Effects of exposure to perfluorooctanoic acid on inflammatory, angiogenic, and oxidative stress in an experimental model of endometriosis
dissertation
OA: green
CC0
Abstract
O ácido perfluorooctanóico (PFOA) é um desregulador endócrino classificado como carcinógeno humano do Grupo 1 pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, associado à toxicidade reprodutiva, endócrina, imunotoxicidade, neurotoxicidade e ao aumento das espécies reativas de oxigênio (EROs), moléculas relacionadas ao estresse oxidativo, inflamação e danos celulares. A endometriose é uma doença ginecológica crônica, estrogênio dependente e multifatorial, associada a fatores imunológicos, genéticos, hormonais e ambientais, incluindo a exposição a contaminantes ambientais como o PFOA. Assim, o estudo avaliou os efeitos da exposição oral ao PFOA nas vias inflamatória, angiogênica e de estresse oxidativo em um modelo experimental de endometriose. O estudo aprovado pelo CEUA UEZO (009/2019) utilizou dezoito ratas Wistar fêmeas (8 semanas de idade, 150-200g), randomizadas em dois grupos, submetidas à implantação endometrial autóloga, seguido de exposição a 5 mg.kg-1 de PFOA por gavagem durante 14 e 42 dias, enquanto os respectivos controles receberam 0,3 ml de água de gavagem. Após a exposição, amostras de sangue e lesões endometrióticas foram coletadas para análises hematológica, bioquímica, hormonal, macroscópica, histológica e imunohistoquímica, além da expressão dos genes fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), metaloproteinase de matriz 9 (MMP-9), prostaglandina E sintase-2 (PTGES2) e receptor de domínio de inserção de quinase (KDR). Os níveis de superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa-S-transferase (GST), glutationa reduzida (GSH), peroxidação lipídica (LPO) e carbonilação de proteínas (CARB), foram mensurados no cérebro e fígado das ratas A exposição ao PFOA induziu alterações significativas nas vias inflamatórias, angiogênica e de estresse oxidativo, agravando a progressão da doença. A via inflamatória foi modulada pelo aumento de proteína c-reativa PCR (p ≤ 0,0001) e da COX-2 (p ≤ 0,0001), além da presença de blastos, leucopenia e grânulos tóxicos no sangue periférico (D42), sugerindo efeito tóxico cumulativo. O sistema antioxidante hepático apresentou redução na atividade de CAT (p ≤ 0,001), GSH (p ≤ 0,001) e CAOT (p ≤ 0,01), resultando em danos oxidativos (CARB: p ≤ 0,001) e elevação de marcadores hepáticos (ALT: p ≤ 0,0001 e AST: p ≤ 0,0001), confirmando a hepatotoxicidade induzida pelo PFOA. Alterações hormonais e angiogênicas foram observadas, com aumento de estrogênio (p ≤ 0,0001) e na imunomarcação de VEGF (p ≤ 0,01), além do aumento de MMP-9 (p ≤ 0,0001), favorecendo a remodelação tecidual e adipogênese, e liberação de citocinas próinflamatória. Portanto, a expo-sição ao PFOA exacerbou a progressão da endometriose por meio de disfunções metabólicas, inflamatórias, hormonais e na resposta antioxidante, destacando o seu impacto na progressão de doenças associadas a inflamação crônica. Tais achados evidenciam a importância de investigar os efeitos da exposição a contaminantes ambientais persistentes, como o PFOA, em condições multifatoriais com alta prevalência e impacto na saúde pública, como a endometriose. Estudos adicionais são necessários para esclarecer os mecanismos moleculares envolvidos e os efeitos a longo prazo da exposição contínua a esse composto.
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