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PONTOS-CHAVE
• A dor pélvica crônica é uma condição comum e complexa que afeta significativamente a qualidade de vida
das mulheres.
• A dor neuropática e a dor nociplástica são componentes importantes no quadro álgico dessas pacientes e
devem ser consideradas no tratamento clínico.
• Os neuromoduladores orais, antidepressivos e anticonvulsivantes, para o controle das dores neuropática e
nociplástica, devem estar presentes no arsenal terapêutico do ginecologista que trata de pacientes com dor
pélvica crônica.
• A pregabalina é a medicação que tem melhor perfil farmacocinético; a nortriptilina tem melhor perfil de
efeitos adversos; a duloxetina é a mais amplamente utilizada e com menores riscos; e a venlafaxina deve ser
usada como inibidor de segunda linha.
• É possível combinar as classes de drogas com o intuito de reduzir as doses totais e minimizar os efeitos
colaterais, maximizando o efeito analgésico. Todavia, recomendam-se como primeira linha as monoterapias,
para evitar a polifarmácia.
RECOMENDAÇŌES
• Como primeira linha para o tratamento da dor neuropática, recomendamos a seguinte ordem de prioridade:
1) gabapentinoides; 2) antidepressivos tricíclicos; 3) antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina e
noradrenalina (IRSN).
• Como primeira linha para o tratamento da dor nociplástica, recomendamos a seguinte ordem de prioridade:
1) antidepressivo IRSN; 2) gabapentinoides; 3) antidepressivos tricíclicos.
• Os canabinoides devem ser usados em ambientes acadêmicos com protocolos científicos rigidamente
controlados, até que evidências científicas robustas, que nos indiquem a sua utilização, sejam publicadas.
• Não há prazo para a manutenção do tratamento. Via de regra, recomendamos mantê-lo por um período
de ao menos seis meses e no máximo doze meses. Após isso, e em conformidade com a paciente e outras
estratégias de enfrentamento, deve-se discutir a descontinuação gradual.
• Deve-se ter sempre em mente: 1) alcançar os menores escores possíveis de dor; 2) usar a menor quantidade
possível de medicamentos; 3) usar a menor dose possível de cada medicamento; 4) minimizar os efeitos
colaterais; 5) maximizar a aderência da paciente; 6) reforçar os mecanismos de enfrentamento e o
pensamento positivo.
FEBRASGO POSITION STATEMENT
Uso de neuromoduladores orais em
dor pélvica crônica
Número 8 – 2025
A Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia
e Obstetrícia (Febrasgo) referenda este documento. A produção do conteúdo baseia-se em evidências
científicas sobre a temática proposta, e os resultados apresentados contribuem para a prática clínica.
CONTEXTO CLÍNICO
A dor pélvica crônica é uma condição comum e com-
plexa que pode afetar negativamente a qualidade de
vida das pessoas. Existem muitas doenças que estão
associadas a ela e que podem levar aos sintomas,
por diversos mecanismos. Na prática clínica, além de
buscar o diagnóstico específico, é fundamental tipifi-
car a dor percebida pela paciente. Isso tem relevância
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Uso de neuromoduladores orais em dor pélvica crônica
crucial no planejamento da abordagem terapêutica e,
consequentemente, nos resultados obtidos em médio
e longo prazo.(1)
A dor pode ser classificada, simplificadamente, em
nociceptiva (também conhecida como inflamatória),
neuropática e nociplástica, embora outras categorias
possam ser elencadas, mas fogem do escopo deste
statement. No primeiro caso, ela é deflagrada predo-
minantemente por mecanismos periféricos que são di-
retamente induzidos pela(s) doença(s) de base. Assim,
tratar a doença de base e fazer uso adjuvante de anal-
gésicos da classe dos anti-inflamatórios não esteroi-
dais (AINEs) é geralmente eficaz para a cura e/ou o
controle da dor por um período relativamente longo.(2)
No caso das dores neuropáticas, a afecção primária
também pode ser a responsável direta pelo compro-
metimento neurológico. Assim, o seu tratamento fre-
quentemente culmina em melhora substancial da dor,
mas muitas vezes o dano neurológico persiste e o tra-
tamento adjuvante personalizado deve ser instituído.
Aqui, os AINEs não são efetivos e podem até levar a
um aumento da percepção de dor. Os gabapentinoides
têm se mostrado hoje as drogas mais eficazes no alívio
desse sintoma, mas os antidepressivos têm excelentes
resultados, conhecidos de longa data.
