ASSOCIAÇÃO ENTRE O CONSUMO ADEQUADO DE LATICÍNIOS E O RISCO DE DESENVOLVER ENDOMETRIOSE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

In: Estudos multidisciplinares em nutrição e saúde · 2026 · pp. 8–18 · doi:10.37885/260321392 · W7140225717
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Abstract

A endometriose se trata uma doença ginecológica crônica benigna, no qual tecidos do endométrio se desenvolvem fora do útero, podendo afetar áreas como os ovários, as trompas de falópio e o peritônio. A alimentação saudável se destaca como papel crucial na modulação dessa doença, dando ênfase aos laticínios, mas também a ingestão de fibras, minerais e vitaminas, podem ser benéficos na prevenção e no tratamento da doença, uma vez que reduzem o estresse oxidativo e vias pró-inflamatórias. Diante disso, este estudo visou, por meio de uma revisão integrativa, avaliar a associação entre o consumo adequado de lacticínios e o risco de desenvolver endometriose. A pesquisa aconteceu por meio da busca de indexados nas bases de dados PubMed, BVS e Science direct, usando os descritores selecionados a partir do Medical Subject Heading (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “endometriosis” AND “dairy” OR “dairy products”. Foram selecionados 5 artigos contemplando mulheres que foram avaliadas a pelo seu consumo alimentar a longo prazo por meio de questionários de frequência alimentar (QFA). Diante das análises do consumo de laticínios, é notório que a ingestão dos mesmos resultou na diminuição do risco de ocasionar endometriose, uma vez que, foi possível observar a redução de marcadores inflamatórios e aumento de enzimas antioxidantes.
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' 10.37885/260321392 01 ASSOCIAÇÃO ENTRE O CONSUMO ADEQUADO DE LATICÍNIOS E O RISCO DE DESENVOLVER ENDOMETRIOSE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA ASSOCIATION BETWEEN ADEQUATE DAIRY PRODUCT CONSUMPTION AND THE RISK OF DEVELOPING ENDOMETRIOSIS: AN INTEGRATIVE REVIEW Sátila Thaylane Dias Felipe Nutricionista, Centro Universitário Paraíso, Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil. Anderson Luis dos Santos Moreira Mestrando em Alimentos e Nutrição, Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí, Brasil. Stéfany Rodrigues de Sousa Melo Doutora em Alimentos e Nutrição, Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí, Brasil. 9 ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org RESUMO A endometriose se trata uma doença ginecológica crônica benigna, no qual tecidos do endométrio se desenvolvem fora do útero, podendo afetar áreas como os ovários, as trompas de falópio e o peritônio. A alimentação saudável se destaca como papel crucial na modulação dessa doença, dando ênfase aos laticínios, mas também a ingestão de fibras, minerais e vitaminas, podem ser benéficos na prevenção e no tratamento da doença, uma vez que reduzem o estresse oxidativo e vias pró-inflamatórias. Diante disso, este estudo visou, por meio de uma revisão integrativa, avaliar a associação entre o consumo adequado de lacticínios e o risco de desenvolver endometriose. A pesquisa aconteceu por meio da busca de indexados nas bases de dados PubMed, BVS e Science direct, usando os descritores selecionados a partir do Medical Subject Heading (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “endometriosis” AND “dairy” OR “dairy products”. Foram selecionados 5 artigos contemplando mulheres que foram avaliadas a pelo seu consumo alimentar a longo prazo por meio de questionários de frequência alimentar (QFA). Diante das análises do consumo de laticínios, é notório que a ingestão dos mesmos resultou na dimi- nuição do risco de ocasionar endometriose, uma vez que, foi possível observar a redução de marcadores inflamatórios e aumento de enzimas antioxidantes. Palavras-chave: Endometriose; Laticínios; Produtos Lácteos; Alimentação; Mulheres. 