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FACULDADE. DE ME.DICINA DE RIBEIRÃO PRETO
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
NÍVEIS DE CA-125 , 17 í3 :E.STRADIOL E PR.06:E.STERONA NO SORO
E NO FLUIDO PERITONEAL DE MULHERES COM E SEM
ENDOMETRIOSE PÉLVICA
RIBEIRÃO PRITTO
1999
AMARAL, Vivian Ferreira do
Níveis de CA-125, 17beta estradiol e progesterona em
mulheres com e sem endometriose pélvica. Ribeirão Preto,
1999.
97 p. : il. ; 30cm
Dissertação de Mestrado, apresentada à Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto/USP -Área de concentração:
Tocoginecologia.
Orientador: Moura, Marcos Dias de
1. Endometriose,2. Ca-125, 3. Laparoscopia
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
NÍVEIS DE CA-125 , 17 � ESTRADIOL E PROGESTERONA NO SORO E
NO FLUIDO PERITONEAL DE MULHERES COM E SEM ENDOMETRIOSE
PÉLVICA
Dissertação de Mestrado
apresentada ao Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia da
Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto da Universidade
de São Paulo.
Aluna - Vivian Ferreira do Amaral
Orientador- Prof. Dr. Marcos Dias de Moura
1999
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Agradecimentos
Ao Departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná pela
minha formação profissional.
Ao Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto FMRP-USP pela realização desse trabalho.
Ao Prof. Dr. Marcos Dias de Moura, pelas orientações e por fazer-me enxergar que
a paciência e perserverança trazem sabedoria e vitória.
Ao Prof.Dr. Marcos Felipe Silva de Sá, pela amizade e exemplo profissional.
Aos Profs. Drs. Nelson Okano e Roberto Sales de Meirelles, pela amizade, e
incentivo desde minha chegada a Ribeirão Preto.
Ao Prof. Dr. Amaury Lelis Dai Fabbro, pela colaboração na análise estatística
'A Maria Bernadete Malerbo, pela colaboração e pela revisão das referências
bibliográficas.
'A amiga Dra Márcia Mendonça Carneiro, pelo apoio nas horas difíceis desta
trajetória trazendo-me a certeza de que tudo vale a pena.
Áos colegas de pós - graduação, pelo convívio diário, principalmente Adriano,
Marcelo, Dirlane, Evaldo e, em especial, Adriana Campolungo e Francisco José
Cândido dos Reis, pela cooperação.
Às funcionárias do Laboratório de Reprodução Humana, Maria Cristina, Maria
Aparecida e Marilda pelo carinho e pela amizade diária, e, em especial à Maria
Albina Bortolliero e Sandra Cavichiollo Viana, pela colaboração e apoio técnico.
À secretária da pós graduação llza Alves Rezende Mazzocato pela dedicação,
disponibilidade e solidariedade no decorrer desta conquista.
Aos funcionários do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo pela colaboração durante
esta caminhada, Claire Taís Montiani Scandar, Iara Maria Corrêa, Rosane
Aparecida Cunha Casula, sra. Elettra Green e, em especial, Cláudia Helena
Aprobato e Reinaldo Vicente Tavares, pela amizade e disponibilidade.
Ao Prof.Dr.Francisco Mauad Filho pela amizade e oportunidades.
Aos Profs. Dr.Hélio Angotti Carrara e Jurandyr Moreira de Andrade pelas
colaborações.
À CNPq, pelo auxílio recebido.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Ao mestre e amigo Prof.Dr. Laerte Justino de Oliveira, que tanto
me incentivou e pela confiança em minha capacidade profissional.
Ao Prof. Dr. Maurício Simões Abrão, por auxiliar em minha
formação, pelo incentivo, amizade e oportunidades.
Prof.Dr Rui Alberto Ferriani, pelo incentivo, orientações e
contribuições primorosas em relação ao meu desenvolvimento
científico.
Prof .Dra Maria Matheus de Sala pela amizade, disponibilidade e
incentivo em todos os momentos desta trajetória
Homenagem
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(&Jll26V�-$e& � k medecia&),
SUMÁRIO
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
LISTA DE UNIDADES DE MEDIDA
RESUMO
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 01
2 OBJETIVO .................................................................................................... 16
3 CASUÍSTICA E MÉTODOS .......................................................................... 17
4 RESULTADOS .............................................................................................. 31
5 DISCUSSÃO ................................................................................................. 44
6 CONCLUSÕES ............................................................................................. 61
7 ANEXOS ....................................................................................................... 65
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 69
SUMMARY
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
ASRM - American Society for Reproductive Medicine
aCL - anticorpo anticardiolipina
C3 - Complemento
CA -125- Antígeno carcinogênico número 125
Célula NK - Célula natural kil/er
E2 - 17 f3 estradiol
FIV - Fertilização in vitro
FP - Fluido peritoneal
n - Número de pacientes
P 4 - Progesterona
PGR - Proteína C Reativa
SAA - Proteína amilóide A
LISTA DE UNIDADES DE MEDIDA
mL - Mililitro
µg - Micrograma
pg - Picograma
% - Porcento
rpm - Rotações por minuto
UI - Unidades Internacionais
p - Probabilidade da hipótese de nulidade ser verdadeira
RESUMO
U.uia./1/ 8Ter-reira, do- ..Ánza,ro/
Resumo
A meta principal do presente estudo foi avaliar os níveis de CA-125, 170
estradiol (E2) e progesterona (P4) pelas dosagens séricas e no fluido
peritoneal de mulheres com e sem endometriose pélvica,
Foram selecionadas 52 mulheres, divididas em dois grupos, dispostos em
Grupo A, composto por 35 mulheres portadoras de endometriose pélvica,
comprovada por laparoscopia e biópsia, e Grupo B, determinado por 17
mulheres sem endometriose pélvica, comprovada pela laparoscopia e
submetidas à laqueadura tubária bilateral, Nas 52 mulheres selecionadas
para o presente trabalho, foram realizadas dosagens séricas em um dos três
primeiros dias do ciclo menstrual e as amostras do fluido peritoneal foram
colhidas durante a laparoscopia, durante a fase folicular.
Observamos em nosso estudo que os níveis de CA-125 no soro e no fluido
peritoneal são mais elevados em graus mais avançados da endometriose.
Encontramos também correlação estatisticamente significativa entre os
níveis de CA-125 séricos e no fluido peritoneal de mulheres portadoras de
endometriose pélvica. Os valores de 17 S estradiol, avaliados no soro e no
Resumo
fluido peritoneal, não apresentaram eficácia no diagnóstico da doença
quando realizados nas duas fases do ciclo descritas acima. A progesterona
sérica e no fluido peritoneal mostrou-se elevada em mulheres normais
comparadas com as mulheres portadoras de endometriose pélvica. Essa
diferença foi estatisticamente significante. Os sintomas da doença não
revelaram correlação com os níveis laboratoriais de nenhum dos três
possíveis marcadores.
O melhor marcador da endometriose presente em graus mais avançados da
doença foi o CA-125. Baseando-se na correlação encontrada entre os
valores do CA-125, obtidos no soro e no fluido peritoneal, supõe-se que a
dosagem sérica pode ser suficiente para a avaliação da doença, evitando-se
assim um procedimento mais invasivo.
1 INTRODUÇÃO
2
Introdução
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial,
composto por glândulas e/ou estroma, localizados fora do útero. A incidência
em pacientes inférteis pode atingir de 10 a 25%, (HOUSTON et ai., 1988:
WHEELER, 1992) aumentando a prevalência para 60 a 70% em casos de
algia pélvica crônica (METZENGER & HANEY, 1989; KONINCKX, 1994).
Pode estar presente entre 1 e 20% de mulheres assintomáticas (HOUSTON
et ai., 1988; BARBIERI, 1990; WEST, 1990; KONINCKX, 1994).
A primeira descrição de endometriose foi relatada por Von Rokitanski
apud SCHENKEN (1992) após a observação de material de necrópsia. Em
1887, Pfannenstiel apud OLIVEIRA et ai. (1991) descreveu a doença
localizada em septo retovaginal. Russel apud METZENGER & HANEY
(1989) descreveu que a endometriose ovariana resultava de resquícios de
células de Müller, enquanto que lwanoff apud SCHENKEN (1992) e,
posteriormente, Meyer apud SCHENKEN (1992) sugeriram que a metaplasia
do epitélio celômico dava origem à endometriose. A etiologia ainda é
desconhecida, sendo aquela do fluxo retrógrado, descrita por SAMPSON
3
Introdução
(1994), a mais aceita, atribuindo sua ocorrência ao regurgitamento de
sangue menstrual através das trompas e o implante de células endometriais
ao nível dos ovários e fundo de saco de Douglas. A teoria da disseminação
hematogênica e linfática, proposta por Halban apud METZENGER & HANEY
(1989) propõe a presença de focos de endometriose em órgãos distantes
como pulmões e pleura, a partir do endométrio tópico, explicando, assim, a
endometriose pulmonar, considerada uma entidade rara, porém,
clinicamente bem definida. Pode-se encontrar fragmentos de tecido
endometrial em gânglios e cicatriz umbilical, sugerindo mecanismo de
implantação pós-cirúrgico, descrito por GRUENHALL, em 1942, após a
observação de implantes endometrióticos localizados em cicatrizes
cirúrgicas de laparotomias ou episiotomias. A teoria da metaplasia celômica,
descrita por Meyer apud WITZ & SCHENKEN (1997) refere irritação crônica
sobre o epitélio celômico, transformando células pluripotentes em tecido
endometrial, sem que haja refluxo endometrial, diferenciando-se o endotélio
celômico em elementos müllerianos do endométrio.
Acredita-se na possibilidade de que a endometriose seja uma doença
auto-imune, pois fatores imunológicos estão envolvidos em sua fisiopatologia
(DMOWSKI et al.;1995; MARTINEZ ROMAN et ai.; 1997; PAL et ai.; 1998).
A endometriose é estrogênio-dependente, predispondo ao risco de
reativar focos da doença em pacientes tratadas com reposição hormonal
(BADAWY et ai., 1984; METZENGER & HANEY, 1989). Também existe a
4
Introdução
possibilidade de componente hereditário da doença com maior incidência em
parentes de primeiro grau (LAMB et ai., 1986).
Alguns autores sugerem a predominância da endometriose na raça
amarela (MIYASAWA et ai., 1976; NAGATA, 1989), enquanto outros
acreditam haver predominância na raça negra ( CHATMAN et ai., 1976).
WOODWORTH et ai. (1995) sugeriram que as alterações imunológicas,
envolvendo o terceiro componente do Complemento (C3), existentes em
mulheres ruivas, poderiam ser predisponentes da doença. ABRÃO et ai.
(1995) encontraram maior prevalência na raça branca, enquanto que
HOUSTON et ai. (1988) e KIRSHON et ai. (1989) não observaram diferença
de prevalência entre as diversas raças.
A endometriose parece ocorrer mais freqüentemente em nulíparas. O
exercício físico e o tabagismo podem prevenir a doença devido à associação
com a diminuição do estrogênio endógeno (CRAMER et ai., 1986;
SCHOEMBAUM, 1986). A gravidez precoce e as gestações sucessivas,
também, parecem prevenir o desenvolvimento da doença. Há relatos de
endometriose em anomalias congênitas obstrutivas ( estenose ou atresia
cervical, agenesia de vagina ou hímen imperfurado) em adolescentes. É
pouco freqüente antes da menarca e após a menopausa, sendo rara em
mulheres amenorréicas (CRAMER et ai., 1986). A histogênese da
endometriose é apresentada na Figura 1.
