{"paper_id":"2f048da5-2656-4b86-89b7-d5942fccdd36","body_text":"240 |\nARTIGO ORIGINAL\nFEMINA 2023;51(4):240-4\nDescritores\nPromoção da saúde; Menarca; \nDoença crônica; Escola; Divulgação\nKeywords\nHealth promotion; Menarche; \nChronic disease; School; \nDissemination\nSubmetido:\n31/10/2022\nAceito:\n12/04/2023\n1. Faculdade Eduvale de Avaré, \nAvaré, SP, Brasil.\n2. Instituto Israelita de Ensino e \nPesquisa Albert Einstein, São Paulo, \nSP, Brasil.\nConflitos de interesse:\nNada a declarar.\nAutor correspondente:\nSuzana Maria Cruz Medeiros\nAv. Pref. Misael Eufrásio Leal, s/n, \n18705-050, Avaré, SP, Brasil\nsuzanamedeiross@hotmail.com\nComo citar:\nMedeiros SM, Medeiros LT, Corazza \nLC, Cardoso AL, Malvezzi H, Guarato \nAF, et al. Impacto da disseminação \nde informação sobre endometriose \nno autocuidado de adolescentes \nde escola pública. Femina. \n2023;51(4):240-4.\nImpacto da disseminação \nde informação sobre \nendometriose no \nautocuidado de \nadolescentes de \nescola pública\nImpact of dissemination of information \nabout endometriosis on self-care \nof public school adolescents\nSuzana Maria Cruz Medeiros1, Leonardo Teixeira Lopes de Medeiros1,  \nLigia Carolina Quessada Corazza1, Adilson Lopes Cardoso1, Helena Malvezzi2,  \nAlan Fernandes Guarato1, Sérgio Podgaec2\nRESUMO\nObjetivo: Averiguar o conhecimento das adolescentes sobre endometriose, que \né uma doença estrogênio-dependente, podendo ser progressiva, e que se carac -\nteriza pela presença do tecido endometrial fora do útero. Estima-se que a endo-\nmetriose acometa cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo 4% a \n17% das adolescentes. Métodos: A pesquisa foi desenvolvida com adolescentes \nestudantes do terceiro ano do ensino médio de escolas estaduais do município \nde Avaré (São Paulo) de forma descritiva, exploratória e quali-quantitativa, em \ntrês etapas: aplicação de questionário, realização de palestra e nova aplicação \nde questionário. Participaram quatro escolas, totalizando 80 adolescentes parti-\ncipantes na primeira fase e 48 adolescentes na terceira fase. Resultados: Houve \naumento de 21,35 vezes no número de adolescentes que se beneficiaram dos \nconhecimentos gerados pelas palestras, além da replicação da informação para \nterceiros, possivelmente aumento no número de mulheres que tomaram conhe-\ncimento sobre o que é endometriose. Conclusão: Verificou-se que a aplicação \nde palestras informativas sobre sinais e sintomas de endometriose aumentou \no grau de conhecimento de adolescentes entre 16 e 17 anos de escola pública.\nABSTRACT\nObjective: To investigate the knowledge of adolescents about Endometriosis, which \nis a progressive, estrogen/dependent disease, which can be progressive and which is \ncharacterized by the presence of endometrial tissue outside the uterus. It is estimated \nthat it affects about 10% of women of reproductive age, of which 2%-4% are postme-\nnopausal, with or without hormonal treatment, and 4% to 17% of adolescents. Me -\nthods: The research was carried out with adolescent students in the 3rd year of high \nschool from state schools in the city of Avaré (São Paulo) in a descriptive, exploratory \nand qualitative-quantitative manner in three stages: application of a questionnaire,\n\nImpacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública\nImpact of dissemination of information about endometriosis on self-care of public school adolescents\n| 241 \nFEMINA 2023;51(4):240-4\nholding a lecture and a new application of quiz. Four schools \nparticipated, totaling 80 adolescents participating in the first \nphase and 48 adolescents in the third phase. Results: There \nwas a 21.35-fold increase in the number of adolescents who \nbenefited from the knowledge generated by the lectures, in \naddition to the replication of information to third parties, \npossibly an increase in the number of women who learned \nabout what endometriosis is. Conclusion: It was found that \nthe application of informative lectures on signs and symp -\ntoms of endometriosis increased the level of knowledge of \nadolescents between 16 and 17 years of age in public school.