10 Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde 1. INTRODUÇÃO A endometriose se trata uma doença ginecológica crônica, no qual o tecido que se assemelha ao endométrio se desenvolve fora do útero e causa sangramentos periódicos e intensos, podendo afetar áreas como os ovários, as trompas de falópio e o peritônio. Essa condição inflamatória pode impactar negativamente a qualidade de vida de mulheres, impossibilitando-a de realizar suas atividades diárias (Karlsson, Patel, Premberg, 2020). A endometriose se classifica em três formas distintas de acordo com a localização: ovariana, peritoneal e endometriose profunda. A forma ovariana é definida por lesões superficiais nos ovários ou formação de cistos (endometrio- mas), a peritoneal é caracterizada por lesões superficiais presentes no peritônio; já a endometriose profunda se caracteriza como lesões que acometem o espaço retroperitoneal ou as paredes dos órgãos pélvicos, possuindo profundidade acima de 5 mm (Febrasgo, 2021). A endometriose apresenta prevalência significativa em mulheres em idade reprodutiva, com maior incidência entre a terceira e a quarta décadas de vida. Sendo que há uma incidência mais elevada em mulheres jovens adultas (18 a 29 anos). Os focos endometriais ectópicos comumente são influenciados pelos hormônios ovarianos, apresentando as mesmas variações do período menstrual, incluindo o sangramento, dispareunia, dor pélvica crônica, sinto - mas intestinais, principalmente, durante o ciclo menstrual (Bellelis et al., 2011; Cardoso et al., 2020). Além disso, uma terapia nutricional adequada pode ser relevante no controle da dor associada à endometriose, uma vez que alimentos com proprie- dades antioxidantes e antiinflamatórias têm o potencial de aliviar os sintomas, especialmente nas pacientes que sofrem de dores crônicas (Barbosa e Blanch, 2021). Perante o exposto, vale ressaltar a importância do nutricionista, que diante da orientação e prescrição de dietas específicas de acordo com a realidade de cada paciente, atua auxiliando no tratamento e progressão endometriose (Chalub, Leão, Maynard, 2020). Em relação ao grupo dos laticínios que possuem um papel crucial na alimentação e são fontes de diversos aminoácidos e cálcio, além de serem uma 11 ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org opção nutricionalmente rica e adequada para a dieta, diversas teorias têm sido sugeridas por pesquisadores para compreender como o consumo destes pode estar relativo ao desenvolvimento da endometriose. Estudos apontam que mulhe- res diagnosticadas com a doença possuem níveis elevados de biomarcadores inflamatórios, dentre eles se destacam a interleucina-6, interleucina-8, fator de crescimento endotelial vascular e o fator de necrose tumoral alfa presentes tanto na corrente sanguínea quanto no líquido peritoneal (Nodler et al., 2020). Diante do exposto, em estudos realizados foi indicado que o consumo de laticínios e de cálcio proveniente da alimentação reduzem os níveis de estresse oxidativo e processos inflamatórios. Além disso, uma ingestão elevada de produtos lácteos pode contribuir para a diminuição da inflamação na corrente sanguínea (Zemel; Sun, 2008). Portando, o presente estudo busca investigar a relação entre o consumo de laticínios e o risco de desenvolver a endometriose, focando em como uma dieta adequada na ingestão de produtos lácteos, considerando sua composição nutricional, no que diz respeito a macro e micronutrientes, pode influenciar no risco de desenvolver a patogênese. 2. METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa, estruturada com base em artigos científicos. Para tanto, realizou-se a seguinte pergunta nortea- dora: “o consumo adequado de laticínios diminui o risco de desenvolvimento da endometriose? ”, aplicando-se a estratégia PICO que representa um acrônimo para Paciente ( endometriose), Intervenção ( laticínios), Comparação (número de porções) e “Outcomes” (desenvolvimento de endometriose), que são os elementos fundamentais da questão de pesquisa e da construção da pergunta norteadora para a busca bibliográfica de evidências. As bases de dados utilizadas foram PubMed, SCIELO e Science direct, na qual a busca foi realizada em três etapas em cada base de dados utilizando os descritores “endometriosis” AND “dairy” OR “dairy products”. Dessa forma, foram selecionados apenas artigos originais conduzidos em mulheres que avaliaram o consumo de lacticínios e sua relação com a possibilidade de desenvolvimento ou não da endometriose. 