FATORES
GENÉTICOS
FATORES
ENDÓCRINOS
l
DESENVOLVIMENTO
METAPLÁSICO
PROGRESSIVA,
INVASIVA
5
Introdução
FATORES
IMUNOLÓGICOS
FATORES
MECÂNICOS
DISSEMINADA EM
LINFÁTICO E VASOS
SANGUÍNEOS
Figura 1 - Histogênese da endometriose
Os sintomas da doença apresentam de forma variável, sendo,
entretanto, a algia pélvica, a dispareunia e a infertilidade a tríade típica mais
freqüentemente encontrada. A algia pélvica geralmente é cíclica e
progressiva, podendo piorar no período pré-menstrual, persistindo após o
término do fluxo, acompanhada ou não de dor lombar. A algia pélvica pode
persistir durante o período intermenstrual, principalmente se houver
comprometimento ovariano. A presença de dispareunia pode estar
relacionada à presença de focos, originando espessamento nos ligamentos
Uuiwz,, f!Ter-reira, do--JÚnaral 6
Introdução
uterossacros e fundo de saco de Douglas, além de retroversão uterina fixa.
A manifestação clínica não é proporcional à gravidade da doença. O
principal mecanismo envolvido parece ser a liberação de prostaglandinas e
interleucinas, com conseqüente aumento da pressão intra-uterina,
ocasionando a dor (PITTAWAY et ai., 1990).
Há relatos de que ciclos menores do que 27 dias de intervalo e
duração superior a 7 dias resultam em risco duas vezes maior para
endometriose. Também são descritos casos de menorragias e spottings pré
menstruais (CRAMER et ai., 1986).
A infertilidade pode ser devida a fatores mecânicos relacionados à
motilidade tubária inadequada em função de fibrose e processos
aderenciais, além de comprometimento ovariano (WEELER, 1989;
DMOWSKI et ai., 1998). Há também deficiência na captação ovular pela
fímbria e ainda, no seu transporte em mulheres com endometriose pélvica
(HALME et al.,1982; INOUE, 1992; PAL et al.,1998). KONINCKX et ai.
(1980) encontraram em mulheres com endometriose pélvica concentração
de progesterona no fluido peritoneal muito inferior às obtidas em pacientes
ovulatórias. Altas concentrações de progesterona em fluido peritoneal
normal podem dificultar a implantação, a sobrevida e a proliferação celular
das células endometriais regurgitadas da cavidade uterina (LESORGEN,
1984).
Ainda há controvérsias se a endometriose é a principal causadora da
infertilidade ou se é secundária ao processo inflamatório presente no fluido
7
Introdução
peritoneal dessas pacientes (KONINCKX, 1994). Focos mínimos de
endometriose podem alterar a função tubária em virtude do aumento das
prostaglandinas, principalmente as E2 e F 2a, presentes em altas
concentrações no fluido peritoneal (MORCOS et ai., 1985). Os macrófagos
presentes geralmente estão mais ativos e em maior número e, portanto, com
maior capacidade de fagocitar espermatozóides, além de promover
diminuição na capacidade de penetração do espermatozóide no oócito
(SOLDAT et ai., 1989). A presença de macrófagos em altas concentrações
no fluido peritoneal de pacientes com endometriose é relevante quando
comparado com pacientes inférteis sem causa aparente ou pacientes
normais (HALME et ai., 1982; HANEY et ai., 1984; BADAWY et ai., 1984).
Esses macrófagos possuem maior ativação e capacidade de fagocitose,
prejudicando a sobrevida, a motilidade e o transporte dos espermatozóides,
quando comparado a pacientes normais. Ainda há aumento dos níveis de
interleucina 1 (IL-1) e do fator de crescimento dos macrófagos, originando
meio hostil e prejudicando o transporte dos gametas e a captação de oócitos
pelas fímbrias, reduzindo a taxa de fertilização, além de promover toxicidade
aos embriões desde suas fases iniciais, prejudicando, assim, sua
sobrevivência (HALME et ai., 1982; MORCOS et ai., 1985; FAKIH et ai.,
1987; SOLDAT et ai., 1989). Apesar dessa alteração no nível do fluido
peritoneal, ainda não se sabe se esse fenômeno é o principal responsável
pela diminuição da fertilidade em pacientes com endometriose pélvica.
8
Introdução
A presença de fator auto-imune como causa de infertilidade em
pacientes com endometriose tem sido alvo de muita discussão por acreditar
se que a presença de auto-anticorpos esteja mais relacionado ao insucesso
quanto à implantação, fertilização e conseqüentemente gravidez nos ciclos
induzidos, independente do estadiamento da endometriose (DMOWSKI et
ai., 1995; ARICI et ai., 1996).
Também pode ocorrer disfunção ovulatória em 10% dessas pacientes
devido à alteração das prostaglandinas e outras substâncias presentes no
tecido endometrial, originadas a partir de alterações de secreção de
gonadotrofinas, principalmente na primeira fase do ciclo menstrual (SOULES
et al.,1976; LESORGEN et al.,1984). Encontra-se, eventualmente, níveis
elevados de prolactina em estágios mais leves da doença. Diversos estudos
relatam interferência com o desenvolvimento da gestação, com alteração da
clivagem e do desenvolvimento embrionário, com conseqüente elevação do
risco de abortamentos espontâneos (THOMAS, 1991 ).
DMOWSKI et ai. em 1995 realizaram um estudo caracterizando
pacientes portadoras de endometriose como auto-anticorpos positivos e
negativos após análise de 20 anticorpos diferentes. Após indução do ciclo
para fertilização in vitro (FIV), observaram 80% de taxa de gravidez
independente do estadiamento da endometriose. Esse estudo, porém,
obteve algumas críticas devido ao uso de corticóide prévio a FIV. PAL et ai.
(1998) avaliaram pacientes com endometriose mínima/leve e
moderada/severa durante os ciclos de FIV e concluíram que a endometriose
9
Introdução
severa, na ausência de fator masculino, promove alteração biológica que
interfere na união dos gametas possivelmente compensada pela FIV.
Comparando-se as taxas de implantação, gravidez e abortamento entre os
dois grupos, entretanto, não houve diferença estatisticamente significativa.
ARICI et ai. (1996) obtiveram melhores respostas nos ciclos de FIV em
estágios mais graves da doença.
Atualmente existem diversos exames complementares auxiliares no
diagnóstico da endometriose. Dentre os exames complementares,
salientam-se a ultra-sonografia tradicional ou tridimensional que são
métodos de grande valia na presença de cistos endometrióticos. A
dopplervelocimetria avalia o índice de resistência os quais geralmente
encontram-se baixos ao redor de cistos, além do índice de pulsatilidade das
artérias uterinas e ovarianas também alterados na presença de cistos
(ALEEM et al.,1995; GUERRIERO et al.,1996, 1998; ALCAZAR et al.,1997).
A tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética não têm
apresentado melhores resultados do que a ultra-sonografia (KINKEL, 1999).
As avaliações da doença realizadas pelos exames mencionados revela
taxas de falso-negativo principalmente na vigência de implantes mais
superficiais e em graus mais leves de acometimento da doença (BONILLA
MUSSOLES & MARTINES-MOLINA, 1995)
A laparoscopia ainda persiste como o método mais fidedigno do
diagnóstico, através da visualização direta da doença, acompanhada por
avaliação histológica das lesões características. As lesões podem aparecer
10
Introdução
nos ovários ou peritôneo pélvico, contendo material sanguinolento, áreas
violáceas, marrom e preto. Podem ser encontradas lesões vermelho vivo e
branco nacarado, além de aderências a órgãos adjacentes de caráter mais
denso, comparadas às causadas por processos inflamatórios.
Microscopicamente, a endometriose é revelada por glândulas endometriais
típicas e estrema, eritrócitos, deposição de hemossiderina e macrófagos,
além de tecido conjuntivo fibroso, contendo células inflamatórias. Focos
inativos podem apresentar hemossiderina, calcificações e vasos. Focos não
característicos, onde, durante a investigação, podem causar dúvida do
diagnóstico, também devem ser biopsiadas (BROGEENS & DONNEZ,
1992).
A presença de endometriose infiltrativa é conhecida desde a
constatação de que mulheres com nódulos de endometriose em septo
retovaginal, com ou sem comprometimento intestinal poderiam apresentar
dor pélvica e dispareunia. Baseado nisso, estudos recentes constata-se a
preocupação em observar a profundidade das lesões de endometriose,
principalmente se presentes no fundo de saco de Douglas e particularmente
no septo retovaginal. KONINCKX & MARTIN (1992), avaliando esses fatos,
questionaram se a endometriose infiltrativa seria conseqüência de infiltração
da doença, retração local ou metaplasia do tecido do septo retovaginal,
transformando em tecido similar ao endometrial, que denominaram
adenomiose externa. Observaram que a profundidade de invasão da
endometriose pélvica seria significativamente maior em mulheres com dor
Vwicm, 5:TeM•eiMh ck Ánzaral 11
Introdução
pélvica do que naquelas com infertilidade. A profundidade de invasão foi
proporcionalmente maior em pacientes mais velhas, além da lesão infiltrativa
não refletir o escore estabelecido pela AMERICAN SOCIETY FOR
REPRODUCTIVE MEDICINE (1995). Dessa forma, sugeriu-se a
classificação da endometriose, segundo características infiltrativas, divididas
em três formas diferentes. A tipo I é caracterizada pela infiltração da
endometriose no fundo de saco de Douglas; a tipo li corresponde à doença
peritoneal e possui retração intestinal sobre ela e a tipo Ili aparece no fundo
de saco de Douglas como a ponta de um iceberg. É a chamada adenomiose
externa, onde a endometriose se desenvolve na musculatura lisa do septo
retovaginal.
Além do diagnóstico, baseado na visualização direta da lesão e
posterior avaliação histológica, a necessidade de exames menos invasivos
como auxiliadores no diagnóstico e potencialmente prognósticos inspirou o
estudo de possíveis marcadores da doença.
O primeiro a ser estudado foi o antígeno carcinogênico denominado
CA-125. A primeira descrição deste marcador foi realizada por BAST et ai.
(1981 ), após imunizar células de ratas com cistoadenocarcinoma seroso de
ovário humano. A partir disso, originou-se o OC-125, anticorpo monoclonal,
que reconhece no CA-125 um determinante antigênico.
O CA-125 é uma glicoproteína produzida no epitélio celômico durante o
desenvolvimento embrionário (KABAWAT et al.,1983). Em tecidos fetais o
CA-125 já foi detectado em epitélio mülleriano, âmnion e epitélio umbilical e
12
Introdução
superfície de epitelial serosa como pleura, peritônio e pericárdio, mas não
em superfície ovariana (BAST et ai., 1981; KABAWAT et ai., 1983; JAGER et
ai., 1987). Em tecidos adultos tem sido detectado em epitélios de origem
celômica normais e neoplásicos como endométrio, endocérvice, células
epiteliais das tubas de Fallópio e células cancerosas epiteliais de ovário. O
primeiro estudo desse marcador em pacientes com endometriose foi
realizado por NILOFF et ai. (1984) que encontraram níveis séricos elevados.
