Impacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública

In: Femina · 2023 · vol. 51(4) , pp. 240–244 · doi:10.61622/0100-7254514202306 · W7125000756
article OA: bronze CC0
AI-generated summary by claude@2026-06, 2026-06-23

This study investigated adolescent knowledge about endometriosis, an estrogen-dependent disease affecting an estimated 10% of reproductive-aged women, with a focus on public school students.

One-sentence paraphrase of the abstract; not a substitute for reading it. No clinical advice. How this works

AI-generated deep summary by claude@2026-06, 2026-06-23 · read from full text

O estudo investigou o conhecimento sobre endometriose entre adolescentes de 16–17 anos de escolas estaduais do município de Avaré (SP), usando um delineamento descritivo, exploratório e quali-quantitativo em três etapas: questionário inicial (11 itens), palestra informativa com conteúdo sobre doença, sintomas, diagnóstico e tratamentos, e novo questionário após 30 dias. Na primeira etapa, 96% relataram não saber o que era endometriose, e 71% referiram dismenorreia, com 81% não procurando ginecologista, citando motivos como vergonha e falta de necessidade/tempo; embora 100% tivessem interesse em saber mais após o questionário inicial, apenas 48 das 80 participantes da fase 1 completaram a fase 3. Após a palestra, 85% das adolescentes passaram a ter conhecimento sobre o que é endometriose, e a fonte principal de conhecimento foi a própria palestra (88%), com 21% relatando ter procurado um profissional de saúde após o questionário e a palestra; a principal limitação explicitada foi a perda de participantes na terceira etapa por mudanças e não participação/presença. Esta paper é centrada sobre endometriose — avalia o impacto de palestras escolares sobre sinais e sintomas no aumento do conhecimento e direcionamento para autocuidado em adolescentes.

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Abstract

RESUMO Objetivo Averiguar o conhecimento das adolescentes sobre endometriose, que é uma doença estrogênio-dependente, podendo ser progressiva, e que se caracteriza pela presença do tecido endometrial fora do útero. Estima-se que a endometriose acometa cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo 4% a 17% das adolescentes. Métodos A pesquisa foi desenvolvida com adolescentes […]
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Keywords

Health promotion; Menarche; Chronic disease; School; Dissemination Submetido: 31/10/2022 Aceito: 12/04/2023 1. Faculdade Eduvale de Avaré, Avaré, SP, Brasil. 2. Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil. Conflitos de interesse: Nada a declarar. Autor correspondente: Suzana Maria Cruz Medeiros Av. Pref. Misael Eufrásio Leal, s/n, 18705-050, Avaré, SP, Brasil [email protected] Como citar: Medeiros SM, Medeiros LT, Corazza LC, Cardoso AL, Malvezzi H, Guarato AF, et al. Impacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública. Femina. 2023;51(4):240-4. Impacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública Impact of dissemination of information about endometriosis on self-care of public school adolescents Suzana Maria Cruz Medeiros1, Leonardo Teixeira Lopes de Medeiros1, Ligia Carolina Quessada Corazza1, Adilson Lopes Cardoso1, Helena Malvezzi2, Alan Fernandes Guarato1, Sérgio Podgaec2 RESUMO Objetivo: Averiguar o conhecimento das adolescentes sobre endometriose, que é uma doença estrogênio-dependente, podendo ser progressiva, e que se carac - teriza pela presença do tecido endometrial fora do útero. Estima-se que a endo- metriose acometa cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo 4% a 17% das adolescentes. Métodos: A pesquisa foi desenvolvida com adolescentes estudantes do terceiro ano do ensino médio de escolas estaduais do município de Avaré (São Paulo) de forma descritiva, exploratória e quali-quantitativa, em três etapas: aplicação de questionário, realização de palestra e nova aplicação de questionário. Participaram quatro escolas, totalizando 80 adolescentes parti- cipantes na primeira fase e 48 adolescentes na terceira fase. Resultados: Houve aumento de 21,35 vezes no número de adolescentes que se beneficiaram dos conhecimentos gerados pelas palestras, além da replicação da informação para terceiros, possivelmente aumento no número de mulheres que tomaram conhe- cimento sobre o que é endometriose. Conclusão: Verificou-se que a aplicação de palestras informativas sobre sinais e sintomas de endometriose aumentou o grau de conhecimento de adolescentes entre 16 e 17 anos de escola pública.