12 Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde A partir dos critérios de elegibilidade, foram excluídos 824 artigos, dos quais 156 artigos de revisão, 78 estudos realizados em animais e in-vitro, 428 não avaliaram a endometriose ou laticínios, 115 índices sem informações, 33 relacio- naram a endometriose a outros grupamentos alimentares, 8 artigos duplicados e 6 avaliou a endometriose associada a outras patologias ou desordens clínicas. A exposição dos resultados da associação entre o consumo adequado de lacticínios e relação com a diminuição do risco de desenvolvimento da endometriose expõe os seguintes dados: autor, ano, país, metodologia, média de idade, tipos de laticínios, consumo de laticínios, controle da ingestão e o desfecho clínico (risco ou não de endometriose). Figura 1. Caracterização das etapas da coleta de dados. Fonte: Elaborado pelos autores, 2026. 13 Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde 3. RESULTADOS Este estudo avaliou a associação entre o consumo adequado de laticí- nios e a redução do risco de desenvolver endometriose, analisando a ingestão de laticínios de mulheres com o diagnóstico dessa doença, por meio do número de porções e correlacionando aos dados da razão de chances de ocasionar a patologia. Assim, foram revisados os dados de 5 artigos, contemplando carac- terísticas como autor, ano, país, metodologia, faixa etária, tipos de laticínios, controle da ingestão e o desfecho clínico (risco ou não de endometriose). Tabela 1 - Caracterização da amostra dos estudos incluídos nessa revisão. Autor, Ano, País Metodologia Idade Tipos de laticínios Consumo de laticínios (porções) Desfecho clínico Nodler et al, 2020 EUA ꞏ Estudo de coorte prospectivo, durante 9 anos ꞏ G1= 581 mulheres com endometriose (Laparoscopia) ꞏ G2= 32.287 controle ꞏ Avaliação: realizadas a cada 2 anos ꞏ QFA com 124 itens ꞏ Diagnóstico de doenças, estilo de vida e outros tópicos sobre à saúde Média: 41 anos Mínima: 34 anos Máxima: 51 anos Laticínios totais (leite, iogurte, sorvete, milkshake, sorvete, queijo, manteiga), laticínios com gordura elevada (leite, sorvete, milk-shake, cream cheese, manteiga) e laticínios com gordura reduzida (leite desnatado, iogurte desnatado, queijo cottage) ≤1/dia 2/dia 3/dia 4/dia >4/dia O maior consumo de laticínios estava diretamente relacionado à redução do diagnóstico de endome- triose. Com a ingestão acima de quatro porções/dia se obteve um risco 32% menor de endometriose (IC 95%; r=0,47-0,96; p = 0,04) Samaneh et al., 2019 Irã ꞏ Estudo de caso-controle ꞏ G1 = 78 mulheres com endometriose (Laparoscopia) ꞏ G2 = 78 controle ꞏ QFA com 47 itens Média: 31 anos Mínima: 15 anos Máxima: 45 anos Laticínios totais Categorias de quartis: Q1, Q2, Q3,Q4: Cada variável alimentar e macronutriente foi agrupada utilizando o quartil de ingestão. O alto consumo de laticínios foram associados a um menor risco de endometriose. Mulheres no quartil Q4 de ingestão apresentaram risco menor do que aqueles no quartil Q1 (OR: 0,46; IC:95%; r=0,39-0,93; p=0,02). Ashrafi et al., 2020 Irã ꞏ Estudo caso-controle; ꞏ G1 = 207 mulheres com endometriose (laparoscopia) ꞏ G2 = 206 controle ꞏ Foi aplicado um QFA semanal de 14 itens G1: 31,50 ± 5,52 9 (endome- triose) G2: 30,30 ± 5,96 (controle) Leite e queijo Leite <1 porção/semana 1-6 porções/semana ≥7 porções/ semana Queijo ≤2 porções/se - mana 3-5 porções/semana A elevada ingestão de laticínios (leite [OR = 0,65, IC: 95%; r=0,47– 0,92, p=0,014], queijo [OR = 0,53, IC:95%; r= 0,37–0,76, p < 0,001]) possui associação significativa com menor risco de endometriose. Harris et al., 2013 EUA Estudo de coorte prospectivo, durante 14 anos G1= 1.385 mulheres com en- dometriose (laparoscopia) G2= 69.171 controle Tempo: realizadas a cada 4 anos QFA: > 130 itens Antropometria, fatores demográficos, estilo de vida, e histórico de doenças Média: 36 anos Mínima: 25 anos Máxima: 42 anos Total de