A elevação desse marcador em mulheres com endometriose ocorre devido à
sua presença em maior concentração no endométrio ectópico comparado ao
tópico. Esse aumento também é devido à reação inflamatória que ocasiona
alteração da permeabilidade endotelial com conseqüente chegada desse
marcador à circulação (BARBIERI , 1986; Me BEAN & BRUMSTEAD, 1993).
Avaliando a dosagem de marcadores como o CA 125, KONINCKX &
MARTIN (1992) concluíram que a doença superficial gera aumento maior
nesse marcador no fluido peritoneal, em contraste com a doença profunda,
cujos valores de CA 125 seriam maiores no sangue e menores no fluido
peritoneal.
Alguns autores (BARBIERI et ai., 1986; FEDELE et ai., 1988)
mostraram níveis séricos significativamente mais elevados do CA-125 em
casos de doença avançada, e por isso, indicam a laparoscopia somente com
a elevação do CA-125 sérico acompanhado de algia pélvica. Quando usado
para avaliação de resposta terapêutica, valores inferiores a 16 U/ml ou
quedas maiores do que 40% dos valores anteriormente mensurados
13
Introdução
confirmariam essa boa resposta. É um marcador tumoral controverso, pois,
fatores como presença de menstruação, fase pré-ovulatória, miomatose
uterina e infecções pélvicas podem elevar seus valores em dosagens
séricas. O estímulo suprafisiológico do ovário com gonadotrofinas exógenas
também alteram o seu valor (JAGER et ai., 1987; ZWEERS et ai., 1990;
MUYLDERMANS et ai., 1995). ABRÃO et ai. (1997) avaliaram a dosagem
sérica do CA-125, das proteínas C reativa e amilóide A e dos anticorpos
anticardiolipina durante a fase menstrual e folicular precoce. Constataram
que o CA-125 foi o marcador que revelou níveis mais elevados em pacientes
com endometriose avançada quando dosados durante a fase menstrual.
PITTAWAY & FAYEZ (1987) não aconselharam a dosagem de CA-125
durante a menstruação em razão de resultados falso-positivos. Ao contrário,
MASAHASHI (1988) realiza a dosagem durante a menstruação com a
finalidade de identificar os casos iniciais, constatando que fora da
menstruação o CA-125 tende a aparecer somente em estádios avançados.
Por outro lado, O'SHAUGERNESSY et ai. (1993) concluíram que há
alteração significativa da dosagem durante a menstruação, fase folicular e
fase lútea, com aumento da sensibilidade na fase folicular e na menstruação,
principalmente nos estádios iniciais da endometriose. FEDELE et ai. (1988)
foram os primeiros a dosar esta substância no fluido peritoneal sem
encontrar diferenças significativas comparadas com a avaliação sérica, pelo
fato da cavidade peritoneal não representar compartimento estável e bem
14
Introdução
definido. A melhor época para a realização de sua dosagem tem sido alvo de
discórdia.
O tratamento da endometriose deve ser individualizado de acordo com
a extensão da doença, sintomatologia, idade e desejo ou não de gestação.
Pode ser clínico ou cirúrgico pela laparoscopia ou laparotomia. O tratamento
clínico hormonal visa inibir a produção de gonadotrofinas, anulando a
esteroidogênese, com conseqüente liquefação, necrose e absorção dos
implantes. Pode ser realizado com a administração de estrogênios e
progestogênios (pílula anticoncepcional), progestogênio sintético ou
análogos de GnRH. Dentre essas opções, os análogos do GnRH são os que
oferecem melhores resultados.
Segundo revisões de literatura, a taxa de concepção varia de 30 a
52% após o tratamento com GnRHa (BROSENS et ai., 1994; DMOWSKI et
ai., 1995).
A fertilização in vitro (FIV) é um método de grande valia para o
tratamento da infertilidade. A endometriose tem efeito negativo nos
resultados de FIV principalmente no que se refere a seu estágio do que a
doença em si (BROSENS et ai., 1994; DMOWSKI et ai., 1995). TUMMON et
ai. (1998) correlacionaram as taxas de insucesso quanto à gravidade ao
maior tempo da doença. Alguns autores acreditam que os estágios I e li da
endometriose associado à infertilidade, parecem ter o mesmo resultado na
FIV, independente de tratamento prévio, enquanto que em estádios Ili e IV a
terapia medicamentosa ou cirúrgica prévia à FIV parecem contribuir
15
Introdução
positivamente para as taxas de gravidez (DMOWSKI et ai., 1995; ARICI et
ai., 1996).
A identificação dos diferentes tipos de endometriose faz-se necessário
para a escolha do melhor tratamento, evitando-se as possíveis recidivas da
doença. A necessidade de um método diagnóstico da endometriose eficaz e
pouco invasivo inspirou-nos a realizar este estudo.
2 OBJETIVO
17
Objetivo
O objetivo deste trabalho é avaliar os níveis de CA-125, 17 � estradiol e
progesterona no soro e no fluido peritoneal de mulheres com e sem
endometriose pélvica.
3 CASUÍSTICA E MÉTODOS
19
Casuística e métodos
A. CASUÍSTICA
Foram selecionadas 52 mulheres atendidas nos ambulatórios da
Clínica Ginecológica do Departamento de Ginecologia, Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
(HC-FMRP), no período de fevereiro de 1997 a agosto de 1998.
Todas as mulheres selecionadas foram informadas dos
procedimentos a serem realizados e deram sua permissão, cientes do sigilo
de sua identidade, segundo orientação da Comissão de Normas Éticas e
Regulamentares dessa instituição.
As mulheres foram divididas em dois grupos. O primeiro,
denominado Grupo A, foi composto de 35 mulheres portadoras de
endometriose pélvica, diagnosticada por laparoscopia por indicação clínica
(infertilidade e algia pélvica) e comprovada por biópsia. O segundo grupo,
denominado Grupo B (Grupo controle), foi representado por 17 mulheres
20
Casuística e métodos
sem endometriose pélvica submetidas a laqueadura tubária bilateral e
atendidas no setor de planejamento familiar.
Critérios de inclusão
A.1 Grupo A
♦ ausência de qualquer tratamento clínico prévio à laparoscopia, no
período de, no mínimo, 6 meses
+ ausência de tratamento clínico ou cirúrgico da endometriose
+ ausência de outras patologias clínicas ou ginecológicas associadas à
endometriose
+ diagnóstico de endometriose pélvica comprovado por biópsia
♦ presença de fluido peritoneal em cavidade abdominal durante a
laparoscopia
♦ idade superior a 18 anos e inferior a 40 anos.
A.2 Grupo B (controle)
+ ausência de endometriose pélvica no momento da laparoscopia
+ ausência de patologias ginecológicas
♦ ausência de dor pélvica na forma de dismenorréia ou algia pélvica
crônica
21
Casuística e métodos
+ presença de fluido peritoneal em cavidade abdominal durante a
laparoscopia.
A.3 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
A idade das mulheres portadoras de endometriose pélvica variou
de 18 a 39 anos, com média de 29,2±5,6 anos. A idade das mulheres do
Grupo B variaram de 27 a 38 anos, com média de 34,0±3,2 anos (Figura 2).
Verificando-se a distribuição racial, observou-se que, no Grupo A,
27 mulheres (77, 1 %) eram da raça branca e 8 da raça negra (22,8%),
enquanto que no Grupo B 13 mulheres (37, 1 %) eram da raça branca e 4
(11,4%) da raça negra. Apesar da predominância da raça branca, não houve
significância estatística. (p=0.48) (Figura 3). Quanto ao estado civil das
mulheres com endometriose, 8 (22,8%) eram solteiras, 25 (35%) eram
casadas e 2 (5, 7%) divorciadas. No grupo controle, 15 (88,2%) mulheres
eram casadas e 2 (11,8%) mulheres, separadas.
22
Casuística e métodos
15
� .. � -= 10
� ■ Grupo A"O
o □ Grupo B.. � 5 e -:s
o
18-20 21-25 26-30 31-35 36-40
Idade (anos) pacientes
Figura 2 - Distribuição da faixa
etária em mulheres portadoras de
endometriose pélvica (Grupo A) e pacientes controle (Grupo B)
25 li BRANCA
"' □ NEGRA� 20 .. � -=
15 e �
10
�
5 -:s
o
ENDOMETRIOSE CONTROLE
Figura 3 - Distribuição, em relação à raça, entre mulheres com
endometriose pélvica (Grupo A) e pacientes controle (Grupo B)
v-ttJlll/v g:-el'ffl/'(// clo-Ánzm<ai 23
Casuística e métodos
B.MÉTODOS
B.1 CLASSIFICAÇÃO DA DOR PÉLVICA DA ASRM (1993)
Em mulheres com queixa de algia pélvica utilizou-se a classificação
da dor pélvica da American Society for Reproductive Medicine, 1993,
modificada conforme ilustração da Figura 4. A intensidade da dor foi dividida
em: (A) leve, (B) moderada e (C) intensa. A duração da dismenorréia foi
estabelecida em: ( ) 1 ° dia da menstruação, ( ) 1 °, 2 °, dias da menstruação e
( ) todos os dias da menstruação. Na figura anatômica, desenhada abaixo,
era traçado o local da dor descrita pela paciente e a área mais intensa era
marcada com um X.
(A) leve
(B) moderada
(C) intensa
Duração:
( ) 1 ° dia
( ) 1 ° e 2° dias
( ) todos os dias
Figura 4 - Avaliação da algia pélvica em pacientes portadoras de
endometriose pélvica conforme localização e graus de acometimento
24
Casuística e métodos
8.2 COLETA DE SANGUE E FLUIDO PERITONEAL
Foi coletado sangue e fluido peritoneal de todas as integrantes do
Grupo de estudo (A) e controle (B) para determinação de CA-125, 17�
estradiol e progesterona no soro e no fluido peritoneal. As amostras de
sangue foram coletadas após jejum de 8 horas durante a menstruação (1º,
2°, ou 3° dia do ciclo menstrual) conforme ilustrado na Figura 5. Após
garroteamento a quatro centímetros da prega do cotovelo, foram coletados
por vacutaíner 15 mi de sangue e depositados em tubo de ensaio seco,
identificado e colocado em repouso durante um período de 30 minutos a 2
horas ou até que houvesse a coagulação do sangue. Após esse período, a
centrifugação era realizada a 2 500 rpm, (1 900xg) durante 1 O minutos de
acordo com a padronização técnica do laboratório de Reprodução Humana.
Em seguida, o sobrenadante foi pipetado e aliquotado em tubos de ensaios
secos e estocados a -20ºC.
As amostras de fluido peritoneal foram obtidas durante a laparoscopia
realizada durante a fase folicular do ciclo menstrual. As pacientes eram
levadas para a sala de cirurgia, submetidas á anestesia geral e colocadas
em posição semiginecológica. Realizava-se a anti-sepsia, colocação de
campos cirúrgicos estéreis e introdução de material ginecológico específico,
via vaginal, para procedimento laparoscópico. A seguir a agulha de Veres
era introduzida por incisão infra-umbilical e a cavidade abdominal insuflada
com 2 a 3 litros de CO2_ Após inserção do trocar e subseqüentemente da
25
Casuística e métodos
ótica, realizávamos o inventário da cavidade abdominal. Dois trocars
adicionais eram introduzidos nas fossas ilíacas direita e esquerda após
pequena incisão, realizada na ausência de alterações vasculares ou
tumorais. Após visualização da cavidade, o útero era tracionado e o fluido
peritoneal aspirado do espaço uterovesical anterior e fundo de saco
posterior, com cânula específica. Não houve nenhuma instilação de líquido
em cavidade abdominal. O fluido peritoneal era centrifugado e estocado da
mesma forma que o soro.