Abstract

Objective: To investigate the knowledge of adolescents about Endometriosis, which is a progressive, estrogen/dependent disease, which can be progressive and which is characterized by the presence of endometrial tissue outside the uterus. It is estimated that it affects about 10% of women of reproductive age, of which 2%-4% are postme- nopausal, with or without hormonal treatment, and 4% to 17% of adolescents. Me - thods: The research was carried out with adolescent students in the 3rd year of high school from state schools in the city of Avaré (São Paulo) in a descriptive, exploratory and qualitative-quantitative manner in three stages: application of a questionnaire, Impacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública Impact of dissemination of information about endometriosis on self-care of public school adolescents | 241 FEMINA 2023;51(4):240-4 holding a lecture and a new application of quiz. Four schools participated, totaling 80 adolescents participating in the first phase and 48 adolescents in the third phase. Results: There was a 21.35-fold increase in the number of adolescents who benefited from the knowledge generated by the lectures, in addition to the replication of information to third parties, possibly an increase in the number of women who learned about what endometriosis is. Conclusion: It was found that the application of informative lectures on signs and symp - toms of endometriosis increased the level of knowledge of adolescents between 16 and 17 years of age in public school. INTRODUÇÃO A endometriose é uma doença estrogênio-dependen- te que pode ser progressiva e que se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora do útero. Estima-se que acometa cerca de 10% das mulheres, das quais 4% a 17% são adolescentes.(1-3) No Brasil e em países desenvolvidos, a endometriose é considerada um problema de saúde pública e está en- tre as principais causas de hospitalização ginecológica, o que gera altos custos para os sistemas de saúde, tor - nando-se um problema de natureza econômica.(4) A presença de tecido semelhante ao endométrio na cavidade peritoneal está associada a alterações imuno- lógicas e aumento da reação inflamatória, que pode levar à formação de aderências e lesões endometrióticas, que podem causar disfunções de órgãos reprodutores e dor.(5) A endometriose pode ter impacto negativo na vida da paciente, com danos físicos, no bem-estar e na vida con- jugal, social e profissional, devendo ser tratada adequa- damente para prevenir quadros mais severos que com- prometam toda a qualidade de vida dessas mulheres.(6) Por ser uma doença pouco conhecida pela população em geral, o diagnóstico da endometriose pode demorar, em média, de 6 a 12 anos após o início dos sintomas, e os obstáculos ao diagnóstico continuam altos.(7) Os obstáculos pioram e tornam-se mais evidentes em adolescentes com a doença. Em geral, não há informações suficientes na literatura sobre o quanto as adolescentes conhecem sobre a doença e seus sintomas. Há uma lacu- na de conhecimento sobre a doença e as divulgações nas escolas são restritas. Muitas adolescentes não procuram ajuda dos profissionais de saúde para iniciar o tratamen- to, por medo, constrangimento ou falta de informação, o que dificulta ainda mais o diagnóstico precoce, causando danos físicos e absenteísmo escolar, comprometendo o desempenho acadêmico e o desenvolvimento psicosso- cial, cognitivo, emocional e comportamental. É comum portadoras de endometriose apresentarem quadros de depressão e ansiedade; na adolescência, o impacto ne- gativo pode ser ainda maior e piorar com o passar dos anos, eventualmente na fase adulta.