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Pedagogia socioeducativa: sentidos e significados no Estado de São PauloMostrar mais Mostrar mais
(Universidade Federal de São Paulo, 2026-07-30) Carvalho, Diego Frederico da Silva [UNIFESP]; Abreu, Cláudia Barcelos de Moura [UNIFESP]; Cláudia Barcelos de Moura; http://lattes.cnpq.br/3114393461757020; http://lattes.cnpq.br/7352657488543513
A presente pesquisa investigou o trabalho pedagógico desenvolvido na medida socioeducativa de internação, executada pela Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa) do Estado de São Paulo, buscando compreender os sentidos e significados a ele atribuídos pelos trabalhadores da educação concursados que a executam. A investigação se deu por meio da análise de documentos, que compreendem a pasta pedagógica do adolescente e os relatórios técnicos enviados ao judiciário, visto que estes registros técnicos demonstram os sentidos e significados atribuídos pelos profissionais que os escrevem, à medida socioeducativa de internação. Assim, esta pesquisa contemplou três recortes temporais, os anos de 2008, 2015 e 2023. Para a análise documental foram utilizadas pastas pedagógicas de 15 adolescentes que cumpriram a referida medida socioeducativa, no recorte temporal citado, considerando-se cinco documentos completos de cada adolescente, sendo dois da capital, um da região metropolitana e dois do interior. O referencial teórico adotado para esta análise foi Vigotski (2018), de modo que foram considerados os conceitos de sentido e significados desenvolvidos pelo autor. Compreendeu-se que o significado da medida socioeducativa de internação, manifesto pelo que a lei determina, diverge do sentido vivenciado e experienciado pelos profissionais que a executam, visto que estes sofrem influência histórico-cultural no tempo. O sentido da medida para estes profissionais manifesta-se a partir da própria estrutura da instituição, que projeta um trabalho a partir da pedagogia neotecnicista.
O Olimpo em disputa: a reorganização do ensino médico com a chegada dos alunos cotistas na Escola Paulista de MedicinaMostrar mais Mostrar mais
(Universidade Federal de São Paulo, 2027-06-29) Portella, Wilver Cunha [UNIFESP]; Pulici, Carolina Martins [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/5750359863811005; http://lattes.cnpq.br/0192680712147011
Esta tese analisa a reorganização do ensino médico da perspectiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) a partir da chegada dos alunos cotistas, investigando como a entrada de estudantes de classes populares tensiona um espaço historicamente forjado pelas e para as elites sociais. O estudo se ampara na reconstrução sócio-histórica da profissão e da EPM, no uso de dados institucionais públicos (PROGRAD e CAGED), na coleta e análise de dados primários posteriormente aprofundados por uma Análise de Correspondências Múltiplas (ACM) e em entrevistas em profundidade. Argumenta-se que embora a política de cotas tenha democratizado o acesso à graduação no curso mais seletivo do Brasil, as estruturas de conservação de privilégios se reajustaram, deslocando as barreiras para o domínio das especialidades e da Residência Médica. Essa reconfiguração está diretamente atrelada às desigualdades de origem, que se refletem no cotidiano universitário por meio do acesso desigual a oportunidades extracurriculares formativas (como Iniciação Científica, Ligas Acadêmicas e a Atlética), seja por barreiras materiais, como a exaustão imposta pela distância geográfica, seja pela vivência de violências simbólicas, manifestadas na imposição de padrões estéticos elitistas e rituais de pertencimento excludentes. Desprovidos de recursos para arcar com cursinhos preparatórios ou adiar o ingresso no mercado de trabalho, os cotistas ajustam suas ambições fazendo escolhas pragmáticas que os direcionam a especialidades generalistas e ligadas ao cuidado, de menor prestígio simbólico e remuneração, enquanto os alunos de perfil tradicional monopolizam as especialidades cirúrgicas de alto rendimento material e simbólico.
Entre casas e famílias dominico-haitianas: cuidar, viver e morrer na fronteiraMostrar mais Mostrar mais
(Universidade Federal de São Paulo, 0003-07-26) Carvalho, Carolina Carreiro Alencar de [UNIFESP]; Albuquerque, José Lindomar Coelho [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/0312592126188264; http://lattes.cnpq.br/5715068883003150
Esta tese analisa as relações de cuidado em famílias transfronteiriças dominico-haitianas, partindo da hipótese de que o cuidado se estrutura pela proximidade geográfica e social, o que constitui o conceito de família por proximidade, que são vínculos baseados na convivência diária, vizinhança e afinidade para além dos laços de sangue. Organizado em quatro seções, o trabalho investiga desde o contexto histórico da fronteira até as dinâmicas cotidianas de moradia, as expectativas sociais de gênero e geração, e o papel central da infância na circulação transfronteiriça de afetos e recursos por meio de mecanismos como a adoção e o apadrinhamento. Por fim, a pesquisa introduz a noção de cuidados liminares como práticas adaptativas cruciais para a sobrevivência em zonas de risco e incerteza, concluindo que esses laços de solidariedade e interdependência são fundamentais para sustentar o tecido social e enfrentar os desafios de um espaço marcado pela mobilidade e pela interculturalidade.
Associação entre características clínico-radiológicas pré-operatórias e achados intraoperatórios de fragilidade parietal em aneurismas saculares intracranianosMostrar mais Mostrar mais
(Universidade Federal de São Paulo, 2026-08-20) Sarti, Talita Helena Martins [UNIFESP]; Chaddad Neto, Feres Eduardo Aparecido [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/9356651929657562; http://lattes.cnpq.br/3459339000173272
INTRODUÇÃO: A fragilidade da parede aneurismática representa um dos principais determinantes da instabilidade dos aneurismas intracranianos e do risco de ruptura. Embora características morfológicas e o realce de parede por ressonância magnética tenham sido associados à instabilidade aneurismática, poucos estudos correlacionaram esses marcadores com a avaliação direta da parede durante a cirurgia.