Grupo A
Grupo B
Menstruação
t
CA-125,E2,P4
(SG)
Menstruação
t
CA-125,E2,P4
(SG)
Lapa rosco pia
t
CA-125,E2,P4
(FP)
' Laparoscop1a
t
CA-125,E2,P4
(FP)
Figura 5 - Esquema de coleta de sangue (SG) e de fluido peritoneal
(FP) para dosagem de CA-125,17 p estradiol (E2) e progesterona (P4) em
mulheres do Grupo A e do Grupo B
26
Casuística e métodos
B.3 - ESTADIAMENTO DA ENDOMETRIOSE PÉLVICA DA ASRM (1997)
Nas mulheres com endometriose pélvica, a doença era estadiada em
quatro graus diferentes de acordo com a Classificação da American Society
for Reproductive Medicine, revisada em 1996 (Figura 6). Em seguida,
biopsiávamos fragmentos de lesões características, os quais eram
submetidos à avaliação histológica posteriormente.
No Grupo B, a laqueadura tubária bilateral, via laparoscópica, foi
realizada pela técnica do anel de YON somente após a coleta do fluido
peritoneal. O fluido era aspirado antes de qualquer procedimento para evitar
a presença de sangue e era centrifugado e estocado a -20°C.
27
Casuística e métodos
l (mínima) 1-5Estágio
Estágio
Estágio
Estágio
II (leve) 6-15
o
,o
o
'�
o
.:;
6
�
f:
III (moderada)
IV (grave)
El\1I)ffi,fiITRI0SE
Superficial
Profunda
D superficial
Profunda
E superficial
Profunda
OBUTER<\ÇÃO DO FUNDO
DE SACO POSTERIOR
ADERÊNCL 40
<lcm
1
2
1
4
1
4
3cm
2 4
4 6
2 4
16
2 4
16 20
Parcial 1 Completa
4 1 40
1/3 - 2/3 Envolvidos > '113 EovoMdos
2 4
8 16
2 4
8 16
2 4
8* 16
2 4
8* 16
*Se as fímbrias tubáreas estiverem totalmente envolvidas por aderências, mude o escore
para 16.
Porcentagem de implantes
• Lesões Vermelhas (lesões claras, vermelhas, rosadas, em chama, vesículas)
• Lesões Brancas ( brancas,amareladas,marrons,defeito peritoneais)
• Lesões Pretas (pretas,depósito de hemossiderina e azuis)
Endometriose adicional: ________ _ Patologias associadas:. _______ _
E Usar cm caso de trompas D E Usar em caso de trompas D
�
-;)À
Figura 6 - Classificação da endometriose pélvica segundo critérios da ASRM (1996)
28
Casuística e métodos
8.4 BIÓPSIA
As lesões sugestivas de endometriose pélvica eram biopsiadas via
laparoscópica com material específico, conforme ilustrado nas Figuras 7 e 8.
A seguir, o material era imerso em formol e analisado para confirmação
diagnóstica, ou seja, a presença, entre outros de glândulas e/ou estremas
endometriais.
Figura 7 - Lesão típica ( pigmentada), representada em A e outra atípica
(não pigmentada), representada em B, ambas sugestivas de endometriose
pélvica
Figura 8 - Biópsia de lesão sugestiva de endometriose pélvica, via
laparoscópica. Nota-se retração cicatricial em peritônio vesicouterino
v-WfD/l/ !Yert'f:UYv áo- .Ánztud 29
Casuística e métodos
8.5 ANÁLISE LABORATORIAL
Realizada no Laboratório de Reprodução Humana do Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia (FMRP-USP).
CA-125
O CA-125 foi mensurado com o kit da DIAGNOSTIC PRODUCTS
CORPORATION (DPC), IMMULITE System, Los Angeles, CA pelo método
de quimioluminescência, realizado em duplicata. Para validação dos
resultados obtidos, utilizou-se amostra padrão de média 10,7 U/mL, dosada
20 vezes em um mesmo ensaio, obtendo-se erro intra-ensaio de 3,8%. A
sensibilidade mensurada pelo sistema automatizado foi de 0,2 U/ml. Todas
as amostras foram dosadas com um mesmo kit em único ensaio.
17 J3 ESTRADIOL
O 17 p estradiol foi dosado com kit da DIAGNOSTIC PRODUCTS
CORPORATION (DPC), IMMULITE System, Los Angeles, CA pelo método
de quimioluminescência, realizado em duplicata. O erro intra-ensaio foi de
7,2%, avaliado a partir da análise por 20 vezes de uma amostra no valor de
132,2 pg/ml. A sensibilidade mensurada pelo sistema automatizado foi de
Vwirm, fFert'ell'a/ do-, .Á.nuud 30
Casuística e métodos
12 pg/ml. Todas as amostras foram dosadas com um mesmo kit em único
ensaio.
PROGESTERONA
A progesterona foi dosada com o kit da DIAGNOSTIC PRODUCTS
CORPORATION (DPC),IMMULITE System, Los Angeles, CA pelo método
de quimioluminescência em duplicata. O erro intra-ensaio foi de 5%, avaliado
a partir da análise por 20 vezes de amostra no valor de 22,0 ng/ml. A
sensibilidade mensurada pelo sistema automatizado foi de 0,2 ng/ml. Todas
as amostras foram dosadas com um mesmo kit em único ensaio.
B.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA
Foram utilizados os testes de Kruskal Wallis para variáveis não
paramétricas, Anova na presença de duas ou mais variáveis e Fisher
quando a proporção esperada foi menor do que cinco. Os dados foram
analisados utilizando o programa STATA, sendo aceita significância para
p<0.05.
4 RESULTADOS
Vw1mv ?Terrt:llYI/ do-- .AnuuYzi 32
Resultados
4 DADOS GERAIS
As principais queixas referidas pelas 35 mulheres, portadoras de endometriose
pélvica, foram a dismenorréia (91,0%), a infertilidade (71,4% ) e a dispareunia
(57, 1 %). Os principais sintomas estão representadas na Tabela 1.
Tabela 1- Principais sintomas referidos pelas mulheres portadoras de endometriose
(Grupo A). Algumas mulheres referiam mais de um sintoma.
Sintomas Nº de pacientes %
Dismenorréia 32 91,0
Infertilidade 25 71,4
Dispareunia 20 57, 1
Dor do meio 19 54,2
Algia pélvica crônica 16 45,7
Sinusorragia 2 5,6
Alteração intestinal cíclica 2 5,6
Alteração urinária cíclica 1 2,8
vtOt/J/1/ g-� do- .Amarai 33
Resultados
A idade média da menarca nas mulheres do Grupo A (12,7±1,4 anos) foi mais
elevada do que nas mulheres do Grupo B (11,7±0,6 anos) (p=0.01) (Tabela 2). Vinte
e cinco mulheres do Grupo A apresentaram tipo sangüíneo O positivo enquanto que
apenas 7 mulheres do Grupo B apresentavam esse tipo, sendo essa diferença
estatisticamente significativa (p=0.012). Os demais tipos sangüíneos não tiveram
maior prevalência em qualquer dos grupos (Tabela 2). Também não houve
predominância de irregularidade menstrual entre os dois grupos (A e B), sendo que
a maioria das mulheres tinha ciclos menstruais regulares (Tabela 2).
Tabela 2 - Distribuição da idade da menarca, tipagem sangüínea e regularidade do
ciclo menstrual nas mulheres do Grupo A e Grupo B
Menarca
Tipagem sanguínea
A+
g+
AB
+
o +
o-
Ciclos menstruais
Regulares
Irregulares
GRUPO A
12,7±1,4
5
1
2
25
2
24
11
GRUPO B
11,7±0,6
7
1
1
7
1
14
3
p
0.01
NS
NS
NS
0.012
NS
NS
NS
v{,{)W/l/ g-� do-.Ánull'al 34
Resultados
4.1 AVALIAÇÃO DO CA-125 SÉRICO E NO FLUIDO PERITONEAL
Os níveis de CA-125 séricos nas mulheres com endometriose pélvica (Grupo
A) variaram de 8,3 a 115,3 U/mL, sendo a média encontrada de 39, 1±45,8 U/mL.
Nas mulheres do grupo controle (Grupo B) os valores do CA-125 sérico foram
significativamente menores (p=0.005) apresentando uma variação de 2,7 a 25,0
U/ml e uma média de 10,5±5,9 U/mL (Tabela 3 e Figura 9).
No fluido peritoneal o valor mínimo do CA-125 obtido em mulheres com
endometriose pélvica (Grupo A) foi de 268,0 U/ml e o máximo foi de 7 615,0 U/mL,
sendo a média de 1 469,4±1 350,4 U/ml. Em mulheres do grupo controle (Grupo B)
os níveis de CA-125 no fluido peritoneal foram significativamente menores do que no
Grupo A (p=0.028), sendo o valor mínimo de 221,0 U/mL e o máximo de 2 345,0
U/ml com média de 888,7±784,3 U/mL (p=0.028) (Tabela 3 e Figura 9).
Tabela 3 - Valores médios do CA-125 sérico e no fluido peritoneal nas mulheres dos
Grupos A e B
Soro
CA-125
(U/ml)
Fluido peritoneal
Grupo A
(n=35)
39,1±45,8
1 469,4±1 350,4
Grupo B
(n=17)
10,5±5,9
888,7±784,3
p
0.005
0.028
-
Vtuituv f!7ãY'tvYu du-hnaral
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
o
Soro
b
1469,48
■ Grupo A
■ Grupo B
b
888,76
Fluido Peritoneal
35
Resultados
Figura 9 - Níveis do CA-125 no soro e no fluido peritoneal de mulheres portadoras
de endometriose pélvica (Grupo A) e mulheres controle (Grupo B)
a= p< 0,005
b= p< 0,028
Ao compararmos os valores do CA-125, obtidos no soro e no fluido peritoneal,
observamos haver correlação entre os mesmos. O coeficiente de correlação (r) foi
de 0,4880 e o coeficiente de determinação (r2) foi 0,2381.
Ao aplicarmos o teste para a tendência à inclinação, o resultado foi
estatisticamente significante (p=0.002). Observamos então a tendência linear de
nossas amostras com a equação: Y=14,293 + 0,01831X onde observam-se 9
36
Resultados
amostras acima da linha, 26 amostras abaixo da linha e 14 amostras no mesmo
nível (Figura 10). A tendência linear de nossas amostras não foi estatisticamente
signific ante (p=0,49) como pode ser observado na Figura 1 O.
200·
150
C)
CJ)
i.n 100-
50-
I] @
!]
