Tratamento videolaparoscópico da dor pélvica por endometriose
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Abstract
Introdução: A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de implantações de tecido endometrial e estroma ectópicos. Os implantes podem ser encontrados em intestino, ovários, trompas, septo reto-vaginal, peritônio, ligamentos, bexiga, nervos, ureter, diafragma e outros, porém, afetando predominantemente a pelve. Sintomas podem incluir dor pélvica, dismenorreia, dispareunia, sinusorragias, metrorragias e hipermenorragia. Afeta aproximadamente 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, sendo que, das mulheres com endometriose, 30% a 50% possuem infertilidade. Objetivos: Apresentar os benefícios da cirurgia minimamente invasiva pela via videolaparoscópica de forma conservadora como uma possibilidade mais viável em relação à laparotomia ginecológica para remoção dos focos de endometriose e da histerectomia total, principalmente em pacientes que desejam gestar e que apresentem dor pélvica intensa e indícios de infertilidade. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica baseada em trabalhos científicos publicados entre 2001 e 2024 em plataformas como UpToDate, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e United States National Library of Medicine (PubMed). Resultados: Em estágios iniciais (I e II), a endometriose geralmente não cursa com infertilidade nas mulheres, ainda que possa ser identificada durante avaliação de mulheres com queixa de infertilidade, visto que a resposta inflamatória causada por ela resulta por vezes em um déficit da função ovariana, peritoneal, tubária e endometrial. A endometriose avançada (estágios III e IV) está associada à distorção da anatomia pélvica, podendo levar a um prejuízo na liberação e captação de ovócitos, alteração na motilidade dos espermatozoides, contrações miometriais desordenadas e prejuízo na fertilização e no transporte embrionário, estando mais relacionada com a infertilidade feminina. Dentre as opções de tratamento, temos a cirurgia conservadora, que envolve a excisão ou ablação das lesões endometriais e das estruturas acometidas, visando preservação do útero e do tecido ovariano ao seu máximo; além da cirurgia definitiva, que consiste na ooforectomia bilateral com ou sem a histerectomia. A cirurgia definitiva é optada em caso de mulheres com sintomas debilitantes sugestivos de endometriose, que já possuem prole constituída e/ou falharam em outras opções de tratamento, sendo as principais desvantagens nesse caso o maior risco cirúrgico e os sintomas da menopausa posteriores. Vale ressaltar que a cirurgia de histerectomia total não cura a endometriose, pois o tecido endometrial ectópico já está implantado em outras regiões fora do útero, e esses tecidos têm crescimento estimulado pelo estrogênio produzido pelos ovários. Conclusões: A endometriose e as fortes dores por ela causadas prejudicam a qualidade de vida de milhares de mulheres. A cirurgia conservadora videolaparoscópica é o padrão-ouro para as mulheres que planejam a preservação da possibilidade de gestar e a manutenção da produção hormonal, sendo mais eficaz e menos invasiva do que a cirurgia definitiva.
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- openalex
- last seen: 2026-06-10T17:14:06.276822+00:00
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