Como deve ser evidente na experiência clínica de
todos, nem sempre o tratamento específico dessas
doenças “primárias” culmina na cura ou no controle
prolongado dos sintomas dolorosos. Isso se deve, ao
menos em parte, à participação do sistema nervoso
central (SNC) na fisiopatologia da dor crônica. (3) A dor
oriunda dessa condição é denominada nociplástica e é
deflagrada por mudanças no SNC, e a principal é a sen-
sibilização central (SC). Brevemente, a SC é um proces-
so no qual o indivíduo passa a ter maior sensibilidade
à dor em virtude da redução ou perda de eficácia do
sistema de modulação inibitório. Talvez o mais curioso
e particular dessa condição é que ela é a causa pri-
mária da perpetuação da dor crônica. Ou seja, nesse
caso, o sintoma doloroso não depende de uma even-
tual causa primária deflagradora. Mesmo que ela seja
completamente eliminada, os sintomas persistem. (4)
O estudo da nociplastia tem sido o foco atual na inves-
tigação dos processos de deflagração e manutenção
da dor crônica. Clinicamente, ela tem sido associada a
sintomas como alterações do humor, da memória e do
padrão de sono, e fadiga.(5)
Os medicamentos que trataremos aqui neste state-
ment fazem parte do arsenal que podemos usar para
o alívio sintomático das pacientes e que encontram
maior embasamento científico na literatura atual.
Por fim, antes de realmente iniciarmos uma discus-
são específica sobre o tema, é importante salientar
que o universo da fisiopatologia da dor é muito vasto e
um campo que está em franca expansão. É fundamen-
tal que tenhamos a curiosidade e a responsabilidade
de nos mantermos sempre atualizados. Também é im-
portante ressaltar dois pontos adicionais. O primeiro
é que não temos a pretensão de esgotar o tema e/ou
trazer todas as possibilidades de tratamentos adjuvan-
tes. Trazemos aqui apenas considerações dos medica-
mentos que têm se mostrado mais efetivos no controle
da dor pélvica crônica, seja como adjuvantes ou trata-
mento de primeira linha, ou que têm tido um crescente
apelo midiático. Focaremos em três classes: os antide-
pressivos, os gabapentinoides e os canabinoides. E o
segundo ponto é que existem diversas modalidades de
tratamentos não medicamentosos que também fazem
parte do arsenal terapêutico e têm papel relevante no
alívio duradouro dos sintomas. Essas modalidades não
devem ser subestimadas e devem ser usadas como
medidas adjuvantes sempre que possível.
ANTIDEPRESSIVOS – QUANDO
E COMO UTILIZAR?
Os antidepressivos têm sido usados há muitas déca -
das, inclusive para o tratamento da dor crônica. No
entanto, nem todas as classes do medicamento são
efetivas. Focaremos nos tricíclicos e nos seletivos du-
ais, que compõem o grupo com melhores resultados.(6)
Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina
(ISRSs) não têm se mostrado consistentemente efica -
zes(7) e apresentam resultados inferiores aos dos tri-
cíclicos.(8) Por esse motivo, eles não serão incluídos
neste statement, mas podem ser considerados em si-
tuações especiais por especialistas na área. São exem-
plos desses medicamentos a paroxetina, a fluoxetina, a
sertralina, o citalopram e o escitalopram.
Antidepressivos tricíclicos
Descrição
Os antidepressivos tricíclicos (ADTs) têm sido usados
por décadas no tratamento da depressão e de vários
tipos de dor (off-label). Esses psicotrópicos foram lan-
çados no mercado na década de 1960, e as substâncias
mais conhecidas são a imipramina, a amitriptilina e a
nortriptilina. Como a primeira não tem mostrado resul-
tados uniformes e robustos no tratamento da dor crôni-
ca, focaremos no uso da amitriptilina e da nortriptilina.
Mecanismos de ação
Os ADTs exercem seus efeitos analgésicos por meio de
múltiplos mecanismos:
1. Inibição da recaptação de serotonina e
norepinefrina, levando ao aumento dos níveis
sinápticos desses neurotransmissores, que
são importantes na modulação inibitória da
percepção da dor;
2. Bloqueio de canais de sódio em nervos
periféricos, reduzindo a transmissão de sinais
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Poli Neto OB, Rosa e Silva JC, Petta CA, Lino CA, Schor E, Ribeiro HS, et al.
de dor ao longo das fibras nervosas. Essa
característica é especialmente relevante no
controle da dor neuropática; e
3. Modulação do receptor N-metil-D-aspartato
(NMDA), que desempenha um papel na SC e na
percepção da dor crônica, a que se atribui o
potencial para controle da dor nociplástica.
Eficácia na dor crônica
Numerosos ensaios clínicos e estudos observacio-
nais demonstraram a eficácia dos ADTs no manejo de
condições de dor crônica. Atualmente, sua principal
aplicação recai sobre a dor neuropática e a dor no-
ciplástica. Essa classe é efetiva no tratamento da dor
neuropática, como aquela associada à neuropatia
diabética, à neuralgia pós-herpética e à neuropatia
periférica.(9) Condições como fibromialgia e dor pélvi-
ca crônica frequentemente se associam a um compo-
nente nociplástico significativo. Os ADTs também têm
se mostrado efetivos nessa condição. A nortriptilina é
frequentemente preferida nesses casos, devido ao seu
perfil favorável de efeitos colaterais. Apesar do efei-
to comprovado, o Food and Drug Administration (FDA)
não aprovou a droga para o tratamento da dor, ou seja,
seu uso nos Estados Unidos é off-label.
