Full text
22,010 characters
· extracted from
oa-pdf
· click to expand
' 10.37885/260321392
01
ASSOCIAÇÃO ENTRE O CONSUMO
ADEQUADO DE LATICÍNIOS E O RISCO DE
DESENVOLVER ENDOMETRIOSE: UMA
REVISÃO INTEGRATIVA
ASSOCIATION BETWEEN ADEQUATE DAIRY PRODUCT
CONSUMPTION AND THE RISK OF DEVELOPING
ENDOMETRIOSIS: AN INTEGRATIVE REVIEW
Sátila Thaylane Dias Felipe
Nutricionista, Centro Universitário Paraíso, Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil.
Anderson Luis dos Santos Moreira
Mestrando em Alimentos e Nutrição, Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí, Brasil.
Stéfany Rodrigues de Sousa Melo
Doutora em Alimentos e Nutrição, Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí, Brasil.
9
ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org
RESUMO
A endometriose se trata uma doença ginecológica crônica benigna, no qual
tecidos do endométrio se desenvolvem fora do útero, podendo afetar áreas
como os ovários, as trompas de falópio e o peritônio. A alimentação saudável
se destaca como papel crucial na modulação dessa doença, dando ênfase aos
laticínios, mas também a ingestão de fibras, minerais e vitaminas, podem ser
benéficos na prevenção e no tratamento da doença, uma vez que reduzem o
estresse oxidativo e vias pró-inflamatórias. Diante disso, este estudo visou,
por meio de uma revisão integrativa, avaliar a associação entre o consumo
adequado de lacticínios e o risco de desenvolver endometriose. A pesquisa
aconteceu por meio da busca de indexados nas bases de dados PubMed, BVS
e Science direct, usando os descritores selecionados a partir do Medical Subject
Heading (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “endometriosis”
AND “dairy” OR “dairy products”. Foram selecionados 5 artigos contemplando
mulheres que foram avaliadas a pelo seu consumo alimentar a longo prazo por
meio de questionários de frequência alimentar (QFA). Diante das análises do
consumo de laticínios, é notório que a ingestão dos mesmos resultou na dimi-
nuição do risco de ocasionar endometriose, uma vez que, foi possível observar
a redução de marcadores inflamatórios e aumento de enzimas antioxidantes.
Palavras-chave: Endometriose; Laticínios; Produtos Lácteos;
Alimentação; Mulheres.
10
Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde
1. INTRODUÇÃO
A endometriose se trata uma doença ginecológica crônica, no qual o
tecido que se assemelha ao endométrio se desenvolve fora do útero e causa
sangramentos periódicos e intensos, podendo afetar áreas como os ovários,
as trompas de falópio e o peritônio. Essa condição inflamatória pode impactar
negativamente a qualidade de vida de mulheres, impossibilitando-a de realizar
suas atividades diárias (Karlsson, Patel, Premberg, 2020).
A endometriose se classifica em três formas distintas de acordo com a
localização: ovariana, peritoneal e endometriose profunda. A forma ovariana é
definida por lesões superficiais nos ovários ou formação de cistos (endometrio-
mas), a peritoneal é caracterizada por lesões superficiais presentes no peritônio;
já a endometriose profunda se caracteriza como lesões que acometem o espaço
retroperitoneal ou as paredes dos órgãos pélvicos, possuindo profundidade
acima de 5 mm (Febrasgo, 2021).
A endometriose apresenta prevalência significativa em mulheres em
idade reprodutiva, com maior incidência entre a terceira e a quarta décadas de
vida. Sendo que há uma incidência mais elevada em mulheres jovens adultas
(18 a 29 anos). Os focos endometriais ectópicos comumente são influenciados
pelos hormônios ovarianos, apresentando as mesmas variações do período
menstrual, incluindo o sangramento, dispareunia, dor pélvica crônica, sinto -
mas intestinais, principalmente, durante o ciclo menstrual (Bellelis et al., 2011;
Cardoso et al., 2020).