D
5.000
CA-125-FP
o
Figura 10 - Correlação dos níveis em U/ml de CA-125 séricos (CA-125-SG) e no
fluido peritoneal (CA-125-FP) de mulheres portadoras de endometriose pélvica
(Grupo A)
37
Resultados
Comparando-se os níveis do CA-125 sérico de mulheres portadoras de
endometriose pélvica com o estadiamento da doença, observou-se que a média foi
de 8,3±4, 1 U/ml em mulheres com endometriose mínima (grau 1), 14,8±8,0 U/ml em
casos de endometriose leve (grau li), 37,8±37,9 U/ml em casos de endometriose
moderada (grau Ili) e 115,3±35,4 U/ml em estádio severo da doença (grau IV).
Observa-se diferença estatística entre os níveis séricos do CA-125 nos diferentes
estádios da doença (p=0.0001) (Tabela 4 e Figura 11). Ao correlacionarmos os
níveis de CA-125 no fluido peritoneal de mulheres com endometriose pélvica e o
estadiamento observamos que a média deste marcador foi de 808,7±505,5 U/ml no
estágio Id a doença, 981,6±547,7 U/mL no estágio li, foi de 1 554,3±871,8 U/mL no
estágio Ili e 2 817,0±2 553,6 U/mL em estágio IV (Tabela 4 e Figura 12). Observa-se
diferença estatística entre os níveis do CA-125 no fluido peritoneal nos diferentes
estádios da endometriose (p=0.03).
O volume de fluido peritoneal, correlacionado aos estágios da endometriose
propostos pela ASRM (1997) demonstraram que, quanto mais avançada a doença,
menor o volume de fluido peritoneal presente à laparoscopia. Encontraram-se
volumes de fluido peritoneal entre 1 O e 15 mi em estágio I da doença, volumes entre
7,5 e 12,0 mL em estágio li, volumes entre 5 e 10 mi em estágio Ili e volumes entre
5 e 8 mi em estágio IV (Tabela 4).
38
Resultados
Tabela 4- Níveis médios de CA-125 sérico e no fluido peritoneal e o estadiamento
da endometriose (Grupo A) e variação do volume de fluido peritoneal comparado ao
estadiamento da doença
ESTADIAMENTO CA-125 sérico* CA-125 -fluido peritoneal** Volume de fluido peritoneal
li
111
IV
(U/ml)
8,3±4,1
14,8±8,0
37,8±37,9
115,3±35,4
(U/ml)
808, 75±505,5
981,6±547,7
1 554,3±871,8
2 817,0±2 553,6
(ml)
10,0-15,0
7,5-12,0
5,0-10,0
5,0-8,0
Avaliação intergrupos: *p=0.0001 e **p=0.03 (valor de corte do CA-125 = 16 U/ml).
115,3
120 p=0,001
100
]
□ Estadio 1
80
li Estadio li
'º 60 l!J Estadio III
40 □ Estadio IV u
20
Estadiamento
Figura 11- Níveis de CA-125 sérico e estadiamento da endometriose pélvica
(Grupo A)
Vwituu 2T er1'eÜ'a, do--Jún{U'{l,i
3000
2500
I 2ººº
on 1500M
� 1000
soo
0-1'-1'----
Estadiamento
2817
39
Resultados
□ Estadio 1
■ Estadio li
Ili Estadio Ili
l!I Estadio IV
Figura 12- Níveis de CA-125 no fluido peritoneal e estadiamento da endometriose
pélvica (Grupo A)
Considerando-se no Grupo A apenas as mulheres com queixas de
dismenorréia não encontramos significância estatística nos níveis de CA-125 no soro
(média de 36,3±45,SU/ml) e no fluido peritoneal (média de 1 425, 1± 1 399,3U/ml).
As lesões sugestivas de endometriose, visualizadas durante a laparoscopia,
foram divididas em: típicas ou pigmentadas (pretas) sugestivas de doença crônica e
atípicas ou não pigmentadas sugestivas de doença ativa. Ao correlacionarmos essas
lesões (típicas e atípicas) com os níveis de CA-125 séricos e no fluido peritoneal não
encontramos significância estatística (Tabela 5).
40
Resultados
Tabela 5 - Correlação entre os níveis de CA-125 sérico e no fluido peritoneal
e o tipo de lesão endometriótica, visualizada à laparoscopia: típica ou
pigmentada (preta) e atípica ou não pigmentada (vermelha)
Tipo de lesão
CA-125 ATÍPICA TÍPICA p
(U/ml) (N=16) (N=19)
Sérico 22,5±25,7 53,0±54,4 NS*
Fluido peritoneal 1 627,2±1704,3 1 282, 1±760,8 NS*
* não-significante
Não houve correlação entre a presença de dismenorréia em mulheres
do Grupo A e a presença de implantes endometrióticos não pigmentados
(lesões vermelhas), visualizados durante a laparoscopia. Esses implantes
sugerem maior atividade da doença e conseqüente aument o no mecanismo
de prostaglandinas. A presença de algia pélvica crônica não demonstrou
correlação com o estadiamento proposto pela ASRM (1997) nem com a
localização e características de implantes endometr ióticos.
41
Resultados
4.2 AVALIAÇÃO DO 17[3 ESTRADIOL (E2) E DA PROGESTERONA (P4)
Avaliando-se os níveis de 17p estradiol no soro de mulheres com
endometriose pélvica (Grupo A), observamos variação de 23,7 a 544,0
pg/ml com média de 128,4±138,8 pg/ml. Nas mulheres do grupo controle
(Grupo B), observamos variação de 20,5 pg/ml com média de 107,8±124,9
pg/ml. Não houve diferença estatística entre os dois grupos (Tabela 6 e
Figura 13). Os níveis de 17� estradiol no fluido peritoneal de mulheres com
endometriose pélvica (Grupo A) variaram de 20,6 a 540,0 pg/ml, com média
de 163,4±148,3 pg/ml, enquanto que no Grupo B a variação dos níveis 17�
estradiol foi de 29,4 a 860,0 pg/ml, média de 275,8±237, 1 pg/ml. Essas
diferenças não foram estatisticamente significantes (Tabela 6 e Figura 13).
Os níveis de progesterona sérica das mulheres do Grupo A variaram
de 0,3 a 22,3 ng/ml, com média de 2,9±5,6 ng/ml enquanto que a variação
dos níveis de progesterona em mulheres do Grupo B foram de O, 7 a 41, 1
ng/ml, média de 8,7±15,1 ng/ml. Os níveis de progesterona sérica no
Grupo A foram significativamente menores do que no Grupo B (p=0.01)
(Tabela 6 e Figura 14). No fluido peritoneal das mulheres do Grupo A,
observamos uma variação dos valores de progesterona de 0,6 a 61,5 ng/ml,
com média de 5,7±12,5 ng/ml, enquanto que, em mulheres do Grupo B, a
variação foi de 0,6 a 106,0 ng/ml, com média de 27,4±35,0 ng/ml. Os níveis
de progesterona, observados no fluido peritoneal do Grupo A foram
Vwiun, !?TerreúYz, dr .ÃmaMt/ 42
Resultados
significativamente menores do que no Grupo B (p=0.00042) (Tabela 6 e
Figura 14).
Tabela 6 - Valores médios do 17� estradiol (E2) e da progesterona (P4) no
soro e no fluido peritoneal das mulheres do grupo A e B
Hormônio Grupo A Grupo B p
17 � estradiol sérico (pg/ml) 128,4±138,8 107,8±124,9 NS
17 � estradiol no fluido peritoneal (pg/ml) 163,4±148,3 275,8±237, 1 NS
Progesterona sérica (ng/ml) 2,9±5,6 8,7±15,1 0.01
Progesterona no fluido peritoneal(ng/ml) 5,7±12,5 27,4±35,0 0.00042
400
350
300
- 250
200
150
100
50
o
li Grupo A
■ Grupo B
NS
275,88
178 estradiol sérico 178 estradiol no FP
43
Resultados
Figura 13 - Níveis de 17 � estradiol séricos e no fluido peritoneal (FP) das
mulheres com endometriose pélvica (Grupo A) e mulheres controle (Grupo
B)
40
35
30
Ê 25
e1 20
,s 15
10
5
o
a
Progesterona sérica
b
Progesterona FP
b
Grupo A
□ Grupo 8
Figura 14 - Níveis de progesterona sérica e no fluido peritoneal (FP) de
mulheres do Grupo A e do Grupo B
a=0.01
b=0.00042
5 DISCUSSÃO
45
Discussão
A endometriose ainda persiste como patologia enigmática pelas
diversas formas e manifestações que a compõem.
Desde as últimas décadas tem-se observado aumento na incidência
dessa moléstia na população geral (JANSEN & RUSSEL, 1986; REDWINE,
1987a; MARTIN et ai., 1989). KONINCKX (1994) descreveu a endometriose
superficial como fenômeno habitual e normal na vida da mulher e o
desenvolvimento e evolução dessa doença ocorreriam, em algumas
mulheres, mediante alterações imunológicas.
A evolução da videolaparoscopia tem oferecido mudança importante
em relação à endometriose. As principais vantagens da sua aplicação visam
permitir o diagnóstico e tratamento mais conservador, melhor observação
macroscópica das lesões endometrióticas e conseqüentemente melhor
avaliação da doença (WILLIAMS & PRATT, 1977; MARTIN et ai., 1989;
BARBOSA, 1998). Permanece ainda sem resposta a partir de que estágio a
endometriose começa a ser considerada doença, manifestando sintomas e
necessitando de terapêutica adequada (BROSENS, 1997).
46
Discussão
Atualmente acredita-se que a endometriose superficial é condição
fisiológica e intermitente da mulher no menacme, enquanto que a evolução
da doença, caracterizada como endometriose profunda, e os cistos
ovarianos endometrióticos seriam abordados como doença verdadeira
(VERCELLINI et ai., 1996; KONINCKX, 1994, 1998).
A presença da doença em mulheres assintomáticas e sem a
visualização de seus implantes durante o procedimento cirúrgico foram
descritas por MURPHY et ai. (1986) e NISOLLE & DONNEZ (1997). Esses
autores biopsiaram peritônio considerado normal durante o ato operatório e
observaram resultados compatíveis com a doença, sugerindo, assim,
incidência mais elevada da endometriose do que se supõe. A especificidade
dos métodos diagnósticos disponíveis em relação à severidade da doença e
escolha terapêutica inspiram novos estudos, rotineiramente. As divergências
persistem, envolvendo a história natural da endometriose, a sua
sintomatologia, extensão , localização e estadiamento da doença (JANSEN
& RUSSEL, 1986; REDWINE et ai., 1987; HOUSTON et ai., 1988; FEDELE
et ai., 1992; EVERS, 1998; BATT, 1999).
Considerando as múltiplas teorias sobre a etiopatogenia da doença,
aliados à diversidade de comportamento, NISOLLE & DONNEZ (1997)
propuseram a subdivisão da endometriose em três formas que podem
coexistir.
A endometriose peritoneal, partindo-se do princípio de que a
regurgitação tubária de fragmentos endometriais seria o fator inicial desse
47
Discussão
processo, ao chegarem no peritônio, essas células se implantariam nesse
local. Como conseqüência imediata, haveria neovascularização local,
proliferação e migração celular, originando as chamadas lesões vermelhas.