Recomendações de doses
Devido à alta prevalência de efeitos colaterais e à con-
sequente dificuldade de adesão, recomenda-se o início
com as menores doses possíveis, seguido de aumento
progressivo e supervisionado. Ainda há uma lacuna na
literatura sobre quais as dosagens ideais, a duração
do tratamento e os resultados em longo prazo asso-
ciados ao uso de ADTs no manejo da dor. A melhora
clínica normalmente é perceptível após uma ou duas
semanas do início do uso. No entanto, pode levar em
média seis semanas ou mais para obter um resultado
significativo (redução de ao menos 30% nos escores
iniciais de dor).
Antes de iniciar a prescrição, o profissional deve ter
em mente que o objetivo é manter a menor dose efe-
tiva possível. Com base nisso, as recomendações são
as seguintes:
Amitriptilina e nortriptilina: a dose de início deve ser
a mais baixa possível (entre 10-25 mg/dia), seguida de
avaliação semanal ou quinzenal, com aumentos pro-
gressivos e adicionais de 25 mg/dia. Quando se atingir
a dose de 75-100 mg/dia, é prudente mantê-la por um
período maior (cerca de quatro semanas) antes de no-
vas progressões. A dose máxima recomendada de ami-
triptilina é de 300 mg/dia e a de nortriptilina é de 150
mg/dia. Doses superiores a 150 mg/dia têm sido pouco
associadas a melhora no controle da dor pélvica crôni-
ca. Uma vez estabelecida a dose terapêutica, recomen-
damos a manutenção por 6-12 meses, dependendo da
evolução individual de cada paciente e de outras medi-
das de controle da dor ou mecanismos de enfrentamen-
to incorporados. Não interromper o uso abruptamente.
Efeitos colaterais
Embora os ADTs possam ser eficazes no manejo da dor,
eles não estão isentos de efeitos colaterais. A maioria
deles é devido à sua ação anticolinérgica, mas não só.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem boca seca,
constipação, sedação, ganho de peso, redução do de-
sejo sexual, turvação visual, tremor, sudorese, náusea
e taquicardia. Em adultos mais velhos, os ADTs podem
aumentar o risco de quedas e comprometimento cog -
nitivo. Efeitos colaterais menos comuns são: hipoten-
são ortostática, arritmias, retenção urinária, olhos se-
cos e problemas de memória. Portanto, a seleção e o
monitoramento cuidadosos dos pacientes são essen-
ciais ao usar ADTs para o manejo da dor.
Riscos e precauções
1. Pensamentos suicidas: como acontece com
muitos medicamentos antidepressivos, algumas
pessoas, especialmente crianças, adolescentes
e adultos jovens, podem ter um aumento nos
pensamentos ou comportamentos suicidas
ao tomar ADTs. O monitoramento próximo e a
comunicação regular com um profissional de
saúde são cruciais durante as primeiras semanas
de tratamento.
2. Síndrome serotoninérgica: é caracterizada
por ansiedade, irritabilidade, espasmos
musculares, confusão e alucinações, tremores
e arrepios, náuseas e diarreia, aumento da
pressão sanguínea e dos batimentos cardíacos,
aumento dos reflexos e dilatação das pupilas.
O desencadeamento pode estar associado
não só ao uso de doses altas, mas também ao
uso concomitante de outros antidepressivos,
triptanos para enxaqueca (ex.: sumatriptana),
opioides (codeína, tramadol, meperidina etc.),
antieméticos (metoclopramida, ondansetrona),
anticonvulsivantes (carbamazepina, ácido
valproico), eritromicina, ciprofloxacino,
fluconazol, ritonavir, cocaína, anfetaminas, LSD,
ecstasy, triptofano, erva-de-são-joão e ginseng.(10)
3. Sintomas de abstinência: a interrupção abrupta
dos ADTs pode levar a sintomas de abstinência,
incluindo náuseas, dor de cabeça e mudanças
de humor. A redução gradual da medicação sob
a orientação de um profissional de saúde pode
ajudar a mitigar os efeitos da abstinência.
Interações medicamentosas
1. Inibidores da monoamina oxidase (IMAOs):
combinar ADTs com IMAOs pode levar a uma
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Uso de neuromoduladores orais em dor pélvica crônica
condição potencialmente letal, chamada
síndrome serotoninérgica. Deve haver um
intervalo significativo de tempo (geralmente duas
semanas ou mais) entre a interrupção de um
IMAO e o início de um ADT.
2. Serotoninérgicos: combinar ADTs com outros
medicamentos serotoninérgicos, como ISRSs
ou inibidores da recaptação de serotonina e
norepinefrina (IRSNs), pode aumentar o risco de
síndrome serotoninérgica.
3. Antipsicóticos: alguns medicamentos
antipsicóticos, especialmente aqueles com
efeitos anticolinérgicos como a clorpromazina,
podem interagir com os ADTs e aumentar
significativamente o risco de efeitos colaterais.