Além disso, uma terapia nutricional adequada pode ser relevante no
controle da dor associada à endometriose, uma vez que alimentos com proprie-
dades antioxidantes e antiinflamatórias têm o potencial de aliviar os sintomas,
especialmente nas pacientes que sofrem de dores crônicas (Barbosa e Blanch,
2021). Perante o exposto, vale ressaltar a importância do nutricionista, que diante
da orientação e prescrição de dietas específicas de acordo com a realidade
de cada paciente, atua auxiliando no tratamento e progressão endometriose
(Chalub, Leão, Maynard, 2020).
Em relação ao grupo dos laticínios que possuem um papel crucial na
alimentação e são fontes de diversos aminoácidos e cálcio, além de serem uma
11
ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org
opção nutricionalmente rica e adequada para a dieta, diversas teorias têm sido
sugeridas por pesquisadores para compreender como o consumo destes pode
estar relativo ao desenvolvimento da endometriose. Estudos apontam que mulhe-
res diagnosticadas com a doença possuem níveis elevados de biomarcadores
inflamatórios, dentre eles se destacam a interleucina-6, interleucina-8, fator
de crescimento endotelial vascular e o fator de necrose tumoral alfa presentes
tanto na corrente sanguínea quanto no líquido peritoneal (Nodler et al., 2020).
Diante do exposto, em estudos realizados foi indicado que o consumo de
laticínios e de cálcio proveniente da alimentação reduzem os níveis de estresse
oxidativo e processos inflamatórios. Além disso, uma ingestão elevada de produtos
lácteos pode contribuir para a diminuição da inflamação na corrente sanguínea
(Zemel; Sun, 2008). Portando, o presente estudo busca investigar a relação entre
o consumo de laticínios e o risco de desenvolver a endometriose, focando em
como uma dieta adequada na ingestão de produtos lácteos, considerando sua
composição nutricional, no que diz respeito a macro e micronutrientes, pode
influenciar no risco de desenvolver a patogênese.
2. METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa, estruturada com
base em artigos científicos. Para tanto, realizou-se a seguinte pergunta nortea-
dora: “o consumo adequado de laticínios diminui o risco de desenvolvimento da
endometriose? ”, aplicando-se a estratégia PICO que representa um acrônimo
para Paciente ( endometriose), Intervenção ( laticínios), Comparação (número
de porções) e “Outcomes” (desenvolvimento de endometriose), que são os
elementos fundamentais da questão de pesquisa e da construção da pergunta
norteadora para a busca bibliográfica de evidências.
As bases de dados utilizadas foram PubMed, SCIELO e Science direct, na
qual a busca foi realizada em três etapas em cada base de dados utilizando os
descritores “endometriosis” AND “dairy” OR “dairy products”. Dessa forma, foram
selecionados apenas artigos originais conduzidos em mulheres que avaliaram o
consumo de lacticínios e sua relação com a possibilidade de desenvolvimento
ou não da endometriose.
12
Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde
A partir dos critérios de elegibilidade, foram excluídos 824 artigos, dos
quais 156 artigos de revisão, 78 estudos realizados em animais e in-vitro, 428 não
avaliaram a endometriose ou laticínios, 115 índices sem informações, 33 relacio-
naram a endometriose a outros grupamentos alimentares, 8 artigos duplicados
e 6 avaliou a endometriose associada a outras patologias ou desordens clínicas.
A exposição dos resultados da associação entre o consumo adequado
de lacticínios e relação com a diminuição do risco de desenvolvimento da
endometriose expõe os seguintes dados: autor, ano, país, metodologia, média
de idade, tipos de laticínios, consumo de laticínios, controle da ingestão e o
desfecho clínico (risco ou não de endometriose).
Figura 1. Caracterização das etapas da coleta de dados.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
13
Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde
3. RESULTADOS
Este estudo avaliou a associação entre o consumo adequado de laticí-
nios e a redução do risco de desenvolver endometriose, analisando a ingestão
de laticínios de mulheres com o diagnóstico dessa doença, por meio do número
de porções e correlacionando aos dados da razão de chances de ocasionar a
patologia. Assim, foram revisados os dados de 5 artigos, contemplando carac-
terísticas como autor, ano, país, metodologia, faixa etária, tipos de laticínios,
controle da ingestão e o desfecho clínico (risco ou não de endometriose).