A seguir, o processo inflamatório e a fibrose decorrentes determinariam a
formação das lesões negras. Subseqüentemente, as glândulas e/ou estrema
residuais, subperitoneais originariam as lesões brancas, cicatriciais. A
segunda forma proposta seria a endometriose ovariana, embora haja
controvérsias sobre a gênese dos cistos endometrióticos. A terceira forma
seria a endometriose de septo retovaginal: também denominada
adenomiose externa e muitas vezes surge como a ponta de um iceberg na
visualização do fundo de saco de Douglas. Sendo assim, originar-se-ia de
remanescentes müllerianos existentes naquela musculatura, que se
transformariam em glândulas e/ou estrema, formando nódulos locais . Essas
diferentes formas da doença apresentam comportamento clínico variado
(ABRÃO et al.,1998, KONINCKX, 1998). Em nosso estudo não obtivemos
nenhum caso de endometriose de septo retovaginal, apenas as peritoniais e
ovarianas.
Os principais fatores epidemiológicos referidos em alguns estudos se
assemelham aos encontrados em nossa avaliação (BARBIERI, 1990;
MATORRAS et ai., 1995; ABRÃO et ai., 1995). O desenvolvimento
progressivo da endometriose, nos diversos locais da pelve, com o passar
dos anos inspirou REDWINE (1987a) a avaliar a disseminação da doença
entre grupos com faixa etária variando de 16 a 52 anos. Não encontrou
48
Discussão
acometimento da doença em mulheres de idade mais avançada, mas
observou maior incidência em nulíparas. Ao verificarmos a faixa etária das
mulheres selecionadas para o nosso estudo, observamos variação de 18 a
39 anos. A não correlação da intensidade da algia pélvica, localização e
extensão da doença continua sem resposta.
A incidência de algia pélvica, principalmente a dismenorréia em
mulheres portadoras de endometriose, associada à infertilidade e à
dispareunia compõem a tríade característica da doença. A severidade da
doença e a intensidade dos sintomas apresentados pelas mulheres com
essa moléstia é motivo de controvérsias (BUTTRAM, 1979; PERPER et ai.,
1995; MATORRAS et ai., 1996; SCENKEN, 1992; VERCELLINI et ai., 1996;
BATT, 1999).
Em nosso estudo observamos a presença de dismenorréia como a
principal sintomatologia, algia pélvica crônica e dor no meio do ciclo (91,0%,
45,0% e 54,2%, respectivamente). Apenas 2 mulheres (5,6%) relataram
episódio de sinusorragia, 2 mulheres apresentaram alteração intestinal
cíclica (5,6%) e 1 apresentou alteração urinária cíclica (2,8%). A presença de
qualquer desses sintomas acima mencionados não teve correlação com a
severidade da doença nem presença de determinadas lesões.
FEDELE et ai. (1992), após avaliação da intensidade e extensão da
algia pélvica, utilizando dois esquemas graduados por escores, constataram
que a intensidade dos sintomas independe do estadiamento e dos implantes
'Uvimv ETCMeira/ do- .Anuvai 49
Discussão
endometrióticos. KON I NCKX et ai. ( 1991) encontraram correlação entre as
lesões infiltrativas profundas e a algia pélvica.
BUTTRAM (1979) encontrou pouca correlação entre a intensidade da
dismenorréia e dispareunia e a gravidade da doença, enquanto que FEDELE
et ai. (1990) não encontraram correlação entre a tríade dismenorréia, algia
pélvica e dispareunia com a presença das diversas lesões endometrióticas
nem com o estadiamento da doença (ASRM, 1997). Em 1992, FEDELE et ai.
realizaram estudo abrangente observando a algia pélvica entre pacientes
com endometriose e controles. Constatou que a intensidade da dor era
maior em estádios mais avançados (Ili e IV) do que em estádios I e li,
embora sem significância estatística em relação à severidade dos sintomas
comparados ao grupo controle. A única significância encontrada foi em
relação à bilateralidade dos cistos endometrióticos e a dismenorréia.
PERPER et ai. (1995) encontraram correlação entre a dismenorréia e a
presença de diversos implantes, enquanto que BROSENS et ai (1994) não
encontraram relação entre o estadiamento e o número de implantes
endometrióticos, pois, na vigência de endometriose grau 1 (mínima), pode-se
encontrar única ou diversas lesões atípicas disseminadas ou implantes não
ativos. Em nosso estudo também não encontramos correlação entre o
número dos implantes endometrióticos e a intensidade da algia pélvica ou
dismenorréia e o estadiamento da endometriose da ASRM (1997).
BROSENS et ai (1994) observaram que em 93% dos cistos endometrióticos
típicos há acúmulo de debris menstruais nos cistos de inclusão ovarianos,
VWf,(U// if errwYZ- do-Ánuual 50
Discussão
resultando em progressiva invaginação do córtex ovariano. Em 1996,
DONNEZ et ai. postularam que a metaplasia celômica nos cistos de inclusão
ovariano seria responsável pelo aparecimento da doença naquele local,
baseados no potencial metaplásico do epitélio celômico pélvico,
demonstrado nas teorias etiopatogênicas dos tumores epiteliais de ovário.
Teorias à parte, o comportamento da doença que se desenvolve
exclusivamente nesse local tem características sabidamente distintas da
peritoneal ou de septo retovaginal (ABRÃO et ai., 1998).
Os diferentes tipos de implante podem sugerir estágios diferentes da
doença associados a fisiopatologias diferentes (FEDELE, 1990; VERCELLINI
et ai., 1996; NISOLLE et al.,1993). As fases do ciclo menstrual mais
fidedignas em relação à visualização de implantes parecem estar na fase
folicular e na fase lútea precoces (KONINCKX et ai., 1991; REDWINE et ai.,
1987a; MUZII et ai., 1997). Supõe-se que as lesões vermelhas caracterizam
a atividade da doença e possuem maior produção de prostaglandina e,
portanto, mais dor (REDWINE, 1987b; VERNON et ai., 1986; VERCELLINI
et ai., 1996). Em nosso estudo não pudemos constatar essa afirmativa pois
ao avaliarmos a presença das lesões vermelhas ou ativas, comparadas à
presença da dor, esse dado não foi estatisticamente significante. A
coloração dos implantes refletem os achados hemorrágicos, vasculares,
hemopigmentados e fibrose (BROSENS, 1997). As lesões pretas e brancas
têm sido representadas como evolução da lesão vermelha, caracterizando
assim um estágio mais crônico da doença além da reação inflamatória local,
51
Discussão
após sangramento recorrente e conseqüente fibrose. Diversos estudos
sugerem que, com o passar dos anos, ocorre um decréscimo na incidência
de lesões não pigmentadas, principalmente as vermelhas (REDWINE,
1987b; NISOLLE et ai., 1993; BROSENS et ai., 1994).
A importância de um marcador da doença inspira muitos estudos.
Dentre eles, o CA-125, glicoproteína de alto peso molecular (>20 000 Da) de
origem epitelial e encontrado em células normais, tem sido o mais fidedigno
marcador da doença (KABAWAT et ai., 1983; KONINCKX & MARTIN, 1992;
BARBIERI et ai., 1986; PITTAWAY et ai., 1995; ABRÃO et ai., 1997; IMAI et
ai., 1998, BARBOSA, 1998). As lesões endometrióticas também têm sua
origem embriológica no epitélio celômico, justificando a investigação do
marcador na vigência da endometriose (BARBIERI et ai., 1986). Em
mulheres normais, o CA-125 pode ser encontrado no endométrio e na
presença de irritação peritoneal (MUYLDERMANS et ai., 1995). A presença
do CA-125 na circulação sangüínea, em níveis bastante elevados na
vigência de cisto ovariano endometriótico (doença endometriótica) e/ou
endometriose com infiltração profunda ,sugere que esse antígeno passe
para a circulação a partir das células endometriais de pacientes com
endometriose (BARBIERI et ai., 1986; MUYLDERMANS et ai., 1995;
PITTAWAY et ai., 1995). A liberação do CA-125 no nível do endométrio,
atingiria a circulação hematogênica e linfática via peritonial a partir da
menstruação retrógrada, possibilitando o contato com as reações
inflamatórias locais e liberando assim o CA-125 celômico (MUYLDERMANS
cpw«l/v g:-eMe(/Yl, do-ÁmmYtl 52
Discussão
et ai., 1995; BON et ai., 1999). Outra maneira de justificar o aumento do CA-
125 no sangue seria seu acesso à cavidade abdominal pelo refluxo tubário
resultando em absorção pelos linfáticos peritoniais (APLIN et ai., 1994; BON
et ai., 1999). Entre os supostos mecanismos, ainda persistem as dúvidas em
relação ao real mecanismo de liberação do CA-125 na circulação, pois a
menstruação retrógrada ainda é controversa e na pós-menopausa os níveis
desse marcador sofrem alteração, relembrando, assim, a utilização do
mesmo no diagnóstico de câncer de ovário (BRUMSTED et ai., 1990; APLIN
et ai., 1994; BON et ai., 1999). Considerando-se a endometriose mínima
como um fato normal e intermitente em muitas mulheres, a realização do
CA-125 na suspeita da endometriose nos traria a possibilidade de diferenciar
os graus mais elevados da doença, acompanhados de algia pélvica da
doença inicial.
As concentrações de CA-125 em mulheres portadoras de
endometriose pélvica, classificadas como mínima e leve, atingem valores
abaixo de 35 U/ml que seria o valor de corte para carcinoma de ovário
(BAST et al.,1983; NILOFF et ai., 1984; LAMBERT, 1987; JACOBS & BAST,
1989). Em mulheres com endometriose moderada e severa níveis séricos
<35 U/ml encontraram uma sensibilidade desse marcador de O . a 93%
(MORETUZZO et al.,1988; TAKAHASHI et al.,1988). A sensibilidade e
especificidade de uma amostra dependem do corte utilizado e as baixas
concentrações aumentam a sensibilidade, mas diminuem a especificidade.
Os índices de corte do CA-125 são variáveis devido às variáveis de
Vwiaa, .<Yerreva, cio- .Áouud 53
Discussão
especificidade e sensibilidade. O corte de 16 U/ml têm demonstrado
considerável sensibilidade e especificidade em pacientes portadoras de
endometriose (PITTAWAY & FAYEZ, 1987; GURGAN et al.,1990;
PITTAWAY et ai., 1995; ABRÃO et ai., 1997; BARBOSA, 1998). Em nosso
estudo, a partir desse corte, obtivemos sensibilidade de 54,3% e
especificidade de 88,2%, concordando, portanto, com os achados da
literatura. As concentrações séricas do CA-125 também podem se elevar em
gestações precoces e na vigência de doença inflamatória pélvica (NILOFF et
ai., 1984) além de 10-52% em mulheres com patologias malignas sem causa
ginecológica (JACOBS & BAST, 1989).
A melhor fase do ciclo para análise sérica é um fato controverso.
ZWEERS et ai. (1990) não encontraram variações cíclicas do marcador
durante as fases folicular, intermediária, periovulatória e lútea média.
LANZONE et ai. (1990) estudaram esse marcador com amostras diárias de
mulheres ciclando regularmente e não observaram alterações significativas.
