Revisão de estudos epidemiológicos sobre a endometriose no Brasil
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Abstract
Introdução: A endometriose é uma doença de grande prevalência e impacto social, e estima-se que cerca de 10% da população feminina seja portadora da doença. Objetivo: Rever a literatura brasileira produzida sobre a epidemiologia da endometriose até março de 2021, buscando o perfil da mulher brasileira com endometriose. Métodos: Foram utilizados os buscadores Scientific Electronic Library Online (SciELO) e PubMed. No primeiro, usou-se a palavra-chave “endometriose”, e foram encontrados 225 artigos. Desses, chegou-se ao total de três artigos sobre a epidemiologia no brasil. No segundo, com as palavras-chave “endometriosis epidemiology”, “endometriosis analysis”, “endometriosis panel” e “endometriosis incidence”, não foram localizados artigos sobre a epidemiologia da endometriose na população brasileira. Resultados: O estudo de Bellelis et al. (2010) analisou 892 pacientes submetidas à laparoscopia para confirmação histopatológica da doença. Nesse estudo, foi identificada a predominância de mulheres brancas (78,7%) e a média de idade de 33,2±6,3 anos. Observou-se umagrande quantidade de nulíparas (56,5%) e, das mulheres que tiveram filhos, cerca da metade com apenas uma prole. Também foi verificado que 69,5% das pacientes estavam casadas/amasiadas. Como principal sintoma referido pela paciente, obteve-se a dor pélvica crônica (56,8%). Em relação à queixa principal, a dismenorreia (62%) apareceu na frente, seguida de sintomas intestinais (48%). Em 2013 foram analisadas 230 pacientes por meio de corte transversal com intervenção realizada entre 2007 e 2011. A média de idade das mulheres foi de 38,3±10 anos. A maioria delas era parda, casada/amasiada, cursou ensino fundamental, dependente financeiramente, tinha índice de massa corpórea normal, até três filhos e atividade sexual ativa. Os exames físicos e a ultrassonografia foram normais na grande maioria dessas mulheres. Nas 41/230 laparoscopias realizadas, encontraram-se aderências (34%) e endometriose (29%), laqueadura tubária (50,4%) e cesariana (48,7%). A maior parte das pacientes tinha função intestinal normal (58,2%), com 38,3% de obstipação. Em um estudo descritivo retrospectivo que envolveu 237 mulheres entre 2011 e 2017, a maioria delas (65,4%) estava em idade reprodutiva (29-39 anos), com índice de massa corporal entre 18,5 e 24,9 kg/m2 e alta prevalência (23-81%) dos sintomas clínicos da doença, e 49,5% eram inférteis. O tempo médio de diagnóstico foi de cinco anos. O endometrioma ovariano e/ou endometriose profunda infiltrativa foram os tipos mais frequentes de endometriose (87%), e 59% das pacientes estavam no estágio III/IV da doença. Oitenta e sete por cento das mulheres com diagnóstico cirúrgico tinham idade acima dos 30 anos, eram casadas (70%) e apresentavam menor paridade. Conclusão: São necessários mais estudos sobre a mulher brasileira que possui endometriose para melhor delinear seu perfil, auxiliando no diagnóstico precoce e no tratamento mais efetivo.
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- openalex
- last seen: 2026-06-10T17:14:06.276822+00:00
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