(8,9) Com base nessa lacuna observada, o objetivo do pre- sente estudo foi verificar o conhecimento sobre endo- metriose de estudantes adolescentes do terceiro ano do ensino médio de escolas estaduais do município de Avaré. MÉTODOS A pesquisa foi realizada com adolescentes do terceiro ano do ensino médio de escolas estaduais do município de Avaré (São Paulo) de forma descritiva, exploratória e quali-quantitativa, em três etapas: a primeira etapa foi a aplicação de um questionário, a segunda etapa baseou- -se na realização de uma palestra e, por fim, a terceira etapa foi uma nova aplicação de um questionário dife- rente do aplicado na primeira etapa. O município de Avaré possui seis escolas que ofere- cem ensino médio, entre as quais quatro colaboraram para a realização desta pesquisa. As escolas que par - ticiparam foram: E.E. Coronel João Cruz, E.E. Dona Cota Leonel, E.E. Dr. Paulo Araújo Novaes e E.E. Prof. João Teixeira de Araújo. O número total de alunas que participaram dos semi- nários foi de 630, entretanto os terceiros anos do ensino médio totalizaram 150 alunas. Dessas, 80 adolescentes aceitaram participar da primeira fase e 48 adolescentes, da terceira fase. Na primeira fase, realizou-se a aplicação de um ques- tionário com 11 questões às alunas do terceiro ano que estiveram presentes na sala de aula no dia, incluindo questões como: Idade; Você sabe o que é endometriose?; Quais sintomas você tem quando está próximo da mens- truação ou menstruada?; Qual o motivo de você ir ao gi- necologista? Descreva:; Depois desse questionário, você gostaria de saber o que é endometriose?; entre outras. Na segunda fase, aconteceu exposição de palestra ministrada pela própria autora deste estudo nas esco- las, para alunos do segundo e terceiro ano, nos turnos matutino e vespertino, tanto para meninas quanto para meninos, além de professores, coordenadores e colabo- radores que ali estiveram presentes. As palestras dura - ram em torno de uma hora, com conteúdo sobre o que é a endometriose, o público-alvo, locais acometidos, teorias, sintomas, avaliação diagnóstica, tratamentos e problemas causados pela endometriose. Na terceira fase, decorridos 30 dias, aplicou-se ou- tra pesquisa com 11 perguntas para as mesmas adoles - centes da primeira etapa, que incluía perguntas como: Idade; Você sabe o que é endometriose?; Por quais meios você teve conhecimento sobre a endometriose?; Quais foram os motivos que a fez procurar saber sobre a endometriose?; Para você, qual foi a importância da di- vulgação da endometriose na sua escola?; Você passou as informações aprendidas na palestra sobre endome- triose a outras pessoas?; entre outras. Os critérios de inclusão das participantes foram: ter entregado, antes dos questionários, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), devidamente preenchido pelo responsável, assim como o Termo de Medeiros SM, Medeiros LT, Corazza LC, Cardoso AL, Malvezzi H, Guarato AF, et al. 242 | FEMINA 2023;51(4):240-4 Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), no qual elas nos autorizaram a utilizar os dados obtidos no questionário. Durante o tempo de preenchimento dos questioná - rios, a pesquisadora supervisionou e sanou possíveis dúvidas das adolescentes. O questionário foi baseado na pesquisa de Zannoni et al., (10) sendo aprovado pelo Comitê de Ética, com o parecer nº 2.775.239 (Certificado de Apresentação de Apreciação Ética: 90130518.1.0000.5411). RESULTADOS Primeira etapa As adolescentes que participaram da pesquisa tinham entre 16 e 17 anos. Em relação à questão 1 (Tabela 1), 96% das adolescentes não sabiam o que era endometriose. O total de alunas com dismenorreia foi de 71%, confor - me mostra a tabela 2. Queixas de alterações urinárias e intestinais surgiram em 9% dos questionários. Do total das adolescentes, 65 (81%) relataram não procurar o ginecologista (Tabela 3). Os motivos de elas irem ao ginecologista são cuidar da saúde (34%), mens- truação atrasada ou cólica muito forte (3%), começar a tomar anticoncepcional (9%) e quando algo está dife- rente (4%) (Tabela 4). Os motivos de elas não procura - rem o profissional da saúde são vergonha (14%), não ver necessidade (14%), falta de tempo (9%), falta de dinheiro (8%) e porque, pelo posto de saúde, é muito demorado (8%) (Tabela 5). Na questão 11, na qual se pergunta se, após o ques - tionário, elas gostariam de saber o que é endometriose, 100% responderam que sim. Segunda etapa Das 80 adolescentes que participaram da primeira eta - pa, apenas 48 participaram da terceira etapa. O número