laticínios, manteiga, queijo, leite, iogurte, sorvete ≤4/semana 5–6/semana 1/dia 2/ dia 3/dia > 3/dia Uma porção por dia de laticínios foi relacionada a uma redução de 5% (razão de taxas (RR) = 0,95, intervalo de confiança de 95% (IC): 0,91, 1,00). O consumo di- ário > 3 porções de laticínios reduzidos em gorduras obteve-se uma chance 18% menor de gerar endome- triose, em relação àquelas que ingeriam duas porções por dia (razão de taxas = 0,82, intervalo de confiança de 95%; r= 0,71, 0,95; P = 0,03). Trabert et al., 2011 EUA Estudo de caso-controle G1=284 mulheres com endometriose (Clas - sificação Internacional de Doenças, 9ª Revisão- CID-9) G2=660 controle QFA: > 122 itens 18–49 anos Total de alimentos lácteos ≤ 1/dia 2/dia >2/dia Consumo de lacticínios reduz o risco de endometrio- se. 2 porções/dia vs. ≤ 1: OR 0,6; >2 porções/dia vs. ≤ 1: OR 0,7), todavia, essa relação não possuiu signi- ficado relevante no grupo do tercil mais alto. Legenda: QFA: Questionário de frequência alimentar; OR: Razão de chances; IR: Intervalos de confiança; RR: Razão de taxas; VM: Multivariável; Vs.: Versus. 15 ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org 4. DISCUSSÃO O presente estudo avaliou a associação entre o consumo adequado de laticínios e o risco de desenvolvimento de endometriose, contemplando 5 estudos no qual foram avaliadas 2.535 mulheres diagnosticadas com endometriose e mulheres saudáveis, bem como a ingestão alimentar diária. Os resultados obti- dos apresentam que o consumo de laticínios possui uma relação inversa com o desenvolvimento da endometriose. Diante do exposto foi realizado a análise de cada artigo e suas relações no consumo de laticínios associado a um menor risco de desenvolver endometriose. A possível associação inversa entre o consumo de laticínios e o risco de endometriose pode ser explicada pela presença de nutrientes como cálcio e vitamina D, que desempenham papel na fisiopatologia da endometriose, pois atuam na inibição de fatores de crescimento celular, como o IGF-I (fator de crescimento semelhante à insulina tipo I), além de favorecerem a ação de inibidores naturais desse crescimento, como o TGF-β (fator de crescimento transformador beta) (Trabert et al., 2011). Outro mecanismo que explica a atuação da vitamina D com a endometriose, diz respeito ao fato de que esta vitamina promove a ativação de células T regu- ladoras e aumenta a produção de IL-10, além de reduzir os níveis da citocina pró-inflamatória IL-17 e atenuar a atividade imunológica mediada por células T-helper 1, assim, conclui-se que a deficiência dessa vitamina pode ocasionar doenças inflamatórias, como a patologia em questão (Parazzini et al., 2013). Estudos ainda evidenciam que o aumento no consumo de cálcio e produ- tos lácteos também está associado à redução de marcadores pró-inflamatórios, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-β) e a interleucina-6 (IL-6), bem como redução das espécies reativas de oxigênio (ROS) (Zemel; Sun, 2008). Além disso, as proteínas presentes nos laticínios, como a caseína e o soro do leite, estão correlacionadas a efeitos anti-inflamatórios, propriedades anticancerígenas e ações imunomoduladoras (Davoodi et al., 2016). O consumo alimentar avaliado nos estudos de Trabert et al. (2011) e Samaneh et al. (2019) foram designados pelo QFA para determinar a ingestão das participantes ao longo de um ano anterior ao estudo, todavia as análises de 16 Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde Nodler et al. (2020) e Haris et al. (2013) são estudos de coorte prospectivo que utilizaram o QFA para examinar as ingestões alimentares de mulheres durante a adolescência e fase adulta, respectivamente. Já nas observações de Ashrafi et al. (2020), os autores aplicaram um questionário estruturado com base nos hábitos alimentares de mulheres iranianas para analisar a frequência alimentar durante o ano anterior ao projeto. Vale mencionar, que apesar da análise do consumo alimentar dos estu- dos não terem sido métodos considerados padrão-ouro, é importante destacar que o Questionário de Frequência Alimentar (QFA) é reconhecido como uma das ferramentas