{"paper_id":"30af108c-07ad-462f-a4d6-ace040df0639","body_text":"' 10.37885/260321392\n01\nASSOCIAÇÃO ENTRE O CONSUMO \nADEQUADO DE  LATICÍNIOS E O RISCO DE \nDESENVOLVER  ENDOMETRIOSE: UMA \nREVISÃO INTEGRATIVA\nASSOCIATION BETWEEN ADEQUATE DAIRY PRODUCT \nCONSUMPTION AND THE RISK OF DEVELOPING \nENDOMETRIOSIS: AN INTEGRATIVE REVIEW \nSátila Thaylane Dias Felipe\nNutricionista, Centro Universitário Paraíso, Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil.\nAnderson Luis dos Santos Moreira\nMestrando em Alimentos e Nutrição, Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí, Brasil. \nStéfany Rodrigues de Sousa Melo\nDoutora em Alimentos e Nutrição, Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí, Brasil. \n\n9\nISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026  - www.cientificadigital.org\nRESUMO\nA endometriose se trata uma doença ginecológica crônica benigna, no qual \ntecidos do endométrio se desenvolvem fora do útero, podendo afetar áreas \ncomo os ovários, as trompas de falópio e o peritônio. A alimentação saudável \nse destaca como papel crucial na modulação dessa doença, dando ênfase aos \nlaticínios, mas também a ingestão de fibras, minerais e vitaminas, podem ser \nbenéficos na prevenção e no tratamento da doença, uma vez que reduzem o \nestresse oxidativo e vias pró-inflamatórias. Diante disso, este estudo visou, \npor meio de uma revisão integrativa, avaliar a associação entre o consumo \nadequado de lacticínios e o risco de desenvolver endometriose. A pesquisa \naconteceu por meio da busca de indexados nas bases de dados PubMed, BVS \ne Science direct, usando os descritores selecionados a partir do Medical Subject \nHeading (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “endometriosis” \nAND “dairy” OR “dairy products”. Foram selecionados 5 artigos contemplando \nmulheres que foram avaliadas a pelo seu consumo alimentar a longo prazo por \nmeio de questionários de frequência alimentar (QFA). Diante das análises do \nconsumo de laticínios, é notório que a ingestão dos mesmos resultou na dimi-\nnuição do risco de ocasionar endometriose, uma vez que, foi possível observar \na redução de marcadores inflamatórios e aumento de enzimas antioxidantes.\nPalavras-chave: Endometriose; Laticínios; Produtos Lácteos; \nAlimentação; Mulheres.\n\n10\nEstudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde\n1. INTRODUÇÃO\nA endometriose se trata uma doença ginecológica crônica, no qual o \ntecido que se assemelha ao endométrio se desenvolve fora do útero e causa \nsangramentos periódicos e intensos, podendo afetar áreas como os ovários, \nas trompas de falópio e o peritônio. Essa condição inflamatória pode impactar \nnegativamente a qualidade de vida de mulheres, impossibilitando-a de realizar \nsuas atividades diárias (Karlsson, Patel, Premberg, 2020). \nA endometriose se classifica em três formas distintas de acordo com a \nlocalização: ovariana, peritoneal e endometriose profunda. A forma ovariana é \ndefinida por lesões superficiais nos ovários ou formação de cistos (endometrio-\nmas), a peritoneal é caracterizada por lesões superficiais presentes no peritônio; \njá a endometriose profunda se caracteriza como lesões que acometem o espaço \nretroperitoneal ou as paredes dos órgãos pélvicos, possuindo profundidade \nacima de 5 mm (Febrasgo, 2021).