagnóstico definitivo varia de 4 a 11 anos, mesmo \nnas populações com acess o universal ao sistema de saúde  (Hudelist et al. , 2012 ). \nConsiderando uma possível progressão da doença em algumas mulheres, é possível que \no diagnóstico precoce esteja associado a uma doença menos extensa e, portanto, \nmelhores resultados clínicos como redução da distorção anatômica dos órgãos pélvicos e \nestruturas reprodutivas e menor comprometimento da fertilidade (Dunselman et al., 2014). \nA laparoscopia com verificação histológica é descrita como método padrão ouro no \ndiagnóstico de endometriose, embora se defenda o tratamento dos sintomas antes do \ndiagnóstico cirúrgico definitivo  (Dunselman et al.,  2014). Mesmo que seguro, a \nlaparoscopia não é isenta de riscos operatórios e é dependente de cirurgiões qualificados, \no que pode limitar o acesso ao procedimento em algumas regiões (Fuentes et al., 2014). \nComo a l aparoscopia é um procedimento com potencial morbidade, desenvolver \numa abordagem diagnóstica não invasiva confiável, com alta sensibilidade e \nespecificidade, acessível e idealmente barata, seria o método preferível. As técnicas de \nimagem comumente utilizad as em ginecologia incluem ultrassonografia (US) e \n\n9 \n \nressonância magnética (RM). Protocolos mais recentes recomendam o uso de US e RM \nno diagnóstico de endometriose, porém, um achado negativo não exclui o diagnóstico da \ndoença, principalmente na doença peritoneal superficial (Becker et al., 2022). Atualmente, \ndiante de suspeita clínica da doença, baseada em sintomas, porém com exames de \nimagem negativos, a opção tem sido pelo tratamento empírico hormonal. Sendo assim, a \nindicação de laparoscopia tem se limitad o aos casos refratários ao tratamento clínico, \nprincipalmente do sintoma de dor ou casos em que há imagem de lesão profunda com \nacometimento funcional de órgãos envolvidos, tais como hematúria, tenesmo vesical, \nestreitamento da luz intestinal, hematoquezia, dentre outros. Nestes casos, a laparoscopia \ndeve ser diagnóstica e ao mesmo tempo terapêutica (Nisenblat et al., 2016). \nA sintomatologia das pacientes é variável, podendo as pacientes estarem \nassintomáticas ou manifestarem sinais e sintomas até incapacit antes. Embora as \nevidências para predizer endometriose, baseadas na apresentação clínica, sejam \nincompletas, os médicos devem considerar esse diagnóstico em mulheres que possam \napresentar dor pélvica, dismenorreia, sangramento menstrual anormal, infertilid ade, \ndispareunia e/ou sangramento pós coito e/ou diagnóstico prévio de cisto ovariano, \nsíndrome do intestino irritável ou doença inflamatória pélvica  (Ballard et al., 2008 ). Em \nestudo prospectivo com mulheres submetidas à laparoscopia para subfertilidade, \nencontrou-se que somente dismenorreia grave  foi preditora de endometrios e (Forman et \nal., 1993), apoiando outros trabalhos que associaram o aumento da gravidade da \ndismenorreia à presença de endometriose (Eskenazi et al., 2001). \nAté o momento, não existe cura para endometriose, apenas controle da doença. O \ntratamento, nos casos em que a queixa principal é a dor, consiste no tratamento \nhormonal, com uso de contraceptivos orais combinados, alguns progestágenos isolados \nou de drogas que induzam ao hipo estrogenismo, como os análogos ou antagonistas do \nGnRH. Essas medidas podem promover a redução do processo inflamatório e \nconsequentemente dos sintomas associados (Crosignani et al., 2006). \nAlém da dor como um dos principais sintomas da doença, as paciente s podem ter \nproblemas associados à fertilidade. Em mulheres com diagnóstico de endometriose, em \ntorno de 25 a 40% são infértei s (Houston et al., 1987). Embora exista uma relação entre \nessa doença e baixa fecundidade, os mecanismos envolvidos ainda são bast ante \n\n10 \n \ncontroversos. Diversas hipóteses foram propostas a fim de elucidar essa relação. A \npresença de aderências pélvicas pode causar alterações mecânicas, que comprometem a \nfertilidade por obst rução das trompas, por exempl o ( Schenken et al. , 1984 ). Além das  \ndistorções anatômicas, vários outros mecanismos são aventados para relacionar a \ninfertilidade à endometriose: comprometimento do processo ovulatório (redução da \nquantidade e qualidade dos oócitos), comprometimento do desenvolvimento folicular e \nluteal, alterações do eixo hipotálamo -hipófise-ovariano, comprometimento da capacidade \nde fertilização dos oócitos, alterações do processo impla ntatório e aumento das taxas de \naborto (Stilley; Birt; Sharpe-Timms, 2012). \nEm alguns casos, os vários distúrbios fisiopat ológicos podem interagir. Parece \nhaver uma associação entre a extensão da doença e o grau de infertilidade na \nendometriose (Guzick et al. , 1997). Entre as mulheres com endometriose mínima/leve, \naproximadamente 50% apresentam gestação espontânea, enquanto e m mulheres com \ndoença moderada, apenas 25% engravidarão espontaneamente, e poucas concepções \nespontâneas ocorrem no caso de doença grave (Olive et al., 1985). \nPorém, trabalhos mais atuais  acreditam que a endometriose s ó teria impacto na \nfertilidade se asso ciada a disfunção tubária, seja por obstrução ou por aderências,  \ninferindo que mulheres com endometriose sem acometimento tub ário teria a mesma \nchance reprodutiva comparada com uma paciente hígida, justificando mais uma vez o \nquanto ainda é obscuro a fisio patologia d a endometriose na infertilidade (Zoccoli ; La \nMarca, 2024). \nAos que defendem que a endometriose impacta a fertilidade por diversos outros \nfatores, acredita-se que os implantes de endometriose induzem uma reação inflamatória \naguda, que está associada ao recrutamento e ativação de células T do organismo. Após a \nresolução da fase aguda, os monócitos e macrófagos mantêm uma inflamação crônica, \nque contribui para a formação de aderências peritoneais e angiogênes e ( Tanbo; \nFedorcsak, 2017). \nAlém do mecanismo acima, a inflamação crônica induzida pela endometriose