Tabela 1 - Caracterização da amostra dos estudos incluídos nessa revisão.
Autor, Ano, País Metodologia Idade Tipos de laticínios Consumo de laticínios
(porções) Desfecho clínico
Nodler et al, 2020
EUA
ꞏ Estudo de coorte prospectivo,
durante 9 anos
ꞏ G1= 581 mulheres com endometriose
(Laparoscopia)
ꞏ G2= 32.287 controle
ꞏ Avaliação: realizadas a cada 2 anos
ꞏ QFA com 124 itens
ꞏ Diagnóstico de doenças, estilo de
vida e outros tópicos sobre à saúde
Média: 41 anos
Mínima: 34 anos
Máxima: 51 anos
Laticínios totais (leite, iogurte, sorvete,
milkshake, sorvete, queijo, manteiga),
laticínios com gordura elevada (leite,
sorvete, milk-shake, cream cheese,
manteiga) e laticínios com gordura
reduzida (leite desnatado, iogurte
desnatado, queijo cottage)
≤1/dia
2/dia
3/dia
4/dia
>4/dia
O maior consumo de laticínios estava diretamente
relacionado à redução do diagnóstico de endome-
triose. Com a ingestão acima de quatro porções/dia
se obteve um risco 32% menor de endometriose (IC
95%; r=0,47-0,96; p = 0,04)
Samaneh et al., 2019
Irã
ꞏ Estudo de caso-controle
ꞏ G1 = 78 mulheres com endometriose
(Laparoscopia)
ꞏ G2 = 78 controle
ꞏ QFA com 47 itens
Média: 31 anos
Mínima: 15 anos
Máxima: 45 anos
Laticínios totais Categorias de quartis:
Q1, Q2, Q3,Q4: Cada variável
alimentar e macronutriente foi
agrupada utilizando o quartil de
ingestão.
O alto consumo de laticínios foram associados a um
menor risco de endometriose.
Mulheres no quartil Q4 de ingestão apresentaram
risco menor do que aqueles no quartil Q1 (OR: 0,46;
IC:95%; r=0,39-0,93; p=0,02).
Ashrafi et al., 2020
Irã
ꞏ Estudo caso-controle;
ꞏ G1 = 207 mulheres com
endometriose (laparoscopia)
ꞏ G2 = 206 controle
ꞏ Foi aplicado um QFA semanal de
14 itens
G1: 31,50 ± 5,52 9 (endome-
triose)
G2: 30,30 ± 5,96 (controle)
Leite e queijo Leite <1 porção/semana 1-6
porções/semana ≥7 porções/
semana Queijo ≤2 porções/se -
mana 3-5 porções/semana
A elevada ingestão de laticínios (leite [OR = 0,65,
IC: 95%; r=0,47– 0,92, p=0,014], queijo [OR = 0,53,
IC:95%; r= 0,37–0,76, p < 0,001]) possui associação
significativa com menor risco de endometriose.
Harris et al., 2013
EUA
Estudo de coorte prospectivo, durante
14 anos G1= 1.385 mulheres com en-
dometriose (laparoscopia) G2= 69.171
controle Tempo: realizadas a cada 4
anos QFA: > 130 itens Antropometria,
fatores demográficos, estilo de vida, e
histórico de doenças
Média: 36 anos
Mínima: 25 anos
Máxima: 42 anos
Total de laticínios, manteiga, queijo,
leite, iogurte, sorvete
≤4/semana 5–6/semana 1/dia 2/
dia 3/dia > 3/dia
Uma porção por dia de laticínios foi relacionada a uma
redução de 5% (razão de taxas (RR) = 0,95, intervalo
de confiança de 95% (IC): 0,91, 1,00). O consumo di-
ário > 3 porções de laticínios reduzidos em gorduras
obteve-se uma chance 18% menor de gerar endome-
triose, em relação àquelas que ingeriam duas porções
por dia (razão de taxas = 0,82, intervalo de confiança
de 95%; r= 0,71, 0,95; P = 0,03).