reduzido de participantes da terceira etapa se deve a di- versos fatores, entre eles, mudança de escola, mudança de cidade, não querer participar e/ou não estar presen- te na sala no dia da aplicação do questionário. Os resul- tados obtidos na questão 1 (Tabela 6) mostraram que o percentual das adolescentes que, após a palestra, têm conhecimento sobre o que é endometriose foi de 85%. Entre as adolescentes, 88% (42 adolescentes) disse- ram que o meio de conhecimento sobre a doença foi a palestra proferida e 13%, palestra, internet e família (Tabela 7). Dos dados obtidos na questão 3, foram seleciona - das as frases que descrevem os motivos que levaram as adolescentes a procurarem saber sobre a endometriose, como: • “Foi dada uma palestra na escola sobre endometriose, isso me deixou curiosa sobre o assunto.” • “Já tive alguns dos sintomas e quis procurar saber mais a fundo.” • “Informar-se mais sobre a doença.” • “O modo como ela está presente na vida das jovens e mulheres.” • “Foi dada uma palestra explicando; tenho dores iguais, fiquei curiosa para aprender mais.” Entre as adolescentes, 21% procuraram um profissio- nal de saúde após o questionário e a palestra (Tabela 8). Tabela 1. Resultados da questão 1 (Você sabe o que é endometriose?) Respostas n (%) Não sabem 77 (96) Sabem 3 (4) Tabela 2. Resultados da questão 4 (Quais sintomas você tem quando está perto da menstruação ou menstruada?) Sintomas n (%) Dor 57 (71) Alterações intestinais e/ou urinárias 7 (9) Nenhum 16 (20) Tabela 3. Resultados da questão 5 (Realiza exames ginecológicos com frequência?) Frequência n (%) Sim 15 (19) Não 65 (81) Tabela 4. Resultados da questão 6 (Qual o motivo de você IR ao ginecologista?) Motivos n (%) Cuidar da saúde 27 (34) Menstruação atrasada ou cólica muito forte 2 (3) Começar a tomar anticoncepcional 7 (9) Quando algo está diferente 3 (4) Não responderam 41 (51) Tabela 5. Resultados da questão 7 (Qual o motivo de você NÃO ir ao ginecologista?) Motivos n (%) Não vê necessidade 11 (14) Vergonha 11 (14) Falta de tempo 7 (9) Falta de dinheiro 6 (8) Demora no atendimento 6 (8) Não respondeu 39 (49) Impacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública Impact of dissemination of information about endometriosis on self-care of public school adolescents | 243 FEMINA 2023;51(4):240-4 Na questão 8, que pergunta “Para você, qual foi a im- portância da divulgação sobre a endometriose na sua escola?”, as frases selecionadas escritas por elas foram: • “Foi de muita importância, pois me incentivou a procurar um médico.” • “Bem informativa e um alerta à saúde.” • “Para eu saber e conhecer essa doença, assim podendo procurar um médico caso algum sintoma parecido com a doença apareça.” • “É importante, pois muitas pessoas têm, mas não sabem.” • “É muito grande, pois é um problema, infelizmente, muito presente entre as mulheres brasileiras.” • “Para conscientização de todos.” • “Informar para ficar atenta, dor não é normal.” Os resultados obtidos na questão 9 (Tabela 9) mos - tram que 100% das adolescentes repassaram as infor - mações aprendidas para outras pessoas da família ou próximas a elas. Foi perguntado às adolescentes sobre a frequência de palestras de informação sobre a saúde na sua escola (Tabela 10), e 88% delas responderam que é de uma a duas vezes ao ano. Cabe salientar que na questão 11 foi perguntado se elas gostariam de ter mais palestras sobre a saúde da mulher na sua escola, e 100% responderam que sim. DISCUSSÃO Os dados obtidos neste estudo corroboram os dados da literatura, em que a prevalência de dismenorreia em adolescentes varia de 60% a 93%, fato que deve chamar mais atenção para aquelas que se queixam de disme- norreia intensa, pois a dismenorreia é um sintoma co- mum de quem tem endometriose.(11) Outro fator importante é que, apesar de haver 44% de pessoas que apresentam sintomas de endometriose com menos de 20 anos, apenas 3,5% recebem o diagnós- tico nessa faixa etária, o que mostra, mais uma vez, que o diagnóstico é, na maioria das vezes, tardio.