Endometriose profunda: relato de caso

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2024 · pp. 22–23 · doi:10.5327/jbg-2965-3711-2024134s1054 · W4412627165
article OA: closed CC0
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Abstract

Introdução: A endometriose é uma condição inflamatória comum e crônica em mulheres, caracterizada pela presença de tecido similar ao endométrio fora do útero, principalmente na região pélvica. Isso inclui áreas como ovários, ligamentos, além do intestino e da bexiga. A doença pode se manifestar de diversas formas, desde lesões superficiais até endometriomas nos ovários e endometriose profunda com nódulos que ultrapassam 5 mm, podendo estar acompanhada, muitas vezes, de fibrose e aderências. Relato do caso ou da série de casos: Paciente de 25 anos procurou o serviço de ginecologia e obstetrícia para atendimento com queixa de dor pélvica significativa, com histórico de endometriose profunda diagnosticada previamente. A paciente refere ter passado por uma cirurgia videolaparoscópica para remover focos de endometriose, mas a dor persistia. Refere uma melhora com o uso de Dienogeste 2 mg. A paciente nega consumo de álcool e uso de cigarro ou drogas ilícitas, além de não apresentar comorbidades ou histórico familiar de endometriose e câncer de mama ou de ovário na família. A paciente é nulípara e seus ciclos menstruais têm fluxo normal com duração de sete dias, mas com dismenorreia intensa e irregular. Refere dor intermenstrual, dispareunia e dor durante a evacuação, embora sem sangue. Durante a cirurgia, observou-se uma placa proliferativa associada à endometriose profunda na região retrocervical, medindo 1,3x0,5 cm. Essa lesão provocava retração do fórnice vaginal posterior e entrava em contato com a face anterior do reto, sem sinais de infiltração nas camadas mais profundas dessas estruturas. Além disso, foi identificado um cisto no ovário direito. Comentários: Os achados clínicos deste caso são condizentes com a literatura revisada. A remoção local da lesão possibilitou uma identificação precisa do problema, prevenindo o risco de malignidade e proporcionando alívio dos sintomas na região. A endometriose pode ser confundida com endometriose retal, dada a história clínica, e em alguns casos, a relação dos sintomas com o ciclo menstrual pode simular câncer. A faixa etária típica para pacientes com endometriose é de 25 a 30 anos, embora também seja comum em adolescentes com dor pélvica crônica e dispareunia. Em cerca de 40% dos casos, ocorre infertilidade. Dependendo da localização do endométrio ectópico, a endometriose pode apresentar duas formas: interna ou adenomiose, onde o endométrio ectópico está presente no músculo uterino, e externa ou extrauterina, onde outros tecidos fora do miométrio são afetados. Se não houver melhora clínica, um procedimento cirúrgico pode ser indicado para pacientes com menos de 40 anos que têm sintomas moderados e desejam ter filhos. Esse procedimento pode incluir uma ooforectomia parcial, além da remoção da lesão intestinal. Um histórico médico detalhado pode identificar sintomas indicativos de endometriose e é essencial para excluir outras possíveis causas.

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