GROVER et ai. (1992) em estudo de 574 mulheres, submetidas a avaliações
séricas do CA-125 semanalmente, também não observaram alterações
significativas. ABRÃO et ai. (1997) avaliaram os níveis de CA-125 li,
Proteína C Reativa (PCR) e Proteína sérica amilóide A (SAA) e anticorpos
anticardiolipina (aCL), durante as fases menstrual e folicular precoce,
constatando elevação significativa dos níveis de CA-125 durante a
menstruação e proporcional à severidade da doença. Os níveis mais
elevados do CA-125, durante a f ase lútea, são justificados pela maior
54
Discussão
liberação do mesmo pelo endométrio durante essa fase (BON et ai., 1999),
permanecendo aumentados durante todo o período menstrual (PITTAWAY &
FAYEZ, 1987; MASAHASHI et ai., 1988; GROVER et ai., 1992;
O'SHAUGHNESSY et ai., 1993; MOL et ai., 1998). Os altos níveis de CA-
125 correlacionam-se com o tempo de duração do sangramento menstrual e
persiste apenas um dia após o término do mesmo, sugerindo que o CA-125
tenha vida média de aproximadamente 24 horas (MASAHASHI et al.,1988;
MUYILDERMANS et ai., 1995). IMAI et ai. (1998) avaliaram os níveis de CA-
125, CA-72-4 e CA-19-9 durante as diversas fases do ciclo menstrual
durante meses e observaram que seus níveis, durante a fase lútea e pré
menstrual, tendem a normalizar com exceção do CA-125 que ainda mantém
seus valores acima da normalidade (>35 U/ml). A melhor fase relatada por
eles, para avaliar o CA-125, foi a menstrual concordando, assim, com o
estudo realizado por ABRÃO et ai. (1998). O CA-125 de nova geração,
devido à inclusão de mais um anticorpo monoclonal de captura, parece ter
maior sensibilidade e especificidade (HORNSTEIN et ai., 1992; COLACURCI
et ai., 1996; KONINCKX et ai., 1996; ABRÃO et ai., 1997; IMAI et ai., 1998;
MOL et ai., 1998; BARBOSA et ai., 1998). Em nosso estudo, ao avaliarmos
os níveis do CA-125 séricos, observamos que os valores médios desse
marcador, em mulheres portadoras de endometriose pélvica (Grupo A) foram
de 39, 1±45,8 U/ml e em mulheres normais (Grupo B) foram de 10,5±5,9
U/ml (p=0.005). Ao compararmos os valores do CA-125 séricos e no fluido
peritoneal ao estadiamento da doença (Tabela 4 e Figuras 11 e 12)
55
Discussão
constatamos uma tendência linear estatisticamente significativa do aumento
desse marcador em relação à gravidade da doença (p=0.0001 e p=0.03,
respectivamente). Diversos autores encontraram aumento dos níveis de CA-
125 séricos correlacionados com a gravidade da doença, destacando-se
então o potencial diagnóstico desse marcador em pacientes portadoras de
endometriose pélvica estádios 111 e IV (BARBIERI et ai., 1986; HORNSTEIN
et ai., 1992; O'SHAUGHNESSEY et ai., 1993; ABRÃO et ai., 1997; MOL et
ai., 1998; BARBOSA, 1998). No fluido peritoneal, alguns estudos
encontraram os níveis de CA-125 mais elevados na vigência de
endometriose estádios I e 11 (EISERMAN & COLLINS, 1989; GURGAN et ai.,
1990), enquanto outros autores observaram o aumento do CA-125 nos
casos de endometriose estádios Ili e IV (BARBIERI et ai., 1986;
MORETUZZO et ai., 1988; BARBATI et ai., 1992, 1994), conforme os achados
em nosso estudo.
O fluido peritoneal de pacientes portadoras de endometriose revela
aumento do número de macrófagos mais acentuado na fase folicular (ARICI
et ai., 1997). O aumento da ativação no nível dos macrófagos promove
maior secreção local de diversos produtos entre eles, fatores de crescimento
e citocinas, os quais estariam envolvidos no mecanismo de implantação e
posterior desenvolvimento e proliferação dos implantes endometrióticos. Tais
alterações contribuem no mecanismo da infertilidade devido ao exsudato
intra-peritonial de causa desconhecida, mesmo na presença de função
ovulatória normal (HALME et ai., 1982; DUNSELMAN et ai., 1988).
C{-1oian, fTeMY:Üa, cio--.Anuva/ 56
Discussão
As células NK teriam a função diminuída, explicando, assim, o
aparecimento de lesões não pigmentadas em estágios iniciais da doença.
Essas lesões não possuem áreas de esclerose circundando-as. São
morfologicamente ativas e sua incidência regride com o avançar da idade
(REDWINE, 1987b; KONINCKX et ai., 1991; OOSTERL YNCK et ai., 1992).
A extensão dos implantes endometriais são inversamente proporcionais ao
processo inflamatório crônico intraperitonial caracterizado pela quantidade
de fluido peritonial, e número de leucócitos polimorfonucleares (HANEY et
ai., 1984; ARICI et ai., 1997). O fluido peritoneal normal contém o número de
leucócitos entre 0,5 a 2,0 x 106/ mi, dos quais mais de 85% são macrófagos
(fagócitos mononucleares), 8% leucócitos e 2% polimorfonuclear leucócitos.
Os macrófagos denotam ação efetora de células mediadores de citotoxidade
de diferentes células alvo (HANEY et ai., 1984; BADAWY et al.,1984; HO et
ai., 1997; KONINCKX et ai., 1998). Em nosso estudo pudemos comprovar
que o volume de fluido peritoneal nas pacientes com endometriose pélvica
foi inversamente proporcional ao estadiamento da doença, enquanto que, no
grupo controle muitas vezes tivemos que excluir pacientes do estudo pela
ausência de fluido peritoneal. Alguns estudos também observaram essa
correlação inversa (HANEY et ai., 1984; BADAWY et ai., 1984; FISK.& TAN,
1988).
PITTAWAY et ai. (1986, 1987) avaliaram as variações séricas do CA-
125, constatando que as mesmas corresponderam à superfície envolvida
pela endometriose, sugerindo, portanto, aumento dos níveis desse marcador
57
Discussão
no fluido peritoneal de 1 O a 100 vezes. Observou-se também a elevação
desse marcador no fluido peritoneal de forma progressiva semelhante à
encontrada no soro (FEDELE et ai., 1988; MORETUZZO et ai., 1988;
KONINCKX et ai., 1993; MUYLDERMANS et ai., 1995).
Em nosso trabalho pudemos confirmar essa afirmativa, onde foram
encontrados valores desse marcador no fluido peritoneal de 100 a mais de
1000 vezes, comparados aos valores no soro. A média obtida em mulheres
portadoras de endometriose pélvica foi de 1 469,4±1 350,4 U/ml e em
mulheres normais foi de 888,7±784,3 U/ml (p=0.03). Este trabalho permitiu
correlacionar os níveis de CA-125 séricos e no fluido peritoneal, sugerindo,
assim, produção e detecção via hematogênica e posterior liberação linfática
desse marcador mostrando assim a atividade da doença. Nossos dados não
nos permitem maior discussão a respeito de tais achados e não há qualquer
trabalho na literatura que tenha estabelecido essa correlação. KONINCKX &
MARTIN (1991), após avaliarem o CA-125, concluíram que a doença
superficial aumenta seus níveis no fluido peritoneal enquanto que a doença
profunda manifesta-se pela elevação desse marcador no sangue. Não
pudemos comprovar esses achados em nosso estudo pois os níveis de CA-
125 aumentaram de acordo com a infiltração mais profunda da doença, tanto
no sangue quanto no fluido peritoneal de mulheres portadoras de
endometriose pélvica, quando comparados às pacientes normais (p=0.0001
e p=0.03 respectivamente). KONINCKX et ai. (1992) dosaram CA-125, 17�
estradiol (E2) e progesterona (P4) do conteúdo de cistos ressecados
cpw«Ul,, fhr-reü<a/ do-.Á.nuzra/ 58
Discussão
cirurgicamente e estabeleceram comparação entre os cistos endometrióticos
e cistos de corpo lúteo. Em casos de cisto de corpo lúteo os valores de CA-
125 são cerca de 1 O vezes menores que os encontrados nos cistos
endometrióticos, sem relação com os níveis de E2 e P4.
As baixas concentrações de hormônios esteróides no fluido peritoneal
poderiam facilitar a implantação de células endometriais regurgitadas
(KONINCKX et ai., 1980). A associação da endometriose com a presença de
folículo não roto foi confirmada inicialmente (DONNEZ et ai., 1983; DHONT
et ai., 1984; KUSUHARA, 1992) durante a investigação dos esteróides
ovarianos, em pacientes inférteis, cuja infertilidade foi ocasionada pela
endometriose. Após alguns estudos, constatou-se que essa síndrome ocorre
ocasionalmente, acompanhando a endometriose leve e que a anovulação
tem baixa incidência (9-20%) nessas pacientes (DMOWSKI et ai., 1997).
Alguns estudos encontraram melhores resultados diagnósticos pela
avaliação dos esteróides ovarianos quando comparados ao diagnóstico
ultra-sonográfico (LESORGEN et ai., 1984 e GUERRIERO et ai., 1996).
Questiona-se, atualmente, se a endometriose seria conseqüência ao invés
da causa da síndrome LUF (KONINCKX et ai., 1980,1998; BON et ai., 1999).
OSAZA et ai. ( 1987) encontraram valores sé ricos de progesterona
acima da normalidade em pacientes portadoras de endometriose pélvica.
Até o momento não há qualquer estudo longitudinal comparando a
endometriose pélvica e a insuficiência lútea. A presença da endometriose
como causa da insuficiência lútea é alvo de opiniões diferentes.
59
Discussão
Alguns estudos avaliaram a insuficiência lútea em pacientes inférteis
com e sem endometriose e constataram que os níveis de progesterona
sérica são menores quando comparadas aos níveis no fluido peritoneal e na
presença de endometriose, os valores de progesterona sérica e no fluido
peritoneal em mulheres normais são estatisticamente mais elevados do que
em mulheres portadoras de endometriose pélvica, independente da
gravidade da doença. Os níveis de 17 � estradiol séricos estavam
diminuídos na endometriose leve, mas, no fluido peritoneal, não houve
diferença estatisticamente significante entre os grupos (TZINGOUNIS &
MAGHIORACOS, 1985; BARRY-KINSELLA et ai., 1994). MATORRAS et ai.
(1996) não encontraram correlação entre a gravidade da endometriose e a
insuficiência lútea. Em seu estudo encontraram níveis de progesterona
sérica inferiores na presença de infertilidade, mas sem diferença estatística
entre mulheres com insuficiência lútea acompanhada ou não de
endometriose. Outros autores (BALASCH & VANRELL, 1985; KUSUHARA
et ai., 1992; MOELOEK & MOEGNY, 1993) não encontraram correlação da
endometriose com a insuficiência lútea em avaliações séricas de 17�
estradiol, progesterona, avaliação da temperatura basal e biópsia de
endométrio, datando a fase do ciclo.
Em nosso estudo encontramos níveis de 17 � estradiol (E2) séricos e
no fluido peritoneal, sem diferença estatística entre mulheres com
endometriose e normais e a presença de infertilidade ou cisto endometriótico
não revelaram alterações significativas em seus níveis. Os níveis de CA-125
60
Discussão
não mostraram qualquer correlação com os níveis de E2 nem no soro
tampouco no fluido peritoneal confirmando os achados de BON et ai. (1999).