(11) Apesar do alto índice de adolescentes com disme- norreia, o índice daquelas que procuram regularmente o ginecologista é muito baixo. Os motivos de não pro- curarem o profissional da saúde são a vergonha, o fato de ficarem sem roupa na frente de um estranho, inde- pendentemente de ser médico ou médica, e a posição desconfortável, e a falta de necessidade, divergindo dos resultados relatados por Gomes et al.,(12) que colocam o medo e o constrangimento como os principais motivos para as adolescentes não irem ao ginecologista. Os re- sultados conflitantes podem ser causados pela diferen- ça de idade entre as entrevistadas, pela localidade do estudo e por se misturarem escolas públicas e privadas. Gomes et al.(12) incluíram adolescentes entre 14 e 17 anos de escolas públicas e particulares do Rio Grande do Sul. Ficou notório que, após o questionário e a palestra, houve aumento de 21,35 vezes no conhecimento sobre endometriose. A partir dos resultados apresentados, torna-se evidente a importância da realização de pa - lestras para o conhecimento das adolescentes sobre o que é a endometriose e para que elas sejam capazes de identificar sintomas que possam ser semelhantes e procurem ajuda médica. Apesar de ter sido grande a curiosidade e de as ado- lescentes perceberem a importância de conhecer a Tabela 6. Resultados da Questão 1 (Você sabe o que é endometriose?) Respostas n (%) Sim 41 (85) Não 7 (15) Tabela 7. Resultados da questão 2 (Por quais meios você teve conhecimento sobre essa doença) Resultados n (%) Palestra na escola 42 (88) Palestra na escola/família/internet 6 (13) Tabela 8. Resultados da questão 4 (A palestra contribuiu no direcionamento para procurar o médico para investigar possível endometriose?) Procurou médico n (%) Não foi ao médico após a palestra 38 (79) Foi ao médico após a palestra 10 (21) Tabela 9. Resultados da questão 9 (Você passou as informações aprendidas na palestra sobre endometriose a outras pessoas?) Respostas n (%) Mãe/amigos/família 19 (40) Mãe 14 (29) Pessoas da família 7 (15) Amigos 7 (15) Namorado 1 (2) Tabela 10. Resultados da questão 10 (Com qual frequência anual acontecem as palestras de informação sobre saúde na sua escola?) Palestras n (%) Uma vez 21 (44) Duas vezes 21 (44) Três vezes 6 (13) Medeiros SM, Medeiros LT, Corazza LC, Cardoso AL, Malvezzi H, Guarato AF, et al. 244 | FEMINA 2023;51(4):240-4 doença, não houve aumento real (1,39 vez) da procura por um profissional da saúde após o questionário e pa- lestra, demonstrando a dificuldade de mudança das re- presentações sociais sobre consulta ginecológica pree- xistentes, representações que pertencem ao meio social do grupo dessas adolescentes.(13,14) Os resultados obtidos neste trabalho, de acordo com as frases escritas pelas adolescentes, demonstram que foi positiva a divulgação sobre a endometriose nessas es- colas, o que foi corroborado pela divulgação entre fami- liares e amigos, e isso confirma, mais uma vez, a impor- tância da divulgação do tema, pois todas as entrevistadas passaram as informações obtidas nas palestras para ou- tras pessoas, sugerindo que, a partir de uma palestra, se pode alcançar um número muito maior de pessoas. CONCLUSÃO Por meio dos resultados obtidos nesta pesquisa, con- cluiu-se que houve aumento de 21,35 vezes no reconhe- cimento da endometriose como doença entre as adoles- centes, demonstrando-se a importância da orientação e organização de palestras da área da saúde sobre a vida sexual e reprodutiva, em escolas públicas do estado de São Paulo. Além disso, as adolescentes perpetuaram as informações a outras pessoas, principalmente às suas mães, demonstrando, assim, que a pesquisa atingiu posi- tivamente o público-alvo, além do público adulto, que é considerado o grupo mais acometido pela endometriose. REFERÊNCIAS 1. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria nº 879, de 12 de julho de 2016. Aprova o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da endometriose [Internet]. 2016 [cited 2022 Sep 23]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/ sas/2016/prt0879_15_07_2016.html 2. Torres-Rincón RA, Moreno-Rojas A, Salinas-Parra C. 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