Desafios no diagnóstico precoce da endometriose: estratégias para educação e mudança de paradigma

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2024 · pp. 18–19 · doi:10.5327/jbg-2965-3711-2024134s1044 · W4412566438
OA: closed CC0
View on OpenAlex View at publisher

Abstract

Objetivo: Reconhecer as dificuldades para efetuar o diagnóstico precoce de endometriose. Fontes de dados: Analisaram-se as bases de dados United States National Library of Medicine (PubMed) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), no período de 2018 a 2024, com as seguintes palavras-chave: “endometriose”; “diagnóstico tardio”; “avaliação do impacto na saúde”; “endometriosis”; “delayed diagnosis”; “ultrasound” e “early diagnosis”. Seleção de estudos: Foram aplicados os critérios de inclusão de publicação entre 2018 e 2024 e livre acesso, revelando 280 artigos. Destes, 12 foram analisados pela relevância para o tema. Coleta de dados: Trata-se de uma revisão sistematizada com metodologia de pesquisa bibliográfica com dados qualitativos relativos ao tema. Resultados: A endometriose é uma doença crônica inflamatória caracterizada por tecido uterino fora do útero. Ela afeta uma em cada dez mulheres no mundo e se manifesta por dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia, entre outras, sendo grande parte assintomática. Quanto mais precoce for o seu diagnóstico, mais cedo terá início o tratamento, favorecendo um melhor prognóstico. Entretanto, as pacientes passam por vários médicos sem receber um diagnóstico correto, e muitas vezes têm as suas queixas desvalorizadas, levando em média sete anos até serem diagnosticadas. Neste intervalo, a doença pode gerar um impacto significativo nas suas vidas, com alterações na qualidade de vida; saúde mental e sexual; produtividade; além de causar absentismo e até infertilidade, propiciando desfechos mais graves. O diagnóstico padrão-ouro é a laparoscopia com ou sem biópsia, porém este método é invasivo, caro e de difícil acesso. Além disso, acarreta riscos ao focar em lesões visíveis, pois, por ser uma doença heterogênea, as lesões advindas da endometriose podem passar despercebidas. O ultrassom vaginal e a ressonância magnética também são opções para o seu diagnóstico. São específicos e sensíveis para a endometriose em estágio III ou IV, não invasivos, mais baratos e acessíveis, mas são dependentes do operador e são limitados nos casos de lesões mais superficiais. Quando negativos, não excluem a doença. Conclusões: Esses fatores, somados ao baixo conhecimento de muitos profissionais sobre a doença, tornam difícil o diagnóstico da endometriose. Para contornar tal situação, é muito importante educar a população feminina e médica sobre o assunto. Podem ser aplicados questionários, somados a uma história clínica bem detalhada e exame físico, para identificar casos de endometriose em estágio III ou IV que se beneficiariam de referenciação para um radiologista experiente. A laparoscopia deveria deixar de ser o exame diagnóstico padrão-ouro, tornando o ultrassom transvaginal a abordagem diagnóstica inicial, podendo fazer uso de ressonância magnética como alternativa. No entanto, será necessário o desenvolvimento de protocolos claros para a abordagem diagnóstica, educar outros médicos quanto à referenciação para a ginecologia e treinar radiologistas quanto às diferentes apresentações da endometriose.

My notes (saved in your browser only)

Condition tags

endometriosis

Citation neighborhood (no data yet)

We don't have any in-corpus citations linked to this paper yet. This is a recent paper (2024) — citers typically take a year or two to land, and the OpenAlex reference graph may still be filling in.

Source provenance

openalex
last seen: 2026-06-10T17:14:06.276822+00:00
unpaywall
last seen: 2026-10-11T06:28:45.473802+00:00
License: CC0 · commercial use OK