leva a \num aumento na concentração de interleucina-1β (IL -1β), IL -8, IL -10 e fator de necrose \ntumoral-α em folículos adjacentes a endometriomas , o que  está associado à redução da \n\n11 \n \nresposta ovariana, prejudicando a fertilidad e (Opøien et al., 2013). Outra interleucina (IL) \nparece ter associação com a infertilidade de pacientes com endometriose, a IL -6 presente \nno fluido peritoneal de pacientes com endometriose está elevado e inibe a motilidade dos \nespermatozoides ( Yoshida; Harada; Iwabe, 2004 ). Além disso, o estresse oxidativo, as \nprostaglandinas e as citocinas podem interferir nas interações oócito -espermatozoide, \nprejudicando o desenvolvimento do embrião e dificultar a implantaçã o ( Pellicer et al. , \n1995). \nDiante disso, a fertilização in vitro (FIV) ganha espaço para evitar a exposição dos \noócitos a todos esses meios inflamatórios, uma vez que os o ócitos são aspirados antes \nda exposição (Ata; Somigliana, 2024). \nNos casos em que a queixa principal da paciente é a infertilidade, os tratamentos \nclínicos hormonais habitualmente propostos para tratamento da dor não se aplicam, uma \nvez que na sua maioria impedem a ocorrência d e ovulação. Segundo membros do \nEndometriosis Guideline Core Group, a exérese dos focos de endometriose em situações \nde endometriose mínima e leve parece aumentar a fertilidade espontânea destas \nmulheres. Já para pacientes com endometriose moderada e grave,  que implica \ngeralmente na presença de lesões profundas ou comprometimento da anatomia tubária, a \nrecomendação é de que o melhor custo -benefício ocorre com procedimentos de \nReprodução Assistida (RA) d e alta complexidade (FIV/ICSI ) (Becker et al ., 2022).  A \nrealização de cirurgia para remoção de lesões previamente ao procedimento parece não \naumentar as chances de sucesso do tratamento, além de, no caso dos endometriomas, \npoderem comprometer ainda mais a reserva ovariana da paciente por destruição de \nparênquima adjacente ao cisto no momento da cistectomia (Ata; Unco, 2015). \n\n12 \n \n2  JUSTIFICATIVA \n Tendo em vista a sabida influência negativa da endometriose na vida reprodutiva \ndas mulheres, avaliar fatores preditores de sucesso em desfechos reprodutivos de \nmulheres inférteis portadoras de endometriose  submetidas a técnicas de R eprodução \nAssistida é de extrema importância para melhor caracterização dessas pacientes, e \npoder, então, buscar meios para melhorar seus desfechos reprodutivos.  \n \n \n \n\n13 \n \n3  OBJETIVO \nEste estudo visa avaliar os desfecho s reprodutivos das pacientes portadoras de \nendometriose, submetidas a reprodução assistida  em nosso serviço ao longo de cinco \nanos (2016-2021) e avaliar possíveis fatores preditores de sucesso em seus desfechos \nreprodutivos. \n\n14 \n \n4  METODOLOGIA \nTrata-se de um estudo observacional tipo c orte transversal em que foi realizado o \nlevantamento de dados a partir de prontuários médicos das pacientes com endometriose \nsubmetidas a tratamento de reprodução assistida no período de janeiro de 2016 a \ndezembro de 2021 e dos arquivos de procedimentos do Centro de Reprodução Assistida \ndo HC-FMRP-USP deste mesmo período. Foram incluídos todas as pacientes atendidas \nneste período que realizaram tratamento de reprodução assistida de alta complexidade, \ndesde que constasse objetivamente em prontuário que eram portadoras de endometriose, \ncom diagnóstico bem  documentado. Optado por não realizar grupo controle pois não \npodemos afirmar com certeza a ausência de endometriose nas demais pacientes. \nForam selecionadas um tota l de 252 pacientes que preenchiam todos os critérios \nde inclusão e não tinham os de exclusão listados abaixo.  \n4.1 Critérios de Inclusão: \n- Paciente em tentativa de conceber há pelo menos 12 meses; \n- Diagnóstico de endometriose confirmado por videolaparosc opia ou com imagem \nfortemente suspeita de lesões de endometriose (ultrassonografia ou ressonância \nmagnética da pelve); \n- Submetidas a procedimento de Reprodução Assistida no HC -FMRP entre 2016 a \n2021. \n4.2 Critérios de Exclusão: \n- Preenchimento incompleto do prontuário médico. \n- Pacientes submetidas somente a procedimentos de Reprodução Assistida de \nbaixa complexidade (coito programado ou inseminação intrauterina). \n \n\n15 \n \nAs variáveis analisadas foram: índice de massa corporal (IMC), idade, presença de \nfator masculino, ovulatório ou tubário associados, tipo de infertilidade (primária ou \nsecundária), procedimento ao qual foi submetida, medicamentos utilizados para a indução \nde ovulação, número de dias de indução, droga utilizada para o bloqueio do  eixo \nhipotálamo-hipófise-ovariano, medicamento utilizado  no para disparo da ovulação  \n(trigger), número de folículos puncionados, número de folículos maiores que 14 mm no dia \ndo trigger, número de oócitos maduros (MII) captados, número de embriões formad os, \nnúmero de embriões transferidos e taxa de formação embrionária.  \nOs desfechos avaliados foram: pacientes que não engravidaram, nascidos vivos, \nperda gestacional precoce (abortamento) e gestação bioquímica.  \nNa tentativa de evitar viés no estudo, foi realizada  uma triagem rigorosa das \npacientes incluídas, sendo necessário diagnóstico de certeza de endometriose bem \ndocumentado em prontuário. Aquelas com suspeita diagn óstica apenas pelo quadro \nclínico foram excluídas. \n \n4.3 Gestão de dados: \nFoi elaborado um banco de dados com todas as variáveis citadas acima, em que \nas pacientes foram identificadas pelas iniciais do nome e registro HCRP, sendo os dados \nde identificação de acesso restrito aos pesquisadores responsáveis pelo preenchimento e \nconferência do banco de dados. A coleta de dados e alimentação do banco de dados foi \nrealizado entre outubro de 2023 a março de 2024. \nOs dados estão mantidos na nuvem, de maneira criptograf ada. Estes dados serão \nmantidos armazenados mesmo após o término da pesquisa para eventuais auditorias ou \nchecagem de dados que possam ser requeridos, por um período de 5 anos. \n \n \n \n\n16 \n \n4.4 Análise estatística: \nOs dados obtidos na revisão de prontuário s e regist ros do laboratório foram \ninseridos em formulário próprio desenvolvido especificamente para esta pesquisa. \nFoi realizada uma análise exploratória dos dados considerando as medidas de \nposição central (média e mediana) e de dispersão (desvio padrão e interval o interquartil). \nAs variáveis qualitativas foram sumarizadas considerando as frequências absolutas e \nrelativas. \nO teste Qui -Quadrado foi aplicado para verificar quais das variáveis qualitativas \nestavam associadas de forma independente com os desfechos. \nPara comparar as médias das variáveis quantitativas em relação aos desfechos foi \naplicado o teste t de Student . Foi checado os pressupostos do teste através de gráficos \nde normalidade e de box-plot. \nCom o intuito de reduzir o número de variáveis independentes  no modelo de \nregressão logística foi verificada a colinearidade entre as variáveis independentes \nconsiderando o Variance inflation factor  (VIF). O VIF é uma ferramenta de diagnóstico \namplamente usada na análise de regressão para detectar multicolinearidad e, que é \nconhecida por afetar a estabilidade e a interpretabilidade dos coeficientes de regressão. \nMais tecnicamente, o VIF funciona quantificando o quanto a variação de um coeficiente de \nregressão é inflada devido às correlações entre os preditores. As va riáveis com VIF \nmaiores do que 1 foram desconsideradas do modelo de regressão logística. \nUm modelo de regressão logística penalizado multivariado foi construído para \nverificar quais das variáveis independentes são preditoras dos desfechos de interesse. Foi \nutilizado a abordagem de verossimilhança penalizada de  Firth no modelo de regressão \nlogística, esta ferramenta aborda questões de separabilidade, tamanhos amostrais \npequenos e viés das estimativas dos parâmetros. \nOs resultados foram testados para a normal idade, sendo considerados valores de \np<0,1 para significância estatística.  \nAs análises foram implementadas considerando o programa SAS versão 9.4. \n\n17 \n \n Este estudo  foi aprovado pela comissão de pesquisa do Departamento de \nGinecologia e Obstetrícia (CCP-DGO) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HC-FMRP-\nUSP (n. CA AE 58869122.5.0000.5440). Foi solicitada a dispensa do termo de \nconsentimento por tratar-se de levantamento de banco de dados, inclusive com pacientes \nque já não estão mais em seguimento no serviço. \n \n\n18 \n \n5  RESULTADOS \nFoi realizada uma análise exploratória dos dados considerando as medidas de \nposição central (média e mediana) e de dispersão (desvio padrão e intervalo interquartil). \nFoi construído um modelo de regressão log ística penalizado multivariado com a intenção \nde verificar quais das variáveis independentes são preditores dos desfechos de interesse. \nOs resultados estão expostos em formato de tabelas, separados pelos desfechos \nanalisados – não engravidou, nascimento, perda precoce ou gestação bioquímica. \nNo total, foram 562 pacientes atendidas no serviço no período de 2016 a 2021  com \nendometriose. Destas, 252 atenderam aos critérios de inclusão e exclusão , sendo que 70 \nmulheres apresentaram gestação (28%). Dentre as pac ientes que engravidaram, 42 \ntiveram como desfecho nascidos vivos (60%), 16 apresentaram perda gestacional \nprecoce (22,9%), 8 gestações bioquímicas (11,4%) e 4 tiveram outros desfechos (5,7%).  \nA Tabela 1 trata -se das variáveis quantitativas analisadas. Observa-se a \nsemelhança entre a média do IMC  (Kg/m2) e da idade  (anos) das pacientes que \nengravidaram e as que  não engravidaram (24,67 e 25,31  vs 35,93 e 36,32,  \nrespectivamente). Apresentou diferença estatística nas pacientes que engravidaram maior \nnúmero de oócitos madu ros (MII) (4,93  vs 4,16; p=0,0739), o número de embriões totais \n(3,12 vs 2,4; p=0,0042) e o número de embriões transferidos (1,81 vs 1,65; p=0,0502). \n\n19 \n \nTabela 1 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram separados \npelas variáveis quantitativas analisadas. \nVariável Engravidou N Média Desvio \nPadrão Mediana P-valor \nIMC SIM 68 24,67 3,08 24,3 0,2185 \nNÃO 177 25,31 3,85 24,6 \n \nIdade SIM 70 35,93 3,46 36 0,4273 \nNÃO 182 36,32 3,5 37   \nNúm. folículos \nantrais  \nSIM 67 10,3 7,02 9 0,117 \nNÃO 180 8,82 6,38 7 \n Núm. folículos \nmaiores 14mm \nSIM 67 5,52 3,04 5 0,8802 \nNÃO 180 5,42 5,42 4,5   \nNúm. MII SIM 68 4,96 2,94 4 0,0739 \nNÃO 181 4,16 3,18 3 \n Núm. \nembriões \nSIM 68 3,12 2,07 2 0,0042 \nNÃO 181 2,4 1,6 2   \nNúm. \nembriões \ntransferidos \nSIM 68 1,81 0,43 2 0,0502 \nNÃO 181 1,65 0,6 2 \n Taxa de \nformação \nembrionária \nSIM 68 69,56 27,26 71 0,6487 \nNÃO 180 67,76 27,85 67   \nFonte: Calzavara (2025). \n \nDentre as variáveis qualitativas analisadas neste grupo, representadas na Tabela \n2, destaca -se principalmente a presença de quase metade da amostra com fator \nmasculino associado (44,29%) , com diferença estatística (p=0,0938).  A infertilidade \nprimária foi absoluta (100%; p=<0,0001 ) entre todas as pacientes que engravidaram. \nAinda, o diagnóstico cirúrgico predominante nas pacientes que engravidaram (56,06%) \napresentou diferença estatística nesse grupo (p=0,0244). \n\n20 \n \nTabela 2 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram separados pelas \nvariáveis qualitativas analisadas. \n  Engravidaram   \n  SIM NÃO P-valor \nFator \nmasculino \n   NÃO 39 (55,71) 122 (67,03) 0,0938 \nSIM 31 (44,29) 60 (32,97) \n Fator \novulatório       \nNÃO 64 (91,43) 157 (86,26) 0,2635 \nSIM 6 (8,57) 25 (13,74)   \nFator tubário       \nNÃO 49 (70) 140 (76,92) 0,2556 \nSIM 21 (30) 42 (23,08)   \nSomente \nendometriose \n   NÃO 40 (57,14) 92 (50,55) 0,3479 \nSIM 30 (42,86) 90 (49,45) \n Tipo \ninfertilidade       \nPRIMÁRIA 70 (100) 124 (68,13) <,0001 \nSECUNDÁRIA 0 (0) 58 (31,87)   \nTransferência \nde embriões       \nD2 27 (38,57) 61 (33,52) 0,5099 \nD3 37 (52,86) 110 (60,44) \n D5 6 (8,57) 11 (6,04)   \nRealizou \ncirurgia    \nNÃO 32 (46,38) 73 (41,48) 0,4858 \nSIM 37 (53,62) 103 (58,52)  \nDiagnóstico    \nIMAGEM 29 (43,94) 104 (60,12) 0,0244 \nCIRÚRGICO 37 (56,06) 69 (39,88)  \nFonte: Calzavara (2025). \n \nApós análise multivariada, observa -se que o número de oócito s maduros (MII) \ncaptados (IC95% 1,004; 0,887 -1,137), número de embriões totais  (IC95% 1,329; 1,043 -\n1,692), número de embriões transferidos (IC95% 1,144; 0,635 -2,06) e o tipo de \ninfertilidade (IC95% 83,285; 4,82 -999), tiveram diferença estatística para a concepção \ndessas pacientes (Tabela 3).  \n\n21 \n \nTabela 3 - Resultados da análise multivariada de pacientes com end ometriose que \nengravidaram, com diferença estatística. \nEngravidaram OR IC 95% \nLI LS \nNúm. MII 1,004 0,887 1,137 \nNúm. Embriões 1,329 1,043 1,692 \nNúm. Embriões \nTransferidos 1,144 0,635 2,06 \nTipo de Infertilidade 83,285 4,82 999 \nFonte: Calzavara (2025). \n \nA Tabela 4 retrata as variáveis quantitativas do desfecho de nascidos vivos. O IMC \ne a idade mantêm -se uma semelhança entre  as mé dias os dois grupos, com desfecho \nfavorável e desfavorável (24,92 e 35,26 vs 25,17 e 36,4, respectivamente) , porém neste \ngrupo a idade apresentou diferença estatística (p=0,0532) , além do número de oócitos \nmaduros (p=0,0594), número de embriões (p=0,0015) e embriões transferidos (p=0,0224). \nTabela 4 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e nasceram, \nseparados pelas variáveis quantitativas analisadas. \nVariável Nascidos \nvivos N Média Desvio \nPadrão Mediana P-valor \nIMC NÃO 204 25,17 3,72 24,5 0,6828 \nSIM 41 24,92 3,36 24,3 \n Idade NÃO \nSIM \n210 \n42 \n36,4 \n35,26 \n3,47 \n3,45 \n37 \n35,5 0,0532 \nNúm. \nfolículos \nantrais  \nNÃO 206 9,12 6,49 8 0,5706 \nSIM 41 9,76 7,05 9 \n Núm. \nfolículos \nmaiores \n14mm \nNÃO 206 5,47 5,2 5 0,8544 \nSIM 41 5,32 2,82 5 \n \nNúm. MII NÃO 208 4,21 3,11 3 0,0594 \nSIM 41 5,22 3,14 5 \n Núm. \nembriões \nNÃO 208 2,44 1,61 2 0,0015 \nSIM 41 3,39 2,26 3 \n Núm. \nembriões \ntransferidos \nNÃO 208 1,66 0,58 2 0,0224 \nSIM 41 1,88 0,4 2 \n Taxa de \nformação \nembrionária \nNÃO 207 67,47 27,81 67 0,3157 \nSIM 41 72,22 26,79 75 \n Fonte: Calzavara (2025). \n\n22 \n \nDentre as variáveis qualitativas analisadas neste grupo, representadas na Tabela \n5, metade das pacientes tinham fator masculino associado,  com diferença estatística \n(p=0,0401), e fator tubário (38,1% ; p=0,0318 )  O tipo do diagnóstico nesse gru po de \npacientes também apresentou diferença estatística (p=0,0975). \nTabela 5 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e nasceram, \nseparados pelas variáveis qualitativas analisadas. \n  Nascidos vivos   \n  NÃO SIM P-valor \nFator \nmasculino \n   NÃO 140 (66,67) 21 (50) 0,0401 \nSIM 70 (33,33) 21 (50) \n Fator \novulatório       \nNÃO 181 (86,19) 40 (95,24) 0,1032 \nSIM 29 (13,81) 2 (4,76)   \nFator tubário       \nNÃO 163 (77,62) 26 (61,9) 0,0318 \nSIM 47 (22,38) 16 (38,1)   \nSomente \nendometriose       \nNÃO 106 (50,48) 26 (61,9) 0,1758 \nSIM 104 (49,52) 16 (38,1)   \nTipo \ninfertilidade \n   PRIMÁRIA 152 (72,38) 42 (100) 0,1758 \nSECUNDÁRIA 58 (27,62) 0 (0) \n Transferência \nde embriões       \nD2 71 (33,81) 17 (40,48) 0,4444 \nD3 126 (60) 21 (50) \n D5 13 (6,19) 4 (9,52)   \nRealizou \ncirurgia    \nNÃO 86 (42,36) 19 (45,24) 0,7319 \nSIM 117 (57,64) 23 (54,76)  \nDiagnóstico    \nIMAGEM 116 (58,00) 17 (43,59) 0,0975 \nCIRÚRGICO 84 (42,00) 22 (56,41)  \nFonte: Calzavara (2025). \n\n23 \n \nApós análise multivariada, observa-se que o número de número de embriões totais \n(IC95% 1,384; 1,151 -1,666) e o tipo de infertilidade (IC95% 47,541; 2,53 -893,386), \ntiveram diferença estatística para o desfecho favorável dessas pacientes (Tabela 6).  \n \nTabela 6 - Resultados da análise multivariada de pacientes com endometrio se que \nengravidaram e nasceram, com diferença estatística. \nNascidos vivos OR IC 95% \nLI LS \nNúm. embriões 1,384 1,151 1,666 \nTipo infertilidade 47,541 2,53 893,386 \nFonte: Calzavara (2025). \n \nO próximo desfe cho avaliado trata -se de pacientes que engravidaram, porém \ntiveram perda gestacional precoce (abortamento), independente do motivo. A Tabela 7  \nretrata as variáveis quantitativas analisadas neste grupo. Nenhuma das variáveis \napresentou diferença estatística neste grupo. \n\n24 \n \nTabela 7 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e tiveram \nperda gestacional precoce, separados pelas variáveis quantitativas analisadas. \nVariável Perda \nprecoce N Média Desvio \nPadrão Mediana P-valor \nIMC NÃO 230 25,15 3,71 24,45 0,7959 \nSIM 15 24,89 2,84 24,5 \n \nIdade NÃO 236 36,22 3,53 37 0,8613 \nSIM 16 36,06 2,82 37 \n Núm. folículos \nantrais  \nNÃO 232 9,11 6,5 8 0,2811 \nSIM 15 11 7,71 8 \n Núm. folículos \nmaiores 14mm \nNÃO 232 5,44 4,97 5 0,8996 \nSIM 15 5,6 3,54 4 \n \nNúm. MII NÃO 234 4,36 3,18 3 0,7129 \nSIM 15 4,67 2,26 4 \n \nNúm. embriões NÃO 234 2,57 1,76 2 0,3641 \nSIM 15 3 1,85 2 \n Núm. embriões \ntransferidos \nNÃO 234 1,68 0,57 2 0,2238 \nSIM 15 1,87 0,35 2 \n Taxa de \nformação \nembrionária \nNÃO 233 68,33 27,84 67 0,8717 \nSIM 15 67,13 25,17 67 \n \nFonte: Calzavara (2025). \n \nDentre as variáveis qualitativas neste grupo  (Tabela 8) , nenhuma variável \napresentou diferença estatística. \n\n25 \n \nTabela 8 - Resultados pacientes com endometriose que engravidaram e tiveram \nperda gestacional precoce, separados pelas variáveis qualitativas analisadas. \n  Perda precoce   \n  NÃO SIM P-valor \nFator \nmasculino \n   NÃO 150 (63,56) 11 (68,75) 0,6757 \nSIM 86 (36,44) 5 (31,25) \n Fator \novulatório       \nNÃO 206 (87,29) 15 (93,75) 0,4463 \nSIM 30 (12,71) 1 (6,25)   \nFator tubário       \nNÃO 175 (74,15) 14 (87,5) 0,2328 \nSIM 61 (25,85) 2 (12,5)   \nSomente \nendometriose \n   NÃO 126 (53,39) 6 (37,5) 0,2181 \nSIM 110 (46,61) 10 (62,5) \n Tipo \ninfertilidade       \nPRIMÁRIA 178 (75,42) 16 (100) 0,0238 \nSECUNDÁRIA 58 (24,58) 0 (0)   \nTransferência \nde embriões       \nD2 82 (34,75) 6 (37,5) 0,539 \nD3 137 (58,05) 10 (62,5) \n D5 17 (7,2) 0 (0)   \nRealizou \ncirurgia    \nNÃO 98 (42,79) 7 (43,75) 0,9405 \nSIM 131 (57,21) 9 (56,25)  \nDiagnóstico    \nIMAGEM 126 (56,5) 7 (43,75) 0,3213 \nCIRÚRGICO 97 (43,5) 9 (56,25)  \nFonte: Calzavara (2025). \n \nNeste cenário, após análise multivariada, apenas o tipo  de infertilidade (IC95% \n12,881; 1,204-137,783) teve diferença estatística (Tabela 9).  \n \n\n26 \n \nTabela 9 - Resultados da análise multivariada de pacientes com endometriose que \nengravidaram e tiveram perda gestacional precoce, com diferença estatística. \nPerda precoce OR IC 95% \nLI LS \nTipo infertilidade 12,881 1,204 137,783 \nFonte: Calzavara (2025). \n \nO último desfecho analisado, gestação bioquímica, ou seja, aquelas que positivam \nBeta-hCG, porém não desenvolveram saco gestacional, destaca-se, nas variáveis \nquantitativas (Tabela 10), a idade média mais avançada nesse grupo (39 ; p=0,0211) e o \nnúmero de embriões transferidos menor nesse grupo, com diferença estatística (p=0,023). \n \nTabela 10  - Resultados pacientes com endometriose que tiveram gestação \nbioquímica, separados pelas variáveis quantitativas analisadas. \nVariável Gestação \nbioquímica N Média Desvio \nPadrão Mediana P-valor \nIMC NÃO 237 25,17 3,69 24,5 0,3644 \nSIM 8 23,98 2,03 23,8 \n \nIdade NÃO 244 36,12 3,46 37 0,0211 \nSIM 8 39 3,38 41 \n Núm. folículos \nantrais  \nNÃO 240 9,18 6,57 8 0,5059 \nSIM 7 10,86 7,01 9 \n Núm. folículos \nmaiores 14mm \nNÃO 240 5,41 4,92 5 0,4869 \nSIM 7 6,71 3,59 7 \n \nNúm. MII NÃO 241 4,36 3,12 3 0,6487 \nSIM 8 4,88 3,6 3,5 \n Núm. \nembriões \nNÃO 241 2,61 1,76 2 0,7166 \nSIM 8 2,38 1,85 1,5 \n Núm. \nembriões \ntransferidos \nNÃO 241 1,71 0,56 2 0,023 \nSIM 8 1,25 0,46 1 \n Taxa de \nformação \nembrionária \nNÃO 240 68,6 27,47 67 0,2755 \nSIM 8 57,75 32,8 46,5 \n \nFonte: Calzavara (2025). \n \n\n27 \n \nA Tabela 11 descreve as variáveis qualitativas deste cenário , porém nenhuma variável \ncom diferença estatística. \nTabela 11  - Resultados pacientes com endometriose que tiveram gestação \nbioquímica, separados pelas variáveis qualitativas analisadas. \n  Gestação bioquímica   \n  NÃO SIM P-valor \nFator \nmasculino \n   NÃO 156 (63,93) 5 (62,5) 0,9338 \nSIM 88 (36,07) 3 (37,5) \n Fator \novulatório       \nNÃO 215 (88,11) 6 (75) 0,2664 \nSIM 29 (11,89) 2 (25)   \nFator tubário       \nNÃO 184 (75,41) 5 (62,5) 0,4067 \nSIM 60 (24,59) 3 (37,5)   \nSomente \nendometriose \n   NÃO 127 (52,05) 5 (62,5) 0,5603 \nSIM 117 (47,95) 3 (37,5) \n Tipo \ninfertilidade       \nPRIMÁRIA 186 (76,23) 8 (100) 0,116 \nSECUNDÁRIA 58 (23,77) 0 (0)   \nTransferência \nde embriões       \nD2 86 (35,25) 2 (25) 0,1101 \nD3 143 (58,61) 4 (50) \n D5 15 (6,15) 2 (25)   \nRealizou \ncirurgia    \nNÃO 102 (42,86) 3 (42,86) 1,0000 \nSIM 136 (57,14) 4 (57,14)  \nDiagnóstico    \nIMAGEM 130 (56,03) 3 (42,86) 0,4893 \nCIRÚRGICO 102 (43,97) 4 (57,14)  \nFonte: Calzavara (2025). \n \nApós análise multivariada, observa -se que a idade (IC95% 1,359; 1,056 -1,749), o \nIMC (IC 95% 0,928; 0,762 -1,131), o número de oócitos maduros (MII) captados (IC95% \n\n28 \n \n0,993; 0,767-1,285), número de embriões totais (IC95% 1,38; 0,83-2,292) e o número de \nembriões transferidos (IC95% 0,201; 0,047 -0,86) tiveram diferença estatística para o \ndesfecho desfavorável dessas pacientes (Tabela 12).  \n \nTabela 12  - Resultados da análise multivariada de pacientes com endometrios e \nque engravidaram e tiveram gestação bioquímica, com diferença estatística. \nGestação bioquímica OR IC 95% \nLI LS \nIdade 1,359 1,056 1,749 \nIMC 0,928 0,762 1,131 \nNúm. MII 0,993 0,767 1,285 \nNúm. embriões 1,38 0,83 2,292 \nNúm. embriões \ntransferidos 0,201 0,047 0,86 \nFonte: Calzavara (2025). \n\n29 \n \n6  DISCUSSÃO  \nÉ sabido e bem documentado na literatura que a endometriose é uma doença \nmultifatorial, subdiagnosticada e tem íntima relação com infertilidade, principalmente em \nestágios avançados de endometri ose profunda. Porém, o que n ão há consenso e \nnecessita ainda mais estudos, é como a endometriose pode impactar a fertilidade d essas \npacientes, e principalmente se existem fatores que podem predizer sucesso no tratamento \nda infertilidade.  \nNo presente estud o, apenas 28% das pacientes com endometriose apresentaram \ncomo desfecho gestação, porém menos ainda, apenas aproximadamente 17% tiveram \ncomo desfecho nascido vivo , e as demais tiveram abortamento ou gestação bioquímica.  \nConsiderando a estimativa  segundo a ESHRE de aproximadamente 50% de chance de \nsucesso de gestação com FIV em pacientes entre 35 e 37 anos (mesma m édia das \npacientes do nosso estudo), houve de fato uma queda na taxa de sucesso de gestação \ndas pacientes com endometriose neste estudo.  \nSemelhante a isso, Harb HM et al. realizou uma metanálise com 27 estudos \nevidenciando uma diminuição na taxa de implantação e gravidez clínica em mulheres com \nendometriose profunda (graus III/IV) submetidas a fertitilização in vitro (Harb et al., 2013).  \nAnalisando o contexto, as pacientes que engravidaram neste estudo apresentaram \naproximadamente 1,5 folículos antrais a mais, comparado com as pacientes que não \nengravidaram, além de maior número de oócitos maduros e, consequentemente, maior \nnúmero de embriões for mados e transferidos. Por outro lado, quase 50% dessas \npacientes tinham fator masculino associado , todos esses dados com diferença estatística \npara o sucesso de uma gestação . Acredita-se que esses achados podem estar \nrelacionados tanto à menor fo rmação de óvulos maduros por fatores ainda não bem \ndefinidos, quanto pela maior dificuldade de puncionar folículos em pacientes com \nendometrioma, um verdadeiro obstáculo mecânico na coleta oocitária  (Zoccoli et al., \n2024).  \nEm contrapartida, Somigliana et al., mostrou em seu estudo em 2023 que a taxa de \nblastocistos euploides de mulheres com endometriose foi semelhante à de mulheres com \n\n30 \n \na mesma idade sem endometriose, mostrando que talvez a endometriose n ão tenha \nimpacto direto na qualidade oocitá ria, sendo maior o impacto na quantidade de oócitos, e \nconsequentemente na menor formação embrionária, o que corrobora com achados do \nnosso estudo.  \nEste mesmo autor pondera em um outro artigo a influência da adenomiose \nsobreposta nas pacientes com endometriose, que muitas vezes é subdignosticada, e que \npoderia impactar na implantação embrionária e piores resultados de gravidez em \npacientes desse grupo (Ata; Somigliana, 2024) \nHamdan et al., em 2015, publicou uma metanálise com 36 estudos comparando \nmulheres com e sem endometriose submetidas a técnicas de reprodução assistida de alta \ncomplexidade. Foi observado semelhança entre as taxas de nascidos vivos, porém \npacientes com endometriose apresentaram menor taxa de gravidez clínica, menor número \nde oócitos ca ptados por ciclo  (diferença de aproximadamente 2 oócitos por ciclo)  e taxa \nde aborto espontâneo semelhante, achados equivalentes com nosso estudo.   \nHá um dilema sobre o impacto do tratamento cirúrgico na melhora das taxas de \nnascidos vivos e gravidez em p acientes com endometriose. Este estudo  não mostrou  \ndiferença estatística da cirurgia na melhora dessas taxas , porém cerca de 54% das \npacientes que engravidaram realizaram algum procedimento cirúrgico previamente para \nendometriose, mas nosso estudou não separou pacientes submetidas a cirurgia ovariana \npara endometriose ou abordagem de focos  de endometriose em outros sítios . Inclusive, \nem pacientes com endometrioma, já é documentado na literatura o impacto negativo da \ncirurgia, com danos ao córtex o variano e consequente diminuição da reserva ovariana  \n(Rangi et al., 2023).  \nEm pacientes com endometrioma ou outras topografias de focos de endometriose \ncom programação cirúrgica, com indicação de reprodução assistida de alta complexidade, \nseja devido à en dometriose ou outro fator de infertilidade, é prudente e praticamente \nconsenso na literatura a realização do ciclo de FIV antes da cirurgia. No estudo de Santulli \net al. (2021), foram incluídas 146 mulheres e totalizou 258 ciclos de estimulação ovariana, \ne evidenciou que mulheres com histórico de cirurgia ovariana para endometriose \napresentou uma menor quantidade de óvulos na punção ovariana. \n\n31 \n \nNa nossa amostra, a idade média (anos) e IMC médio (Kg/m²) dos dois grupos \nprincipais (engravidaram vs não engravidaram) foi semelhante (24,67 e 25,31 vs 35,93 e \n36,32, respectivamente), motivo pelo qual não teve diferença estatística em nossa \namostra, porém é sabido e documentado na literatura a influência negativa da idade \navançada e da obesidade na fertilidade (Cobo et al., 2020).   \nEm 2020, Cobo et al. publicaram um estudo de coorte retrospectivo que incluiu 485 \npacientes com endometriose . A idade média foi de 35,7 anos, semelhante à do nosso \nestudo, e mostrou um maior número de óvulos congelados em pacie ntes não cirúrgicas e, \nainda, pacientes menores que 35 anos tiveram uma resposta ovariana maior e maior taxa \nde nascidos vivos, corroborando para o forte impacto da variável idade na fertilidade.  \nAinda, em nosso estudo, as pacientes que engravidaram apres entavam maior \nnúmero de folículos antrais (10,3 vs 8,82), maior número de oócitos maduros (MII) (4,93 \nvs 4,16), maior número de embriões totais formados (3,12 vs 2,4) e de embri ões \ntransferidos (1,81 vs 1,65), o  que corrobora com achados da literatura (Cobo et al., 2020; \nSantulli et al., 2021).  \nSantulli et al. em 2021 avaliou fatores prognósticos na preservação da fertilidade de \npacientes com endometriose . Os dois fatores que mais implicaram negativamente no \nnúmero de oócitos recuperados foi a história de cirurgia para endometriose ovariana a \nidade da paciente e a dose total de gonadotrofina utilizada.  \nEm relação às pacientes com endometriose que apresentaram gestação não \nevolutiva, abortamento ou gestação bioquímica, Sachs et. a l, em 2023, publicou um \nestudo caso-controle com 66 transferências de pacientes com endometriose e comparou \ncom 96 mulheres com infertilidade sem causa aparente, e um dos desfechos avaliados foi \na taxa de abortamento. Em seu estudo, a taxa de aborto espont âneo foi maior no grupo \ncom endometriose (19,7% vs. 7,3%, p = 0,018) e em relação ao estágio da endometriose, \nfoi maior em pacientes com est ágio III/IV (p=0,030). Em nosso estudo, nenhuma variável \nteve relevância estatística para o desfecho de abortamento.  Já em pacientes com \ngestação bioquímica, a idade e o n úmero de embriões transferidos houve diferença \nestatística para o desfecho de gestação bioquímica.   \n\n32 \n \nUma limitação do nosso estudo é que, devido à sua natureza observacional e \ndescritiva, ele não incluiu um grupo controle, o que permitiria a comparação dos \nresultados obtidos por pacientes com endometriose com aqueles obtido s por controles \nnão afetados pela doença no mesmo grupo de pacientes . Outro fator limitante para a não \nrealização de grupo controle foi a restrição de informações nos prontuários das pacientes, \nnão podendo descartar que algumas dessas pacientes também apre sentassem \nendometriose em estágios mais iniciais, subdiagnosticadas. Além disso, fatores \nintimamente relacionados com infertilidade não foram considerados, como comorbidades \ndas pacientes, estilo de vida.  \n\n33 \n \n7   CONCLUSÃO \nNosso estudo mostrou que o número de embriões formados, o número de \nembriões transferidos e  o número de oócitos maduros captados (MII) para predizer \ndesfecho reprodutivo favorável em pacientes com endometriose que foram submetidas a \nreprodução assistida de alta complexidade.  \nPortanto, concluímos que a endometriose seja uma potencial causa de um menor \nnúmero de oócitos captados e menor qualidade oocitária, formando menor  número de \nembriões e consequentemente gerando menores taxas de gravidez cl ínica e de nascidos \nvivos.  \nOs achados fornecidos neste estudo podem ser úteis para fins de avaliação das \ncaracterísticas do serviço, além de servir para aconselhamento às pacientes, visto que a \nendometriose está cada vez mais frequente e diagnosticada em nosso meio, graças aos \navanços na área.  \n\n34 \n \nREFERÊNCIAS \n1. 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O tratamento de escolha nos casos\nde endometriose, em que a queixa principal é a infertilidade, é a Reprodução Assistida (RA) de alta\ncomplexidade (fertilização in vitro). Sendo o HCRP um dos poucos serviços que oferecem RA para\npacientes do SUS, temos grande casuística de pacientes portadoras desta condição.\nApresentação do Projeto:\nAvaliar os desfechos reprodutivos de mulheres inférteis portadoras de endometriose submetidas à\nReprodução Assistida no HCFMRP-USP entre 2016 e 2021, e identificar fatores prognósticos de sucesso\nreprodutivo nesta mesma população.\nObjetivo da Pesquisa:\nRiscos: Por tratar-se de levantamento de dados de prontuários médicos, apesar de estar previsto\nAvaliação dos Riscos e Benefícios:\nReprodução Humana (pesquisas que se ocupam com o funcionamento do aparelho\nreprodutor, procriação e fatores que afetam a saúde reprodutiva de humanos, sendo que\nnessas pesquisas serão considerados \"participantes da pesquisa\" todos os que forem\nafetados pelos procedimentos delas):\n(Reprodução Humana que não necessita de análise ética por parte da CONEP;);\nFinanciamento PróprioPatrocinador Principal:\n14.048-900\n(16)3602-2228 E-mail: cep@hcrp.usp.br\nEndereço:\nBairro: CEP:\nTelefone:\nCAMPUS UNIVERSITÁRIO\nMONTE ALEGRE\nUF: Município:SP RIBEIRAO PRETO\nFax: (16)3633-1144\nPágina 01 de  04\n\nUSP - HOSPITAL DAS\nCLÍNICAS DA FACULDADE DE\nMEDICINA DE RIBEIRÃO\nPRETO DA USP -\nContinuação do Parecer: 5.439.878\numa banco de dados protegidos e criptografados na plataforma RedCAP, com acesso restrito apenas a\nalguns dos pesquisadores às informações brutas e anonimização dos dados após inserção no banco, há\nsempre o risco de quebra de sigilo destes bancos.\nBenefícios:\nNão haverá benefício direto da pesquisa aos sujeitos de pesquisa. O benefício será pela ampliação do\nconhecimento na área, a fim de informar prognóstico e eventualmente reformulaçao de protocolos\nassistenciais para pacientes futuras com a mesma doença (endometriose).\nTrata-se de um estudo de caso-controle em que será realizado o levantamento de dados a partir de\nprontuários médicos das pacientes com Endometriose submetidas a tratamento de Reprodução Assistida no\nperíodo de 2016 a 2021 e dos arquivos de procedimentos do Centro De Reprodução Assistida do HCFMRP-\nUSP deste mesmo período (para os desfechos do laboratório de embriologia- registro oficial da clínica de\nReprodução Assistida). Como grupo controle serão avaliadas pacientes inférteis submetidas a procedimento\nde Reprodução Assistida no serviço ao longo deste mesmo período, pareadas por IMC e idade com as\npacientes e que não sejam portadoras de endometriose. Por ser esta uma amostra de conveniência, a\ndeterminação do tamanho da amostra foi baseado no N de casos de reprodução Assistida no período e na\nprevalência de endometriose obtida em estudo prévio realizado no serviço. Estima-se haverá cerca de 500\npacientes com endometriose no período e será selecionado o mesmo N de pacientes no grupo controle,\npareando-as por IMC e idade.\nComentários e Considerações sobre a Pesquisa:\nDocumentos devidamente apresentados. Solicita a dispensa de aplicação do Termo de Consentimento Livre\ne Esclarecido. Trata-se de projeto de levantamento de dados de prontuário e registros do laboratório de\nReprodução Assistida do HCRP-FMRP, de pacientes submetidas a procedimentos de Reprodução Assistida\nno período de 2016 a 2021. Muitas destas pacientes já concluíram seus tratamentos e não se encontram\nmais em acompanhamento neste serviço e ainda, muitas destas pacientes são de fora de Ribeirão Preto,\numa vez que para procedimentos de Reprodução de alta complexidade esse serviço é referência para toda\na DRS-XIII.\nConsiderações sobre os Termos de apresentação obrigatória:\nnão se aplica\nRecomendações:\n14.048-900\n(16)3602-2228 E-mail: cep@hcrp.usp.br\nEndereço:\nBairro: CEP:\nTelefone:\nCAMPUS UNIVERSITÁRIO\nMONTE ALEGRE\nUF: Município:SP RIBEIRAO PRETO\nFax: (16)3633-1144\nPágina 02 de  04\n\nUSP - HOSPITAL DAS\nCLÍNICAS DA FACULDADE DE\nMEDICINA DE RIBEIRÃO\nPRETO DA USP -\nContinuação do Parecer: 5.439.878\nDiante do exposto e à luz da Resolução CNS 466/2012, o projeto de pesquisa, assim como a solicitação de\ndispensa de aplicação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, podem ser enquadrados na\ncategoria APROVADO.\nConclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:\nProjeto Aprovado: Tendo em vista a legislação vigente, devem ser encaminhados ao CEP, relatórios parciais\nanuais referentes ao andamento da pesquisa e relatório final ao término do trabalho. Qualquer modificação\ndo projeto original deve ser apresentada a este CEP em nova versão, de forma objetiva e com justificativas,\npara nova apreciação.\nConsiderações Finais a critério do CEP:\nEste parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:\nTipo Documento Arquivo Postagem Autor Situação\nInformações Básicas\ndo Projeto\nPB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P\nROJETO_1951750.pdf\n20/05/2022\n11:28:01\nAceito\nOutros Folha_de_rosto_CEP_assinada2.pdf 20/05/2022\n11:27:24\nAna Carolina Japur\nde Sá Rosa e Silva\nAceito\nProjeto Detalhado /\nBrochura\nInvestigador\nPROJETO_ENDOMTRIOSE_INFERT3.