Incidência de internações por endometriose no Sistema Único de Saúde por regiões (2014–2024): uma análise temporal
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Abstract
Introdução: A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero. Afeta entre 6 e 10% das mulheres em idade reprodutiva. É relevante para a saúde pública pelo alto número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), tanto para diagnóstico quanto para tratamento. Analisar sua incidência, distribuição regional e evolução temporal é essencial para compreender sua epidemiologia e orientar políticas públicas. Objetivo: Analisar a incidência de internações hospitalares por endometriose no SUS, nas diferentes regiões do Brasil entre os anos de 2014 e 2024, apresentando variações e tendências temporais ao longo do período. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais, com dados do Sistema de Informações Hospitalares extraídos do Departamento de Informática do SUS (SIH/DATASUS). Foram incluídas internações de mulheres de 10 a 59 anos, com diagnóstico principal de endometriose, nas regiões do Brasil, por ano de atendimento, no período de 2014 a 2024. Para análise dos dados, foram calculadas as incidências anuais (número de internações por endometriose dividido pela população feminina da mesma faixa etária e região daquele ano, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os resultados foram expressos por 100.000 mulheres. A ferramenta Google Sheets foi utilizada para a organização dos dados. Por se tratar de dados públicos, sem identificação individual, o estudo está dispensado de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Na região Norte, houve redução da incidência de internações por endometriose, passando de 12,35 em 2014 para 6,11 em 2020, e aumento para 20,04 em 2024. No Nordeste, houve queda de 18,23 em 2014 para 8,54 em 2020, seguida de aumento nos anos subsequentes, atingindo 17,81 em 2024. No Sudeste, houve redução entre 2014 e 2020, de 16,51 para 8,49, respectivamente; em 2024, o valor atingido foi de 21,93. A região Sul destacou-se por apresentar os maiores índices, alcançando dois picos nos extremos do período analisado: 24,31 em 2014 e 27,60 em 2024, sendo este último o maior valor registrado na análise. O Centro-Oeste seguiu tendência semelhante entre 2014 e 2020, de 15,90 para 9,17, com aumento nos anos seguintes, alcançando 23,10 em 2024. Com exceção do Nordeste, todas as regiões apresentaram maiores índices no ano de 2024. Conclusão: Em 2020, houve queda da incidência de internações por endometriose em todas as regiões, que pode ser associada à pandemia de COVID-19. Nesse cenário, a endometriose é uma doença subnotificada; contudo, é razoável inferir que os avanços na sua identificação e diagnóstico, somados à retomada de cirurgias eletivas no período pós-pandêmico, podem explicar os picos observados em todas as regiões em 2024. Conclui-se que a endometriose ainda é uma condição de grande impacto na saúde feminina, o que demanda políticas públicas que promovam diagnóstico e tratamento precoce e especializado, além do monitoramento contínuo da cobertura dos serviços.
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- last seen: 2026-06-10T17:14:06.276822+00:00
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