\nINTRODUÇÃO\nA endometriose é uma doença estrogênio-dependen-\nte que pode ser progressiva e que se caracteriza pela \npresença de tecido endometrial fora do útero. Estima-se \nque acometa cerca de 10% das mulheres, das quais 4% a \n17% são adolescentes.(1-3)\nNo Brasil e em países desenvolvidos, a endometriose \né considerada um problema de saúde pública e está en-\ntre as principais causas de hospitalização ginecológica, \no que gera altos custos para os sistemas de saúde, tor -\nnando-se um problema de natureza econômica.(4)\nA presença de tecido semelhante ao endométrio na \ncavidade peritoneal está associada a alterações imuno-\nlógicas e aumento da reação inflamatória, que pode levar \nà formação de aderências e lesões endometrióticas, que \npodem causar disfunções de órgãos reprodutores e dor.(5)\nA endometriose pode ter impacto negativo na vida da \npaciente, com danos físicos, no bem-estar e na vida con-\njugal, social e profissional, devendo ser tratada adequa-\ndamente para prevenir quadros mais severos que com-\nprometam toda a qualidade de vida dessas mulheres.(6)\nPor ser uma doença pouco conhecida pela população \nem geral, o diagnóstico da endometriose pode demorar, \nem média, de 6 a 12 anos após o início dos sintomas, e \nos obstáculos ao diagnóstico continuam altos.(7)\nOs obstáculos pioram e tornam-se mais evidentes em \nadolescentes com a doença. Em geral, não há informações \nsuficientes na literatura sobre o quanto as adolescentes \nconhecem sobre a doença e seus sintomas. Há uma lacu-\nna de conhecimento sobre a doença e as divulgações nas \nescolas são restritas. Muitas adolescentes não procuram \najuda dos profissionais de saúde para iniciar o tratamen-\nto, por medo, constrangimento ou falta de informação, o \nque dificulta ainda mais o diagnóstico precoce, causando \ndanos físicos e absenteísmo escolar, comprometendo o \ndesempenho acadêmico e o desenvolvimento psicosso-\ncial, cognitivo, emocional e comportamental. É comum \nportadoras de endometriose apresentarem quadros de \ndepressão e ansiedade; na adolescência, o impacto ne-\ngativo pode ser ainda maior e piorar com o passar dos \nanos, eventualmente na fase adulta.(8,9)\nCom base nessa lacuna observada, o objetivo do pre-\nsente estudo foi verificar o conhecimento sobre endo-\nmetriose de estudantes adolescentes do terceiro ano \ndo ensino médio de escolas estaduais do município de \nAvaré.\nMÉTODOS\nA pesquisa foi realizada com adolescentes do terceiro \nano do ensino médio de escolas estaduais do município \nde Avaré (São Paulo) de forma descritiva, exploratória e \nquali-quantitativa, em três etapas: a primeira etapa foi a \naplicação de um questionário, a segunda etapa baseou-\n-se na realização de uma palestra e, por fim, a terceira \netapa foi uma nova aplicação de um questionário dife-\nrente do aplicado na primeira etapa.\nO município de Avaré possui seis escolas que ofere-\ncem ensino médio, entre as quais quatro colaboraram \npara a realização desta pesquisa. As escolas que par -\nticiparam foram: E.E. Coronel João Cruz, E.E. Dona Cota \nLeonel, E.E. Dr. Paulo Araújo Novaes e E.E. Prof. João \nTeixeira de Araújo.\nO número total de alunas que participaram dos semi-\nnários foi de 630, entretanto os terceiros anos do ensino \nmédio totalizaram 150 alunas. Dessas, 80 adolescentes \naceitaram participar da primeira fase e 48 adolescentes, \nda terceira fase.\nNa primeira fase, realizou-se a aplicação de um ques-\ntionário com 11 questões às alunas do terceiro ano que \nestiveram presentes na sala de aula no dia, incluindo \nquestões como: Idade; Você sabe o que é endometriose?; \nQuais sintomas você tem quando está próximo da mens-\ntruação ou menstruada?; Qual o motivo de você ir ao gi-\nnecologista? Descreva:; Depois desse questionário, você \ngostaria de saber o que é endometriose?; entre outras.