4. Anticolinérgicos: o uso concomitante com
anti-histamínicos ou antiparkinsonianos também
pode aumentar o risco de efeitos colaterais.
5. Antiarrítmicos: os ADTs podem afetar a condução
cardíaca, então combiná-los com certos
medicamentos antiarrítmicos pode aumentar o
risco de arritmias.
6. Anticoagulantes: pode haver aumento do risco de
sangramento devido à atividade antiagregante
plaquetária dos ADTs.
7. Anti-hipertensivos: ADTs podem interagir
com alguns medicamentos das classes dos
betabloqueadores, bloqueadores de canais de
cálcio e clonidina, podendo causar efeito aditivo
ou antagônico na pressão arterial.
8. Interações com enzimas do citocromo P450
(CYP450): os ADTs podem interagir com o sistema
enzimático do CYP450, afetando potencialmente o
metabolismo de outros medicamentos.
Inibidores seletivos de recaptação
de serotonina e noradrenalina
Descrição
Os IRSNs, também chamados “duais”, ganharam noto-
riedade inicialmente no tratamento da depressão por
apresentarem excelentes resultados, atrelado a um
perfil de efeitos colaterais melhor que o dos tricíclicos.
E o seu reconhecimento como uma classe de medica -
mentos com propriedades analgésicas é devido princi-
palmente, mas não só, ao seu efeito como modulador
da recaptação de noradrenalina, que é fundamental na
modulação da dor em humanos. Elas estão no merca -
do mundial desde a década de 1990. As substâncias
mais amplamente conhecidas são: duloxetina, venla -
faxina e desvenlafaxina.
Mecanismos de ação
Os IRSNs, como a duloxetina e a venlafaxina, modulam
os níveis de neurotransmissores no cérebro e na me-
dula espinhal por meio de um mecanismo principal: (11)
a inibição da recaptação de serotonina e noradrenali-
na na fenda sináptica.
Eficácia na dor crônica
Os IRSNs demonstraram eficácia no tratamento de vá-
rias condições de dor crônica, particularmente aquelas
incluindo os componentes neuropáticos e nociplásti-
cos como fibromialgia, neuropatia diabética, neuropa-
tia periférica e dor musculoesquelética crônica. A du-
loxetina, em particular, é aprovada pelo FDA para essas
indicações e é a única que tem boas evidências na lite-
ratura na redução significativa da dor e melhora com-
provada na qualidade de vida em ensaios clínicos.(12,13)
Recomendações de doses
Embora o perfil de efeitos colaterais seja um pouco
melhor do que com o uso dos tricíclicos, nós recomen-
damos o início com baixa dose e progressão paulatina
para reduzir a taxa de efeitos adversos e, consequente-
mente, evitar a perda de adesão. Ainda há uma lacuna
na literatura sobre quais as dosagens ideais, a duração
do tratamento e os resultados em longo prazo asso-
ciados ao uso de IRSNs no manejo da dor. A melhora
clínica pode ser perceptível a partir das primeiras 24
horas de uso, mas, em geral, ocorre após a primeira se-
mana. Em média, leva cerca de 30 a 40 dias para obter
um resultado significativo (redução de ao menos 30%
nos escores iniciais de dor).
Antes de iniciar a prescrição, o profissional deve ter
em mente que o objetivo é manter a menor dose efe-
tiva possível. Com base nisso, as recomendações são
as seguintes:
Duloxetina: a dose de início deve ser a mais baixa
possível (cerca de 20 mg/dia), seguida de uma avalia -
ção semanal. Os eventuais aumentos de dose devem
ser progressivos e, preferencialmente, 20 mg/dia a
cada semana. Quando se atingir a dose de 60 mg/dia, é
prudente mantê-la por um período maior (cerca de 2-3
semanas) antes de novas progressões. A dose máxima
recomendada é de 120 mg/dia, mas doses superiores a
60 mg/dia não têm mostrado grandes benefícios adi-
cionais e a segurança não tem sido adequadamente
avaliada.
Venlafaxina: a dose de início deve ser a mais baixa
possível (cerca de 37,5 mg/dia), seguida de uma ava -
liação semanal. Os eventuais aumentos de dose de-
vem ser progressivos e, preferencialmente, 37,5 mg/
dia a cada semana. Quando se atingir a dose de 150
mg/dia, é prudente mantê-la por um período maior
(cerca de 2-3 semanas) antes de novas progressões.
Não são usuais doses superiores a 225 mg/dia para
garantir eficácia. Não devem ser prescritas doses su-
periores a 375 mg/dia.
Desvenlafaxina: a dose usual de início é de 50 mg/
dia. A progressão deve ocorrer após duas semanas,
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Poli Neto OB, Rosa e Silva JC, Petta CA, Lino CA, Schor E, Ribeiro HS, et al.
mas doses superiores a 50 mg/dia não têm provado
benefícios adicionais para controle da dor. Mais recen-
temente, tem-se indicado o início do tratamento com
apenas 25 mg/dia, com eventual progressão após duas
semanas. Não devem ser prescritas doses superiores a
400 mg/dia.