\n A endometriose apresenta prevalência significativa em mulheres em \nidade reprodutiva, com maior incidência entre a terceira e a quarta décadas de \nvida. Sendo que há uma incidência mais elevada em mulheres jovens adultas \n(18 a 29 anos). Os focos endometriais ectópicos comumente são influenciados \npelos hormônios ovarianos, apresentando as mesmas variações do período \nmenstrual, incluindo o sangramento, dispareunia, dor pélvica crônica, sinto -\nmas intestinais, principalmente, durante o ciclo menstrual (Bellelis et al., 2011; \nCardoso et al., 2020). \n Além disso, uma terapia nutricional adequada pode ser relevante no \ncontrole da dor associada à endometriose, uma vez que alimentos com proprie-\ndades antioxidantes e antiinflamatórias têm o potencial de aliviar os sintomas, \nespecialmente nas pacientes que sofrem de dores crônicas (Barbosa e Blanch, \n2021). Perante o exposto, vale ressaltar a importância do nutricionista, que diante \nda orientação e prescrição de dietas específicas de acordo com a realidade \nde cada paciente, atua auxiliando no tratamento e progressão endometriose \n(Chalub, Leão, Maynard, 2020). \nEm relação ao grupo dos laticínios que possuem um papel crucial na \nalimentação e são fontes de diversos aminoácidos e cálcio, além de serem uma \n\n11\nISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026  - www.cientificadigital.org\nopção nutricionalmente rica e adequada para a dieta, diversas teorias têm sido \nsugeridas por pesquisadores para compreender como o consumo destes pode \nestar relativo ao desenvolvimento da endometriose. Estudos apontam que mulhe-\nres diagnosticadas com a doença possuem níveis elevados de biomarcadores \ninflamatórios, dentre eles se destacam a interleucina-6, interleucina-8, fator \nde crescimento endotelial vascular e o fator de necrose tumoral alfa presentes \ntanto na corrente sanguínea quanto no líquido peritoneal (Nodler et al., 2020).\nDiante do exposto, em estudos realizados foi indicado que o consumo de \nlaticínios e de cálcio proveniente da alimentação reduzem os níveis de estresse \noxidativo e processos inflamatórios. Além disso, uma ingestão elevada de produtos \nlácteos pode contribuir para a diminuição da inflamação na corrente sanguínea \n(Zemel; Sun, 2008). Portando, o presente estudo busca investigar a relação entre \no consumo de laticínios e o risco de desenvolver a endometriose, focando em \ncomo uma dieta adequada na ingestão de produtos lácteos, considerando sua \ncomposição nutricional, no que diz respeito a macro e micronutrientes, pode \ninfluenciar no risco de desenvolver a patogênese.\n2. METODOLOGIA\nO presente estudo trata-se de uma revisão integrativa, estruturada com \nbase em artigos científicos. Para tanto, realizou-se a seguinte pergunta nortea-\ndora: “o consumo adequado de laticínios diminui o risco de desenvolvimento da \nendometriose? ”, aplicando-se a estratégia PICO que representa um acrônimo \npara Paciente ( endometriose), Intervenção ( laticínios), Comparação (número \nde porções) e “Outcomes” (desenvolvimento de endometriose), que são os \nelementos fundamentais da questão de pesquisa e da construção da pergunta \nnorteadora para a busca bibliográfica de evidências. \nAs bases de dados utilizadas foram PubMed, SCIELO e Science direct, na \nqual a busca foi realizada em três etapas em cada base de dados utilizando os \ndescritores “endometriosis” AND “dairy” OR “dairy products”. Dessa forma, foram \nselecionados apenas artigos originais conduzidos em mulheres que avaliaram o \nconsumo de lacticínios e sua relação com a possibilidade de desenvolvimento \nou não da endometriose. \n\n12\nEstudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde\nA partir dos critérios de elegibilidade, foram excluídos 824 artigos, dos \nquais 156 artigos de revisão, 78 estudos realizados em animais e in-vitro, 428 não \navaliaram a endometriose ou laticínios, 115 índices sem informações, 33 relacio-\nnaram a endometriose a outros grupamentos alimentares, 8 artigos duplicados \ne 6 avaliou a endometriose associada a outras patologias ou desordens clínicas. \nA exposição dos resultados da associação entre o consumo adequado \nde lacticínios e relação com a diminuição do risco de desenvolvimento da \nendometriose expõe os seguintes dados: autor, ano, país, metodologia, média \nde idade, tipos de laticínios, consumo de laticínios, controle da ingestão e o \ndesfecho clínico (risco ou não de endometriose).