\nNa segunda fase, aconteceu exposição de palestra \nministrada pela própria autora deste estudo nas esco-\nlas, para alunos do segundo e terceiro ano, nos turnos \nmatutino e vespertino, tanto para meninas quanto para \nmeninos, além de professores, coordenadores e colabo-\nradores que ali estiveram presentes. As palestras dura -\nram em torno de uma hora, com conteúdo sobre o que \né a endometriose, o público-alvo, locais acometidos, \nteorias, sintomas, avaliação diagnóstica, tratamentos e \nproblemas causados pela endometriose.\nNa terceira fase, decorridos 30 dias, aplicou-se ou-\ntra pesquisa com 11 perguntas para as mesmas adoles -\ncentes da primeira etapa, que incluía perguntas como: \nIdade; Você sabe o que é endometriose?; Por quais \nmeios você teve conhecimento sobre a endometriose?; \nQuais foram os motivos que a fez procurar saber sobre a \nendometriose?; Para você, qual foi a importância da di-\nvulgação da endometriose na sua escola?; Você passou \nas informações aprendidas na palestra sobre endome-\ntriose a outras pessoas?; entre outras.\nOs critérios de inclusão das participantes foram: \nter entregado, antes dos questionários, o Termo de \nConsentimento Livre e Esclarecido (TCLE), devidamente \npreenchido pelo responsável, assim como o Termo de \n\nMedeiros SM, Medeiros LT, Corazza LC, Cardoso AL, Malvezzi H, Guarato AF, et al.\n242 |\nFEMINA 2023;51(4):240-4\nAssentimento Livre e Esclarecido (TALE), no qual elas nos \nautorizaram a utilizar os dados obtidos no questionário.\nDurante o tempo de preenchimento dos questioná -\nrios, a pesquisadora supervisionou e sanou possíveis \ndúvidas das adolescentes.\nO questionário foi baseado na pesquisa de Zannoni \net al., (10) sendo aprovado pelo Comitê de Ética, com o \nparecer nº 2.775.239 (Certificado de Apresentação de \nApreciação Ética: 90130518.1.0000.5411).\nRESULTADOS\nPrimeira etapa\nAs adolescentes que participaram da pesquisa tinham \nentre 16 e 17 anos. Em relação à questão 1 (Tabela 1), 96% \ndas adolescentes não sabiam o que era endometriose. \nO total de alunas com dismenorreia foi de 71%, confor -\nme mostra a tabela 2. Queixas de alterações urinárias e \nintestinais surgiram em 9% dos questionários.\nDo total das adolescentes, 65 (81%) relataram não \nprocurar o ginecologista (Tabela 3). Os motivos de elas \nirem ao ginecologista são cuidar da saúde (34%), mens-\ntruação atrasada ou cólica muito forte (3%), começar a \ntomar anticoncepcional (9%) e quando algo está dife-\nrente (4%) (Tabela 4). Os motivos de elas não procura -\nrem o profissional da saúde são vergonha (14%), não ver \nnecessidade (14%), falta de tempo (9%), falta de dinheiro \n(8%) e porque, pelo posto de saúde, é muito demorado \n(8%) (Tabela 5).\nNa questão 11, na qual se pergunta se, após o ques -\ntionário, elas gostariam de saber o que é endometriose, \n100% responderam que sim.\nSegunda etapa\nDas 80 adolescentes que participaram da primeira eta -\npa, apenas 48 participaram da terceira etapa. O número \nreduzido de participantes da terceira etapa se deve a di-\nversos fatores, entre eles, mudança de escola, mudança \nde cidade, não querer participar e/ou não estar presen-\nte na sala no dia da aplicação do questionário. Os resul-\ntados obtidos na questão 1 (Tabela 6) mostraram que o \npercentual das adolescentes que, após a palestra, têm \nconhecimento sobre o que é endometriose foi de 85%.\nEntre as adolescentes, 88% (42 adolescentes) disse-\nram que o meio de conhecimento sobre a doença foi \na palestra proferida e 13%, palestra, internet e família \n(Tabela 7).\nDos dados obtidos na questão 3, foram seleciona -\ndas as frases que descrevem os motivos que levaram as \nadolescentes a procurarem saber sobre a endometriose, \ncomo:\n • “Foi dada uma palestra na escola \nsobre endometriose, isso me deixou \ncuriosa sobre o assunto.”