Efeitos colaterais
Embora geralmente bem tolerados, os IRSNs podem
causar efeitos colaterais, incluindo náuseas, cefaleia,
tontura, boca seca, sonolência ou insônia, sedação,
transpiração excessiva, redução do desejo sexual e
dificuldade em alcançar o orgasmo. O aumento da
pressão arterial é pouco frequente, mas especialmente
associado ao uso da venlafaxina em doses mais altas.
A monitorização regular da pressão arterial pode ser
necessária. Menos comumente, está associada a sín-
drome serotoninérgica, que já foi descrita previamente.
Riscos e precauções
1. Pensamentos suicidas: algumas pessoas,
especialmente crianças, adolescentes e adultos
jovens, podem experimentar um aumento em
pensamentos ou comportamentos suicidas
ao tomar ISRSs. Monitorização próxima e
comunicação regular com um profissional de
saúde são cruciais durante as primeiras semanas
de tratamento.
2. Risco de sangramento: os ISRSs podem aumentar
o risco de sangramento, especialmente quando
combinados com medicamentos anticoagulantes
ou antiagregantes plaquetários. Tenha cuidado
se estiver tomando esses medicamentos
simultaneamente.
3. Síndrome serotoninérgica: é menos comumente
observada e já foi descrita previamente.
Obviamente, as pacientes devem ser informadas
do risco e orientadas para que possam
reconhecer os sinais e sintomas.
4. Sintomas de abstinência: parar os ISRSs
abruptamente pode levar a sintomas de
abstinência, como tontura, náusea, dor de
cabeça, irritabilidade e mudanças de humor.
Diminuir gradualmente a medicação sob a
orientação de um profissional de saúde pode
ajudar a mitigar os efeitos da abstinência.
Interações medicamentosas
1. IMAOs: combinar ISRSs com IMAOs pode levar
à síndrome serotoninérgica. Deve haver um
intervalo significativo (geralmente duas semanas
ou mais) entre a interrupção de um IMAO e o
início de um ISRS.
2. Serotoninérgicos: combinar ISRSs com outros
medicamentos serotoninérgicos, como ISRSs
ou triptanos (usados para enxaquecas),
também pode aumentar o risco de síndrome
serotoninérgica.
3. Anticoagulantes e antiagregantes plaquetários: os
ISRSs podem aumentar o risco de sangramento
quando tomados com medicamentos
anticoagulantes, como a varfarina, ou
antiagregantes plaquetários, como o ácido
acetilsalicílico.
4. Anti-hipertensivos: os ADTs podem interagir
com alguns medicamentos das classes dos
betabloqueadores, bloqueadores de canais de
cálcio e clonidina, podendo causar efeito aditivo
ou antagônico na pressão arterial.
5. Inibidores da enzima CYP450: alguns medicamentos
que inibem o sistema enzimático CYP450 podem
aumentar os níveis sanguíneos dos ISRSs, o que
pode levar a efeitos colaterais ou toxicidade.
GABAPENTINOIDES – QUANDO E COMO UTILIZAR?
Descrição
Os gabapentinoides são fármacos da classe dos an-
ticonvulsivantes. Eles são análogos do ácido gama-a -
minobutírico (GABA), que é um dos principais neuro-
transmissores inibitórios do SNC. As substâncias que
representam essa classe são a gabapentina e a pre-
gabalina. Como dito, eles foram inicialmente desen-
volvidos para o tratamento da epilepsia na década de
1990, mas rapidamente foram incorporados como me-
dicamentos para o tratamento das dores no início do
século, especialmente da dor neuropática. Atualmente
há uma vasta evidência que suporta seu uso como pri-
meira linha de tratamento dessa condição. (14,15) Apesar
de ser mais nova e ter menos trabalhos na literatura, a
pregabalina parece ter a mesma eficácia.(16) É importan-
te ressaltar, porém, que o uso indiscriminado, sem cri-
térios claros, para o tratamento da dor pélvica crônica
em mulheres não tem suporte na literatura.(17)
Mecanismos de ação
Os gabapentinoides exercem seus efeitos analgésicos
por meio dos seguintes mecanismos:(18)
1. Inibição de canais de cálcio: os gabapentinoides
se ligam principalmente à subunidade α2δ
de canais de cálcio dependentes de voltagem
no SNC, reduzindo a entrada de cálcio nos
neurônios. Essa ação diminui a liberação de
neurotransmissores e a excitabilidade neuronal,
contribuindo para a modulação da dor.
2. Atividade GABAérgica: os gabapentinoides podem
aumentar a neurotransmissão do GABA, o que
pode inibir a sinalização excessiva nos caminhos
da dor.