\nFigura 1. Caracterização das etapas da coleta de dados.\nFonte: Elaborado pelos autores, 2026.\n\n13\nEstudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde\n3. RESULTADOS \n Este estudo avaliou a associação entre o consumo adequado de laticí-\nnios e a redução do risco de desenvolver endometriose, analisando a ingestão \nde laticínios de mulheres com o diagnóstico dessa doença, por meio do número \nde porções e correlacionando aos dados da razão de chances de ocasionar a \npatologia. Assim, foram revisados os dados de 5 artigos, contemplando carac-\nterísticas como autor, ano, país, metodologia, faixa etária, tipos de laticínios, \ncontrole da ingestão e o desfecho clínico (risco ou não de endometriose). \n\nTabela 1 - Caracterização da amostra dos estudos incluídos nessa revisão.\nAutor, Ano, País Metodologia Idade Tipos de laticínios Consumo de laticínios \n(porções) Desfecho clínico\nNodler et al, 2020 \nEUA\n ꞏ Estudo de coorte prospectivo, \ndurante 9 anos\n ꞏ G1= 581 mulheres com endometriose \n(Laparoscopia)  \n ꞏ G2= 32.287 controle  \n ꞏ Avaliação: realizadas a cada 2 anos  \n ꞏ QFA com 124 itens  \n ꞏ Diagnóstico de doenças, estilo de \nvida e outros tópicos sobre à saúde\nMédia: 41 anos \nMínima: 34 anos \nMáxima: 51 anos\nLaticínios totais (leite, iogurte, sorvete, \nmilkshake, sorvete, queijo, manteiga), \nlaticínios com gordura elevada (leite, \nsorvete, milk-shake, cream cheese, \nmanteiga) e laticínios com gordura \nreduzida (leite desnatado, iogurte \ndesnatado, queijo cottage)\n≤1/dia \n2/dia \n3/dia \n4/dia \n>4/dia\nO maior consumo de laticínios estava diretamente \nrelacionado à redução do diagnóstico de endome-\ntriose. Com a ingestão acima de quatro porções/dia \nse obteve um risco 32% menor de endometriose (IC \n95%; r=0,47-0,96; p = 0,04)\nSamaneh et al., 2019 \nIrã\n ꞏ Estudo de caso-controle  \n ꞏ G1 = 78 mulheres com endometriose \n(Laparoscopia)  \n ꞏ G2 = 78 controle \n ꞏ QFA com 47 itens\nMédia: 31 anos \nMínima: 15 anos \nMáxima: 45 anos\nLaticínios totais Categorias de quartis: \nQ1, Q2, Q3,Q4: Cada variável \nalimentar e macronutriente foi \nagrupada utilizando o quartil de \ningestão.\nO alto consumo de laticínios foram associados a um \nmenor risco de endometriose.\nMulheres no quartil Q4 de ingestão apresentaram \nrisco menor do que aqueles no quartil Q1 (OR: 0,46; \nIC:95%; r=0,39-0,93; p=0,02).\nAshrafi et al., 2020 \nIrã\n ꞏ Estudo caso-controle;  \n ꞏ G1 = 207 mulheres com  \nendometriose (laparoscopia)  \n ꞏ G2 = 206 controle \n ꞏ Foi aplicado um QFA semanal de \n14 itens\nG1: 31,50 ± 5,52 9 (endome-\ntriose) \nG2: 30,30 ± 5,96 (controle)\nLeite e queijo Leite <1 porção/semana 1-6 \nporções/semana ≥7 porções/\nsemana Queijo ≤2 porções/se -\nmana 3-5 porções/semana\nA elevada ingestão de laticínios (leite [OR = 0,65, \nIC: 95%; r=0,47– 0,92, p=0,014], queijo [OR = 0,53, \nIC:95%; r= 0,37–0,76, p < 0,001]) possui associação \nsignificativa com menor risco de endometriose.\nHarris et al., 2013 \nEUA \nEstudo de coorte prospectivo, durante \n14 anos  G1= 1.385 mulheres com en-\ndometriose (laparoscopia)  G2= 69.171 \ncontrole  Tempo: realizadas a cada 4 \nanos  QFA: > 130 itens  Antropometria, \nfatores demográficos, estilo de vida, e \nhistórico de doenças\nMédia: 36 anos\nMínima: 25 anos \nMáxima: 42 anos\nTotal de laticínios, manteiga, queijo, \nleite, iogurte, sorvete\n≤4/semana 5–6/semana 1/dia 2/\ndia 3/dia > 3/dia\nUma porção por dia de laticínios foi relacionada a uma \nredução de 5% (razão de taxas (RR) = 0,95, intervalo \nde confiança de 95% (IC): 0,91, 1,00).  