\n • “Já tive alguns dos sintomas e quis \nprocurar saber mais a fundo.”\n • “Informar-se mais sobre a doença.”\n • “O modo como ela está presente na \nvida das jovens e mulheres.”\n • “Foi dada uma palestra explicando; tenho dores \niguais, fiquei curiosa para aprender mais.”\nEntre as adolescentes, 21% procuraram um profissio-\nnal de saúde após o questionário e a palestra (Tabela 8).\nTabela 1. Resultados da questão 1 (Você sabe o que é \nendometriose?)\nRespostas n (%)\nNão sabem 77 (96)\nSabem 3 (4)\nTabela 2. Resultados da questão 4 (Quais sintomas você tem \nquando está perto da menstruação ou menstruada?)\nSintomas n (%)\nDor 57 (71)\nAlterações intestinais e/ou urinárias 7 (9)\nNenhum 16 (20)\nTabela 3. Resultados da questão 5 (Realiza exames \nginecológicos com frequência?)\nFrequência n (%)\nSim 15 (19)\nNão 65 (81)\nTabela 4. Resultados da questão 6 (Qual o motivo de você IR \nao ginecologista?)\nMotivos n (%)\nCuidar da saúde 27 (34)\nMenstruação atrasada ou cólica muito forte 2 (3)\nComeçar a tomar anticoncepcional 7 (9)\nQuando algo está diferente 3 (4)\nNão responderam 41 (51)\nTabela 5. Resultados da questão 7 (Qual o motivo de você NÃO \nir ao ginecologista?)\nMotivos n (%)\nNão vê necessidade 11 (14)\nVergonha 11 (14)\nFalta de tempo 7 (9)\nFalta de dinheiro 6 (8)\nDemora no atendimento 6 (8)\nNão respondeu 39 (49)\n\nImpacto da disseminação de informação sobre endometriose no autocuidado de adolescentes de escola pública\nImpact of dissemination of information about endometriosis on self-care of public school adolescents\n| 243 \nFEMINA 2023;51(4):240-4\nNa questão 8, que pergunta “Para você, qual foi a im-\nportância da divulgação sobre a endometriose na sua \nescola?”, as frases selecionadas escritas por elas foram:\n • “Foi de muita importância, pois me \nincentivou a procurar um médico.”\n • “Bem informativa e um alerta à saúde.”\n • “Para eu saber e conhecer essa doença, assim \npodendo procurar um médico caso algum \nsintoma parecido com a doença apareça.”\n • “É importante, pois muitas pessoas \ntêm, mas não sabem.”\n • “É muito grande, pois é um problema, infelizmente, \nmuito presente entre as mulheres brasileiras.”\n • “Para conscientização de todos.”\n • “Informar para ficar atenta, dor não é normal.”\nOs resultados obtidos na questão 9 (Tabela 9) mos -\ntram que 100% das adolescentes repassaram as infor -\nmações aprendidas para outras pessoas da família ou \npróximas a elas.\nFoi perguntado às adolescentes sobre a frequência \nde palestras de informação sobre a saúde na sua escola \n(Tabela 10), e 88% delas responderam que é de uma a \nduas vezes ao ano.\nCabe salientar que na questão 11 foi perguntado se \nelas gostariam de ter mais palestras sobre a saúde da \nmulher na sua escola, e 100% responderam que sim.\nDISCUSSÃO\nOs dados obtidos neste estudo corroboram os dados \nda literatura, em que a prevalência de dismenorreia em \nadolescentes varia de 60% a 93%, fato que deve chamar \nmais atenção para aquelas que se queixam de disme-\nnorreia intensa, pois a dismenorreia é um sintoma co-\nmum de quem tem endometriose.(11)\nOutro fator importante é que, apesar de haver 44% \nde pessoas que apresentam sintomas de endometriose \ncom menos de 20 anos, apenas 3,5% recebem o diagnós-\ntico nessa faixa etária, o que mostra, mais uma vez, que \no diagnóstico é, na maioria das vezes, tardio.(11)\nApesar do alto índice de adolescentes com disme-\nnorreia, o índice daquelas que procuram regularmente \no ginecologista é muito baixo. Os motivos de não pro-\ncurarem o profissional da saúde são a vergonha, o fato \nde ficarem sem roupa na frente de um estranho, inde-\npendentemente de ser médico ou médica, e a posição \ndesconfortável, e a falta de necessidade, divergindo dos \nresultados relatados por Gomes et al.,(12) que colocam o \nmedo e o constrangimento como os principais motivos \npara as adolescentes não irem ao ginecologista. Os re-\nsultados conflitantes podem ser causados pela diferen-\nça de idade entre as entrevistadas, pela localidade do \nestudo e por se misturarem escolas públicas e privadas. \nGomes et al.