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Uso de neuromoduladores orais em dor pélvica crônica
Eficácia na dor crônica
Ensaios clínicos e evidências do mundo real apoiam o
uso dos gabapentinoides no manejo de condições de
dor crônica, incluindo neuropatia diabética, neuralgia
pós-herpética e dor lombar crônica. A pregabalina foi
aprovada pelo FDA para essas indicações e demons -
trou eficácia na redução da dor e melhoria da quali-
dade de vida.
Recomendações de doses
O perfil de efeitos colaterais é melhor que o dos anti-
depressivos, mas nós também recomendamos o início
com baixa dose e progressão paulatina para reduzir a
taxa de efeitos colaterais e, consequentemente, evi-
tar a perda de adesão. Enquanto a gabapentina tem
um perfil farmacocinético não linear, a pregabalina
apresenta uma relação linear entre a dose usada e a
concentração plasmática. Essa particularidade da far -
macodinâmica faz com que a pregabalina tenha poso-
logia mais confortável (duas vezes ao dia, em vez de
três como no uso da gabapentina) e tenha resultados
efetivos observados mais rapidamente (após um dia
de uso, comparado a 9-10 da gabapentina). Em média,
leva cerca de 5-6 semanas para obter um resultado
significativo (redução de ao menos 30% nos escores
iniciais de dor).
Antes de iniciar a prescrição, o profissional deve ter
em mente que o objetivo é manter a menor dose efe-
tiva possível. Com base nisso, as recomendações são
as seguintes:
Gabapentina: a dose inicial é de 900 mg/dia dividi-
da em três tomadas (três comprimidos de 300 mg/dia).
É usual fazer um esquema progressivo: 300 mg no dia
1, 600 mg no dia 2 e 900 mg a partir do dia 3. A partir de
então, pode-se progredir com incrementos de 300 mg/
dia a cada 4-5 dias até uma dose total de 1.800 mg/dia.
Não existem dados suficientes associados a melhora
considerável acima dessa dose. Não se deve ultrapas -
sar 3.600 mg/dia. Há opções mais conservadoras para
a progressão das doses, por exemplo: 300 mg/dia na
semana 1, 600 mg/dia na semana 2, 900 mg/dia na se-
mana 3, seguido de aumentos quinzenais ou mesmo
mensais até a dose total de 1.800 mg/dia.
Pregabalina: a dose inicial é de 150 mg/dia dividida
em duas tomadas (dois comprimidos de 75 mg/dia). É
usual fazer um esquema progressivo: 75 mg no dia 1,
150 mg no dia 2. A partir de então, pode-se progre-
dir com incrementos de 75 mg/dia a cada três dias até
uma dose total de 450 mg/dia. Não existem dados sufi-
cientes associados a melhora considerável acima des-
sa dose. Não se deve ultrapassar 600 mg/dia. Também
há opções mais conservadoras para a progressão das
doses, por exemplo: 50-75 mg/dia na semana 1, 100-150
mg/dia na semana 2, 150 mg/dia na semana 3, segui-
do de aumentos semanais ou mesmo quinzenais até a
dose total de 450 mg/dia.
Efeitos colaterais
Os gabapentinoides geralmente são bem tolerados, mas
não estão isentos de efeitos colaterais. Efeitos adversos
comuns incluem tontura, sonolência, edema periférico,
ganho de peso, boca seca, náusea, visão embaçada e
mudança de humor. A pregabalina está associada a me-
nor risco de efeitos adversos, em comparação com a ga-
bapentina, devido à sua farmacocinética mais previsível.
Raramente, os gabapentinoides podem causar efeitos
colaterais graves, como angioedema e depressão res -
piratória, especialmente em doses elevadas ou quando
combinados com outros depressores do SNC.
Riscos e precauções
1. Pensamentos suicidas: como acontece com
muitos medicamentos que afetam o SNC,
algumas pessoas, especialmente crianças,
adolescentes e adultos jovens, podem ter um
aumento nos pensamentos ou comportamentos
suicidas ao tomar gabapentinoides. O
monitoramento próximo e a comunicação regular
com um profissional de saúde são importantes
durante as primeiras semanas de tratamento.
2. Sintomas de abstinência: parar abruptamente de
tomar gabapentinoides pode levar a sintomas
de abstinência, incluindo ansiedade, insônia,
náuseas e sudorese. A redução gradual da
medicação sob a orientação de um profissional
de saúde pode ajudar a mitigar os efeitos da
abstinência.
Interações medicamentosas
1. Opioides: combinar gabapentinoides com
opioides, como hidrocodona ou oxicodona, pode
aumentar o risco de depressão respiratória e
overdose. Essa combinação tem sido associada a
maior risco de mortes relacionadas a opioides.
2. Álcool e sedativos: misturar gabapentinoides com
álcool ou outros depressores do SNC (por exemplo,
benzodiazepínicos) pode aumentar a sedação e
prejudicar as habilidades cognitivas e motoras.
3. Antiácidos: antiácidos que contêm alumínio
ou magnésio podem reduzir a absorção dos
gabapentinoides, se tomados simultaneamente.
É aconselhável tomar esses medicamentos com
pelo menos duas horas de diferença.