mais práticas que proporciona agilidade na aplicação e coleta informações relevantes para avaliar a ingestão alimentar diária. Além disso, ele desempenha um papel essencial em pesquisas epidemiológicas, que investigam a relação entre hábitos alimentares e o desenvolvimento de doenças crônicas, contribuindo para elevar a confiabilidade e a exatidão dos dados coletados (Slater et al., 2003). Além disso, é importante destacar que os laticínios são fontes de diver- sos micronutrientes, como as vitaminas E, D, A e K, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e zinco; e peptídeos bioativos (proteínas do leite), a exemplo: beta - -lactoglobulina (BLG), alfalactoalbumina (ALA), albumina do soro bovino (BSA), glicomacropeptídeos (GMP) e imunoglobulinas (Ig‘s). Além de serem proteínas de alto valor biológico, as mesmas desempenham funções antimicrobianas, são agentes anti-hipertensivas, moduladoras da resposta imunológica e também atuam como fatores de crescimento (Haraguchi; Abreu; Paula, 2006). Em contrapartida, esses alimentos também são fontes de gorduras satu- radas, isso ocasiona preocupação e dúvida em alguns pesquisadores, pois o excesso das mesmas pode desenvolver condições inflamatórias crônicas, como é o caso da endometriose, por isso, existem recomendações nutricionais que limitam a quantidade de gordura ingerida bem como a adequada proporção do consumo de suas fontes (ômega 3 e ômega 6) (Bordoni et al., 2015). Harris et al. (2013) observou que mulheres com a ingestão diária acima de três porções de laticínios com baixo teor de gorduras apresentaram um percentual 18% menor de receber diagnóstico de endometriose, em comparação àquelas que consu- miam duas porções por dia. 17 ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org Os hábitos alimentares de uma população fazem parte de um estilo de vida individual e característico, envolvendo aspectos sociais, culturais, econômicos e nutricionais. Compreender como os efeitos específicos dos laticínios agem na saúde é um desafio para a ciência da nutrição atual, exigindo a combinação de dados advindos de estudos observacionais sobre hábitos alimentares e a prevalência de doenças na população que possuam evidências de pesquisas experimentais e avaliem diretamente o impacto do consumo de produtos lácteos. Diante disso, é importante destacar que os mecanismos que correlacionam a dieta como um todo ao risco de desenvolver endometriose ainda requerem investigações mais aprofundadas (Warensjo et al. 2010). 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desse estudo é possível concluir que uma alimentação com rica fonte de laticínios reduz o risco de ocasionar a patologia. Apesar de todos os desfechos que já foram divulgados em estudos, ainda são necessárias mais investigações a longo prazo que sejam amplas e apropriadas para avaliar o consumo alimentar de mulheres, bem como sua relação com o surgimento de desordens clínicas, com o objetivo de aumentar as evidências possuindo resultados mais concretos e auxiliando na prevenção e tratamento adaptado para as pacientes. Ainda que a literatura necessite de mais estudos para correlacionar a influência do consumo alimentar e a possibilidade de gerar endometriose, os lacticínios se apresentam como um dos grupos alimentares que podem ser benéficos nesse sentido, além disso, há informações que a adoção de uma matriz alimentar anti-inflamatória e antioxidante desempenha um papel relevante, auxiliando na prevenção, controle e melhora dessa patologia. REFERÊNCIAS ASHRAFI, M. et al. Diet and The Risk of Endometriosis in Iranian Women: A Case-Control Study. International Journal of Fertility & Sterility, v. 14, n. 3, p. 193–200, 2020. BARBOSA, A. D.A. S.; BLANCH, G. T. Análise da influência de determinados alimentos no controle da endometriose e os pontos positivos e negativos do tratamento medicamentoso: uma revisão narrativa. Research, Society and Development, v. 10, n. 15, p. e213101522438, 2021. 18 Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde BELLELIS, P.; PODGAEC, S.; ABRÃO, M. S. 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