OBJETIVOS: Avaliar a associação entre características clínicas e radiológicas pré-operatórias e a presença de fragilidade parietal aneurismática observada durante a microcirurgia, bem como identificar preditores independentes de fragilidade.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo observacional, retrospectivo e analítico envolvendo 189 aneurismas saculares intracranianos tratados por microcirurgia entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2025. Foram analisados dados clínicos, exames de imagem e vídeos cirúrgicos. A fragilidade parietal foi definida pela presença de parede fina ou translúcida, adelgaçamento identificado por videoangiografia com indocianina verde, mamilos ou ruptura intraoperatória. Foram avaliados parâmetros clínicos, morfológicos e radiológicos, incluindo tamanho aneurismático, aspect ratio (AR), size ratio (SR), formato, presença de mamilos e realce de parede. As associações foram analisadas por testes univariados e regressão logística multivariada.
RESULTADOS: Dos 189 aneurismas avaliados, 79,4% eram não rotos e 81,9% apresentavam fragilidade parietal intraoperatória. A presença de mamilos na imagem, morfologia irregular, maiores valores de AR e SR e o realce de parede estiveram associados à fragilidade na análise univariada. Houve concordância significativa entre os achados radiológicos e intraoperatórios, especialmente para mamilos. Os aneurismas rotos apresentaram maior frequência de realce de parede, parede fina, mamilos e valores mais elevados de SR. Na análise multivariada, apenas a presença de mamilos nos exames de imagem permaneceu como preditor independentes de fragilidade parietal. O realce de parede não manteve associação independente após ajuste para as variáveis morfológicas. O modelo apresentou boa capacidade discriminatória (AUC = 0,854).
CONCLUSÕES: A fragilidade parietal aneurismática está fortemente associada às características morfológicas do aneurisma, particularmente à presença de mamilos. Embora associado a marcadores de instabilidade, o realce de parede não se mostrou preditor independente de fragilidade estrutural. A integração entre achados radiológicos e avaliação intraoperatória pode contribuir para modelos mais precisos de estratificação do risco de ruptura dos aneurismas intracranianos.
Avaliação da curva de sobrevida livre de cirurgia vesical aplicada à incidência de cirurgia vesical em pacientes com mielomeningocele submetidos à correção intrauterina: um estudo prospectivoMostrar mais Mostrar mais
(Universidade Federal de São Paulo, 2026-07-31) Campelo, Taiane Rocha [UNIFESP]; Macedo Junior, Antonio [UNIFESP]; Cruz, Marcela Leal da ; http://lattes.cnpq.br/2225117700233933; http://lattes.cnpq.br/6550002842303204; http://lattes.cnpq.br/4639134031123903
Objetivo: Avaliar a incidência de intervenção cirúrgica urológica ao longo do seguimento de pacientes submetidos à correção intrauterina da mielomeningocele por meio da análise de sobrevivência, além de investigar a influência de variáveis clínicas e urodinâmicas associadas a esse desfecho. Métodos: Foi realizada análise retrospectiva de dados coletados prospectivamente em protocolo padronizado de seguimento urológico conduzido entre 2011 e maio de 2024. Foram incluídos pacientes submetidos à correção intrauterina da mielomeningocele cuja primeira avaliação urológica ocorreu antes de um ano de idade e que mantiveram seguimento regular na instituição. Foram analisadas variáveis clínicas, radiológicas e funcionais do trato urinário inferior, incluindo presença de dilatação do sistema coletor renal, refluxo vesicoureteral, padrão vesical no primeiro e último estudo urodinâmico, tratamento instituído e ocorrência de intervenção cirúrgica urológica. A análise de sobrevivência foi realizada pelo método de Kaplan–Meier, considerando a cirurgia vesical como evento de interesse. Posteriormente, realizou-se regressão multivariada pelo modelo de riscos proporcionais de Cox para avaliação de fatores associados ao risco cirúrgico. Resultados: Foram incluídos 103 pacientes, dos quais 13 (12,6%) evoluíram para intervenção cirúrgica urológica durante o seguimento. O tempo médio até a cirurgia foi de 59,8 meses. Pacientes submetidos à cirurgia apresentaram maior persistência de padrões vesicais desfavoráveis ao longo do acompanhamento, especialmente padrão vesical de alto risco, sem ocorrência de padrão vesical normal no primeiro ou último estudo urodinâmico. Em contraste, pacientes não submetidos à cirurgia apresentaram maior frequência de padrões vesicais normais e menor persistência de padrões vesicais de alto risco.A análise de sobrevivência pelo método de Kaplan–Meier demonstrou redução progressiva da probabilidade de permanência livre de cirurgia ao longo do seguimento, com probabilidade acumulada estimada de intervenção cirúrgica de aproximadamente 9,7% aos 51 meses e 19,9% aos 83 meses de acompanhamento. O modelo de regressão de Cox apresentou significância estatística global (qui-quadrado = 28,71; graus de liberdade = 8; p = 0,0004), embora nenhuma das variáveis avaliadas tenha apresentado associação estatisticamente significativa de forma independente com o risco de intervenção cirúrgica. Conclusão: Pacientes submetidos à correção intrauterina da mielomeningocele permanecem sob risco progressivo de intervenção cirúrgica urológica ao longo do seguimento. A análise de Kaplan–Meier evidenciou aumento cumulativo do risco cirúrgico ao longo do tempo, enquanto a persistência de padrões vesicais de alto risco foi mais frequentemente observada entre os pacientes submetidos à cirurgia, reforçando a importância do acompanhamento urológico longitudinal e padronizado.
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