O consumo di-\nário > 3 porções de laticínios reduzidos em gorduras \nobteve-se uma chance 18% menor de gerar endome-\ntriose, em relação àquelas que ingeriam duas porções \npor dia (razão de taxas = 0,82, intervalo de confiança \nde 95%; r= 0,71, 0,95; P = 0,03). \nTrabert et al., 2011 EUA  Estudo de caso-controle  G1=284 \nmulheres com endometriose (Clas -\nsificação Internacional de Doenças, \n9ª Revisão- CID-9)  G2=660 controle  \nQFA: > 122 itens \n18–49 anos Total de alimentos lácteos ≤ 1/dia \n2/dia \n>2/dia\nConsumo de lacticínios reduz o risco de endometrio-\nse.  2 porções/dia vs. ≤ 1: OR 0,6; >2 porções/dia vs. \n≤ 1: OR 0,7), todavia, essa relação não possuiu signi-\nficado relevante no grupo do tercil mais alto. \nLegenda: QFA: Questionário de frequência alimentar; OR: Razão de chances; IR: Intervalos de confiança; RR: Razão de taxas; VM: Multivariável; Vs.: Versus.\n\n15\nISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026  - www.cientificadigital.org\n4. DISCUSSÃO\nO presente estudo avaliou a associação entre o consumo adequado de \nlaticínios e o risco de desenvolvimento de endometriose, contemplando 5 estudos \nno qual foram avaliadas 2.535 mulheres diagnosticadas com endometriose e \nmulheres saudáveis, bem como a ingestão alimentar diária. Os resultados obti-\ndos apresentam que o consumo de laticínios possui uma relação inversa com \no desenvolvimento da endometriose. Diante do exposto foi realizado a análise \nde cada artigo e suas relações no consumo de laticínios associado a um menor \nrisco de desenvolver endometriose. \nA possível associação inversa entre o consumo de laticínios e o risco \nde endometriose pode ser explicada pela presença de nutrientes como cálcio \ne vitamina D, que desempenham papel na fisiopatologia da endometriose, \npois atuam na inibição de fatores de crescimento celular, como o IGF-I (fator \nde crescimento semelhante à insulina tipo I), além de favorecerem a ação de \ninibidores naturais desse crescimento, como o TGF-β (fator de crescimento \ntransformador beta) (Trabert et al., 2011). \nOutro mecanismo que explica a atuação da vitamina D com a endometriose, \ndiz respeito ao fato de que esta vitamina promove a ativação de células T regu-\nladoras e aumenta a produção de IL-10, além de reduzir os níveis da citocina \npró-inflamatória IL-17 e atenuar a atividade imunológica mediada por células \nT-helper 1, assim, conclui-se que a deficiência dessa vitamina pode ocasionar \ndoenças inflamatórias, como a patologia em questão (Parazzini et al., 2013). \nEstudos ainda evidenciam que o aumento no consumo de cálcio e produ-\ntos lácteos também está associado à redução de marcadores pró-inflamatórios, \ncomo o fator de necrose tumoral alfa (TNF-β) e a interleucina-6 (IL-6), bem como \nredução das espécies reativas de oxigênio (ROS) (Zemel; Sun, 2008). Além disso, \nas proteínas presentes nos laticínios, como a caseína e o soro do leite, estão \ncorrelacionadas a efeitos anti-inflamatórios, propriedades anticancerígenas e \nações imunomoduladoras (Davoodi et al., 2016). \nO consumo alimentar avaliado nos estudos de Trabert et al.  (2011) e \nSamaneh et al. (2019) foram designados pelo QFA para determinar a ingestão \ndas participantes ao longo de um ano anterior ao estudo, todavia as análises de \n\n16\nEstudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde\nNodler et al. (2020) e Haris et al. (2013) são estudos de coorte prospectivo que \nutilizaram o QFA para examinar as ingestões alimentares de mulheres durante \na adolescência e fase adulta, respectivamente. Já nas observações de Ashrafi \net al. (2020), os autores aplicaram um questionário estruturado com base nos \nhábitos alimentares de mulheres iranianas para analisar a frequência alimentar \ndurante o ano anterior ao projeto.