4. Medicamentos antiepilépticos: alguns
medicamentos antiepilépticos, como fenitoína
ou carbamazepina, podem reduzir a eficácia dos
gabapentinoides e exigir ajustes na dose.
5. Interações com o CYP450: embora os
gabapentinoides em si não interajam
significativamente com o CYP450, outros
medicamentos que interagem com as enzimas
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Poli Neto OB, Rosa e Silva JC, Petta CA, Lino CA, Schor E, Ribeiro HS, et al.
do CYP450 podem afetar o metabolismo dos
gabapentinoides.
CANABINOIDES – QUANDO E COMO UTILIZAR?
Descrição
Os canabinoides, tanto naturais quanto sintéticos, têm
ganhado atenção por seu potencial efeito analgésico
no tratamento das dores crônicas. (19,20) Embora possa
ser um tanto quanto precoce inserirmos essa classe de
drogas neste statement, isso nos parece pertinente em
vista da grande demanda que temos observado na prá-
tica clínica e do uso difundido que se tem percebido
na busca pelo uso da cannabis in natura e dos produ-
tos contendo canabinoides, assim como do aumento
das prescrições médicas para esse fim. A International
Association for the Study of Pain (IASP), uma das prin-
cipais entidades mundiais na área de expertise, publi-
cou em 2021 um statement position(21) reconhecendo a
legitimidade da experiência de vida das pessoas que
reportam a melhora das suas dores com o uso da can-
nabis e canabinoides, mas deixando explícito que a
entidade não endossa o uso até que investigações ri-
gorosas e resultados robustos mostrem claramente os
benefícios e os riscos do seu uso em humanos.
Mecanismos de ação
Os canabinoides exercem seus efeitos analgésicos por
meio do sistema endocanabinoide. Os mecanismos -
-chave incluem:
1. Ativação do receptor canabinoide (CB1): os
receptores CB1 no SNC modulam a percepção da
dor, inibindo a liberação de neurotransmissores
envolvidos na sinalização da dor.
2. Ativação do receptor CB2: os receptores CB2,
encontrados principalmente no sistema
imunológico, podem reduzir a inflamação, que
muitas vezes é um componente da dor crônica e
neuropática.
3. Liberação de endocanabinoides: os
canabinoides podem aumentar a atividade de
endocanabinoides, como a anandamida e o
2-araquidonoil glicerol (2-AG), que desempenham
papéis na modulação da dor.
Eficácia na dor crônica
Ensaios clínicos e estudos observacionais têm de-
monstrado resultados mistos em relação à eficácia
dos canabinoides no manejo da dor crônica. Algumas
pessoas relatam alívio significativo da dor, enquanto
outras não experimentam os mesmos benefícios. A va-
riabilidade nas respostas individuais e no tipo especí-
fico e na dose de canabinoides usados pode contribuir
para essas discrepâncias.(22)
Recomendações de doses
Os canabinoides, via de regra, são seguros.(23) Mas até o
momento, no universo da dor pélvica crônica, não há
literatura robusta que suporte este statement para re-
comendar uma dose definida ou margem de segurança
para a população. O uso fora de ambientes controlados
deve ser desestimulado até que dados suficientemente
adequados suportem o uso. Os profissionais e as pacien-
tes precisam estar cientes de que há evidências de que
essa classe de medicamentos pode ter potenciais efeitos
danosos para algumas pessoas, principalmente adoles-
centes e portadoras de desordens psiquiátricas.(24) Outra
questão importante é o status legal dos derivados, que
varia amplamente entre as jurisdições. Os profissionais
de saúde devem estar cientes das regulamentações lo-
cais e prescrever canabinoides de acordo com a lei.(25)
Efeitos colaterais
O uso de canabinoides está associado a vários efeitos
colaterais, incluindo tontura, boca seca, aumento do
apetite, sedação e comprometimento cognitivo, preju-
dicando a coordenação e os tempos de reação. Além
disso, existem preocupações quanto ao potencial de
dependência e abstinência. É essencial considerar a
saúde geral do paciente, interações medicamentosas
potenciais e resposta individual ao usar canabinoides
para o manejo da dor.
Riscos e precauções
1. Psicose e ansiedade: em algumas pessoas,
especialmente aquelas com predisposição a
condições psiquiátricas, os canabinoides podem
desencadear ou piorar sintomas psicóticos ou
ansiedade.
2. Paranoia: algumas pessoas podem experimentar
sentimentos acentuados de paranoia ou
ansiedade ao usar canabinoides.
3. Prejuízo da memória e função cognitiva: o uso
prolongado de canabinoides, especialmente em
doses elevadas, pode afetar a memória, a atenção e
a função cognitiva.
4. Efeitos cardiovasculares: os canabinoides podem
causar alterações na frequência cardíaca e na
pressão arterial, o que pode ser preocupante
para pessoas com problemas cardíacos.