Encontramos níveis de progesterona sérica e no fluido peritoneal mais
elevados em mulheres normais quando comparadas a mulheres com
endometriose (p=0.01 e p=0.00042, respectivamente). Mesmo encontrando
níveis de progesterona sérica e no fluido peritoneal estatisticamente
inferiores nas mulheres portadoras de endometriose pélvica (Grupo A),
comparadas às mulheres normais (Grupo B), nosso trabalho não permite o
diagnóstico de insuficiência lútea associada à endometriose pélvica.
6 CONCLUSÕES
14-ian/ ff erreva, clo-JÚnm<aJ 62
Conclusões
A avaliação do presente estudo permitiu-nos as conclusões indicadas
a seguir.
- O estadiamento, localização e a presença de implantes típicos ou
atípicos, observados nos casos de endometriose pélvica, independem da
manifestação clínica referida pelas mulheres portadoras dessa moléstia.
- O CA-125 sérico, realizado durante um dos três primeiros dias do
ciclo menstrual, seria um método de grande valia em estágios mais
avançados da endometriose. Valores acentuados desse marcador no soro
sugerem terapêutica clínica preliminar, contribuindo para a regressão dos
implantes com terapêutica medicamentosa adequada, avaliação da eficácia
terapêutica além de monitorar a evolução da doença, evitando um método
invasivo (cirúrgico) como primeira escolha.
63
Conclusões
- Pela correlação encontrada entre os níveis de CA-125 no soro e no
fluido peritoneal, sugerimos a análise do mesmo apenas no soro durante a
menstruação, permitindo um método diagnóstico menos invasivo da doença.
- Os níveis do 17� estradiol no soro e no fluido peritoneal não
apresentaram concentrações mais elevadas em mulheres com endometriose
pélvica quando comparadas com mulheres normais.
- Os níveis de progesterona no soro e no fluido peritoneal foram
inferiores aos de mulheres normais, sugerindo alteração hormonal na
vigência dessa moléstia.
7 ANEXOS
65
Anexos
Tabela 1 -Avaliação dos níveis de CA-125 ,17 � estradiol (E2) e
progesterona (P4) séricos e no fluido peritoneal de pacientes portadora de
endometriose pélvica
INICIAIS CA-125 E2 - P4- CA- 125 E2 - Fluido
SÉRICO SÉRICO SÉRICO Fluido peritoneal peritoneal
LAF 9,4 42,1 0,97 3725 127
GHVM 2,4 48,7 24 1893 65,7
AR 155 48 1,1 3315 90,7
RAC 11,2 48 1,1 1121 170
EMS 128,3 155,2 0,33 421 53
EAP 29 553 1 1982 522
FSAR 34,5 71,2 0,75 577 344
SJ 9,6 522 1,2 630 540
MLB 2,6 50,6 2,1 1017 418
MRM 32,9 544 1,2 488 392
JV 142 52,3 1,2 7615 51,9
ss 8,2 134 0,52 419 237
NMC 25 208 0,44 2282 429
APS 96,5 52,1 1,5 1617 344
AVS 13,4 78,6 1,1 1752 78,4
DIMT 73,9 41,5 0,97 1331 54,3
MOPS 15,7 36,3 1 1458 100
LLP 54,8 137 0,82 1123 124
VAMB 12,1 79 1,5 1182 82,6
LR 11, 1 215 1,6 883 183
MMZL 22,5 179 0,36 1020 145
IACR 17,4 23,7 1 878 25,2
RRSV 11, 1 47 0,86 741 170
CLV 5 53,1 1,5 784 55,4
MHJN 9,4 34,5 1,2 1128 27,5
RPFM 17,6 91,2 1,4 321 256
RXN 8,4 43 1,7 268 41
EPM 24,7 136 11,3 1173 147
ERS 128,3 155,2 0,33 2413 57
MAF 4,7 71,2 0,75 466 61,3
JEM 17 42 0,9 1277 48
MPS 18,2 36,3 1,6 1432 20,6
EF 7,5 79 22,3 360 84,3
EASA 2,3 63,6 0,84 378 87,4
FFG 106 170 1, 1 2214 83,1
P4 - Fluido
peritoneal
3,3
1,5
0,65
0,86
1,5
1,2
3,3
1,5
3
1,2
2,4
0,67
61,5
3,2
0,74
1,7
2,7
0,78
13,9
16,7
0,65
1,2
0,86
1,3
1,3
31,5
0,63
9,4
1,5
0,86
1,3
2,5
35,4
1,8
1,3
66
Anexos
Tabela 2 - Distribuição das pacientes do grupo A conforme idade da
menarca, número de gestações, paridade, número de abortamentos e
classificação da ASRM (1997), escore e tipo de lesões visualizadas a
laparoscopia (%)
Iniciais Menarca Número de Paridade Número de Classificação Escore Tipo lesão
gestações Abortamentos da ASRM, 1996 (ASRM) visalizada(¾)
AVS 14 o o o GI 2 8=100
IA CR 10 1 1 o Gil! 48 8=100
s L.J 16 o o o GI- 5 V=7,5 ;P=93,5 ;B=O
ss 13 o o o GIi 8 V=17,0 ;P=33,0 ;8=50,0
RAC 13 o o o GIi! 19 V=33,4 ;P=66,6; 8=0
JV 12 o o o GIV 116 8=100
LA.F 11 o o o Gil! 29 V=18,2 ;P=29,1 ;8=52,7
R R.S.V 15 o o o Gil 8 V=15,0 ;P=35,0 ,8=50,0
G HV.M 12 4 2 2 GIi! 32 V=O ,8 =15,0 , P= 85,0
L L. p 12 o o o GIV 46 8=100
CLV 12 o o o GI 2 V=50,0 ;8=50,0
ML8 15 o o o GI 2 V=11,0 ;P=22,0 ,8=67,0
A P.S 14 o o o GIi! 30 V=37,5; P=62,5 ;8=20,0
M O P.S 12 o o o GIi 9 V=25,0 ;8=75,0
M H.J. N 15 o o o GIi 8 8=100
RPFM 14 o o o GI 10 8=100
R.M.XS N. 11 4 4 o GI 2 8=100
EPM 12 o o o Gil! 30 V= 5,0 ,8=75,0, P=10,0
AR 13 o o o GIV 116 8=100
FI AR 14 2 o 2 Gil! 35 8=100
ERS 12 o o o Glll 18 8=100
MAF 11 o o o GI 4 V=50,0 ;P=50,0
NMC 11 o o o Gil 33 8=100
EAP 15 1 o 1 GIi 8 V=25,0 ;B=75,0
EMS 11 1 o 1 GI 48 B=100
JEM 12 o o o Gil! 32 V=O ,B =15,0 , P= 85,0
MRAM 11 o o o GIII 32 B=100
OI MT 13 o o o Gil! 36 V=12,5;B=67,5;P=20,0
VM B 12 o o o GI 2 V=25,0 ;P=75,0
MOS 12 o o o Gil 15 V=25,0 ;8=75,0
LR 12 5 1 4 GI 4 V= 5,0 ,B=75,0 ,P=10,0
ECF 13 o o o GI 2 8=100
EASA 12 o o o GI 2 8=75,0 ;P=25,0
MMZL 12 o o o Gil 10 V=5,0 ; P=75,0 8=20,0
FFG 13 o o o GIV 44 V=O ,8=75,0 ;P=25,0
67
Anexos
Tabela 3 - Distribuição do CA-125, do 17� estradiol e da progesterona séricos e no
fluido peritoneal em pacientes sem endometriose pélvica (Grupo B)
INICIAIS IDADE RAÇA CA-125- E2- P4- CA-125-Fluido E2-Fluido P4-Fluido
Sérico Sérico Sérico peritoneal peritoneal peritoneal
RAA 28 N 2,7 52,1 0,75 348 53 1,4
EPS 27 B 12,7 103,0 7,9 1946 96,5 1,5
ECF 36 B 7,5 98,5 6,3 349 393 3,7
SLX 31 B 8,7 27,6 1,5 2345 860 56,5
AMF 38 B 9,9 511,5 36,7 221 132 37,4
LR 33 B 11, 1 215,5 1,6 322 120 1,4
MAVA 36 B 5,2 43,0 2,1 2223 544 58
CPPA 32 N 10,9 226 41, 1 241 256 62,5
RGBS 37 B 7,0 42 1,3 739 29,4 0,8
MAS 34 B 8,0 215 2,2 279 358 39,3
ESC 35 B 7,1 93 1,5 893 120 106
RMN 33 p 25 27,7 1,5 2267 41 0,65
sx 37 B 9,6 44,2 1,5 331 143 1,7
DT 35 p 7,8 54,3 43,4 455 595 88,3
AMD 38 B 13,4 87,3 1,65 444 538,7 1,2
ESSE 36 B 11,7 48,1 3,0 678 187,4 3,2
PLR 33 B 24,9 20,6 1,7 1028 223 3,5
INICIAIS
RAA
EPS
ECF
SLX
AMF
LR
MAVA
CPPA
RGBS
MAS
ESC
RMN
sx
DT
AMO
ESE
PLR
68
Anexos
Tabela 4 - Distribuição das pacientes do grupo B (controle)conforme as
iniciais, idade, raça, tipagem sangüínea e antecedentes obstétricos
IDADE COR IDADE DA TIPAGEM NUMERO DE PARIDADE NUMERO DE
MENARCA SANGUÍNEA GESTAÇÕES ABORTAMENTOS
28 p 11 A positivo 3 2 o
27 B 12 O positivo 3 3 o
36 B 13 O negativo 4 2 2
31 B 11 O positivo 2 2 1
38 B 11 B positivo 3 3 o
33 B 12 O positivo 3 3 o
36 B 12 O positivo 4 3 1
32 p 12 A positivo 3 3 o
37 B 13 A positivo 5 3 2
34 B 12 AB positivo 3 2 1
35 B 12 A positivo 4 3 1
33 p 12 O positivo 3 3 o
37 B 11 O positivo 2 2 o
35 p 11 A positivo 4 3 1
38 B 11 O positivo 4 3 1
36 B 12 A positivo 3 3 o
33 B 12 A positivo 3 3 o
8 REFERÊNCIAS BIBIJ06RÃFICAS
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SUMMARY
Summary
The present study concerns the analysis of serum leveis of CA-125 17 �
Estradiol (E2) and Progesterone (P4) compareci to peritoneal fluid leveis from
pelvic endometriosis patients.
Fifty two patients were divided into two groups:- the first one-group A
comprised 35 patients with pelvic endometriosis diagnosed by laparoscopy
and confirmed by biopsy and the second-group B- comprised 17 women
without confirmed endometriosis.
The serum samples were taken during the fírst three days of the cycle and
the peritoneal fluid samples were taken during laparoscopy at the follicular
phase. We observed higher leveis of serum and peritoneal fluid of CA-125 in
patients with advanced pelvic endometriosis. 17 � Estradiol leveis in serum
and peritoneal fluid samples were not higher in patients with endometriosis.
Progesterone leveis were lowrer in serum and peritoneal fluid samples from
patients with pelvic endometriosis and infertility.
Endometriosis symptoms were not correlated with laboratory markers. The
best endometriosis marker present in advanced disease was CA-125.
Summary
We observed a correlation between serum and peritoneal fluid values and
wish to emphasize that mesurements made in serum samples avoid invasive
procedures.
Essa dissertação de mestrado foi confeccionada segundo
MALERBO, M.B - Manual de Orientação do Serviço de Biblioteca e Documentação
da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (1996).
(http://www.bcrp.pcrp.usp.br/serviços.html.
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