Internação hospitalar e mortalidade por endometriose no Brasil, 2014-2024

In: Revista JRG de Estudos Acadêmicos · 2026 · vol. 9(20) , pp. e093001 · doi:10.55892/jrg.v9i20.3001 · W7133302517
article OA: diamond CC0

Abstract

Introdução: A endometriose é uma condição crônica que acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina e do miométrio. Embora seja considerada benigna, suas complicações podem levar ao óbito. Objetivo: Analisar a trajetória de pacientes com endometriose no Brasil, identificando a tendência temporal das internações hospitalares e da mortalidade no período de 2014 a 2024. Metodologia: Trata-se de estudo misto, ecológico e transversal, de caráter descritivo e analítico, com abordagem quantitativa, utilizando microdados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo DATASUS, incluindo variáveis como CID-10, sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade e região. Resultados: Observou-se maior concentração de internações em mulheres de 30 a 39 anos (42,9%; n=59.386) e maior proporção de óbitos intra-hospitalares nessa mesma faixa etária (21,5%; n=34.049). Embora estudos indiquem maior risco entre mulheres brancas, os dados nacionais evidenciaram predominância de internações e óbitos em mulheres pardas, além de maior mortalidade entre 30 e 49 anos (30,1%–36,1%; n=55–66). A letalidade hospitalar manteve-se baixa (0,11%–0,15%) e a taxa de mortalidade não ultrapassou 0,02%, demonstrando que, apesar do impacto clínico e psicossocial da doença, a progressão para óbito é rara. A análise temporal revelou declínio das internações entre 2014 e 2020, com crescimento até 2024, enquanto a mortalidade apresentou aumento até 2019, seguido de redução nos anos subsequentes. O incremento das internações, especialmente na Região Sul, pode estar associado à ampliação do acesso aos serviços especializados e a efeitos residuais da pandemia de COVID-19. Conclusão: A endometriose apresenta perfil epidemiológico heterogêneo no Brasil, marcado por variações etárias, raciais e regionais, mantendo baixa letalidade hospitalar, o que reforça a importância do fortalecimento da rede de atenção à saúde da mulher, do diagnóstico precoce e da vigilância epidemiológica.

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