Trabert et al., 2011 EUA Estudo de caso-controle G1=284
mulheres com endometriose (Clas -
sificação Internacional de Doenças,
9ª Revisão- CID-9) G2=660 controle
QFA: > 122 itens
18–49 anos Total de alimentos lácteos ≤ 1/dia
2/dia
>2/dia
Consumo de lacticínios reduz o risco de endometrio-
se. 2 porções/dia vs. ≤ 1: OR 0,6; >2 porções/dia vs.
≤ 1: OR 0,7), todavia, essa relação não possuiu signi-
ficado relevante no grupo do tercil mais alto.
Legenda: QFA: Questionário de frequência alimentar; OR: Razão de chances; IR: Intervalos de confiança; RR: Razão de taxas; VM: Multivariável; Vs.: Versus.
15
ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org
4. DISCUSSÃO
O presente estudo avaliou a associação entre o consumo adequado de
laticínios e o risco de desenvolvimento de endometriose, contemplando 5 estudos
no qual foram avaliadas 2.535 mulheres diagnosticadas com endometriose e
mulheres saudáveis, bem como a ingestão alimentar diária. Os resultados obti-
dos apresentam que o consumo de laticínios possui uma relação inversa com
o desenvolvimento da endometriose. Diante do exposto foi realizado a análise
de cada artigo e suas relações no consumo de laticínios associado a um menor
risco de desenvolver endometriose.
A possível associação inversa entre o consumo de laticínios e o risco
de endometriose pode ser explicada pela presença de nutrientes como cálcio
e vitamina D, que desempenham papel na fisiopatologia da endometriose,
pois atuam na inibição de fatores de crescimento celular, como o IGF-I (fator
de crescimento semelhante à insulina tipo I), além de favorecerem a ação de
inibidores naturais desse crescimento, como o TGF-β (fator de crescimento
transformador beta) (Trabert et al., 2011).
Outro mecanismo que explica a atuação da vitamina D com a endometriose,
diz respeito ao fato de que esta vitamina promove a ativação de células T regu-
ladoras e aumenta a produção de IL-10, além de reduzir os níveis da citocina
pró-inflamatória IL-17 e atenuar a atividade imunológica mediada por células
T-helper 1, assim, conclui-se que a deficiência dessa vitamina pode ocasionar
doenças inflamatórias, como a patologia em questão (Parazzini et al., 2013).
Estudos ainda evidenciam que o aumento no consumo de cálcio e produ-
tos lácteos também está associado à redução de marcadores pró-inflamatórios,
como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-β) e a interleucina-6 (IL-6), bem como
redução das espécies reativas de oxigênio (ROS) (Zemel; Sun, 2008). Além disso,
as proteínas presentes nos laticínios, como a caseína e o soro do leite, estão
correlacionadas a efeitos anti-inflamatórios, propriedades anticancerígenas e
ações imunomoduladoras (Davoodi et al., 2016).
O consumo alimentar avaliado nos estudos de Trabert et al. (2011) e
Samaneh et al. (2019) foram designados pelo QFA para determinar a ingestão
das participantes ao longo de um ano anterior ao estudo, todavia as análises de
16
Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde
Nodler et al. (2020) e Haris et al. (2013) são estudos de coorte prospectivo que
utilizaram o QFA para examinar as ingestões alimentares de mulheres durante
a adolescência e fase adulta, respectivamente. Já nas observações de Ashrafi
et al. (2020), os autores aplicaram um questionário estruturado com base nos
hábitos alimentares de mulheres iranianas para analisar a frequência alimentar
durante o ano anterior ao projeto.