\nVale mencionar, que apesar da análise do consumo alimentar dos estu-\ndos não terem sido métodos considerados padrão-ouro, é importante destacar \nque o Questionário de Frequência Alimentar (QFA) é reconhecido como uma \ndas ferramentas mais práticas que proporciona agilidade na aplicação e coleta \ninformações relevantes para avaliar a ingestão alimentar diária. Além disso, ele \ndesempenha um papel essencial em pesquisas epidemiológicas, que investigam \na relação entre hábitos alimentares e o desenvolvimento de doenças crônicas, \ncontribuindo para elevar a confiabilidade e a exatidão dos dados coletados \n(Slater et al., 2003). \nAlém disso, é importante destacar que os laticínios são fontes de diver-\nsos micronutrientes, como as vitaminas E, D, A e K, cálcio, magnésio, fósforo, \npotássio e zinco; e peptídeos bioativos (proteínas do leite), a exemplo: beta -\n-lactoglobulina (BLG), alfalactoalbumina (ALA), albumina do soro bovino (BSA), \nglicomacropeptídeos (GMP) e imunoglobulinas (Ig‘s). Além de serem proteínas \nde alto valor biológico, as mesmas desempenham funções antimicrobianas, são \nagentes anti-hipertensivas, moduladoras da resposta imunológica e também \natuam como fatores de crescimento (Haraguchi; Abreu; Paula, 2006). \nEm contrapartida, esses alimentos também são fontes de gorduras satu-\nradas, isso ocasiona preocupação e dúvida em alguns pesquisadores, pois o \nexcesso das mesmas pode desenvolver condições inflamatórias crônicas, como \né o caso da endometriose, por isso, existem recomendações nutricionais que \nlimitam a quantidade de gordura ingerida bem como a adequada proporção do \nconsumo de suas fontes (ômega 3 e ômega 6) (Bordoni et al., 2015). Harris et al. \n(2013) observou que mulheres com a ingestão diária acima de três porções de \nlaticínios com baixo teor de gorduras apresentaram um percentual 18% menor \nde receber diagnóstico de endometriose, em comparação àquelas que consu-\nmiam duas porções por dia. \n\n17\nISBN 978-65-6155-085-7 - Vol. 1 - Ano 2026  - www.cientificadigital.org\nOs hábitos alimentares de uma população fazem parte de um estilo de vida \nindividual e característico, envolvendo aspectos sociais, culturais, econômicos \ne nutricionais. Compreender como os efeitos específicos dos laticínios agem \nna saúde é um desafio para a ciência da nutrição atual, exigindo a combinação \nde dados advindos de estudos observacionais sobre hábitos alimentares e a \nprevalência de doenças na população que possuam evidências de pesquisas \nexperimentais e avaliem diretamente o impacto do consumo de produtos lácteos. \nDiante disso, é importante destacar que os mecanismos que correlacionam a \ndieta como um todo ao risco de desenvolver endometriose ainda requerem \ninvestigações mais aprofundadas (Warensjo et al. 2010). \n5. CONSIDERAÇÕES FINAIS\nDiante desse estudo é possível concluir que uma alimentação com rica \nfonte de laticínios reduz o risco de ocasionar a patologia. Apesar de todos os \ndesfechos que já foram divulgados em estudos, ainda são necessárias mais \ninvestigações a longo prazo que sejam amplas e apropriadas para avaliar o \nconsumo alimentar de mulheres, bem como sua relação com o surgimento \nde desordens clínicas, com o objetivo de aumentar as evidências possuindo \nresultados mais concretos e auxiliando na prevenção e tratamento adaptado \npara as pacientes. \nAinda que a literatura necessite de mais estudos para correlacionar a \ninfluência do consumo alimentar e a possibilidade de gerar endometriose, os \nlacticínios se apresentam como um dos grupos alimentares que podem ser \nbenéficos nesse sentido, além disso, há informações que a adoção de uma matriz \nalimentar anti-inflamatória e antioxidante desempenha um papel relevante, \nauxiliando na prevenção, controle e melhora dessa patologia.