(12) incluíram adolescentes entre 14 e 17 anos \nde escolas públicas e particulares do Rio Grande do Sul.\nFicou notório que, após o questionário e a palestra, \nhouve aumento de 21,35 vezes no conhecimento sobre \nendometriose. A partir dos resultados apresentados, \ntorna-se evidente a importância da realização de pa -\nlestras para o conhecimento das adolescentes sobre o \nque é a endometriose e para que elas sejam capazes \nde identificar sintomas que possam ser semelhantes e \nprocurem ajuda médica.\nApesar de ter sido grande a curiosidade e de as ado-\nlescentes perceberem a importância de conhecer a \nTabela 6. Resultados da Questão 1 (Você sabe o que é \nendometriose?)\nRespostas n (%)\nSim 41 (85)\nNão 7 (15)\nTabela 7. Resultados da questão 2 (Por quais meios você teve \nconhecimento sobre essa doença)\nResultados n (%)\nPalestra na escola 42 (88)\nPalestra na escola/família/internet 6 (13)\nTabela 8. Resultados da questão 4 (A palestra contribuiu \nno direcionamento para procurar o médico para investigar \npossível endometriose?)\nProcurou médico n (%)\nNão foi ao médico após a palestra 38 (79)\nFoi ao médico após a palestra 10 (21)\nTabela 9. Resultados da questão 9 (Você passou as \ninformações aprendidas na palestra sobre endometriose a \noutras pessoas?)\nRespostas n (%)\nMãe/amigos/família 19 (40)\nMãe 14 (29)\nPessoas da família 7 (15)\nAmigos 7 (15)\nNamorado 1 (2)\nTabela 10. Resultados da questão 10 (Com qual frequência \nanual acontecem as palestras de informação sobre saúde na \nsua escola?)\nPalestras n (%)\nUma vez 21 (44)\nDuas vezes 21 (44)\nTrês vezes 6 (13)\n\nMedeiros SM, Medeiros LT, Corazza LC, Cardoso AL, Malvezzi H, Guarato AF, et al.\n244 |\nFEMINA 2023;51(4):240-4\ndoença, não houve aumento real (1,39 vez) da procura \npor um profissional da saúde após o questionário e pa-\nlestra, demonstrando a dificuldade de mudança das re-\npresentações sociais sobre consulta ginecológica pree-\nxistentes, representações que pertencem ao meio social \ndo grupo dessas adolescentes.(13,14)\nOs resultados obtidos neste trabalho, de acordo com \nas frases escritas pelas adolescentes, demonstram que \nfoi positiva a divulgação sobre a endometriose nessas es-\ncolas, o que foi corroborado pela divulgação entre fami-\nliares e amigos, e isso confirma, mais uma vez, a impor-\ntância da divulgação do tema, pois todas as entrevistadas \npassaram as informações obtidas nas palestras para ou-\ntras pessoas, sugerindo que, a partir de uma palestra, se \npode alcançar um número muito maior de pessoas.\nCONCLUSÃO\nPor meio dos resultados obtidos nesta pesquisa, con-\ncluiu-se que houve aumento de 21,35 vezes no reconhe-\ncimento da endometriose como doença entre as adoles-\ncentes, demonstrando-se a importância da orientação e \norganização de palestras da área da saúde sobre a vida \nsexual e reprodutiva, em escolas públicas do estado de \nSão Paulo. Além disso, as adolescentes perpetuaram as \ninformações a outras pessoas, principalmente às suas \nmães, demonstrando, assim, que a pesquisa atingiu posi-\ntivamente o público-alvo, além do público adulto, que é \nconsiderado o grupo mais acometido pela endometriose.\nREFERÊNCIAS\n1. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria nº \n879, de 12 de julho de 2016. Aprova o protocolo clínico e diretrizes \nterapêuticas da endometriose [Internet]. 2016 [cited 2022 Sep \n23]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/\nsas/2016/prt0879_15_07_2016.html\n2. Torres-Rincón RA, Moreno-Rojas A, Salinas-Parra C. Endometriosis \nen el ciego de una mujer posmenopáusica. Reporte del caso. \nIatreia. 2017;30(3):333-9. doi: 10.17533/udea.iatreia.v30n3a09\n3. Sepulcri RP, Amaral VF. Endometriose pélvica em adolescentes: \nnovas perspectivas. Femina. 2007;35(6):355-62.\n4. 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