Vale mencionar, que apesar da análise do consumo alimentar dos estu-
dos não terem sido métodos considerados padrão-ouro, é importante destacar
que o Questionário de Frequência Alimentar (QFA) é reconhecido como uma
das ferramentas mais práticas que proporciona agilidade na aplicação e coleta
informações relevantes para avaliar a ingestão alimentar diária. Além disso, ele
desempenha um papel essencial em pesquisas epidemiológicas, que investigam
a relação entre hábitos alimentares e o desenvolvimento de doenças crônicas,
contribuindo para elevar a confiabilidade e a exatidão dos dados coletados
(Slater et al., 2003).
Além disso, é importante destacar que os laticínios são fontes de diver-
sos micronutrientes, como as vitaminas E, D, A e K, cálcio, magnésio, fósforo,
potássio e zinco; e peptídeos bioativos (proteínas do leite), a exemplo: beta -
-lactoglobulina (BLG), alfalactoalbumina (ALA), albumina do soro bovino (BSA),
glicomacropeptídeos (GMP) e imunoglobulinas (Ig‘s). Além de serem proteínas
de alto valor biológico, as mesmas desempenham funções antimicrobianas, são
agentes anti-hipertensivas, moduladoras da resposta imunológica e também
atuam como fatores de crescimento (Haraguchi; Abreu; Paula, 2006).
Em contrapartida, esses alimentos também são fontes de gorduras satu-
radas, isso ocasiona preocupação e dúvida em alguns pesquisadores, pois o
excesso das mesmas pode desenvolver condições inflamatórias crônicas, como
é o caso da endometriose, por isso, existem recomendações nutricionais que
limitam a quantidade de gordura ingerida bem como a adequada proporção do
consumo de suas fontes (ômega 3 e ômega 6) (Bordoni et al., 2015). Harris et al.
(2013) observou que mulheres com a ingestão diária acima de três porções de
laticínios com baixo teor de gorduras apresentaram um percentual 18% menor
de receber diagnóstico de endometriose, em comparação àquelas que consu-
miam duas porções por dia.
17
ISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026 - www.cientificadigital.org
Os hábitos alimentares de uma população fazem parte de um estilo de vida
individual e característico, envolvendo aspectos sociais, culturais, econômicos
e nutricionais. Compreender como os efeitos específicos dos laticínios agem
na saúde é um desafio para a ciência da nutrição atual, exigindo a combinação
de dados advindos de estudos observacionais sobre hábitos alimentares e a
prevalência de doenças na população que possuam evidências de pesquisas
experimentais e avaliem diretamente o impacto do consumo de produtos lácteos.
Diante disso, é importante destacar que os mecanismos que correlacionam a
dieta como um todo ao risco de desenvolver endometriose ainda requerem
investigações mais aprofundadas (Warensjo et al. 2010).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante desse estudo é possível concluir que uma alimentação com rica
fonte de laticínios reduz o risco de ocasionar a patologia. Apesar de todos os
desfechos que já foram divulgados em estudos, ainda são necessárias mais
investigações a longo prazo que sejam amplas e apropriadas para avaliar o
consumo alimentar de mulheres, bem como sua relação com o surgimento
de desordens clínicas, com o objetivo de aumentar as evidências possuindo
resultados mais concretos e auxiliando na prevenção e tratamento adaptado
para as pacientes.
Ainda que a literatura necessite de mais estudos para correlacionar a
influência do consumo alimentar e a possibilidade de gerar endometriose, os
lacticínios se apresentam como um dos grupos alimentares que podem ser
benéficos nesse sentido, além disso, há informações que a adoção de uma matriz
alimentar anti-inflamatória e antioxidante desempenha um papel relevante,
auxiliando na prevenção, controle e melhora dessa patologia.
REFERÊNCIAS
ASHRAFI, M. et al. Diet and The Risk of Endometriosis in Iranian Women: A Case-Control Study.
International Journal of Fertility & Sterility, v. 14, n. 3, p. 193–200, 2020.
