Determination of size, quantity and microRNAs of extracellular vesicles from follicular fluid of infertile women with and without advanced endometriosis undergoing ovarian stimulation and in vitro fertilization
dissertation
OA: closed
CC0
Abstract
A endometriose é uma doença altamente prevalente nas mulheres em idade reprodutiva, frequentemente associada à infertilidade. Entretanto, os mecanismos envolvidos ainda não foram totalmente elucidados, sendo o comprometimento da qualidade oocitária um dos principais fatores identificados. Nos últimos anos, o papel das vesículas extracelulares (VE), como mediadoras da comunicação celular, tem sido investigado em todas as fases do desenvolvimento oocitário. Todavia, nenhum estudo até o presente avaliou as VE no soro e fluido folicular (FF) de mulheres inférteis com endometriose. Desta forma, objetivamos isolar e caracterizar o diâmetro e a quantidade de VE do soro e do FF de mulheres inférteis com e sem endometriose avançada, assim como comparar a expressão de 82 miRNAs de VE do FF dessas mesmas mulheres. Para tanto, realizou-se um estudo caso-controle utilizando amostras de soro e FF obtidas de 30 mulheres inférteis (10 com endometriose modera e severa sem endometrioma e 20 com infertilidade por fator masculino) submetidas à estimulação ovariana controlada para injeção intracitoplasmática de espermatozóides. Amostras de soro e FF foram coletadas no momento da punção folicular e caracterizadas quanto à concentração de vesículas extracelulares por ml e ao diâmetro em nanômetros por Nanoparticle Tracking Analysis. A compararação da expressão de 82 miRNAs na VE do FF foi realizada por Real Time - Polymerase Chain Reaction (RT-PCR). Ao compararmos os grupos com e sem endometriose, não observamos diferença no diâmetro e na quantidade das VE do soro. Mas, observamos um aumento no diâmetro das VE do FF de mulheres com infertilidade associada a endometriose avançada comparadas às controles, sem diferença na quantidade. Dentro do grupo Endometriose, o diâmetro e a quantificação das VE do FF estavam aumentados em relação ao soro, o que não foi observado no grupo controle. Esses resultados podem indicar maior liberação de VE com diâmetro também aumentado, como uma tentativa de combater os fatores estressores e reestabelecer o equilíbrio folicular no grupo endometriose. Ao compararmos a expressão de 82 miRNAs extraídos de VE isoladas do FF de mulheres inférteis sem e com endometriose avançada, detectamos 73 miRNAs, sendo um exclusivo no grupo controle, treze exclusivos no grupo com endometriose avançada e 25 miRNAs presentes em ambos os grupos, mas diferencialmente expressos entre eles, dos quais 24 apresentaram expressão mais elevada no grupo infértil com endometriose avançada. Dentre os principais miRNAs exclusivos e hiper expressos nas comparações entre os grupos com endometriose avançada e controle, foram evidenciadas alterações em miRNAs relacionados a vias de adesão e regulação da reorganização do citoesqueleto de actina, assim como em vias de sinalização, incluindo ErbB, Ras, MAPK, Hippo, Rap1, cAMP e WNT que estão relacionados com desenvolvimento folicular e a aquisição de competência oocitária, cuja desregulação poderia favorecer a piora da qualidade gamética. Sendo assim, nossos achados aprofundam o entendimento dos mecanismos envolvidos no comprometimento da fertilidade em mulheres com endometriose avançada, evidenciando potenciais vias alteradas, mediadas por miRNA de VE do FF dessas mulheres.
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