\nREFERÊNCIAS \nASHRAFI, M. et al.  Diet and The Risk of Endometriosis in Iranian Women: A Case-Control Study. \nInternational Journal of Fertility & Sterility, v. 14, n. 3, p. 193–200, 2020. \nBARBOSA, A. D.A. S.; BLANCH, G. T. Análise da influência de determinados alimentos no controle da \nendometriose e os pontos positivos e negativos do tratamento medicamentoso: uma revisão narrativa. \nResearch, Society and Development, v. 10, n. 15, p. e213101522438, 2021. \n\n18\nEstudos Nultidisciplinares em Nutrição e Saúde\nBELLELIS, P.; PODGAEC, S.; ABRÃO, M. S. Environmental factors and endometriosis. Revista da \nAssociacao Medica Brasileira (1992), v. 57, n. 4, p.448–452, 2011. \nBORDONI, A. et al. Dairy products and inflammation: A review of the clinical evidence. Critical Reviews \nin Food Science and Nutrition, v. 57, n. 12, p. 2497–2525, 2015. \nCARDOSO, J. V. et al. Epidemiological profile of women with endometriosis: a retrospective descriptive \nstudy. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 20, n. 4, p. 1057–1067, dez. 2020. \nCHALUB, J. de P..; LEÃO, N. S. C.; MAYNARD, D. C. Investigação sobre os aspectos nutricionais \nrelacionados à endometriose. Research, Society and Development, [S. l.], v. 9, n. 11, p. e65591110215, 2020. \nDAVOODI. Health-Related Aspects of Milk Proteins. Iranian journal of pharmaceutical research , \nv. 15, n. 3, p. 573–591, 2016. \nFEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). \nEndometriose. (Protocolo FEBRASGO - Ginecologia, no. 78/Comissão Nacional Especializada em \nEndometriose). São Paulo: FEBRASGO, 2021. \nHABIB, N. et al. Impact of lifestyle and diet on endometriosis: a fresh look to a busy corner. Menopausal \nReview, v. 21, n. 2, p. 124-132, 2022.\nHARAGUCHI, F. K.; ABREU, W. C.; PAULA, H. D. E. Proteínas do soro do leite: composição, propriedades \nnutricionais, aplicações no esporte e benefícios para a saúde humana. Revista de Nutrição, v. 19, n. \n4, p. 479–488, 2006. \nHARRIS, H. R. et al. Dairy-Food, Calcium, Magnesium, and Vitamin D Intake and Endometriosis: A \nProspective Cohort Study. American Journal of Epidemiology, v. 177, n. 5, p. 420–430, 2013. \nKARLSSON, J. V.; PATEL, H.; PREMBERG, A. Experiences of health after dietary changes in endometriosis: \na qualitative interview study. BMJ Open, v. 10, n. 2, p. e032321, 2020.\nNODLER, J. L. et al. Dairy consumption during adolescence and endometriosis risk. American Journal \nof Obstetrics and Gynecology, v. 222, n. 3, p. 257.e1–257.e16, 2020. \nPARAZZINI, F. et al.  Diet and endometriosis risk: A literature review. Reproductive BioMedicine \nOnline, v. 26, n. 4, p. 323–336, 2013. \nSAMANEH, Y. et al. The association of food consumption and nutrient intake with endometriosis risk \nin Iranian women: A case-control study. International journal of reproductive biomedicine, v. 17, n. \n9, p. 661-670, 2019. \nSLATER, B. et al.  Validação de Questionários de Freqüência Alimentar - QFA: considerações \nmetodológicas. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 6, n. 3, p. 200–208, 2003. \nTRABERT, B. et al. Diet and risk of endometriosis in a population-based case-control study. The British \njournal of nutrition, v. 105, n. 3, p. 459–67, 2011. \nWARENSJO, E.; NOLAN, D.; TAPSELL, L. Dairy Food Consumption and Obesity-Related Chronic \nDisease. Advances in Food and Nutrition Research, p. 1–41, 2010. \nZEMEL, M. B.; SUN, X. Dietary Calcium and Dairy Products Modulate Oxidative and Inflammatory \nStress in Mice and Humans. The Journal of Nutrition, v. 138, n. 6, p. 1047– 1052, 2008.","source_license":"CC0","license_restricted":false}