5. Efeitos respiratórios: fumar cannabis pode
levar a problemas respiratórios semelhantes
aos causados pelo tabaco, incluindo bronquite
crônica e problemas pulmonares.
6. Dependência: o uso prolongado de canabinoides
pode levar a dependência física e psicológica em
algumas pessoas.
7. Síndrome de abstinência: parar de usar
canabinoides após o uso regular pode resultar
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Uso de neuromoduladores orais em dor pélvica crônica
em sintomas de abstinência, incluindo
irritabilidade, insônia, perda de apetite e
alterações de humor.
Interações medicamentosas
1. Álcool: combinar canabinoides com álcool pode
aumentar o risco de sonolência, coordenação
prejudicada e comprometimento cognitivo.
2. Depressores do SNC: combinar canabinoides
com outros depressores do SNC, como
benzodiazepínicos, opioides ou medicamentos
sedativos, pode potencializar os efeitos sedativos
e aumentar o risco de depressão respiratória.
3. Anticoagulantes: alguns canabinoides, como o THC,
podem interagir com anticoagulantes, afetando
potencialmente seus efeitos anticoagulantes.
4. Interações com o CYP450: certos canabinoides
podem interagir com o sistema enzimático. Isso
pode afetar o metabolismo e a eficácia de outros
medicamentos.
5. Medicamentos antipsicóticos: combinar
canabinoides com medicamentos antipsicóticos
pode resultar em aumento da sedação e
comprometimento cognitivo.
6. IMAOs: combinar canabinoides com IMAOs pode
resultar em efeitos imprevisíveis e geralmente
não é recomendado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nas melhores evidências atuais, nós
recomendamos como primeira linha para o tratamento
da dor neuropática e nociplástica o seguinte, na ordem
de prioridade:
• Dor neuropática:
1. Gabapentinoide
2. Antidepressivo tricíclico
3. Antidepressivo inibidor da recaptação de
serotonina e noradrenalina
• Dor nociplástica:
1. Antidepressivo inibidor da recaptação de
serotonina e noradrenalina
2. Gabapentinoide
3. Antidepressivo tricíclico
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Como citar:
Poli Neto OB, Rosa e Silva JC, Petta CA, Lino CA, Schor E, Ribeiro
HS, et al. Uso de neuromoduladores orais em dor pélvica
crônica. Femina. 2025;53(9):1076-84.
*Este artigo é a versão em língua portuguesa do trabalho “Use
of oral neuromodulators in chronic pelvic pain”, publicado na
Rev Bras Ginecol Obstet. 2025;47:e-FPS8.
Omero Benedicto Poli Neto
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão
Preto, SP, Brasil.
Julio Cesar Rosa e Silva
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão
Preto, SP, Brasil.
Carlos Alberto Petta
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. Clínica
Fertilidade & Vida, Campinas, SP, Brasil.
Serviço de Reprodução Assistida, Hospital Sírio-Libanês, São
Paulo, SP, Brasil.
Carlos Augusto Pires Costa Lino
Hospital Aliança, Salvador, BA, Brasil.
Instituto de Perinatologia da Bahia, Salvador, BA, Brasil.
Eduardo Schor
Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo,
São Paulo, SP, Brasil.
Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro
Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo, São
Paulo, SP, Brasil.
João Nogueira Neto
Universidade Federal do Maranhão, São Luís, MA, Brasil.
João Sabino Lahorgue da Cunha Filho
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.
Marcia Cristina França
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de
Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,
MG, Brasil.
Márcia Mendonça Carneiro
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de
Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,
MG, Brasil.
Marco Aurélio Pinho de Oliveira
Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Marcos Tcherniakovsky
Setor de Videoendoscopia Ginecológica e Endometriose,
Faculdade de Medicina do ABC, Santo André, SP, Brasil.
Maurício Simões Abrão
Divisão de Ginecologia, Hospital Beneficência Portuguesa de São
Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de
Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
Raquel Papandreus Dib
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre,
Porto Alegre, RS, Brasil.
Ricardo de Almeida Quintairos
Núcleo de Endometriose, Hospital Porto Dias, Belém, PA, Brasil.
Sergio Podgaec
Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia, Faculdade de Medicina,
Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil.
Sidney Pearce
Centro Universitário Christus, Fortaleza, CE, Brasil.
Conflitos de interesse:
Nada a declarar.
Comissão Nacional Especializada em Endometriose da
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e
Obstetrícia (Febrasgo)
Presidente:
Ricardo de Almeida Quintairos
Vice-presidente:
Márcia Mendonça Carneiro
Secretário:
Carlos Augusto Pires Costa Lino
Membros:
Carlos Alberto Petta
Eduardo Schor
Helizabet Salomão Abdalla
João Nogueira Neto
João Sabino Lahorgue da Cunha Filho
Julio Cesar Rosa e Silva
Marcia Cristina França
Marco Aurélio Pinho de Oliveira
Marcos Tcherniakovsky
Maurício Simões Abrão
Omero Benedicto Poli Neto
Raquel Papandreus Dib
Sergio Podgaec
Sidney Pearce
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