\npdf\n20/05/2022\n11:22:59\nAna Carolina Japur\nde Sá Rosa e Silva\nAceito\nCronograma Cronograma_2.pdf 20/05/2022\n11:22:18\nAna Carolina Japur\nde Sá Rosa e Silva\nAceito\nTCLE / Termos de\nAssentimento /\nJustificativa de\nAusência\nSOLICITACAO_DISPENSA_TCLE_PRO\nJETO_EDT_INFERTILIDADE_ASSINAD\nO.pdf\n20/05/2022\n11:21:49\nAna Carolina Japur\nde Sá Rosa e Silva\nAceito\nFolha de Rosto Folha_de_rosto_CEP_assinada.pdf 20/05/2022\n00:49:38\nAna Carolina Japur\nde Sá Rosa e Silva\nAceito\nOrçamento Orcamento.pdf 20/05/2022\n00:49:11\nAna Carolina Japur\nde Sá Rosa e Silva\nAceito\nSituação do Parecer:\nAprovado\nNecessita Apreciação da CONEP:\nNão\n14.048-900\n(16)3602-2228 E-mail: cep@hcrp.usp.br\nEndereço:\nBairro: CEP:\nTelefone:\nCAMPUS UNIVERSITÁRIO\nMONTE ALEGRE\nUF: Município:SP RIBEIRAO PRETO\nFax: (16)3633-1144\nPágina 03 de  04\n\nUSP - HOSPITAL DAS\nCLÍNICAS DA FACULDADE DE\nMEDICINA DE RIBEIRÃO\nPRETO DA USP -\nContinuação do Parecer: 5.439.878\nRIBEIRAO PRETO, 31 de Maio de 2022\nMARCIA GUIMARÃES VILLANOVA\n(Coordenador(a))\nAssinado por:\n14.048-900\n(16)3602-2228 E-mail: cep@hcrp.usp.br\nEndereço:\nBairro: CEP:\nTelefone:\nCAMPUS UNIVERSITÁRIO\nMONTE ALEGRE\nUF: Município:SP RIBEIRAO PRETO\nFax: (16)3633-1144\nPágina 04 de  04\n\n43 \n \nANEXO 2 \n \nPLANILHA DE EXTRAÇÃO DE DADOS. \n \n \n\nRegistro imc age f_masc f_ovul f_tub f_endom t_infert clas_emb f_antral f_maior14 n_mii n_emb n_emb_transfer t_form_emb cx_endom\n0244797A 22,3 27 0 0 0 1 0 2 10 6 4 3 2 75 1\n1423061F 22,7 27 0 0 0 1 0 3 5 1 1 1 1 100 1\n1281284J 25,7 27 0 0 0 1 0 3 1 2 3 2 2 67 1\n0244797A 21,3 28 0 0 0 1 0 5 9 7 8 4 2 50 1\n1510519G 28 28 1 0 1 0 0 2 11 6 8 4 2 50 0\n1225518I 33,1 29 1 0 1 0 0 3 14 7 12 8 2 67 1\n1356255D 21,7 29 0 0 0 1 1 3 20 8 9 8 2 89 1\n1361778E 27,5 29 0 1 0 0 1 2 37 4 5 2 2 40 0\n1447114D 21 29 0 0 0 1 1 5 8 6 3 1 1 33 0\n0209085k 30 1 0 0 0 0 5 3 3 3 1 1 33 1\n1392677I 23,4 30 0 0 0 1 0 3 11 3 2 2 2 100 1\n0801593J 24,3 30 1 0 0 0 0 2 7 2 1 1 1 100 1\n0678661I 28,7 30 1 0 0 0 0 3 16 8 10 10 2 100 1\n1325752J 34,5 30 1 0 0 0 1 3 0 2 3 3 2 100 1\n0487360B 24,3 30 1 0 0 0 0 3 8 8 8 5 2 63 0\n1137344C 23,3 31 0 0 0 1 0 2 19 12 4 2 1 50 1\n1399888F 20,6 31 1 0 0 0 0 3 16 3 5 2 2 40 0\n1369773C 19,8 31 0 0 1 0 0 2 2 2 1 1 1 100 0\n0801593J 25,5 31 1 0 0 0 0 2 12 6 2 1 1 50 1\n1382965H 22,5 31 1 0 0 0 0 3 13 8 4 2 2 50 1\n1444109F 28,2 31 0 0 0 1 1 3 13 4 2 2 2 100 0\n1458271G 28,1 31 1 0 0 0 1 3 9 3 3 2 2 67 0\n1335186D 31,7 31 1 0 1 0 0 3 11 6 5 2 2 40 1\n0198429K 20 31 1 0 0 0 0 3 9 4 4 3 2 75 1\n\n1297868G 21 32 1 0 0 0 0 3 3 3 7 5 2 71 0\n0474883E 21,5 32 1 0 0 0 0 3 30 22 25 5 5 20 0\n1460997A 18,8 32 0 1 0 0 0 2 4 3 2 2 1 100 1\n1363677K 24,6 32 0 0 0 1 0 3 5 4 7 6 2 86 1\n1558736I 25,9 32 0 0 0 1 0 3 7 7 2 1 1 50 1\n1369011G 22,1 32 1 0 0 0 0 3 11 4 5 4 2 80 1\n1520787G 27,6 32 1 0 1 0 0 3 10 5 6 3 2 50 0\n1386077H 22,5 32 0 0 0 1 1 3 19 5 5 5 2 100 1\n1410518D 26,9 32 0 0 0 1 0 3 12 4 7 5 2 71 1\n1476098K 22 32 0 0 0 1 1 5 5 6 4 1 1 25 0\n1108517C 25 32 1 0 0 0 0 2 24 8 12 7 2 58 1\n0182741D 32 1 0 0 0 0 2 17 13 7 5 2 71 0\n1358281k 21,4 32 0 0 0 1 1 2 10 5 3 2 2 67 1\n1358281K 21,8 32 0 0 0 1 0 2 15 4 3 2 2 67 1\n1512149D 24,3 33 0 0 0 1 0 2 9 3 2 2 2 100 0\n1363840H 21,3 33 0 0 0 1 0 3 8 4 1 1 1 100 1\n1538420I 21,4 33 0 0 0 1 0 3 3 4 3 2 2 67 1\n0467004G 24,2 33 1 0 1 0 0 3 12 5 4 3 1 75 1\n1450840K 23,9 33 0 0 1 0 0 2 43 6 5 4 2 80 1\n1496173F 23,5 33 0 0 0 1 0 2 3 4 3 3 2 100 0\n1520829H 32,5 33 0 1 0 0 0 3 22 5 5 2 2 40 0\n1120508K 19,9 33 0 0 0 1 0 3 8 5 2 63 0\n0133030f 23,3 33 0 0 0 1 0 2 9 3 3 2 2 67 0\n1465597C 23,5 33 0 0 0 1 0 5 11 13 10 6 1 60 1\n1358287e 28 33 0 0 0 1 0 2 4 6 5 5 2 100 1\n\n1489564E 21,8 33 1 0 1 0 0 5 16 8 6 3 2 50 0\n1410660D 27,5 33 1 0 1 0 0 3 5 3 1 1 1 100 1\n1382965H 22,9 33 0 0 0 1 1 3 9 5 9 4 2 44 1\n1131915F 32 33 0 1 0 0 1 3 7 8 7 5 2 71 1\n1029437B 24,2 33 1 0 1 0 0 2 11 2 2 1 1 50 1\n1515124K 24,4 33 0 0 0 1 0 3 6 5 10 6 2 60 1\n1164832G 31,7 33 0 1 0 0 1 2 9 3 6 4 2 67 0\n1399298E 26,7 33 1 0 1 0 1 2 4 1 3 2 2 67 1\n1399298E 26,7 33 0 0 0 1 1 2 9 5 4 2 2 50 1\n1442943K 28,1 33 0 0 0 1 1 5 11 9 9 2 1 22 1\n1308662H 22 33 0 0 1 0 0 3 3 3 5 5 2 100 1\n1354054A 21,5 33 0 0 1 0 0 2 4 5 1 1 1 100 1\n0774905B 26,2 33 1 0 0 0 0 2 11 3 4 2 2 50 0\n1182391H 24,4 34 1 0 1 0 0 2 8 5 4 4 2 100 1\n1363840H 20,7 34 1 0 0 0 0 3 8 2 2 1 1 50 1\n1344343J 20,6 34 0 0 0 1 0 2 4 5 4 2 2 50 0\n1569242H 25,7 34 1 0 0 0 0 3 19 16 5 4 2 80 0\n1147413C 28,9 34 1 0 1 0 0 3 7 3 4 3 2 75 0\n1300557F 29,2 34 1 0 0 0 0 3 20 4 7 5 2 71 1\n1446021B 25,8 34 0 1 0 0 0 3 6 5 7 5 2 71 1\n1379926A 24,6 34 1 0 1 0 0 2 12 3 4 3 2 75 1\n1410660D 27,5 34 1 0 0 0 0 3 3 3 2 1 1 50 1\n1395038G 28,8 34 0 0 0 1 0 2 11 5 5 2 2 40 0\n1305483B 23,7 34 0 0 0 1 0 3 4 4 4 2 2 50 0\n1305483B 23,2 34 0 0 0 1 0 2 2 2 2 2 2 100 0\n\n1305180F 24,2 34 1 0 1 0 0 2 6 2 4 3 2 75 1\n1559625A 21,5 34 1 1 0 0 1 2 2 4 2 2 2 100 0\n1442943K 25,8 34 0 0 0 1 1 2 10 2 2 2 2 100 1\n1358289C 29,3 34 1 0 1 0 0 2 3 4 2 2 2 100 0\n0594514G 21,1 35 0 0 0 1 0 2 6 2 0 1 1 1\n0514310A 23,3 35 0 0 0 1 0 3 13 9 8 1 1 13 1\n0104843C 30,4 35 0 0 1 0 0 3 5 1 1 1 1 100 1\n1349802K 23 35 0 0 1 0 0 2 25 4 3 3 2 100 1\n1344343j 22,4 35 0 0 0 1 0 3 7 7 3 1 1 33 0\n1434682H 25,6 35 1 0 1 0 0 3 7 2 3 1 1 33 1\n0602546I 28,7 35 1 0 0 0 0 3 10 6 4 1 1 25 0\n1405103I 27,2 35 0 0 0 1 0 2 12 7 2 1 1 50 1\n1502396A 25,4 35 0 1 0 0 0 3 8 5 10 8 2 80 0\n1497837C 25 35 0 0 0 1 0 3 9 11 3 1 1 33 0\n1516465C 23 35 0 1 0 0 0 2 1 2 2 2 1 100 1\n0754511I 21,7 35 0 1 0 0 0 3 20 14 7 2 2 29 0\n1460687E 21,7 35 0 0 1 0 1 3 5 4 3 3 2 100 0\n1378993J 30,4 35 0 0 0 1 1 3 18 4 5 3 2 60 1\n1442651K 27,3 35 0 0 0 1 1 3 9 7 3 3 2 100 0\n1423224G 29,3 35 1 0 0 0 0 2 2 8 6 5 2 83 0\n1444600F 21,4 35 0 0 0 1 1 3 5 4 4 3 2 75 0\n1294831E 19,5 35 1 0 0 0 0 3 13 6 6 2 2 33 0\n1435914J 19,3 35 1 0 0 0 0 3 3 3 6 3 2 50 0\n1426855B 23,4 35 1 0 1 0 0 3 10 2 6 3 2 50 1\n0790279B 21,3 35 1 0 0 0 0 3 12 9 9 3 1 33 0\n\n0820224B 20,4 35 0 0 0 1 0 3 15 5 3 2 2 67 1\n0594514G 22,8 36 0 0 0 1 0 3 6 1 2 2 2 100 1\n0594514G 21,1 36 0 0 0 1 0 2 5 3 3 2 2 67 1\n1372199K 29,3 36 0 0 0 1 0 3 7 2 3 2 2 67 1\n1372199K 29,3 36 0 0 0 1 0 3 5 2 2 2 2 100 1\n1448765C 17,1 36 1 0 1 0 0 3 9 4 8 2 2 25 0\n1073745K 36 1 0 1 0 0 2 6 2 3 2 2 67 0\n1238534H 24,8 36 1 0 1 0 0 3 12 8 6 2 2 33 1\n1508525G 27,8 36 1 0 1 0 0 5 11 10 14 1 1 7 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