BARBOSA, A. D.A. S.; BLANCH, G. T. Análise da influência de determinados alimentos no controle da
endometriose e os pontos positivos e negativos do tratamento medicamentoso: uma revisão narrativa.
Research, Society and Development, v. 10, n. 15, p. e213101522438, 2021.
18
Estudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde
BELLELIS, P.; PODGAEC, S.; ABRÃO, M. S. Environmental factors and endometriosis. Revista da
Associacao Medica Brasileira (1992), v. 57, n. 4, p.448–452, 2011.
BORDONI, A. et al. Dairy products and inflammation: A review of the clinical evidence. Critical Reviews
in Food Science and Nutrition, v. 57, n. 12, p. 2497–2525, 2015.
CARDOSO, J. V. et al. Epidemiological profile of women with endometriosis: a retrospective descriptive
study. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 20, n. 4, p. 1057–1067, dez. 2020.
CHALUB, J. de P..; LEÃO, N. S. C.; MAYNARD, D. C. Investigação sobre os aspectos nutricionais
relacionados à endometriose. Research, Society and Development, [S. l.], v. 9, n. 11, p. e65591110215, 2020.
DAVOODI. Health-Related Aspects of Milk Proteins. Iranian journal of pharmaceutical research ,
v. 15, n. 3, p. 573–591, 2016.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO).
Endometriose. (Protocolo FEBRASGO - Ginecologia, no. 78/Comissão Nacional Especializada em
Endometriose). São Paulo: FEBRASGO, 2021.
HABIB, N. et al. Impact of lifestyle and diet on endometriosis: a fresh look to a busy corner. Menopausal
Review, v. 21, n. 2, p. 124-132, 2022.
HARAGUCHI, F. K.; ABREU, W. C.; PAULA, H. D. E. Proteínas do soro do leite: composição, propriedades
nutricionais, aplicações no esporte e benefícios para a saúde humana. Revista de Nutrição, v. 19, n.
4, p. 479–488, 2006.
HARRIS, H. R. et al. Dairy-Food, Calcium, Magnesium, and Vitamin D Intake and Endometriosis: A
Prospective Cohort Study. American Journal of Epidemiology, v. 177, n. 5, p. 420–430, 2013.
KARLSSON, J. V.; PATEL, H.; PREMBERG, A. Experiences of health after dietary changes in endometriosis:
a qualitative interview study. BMJ Open, v. 10, n. 2, p. e032321, 2020.
NODLER, J. L. et al. Dairy consumption during adolescence and endometriosis risk. American Journal
of Obstetrics and Gynecology, v. 222, n. 3, p. 257.e1–257.e16, 2020.
PARAZZINI, F. et al. Diet and endometriosis risk: A literature review. Reproductive BioMedicine
Online, v. 26, n. 4, p. 323–336, 2013.
SAMANEH, Y. et al. The association of food consumption and nutrient intake with endometriosis risk
in Iranian women: A case-control study. International journal of reproductive biomedicine, v. 17, n.
9, p. 661-670, 2019.
SLATER, B. et al. Validação de Questionários de Freqüência Alimentar - QFA: considerações
metodológicas. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 6, n. 3, p. 200–208, 2003.
TRABERT, B. et al. Diet and risk of endometriosis in a population-based case-control study. The British
journal of nutrition, v. 105, n. 3, p. 459–67, 2011.
WARENSJO, E.; NOLAN, D.; TAPSELL, L. Dairy Food Consumption and Obesity-Related Chronic
Disease. Advances in Food and Nutrition Research, p. 1–41, 2010.
ZEMEL, M. B.; SUN, X. Dietary Calcium and Dairy Products Modulate Oxidative and Inflammatory
Stress in Mice and Humans. The Journal of Nutrition, v. 138, n. 6, p. 1047– 1052, 2008.
Text is read by the "Ask this paper" AI Q&A widget below.
Extraction quality varies by source — PMC NXML preserves structure
cleanly, OA-HTML may include some navigation residue, and OA-PDF can
have broken hyphenation. The publisher copy
(via DOI)
is the canonical version.