Endometriose: revisão sistemática sobre diagnóstico e tratamento com foco em dor e infertilidade

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2025 · pp. 27 · doi:10.5327/jbg-2965-3711-2025135s1066 · W7135091772
article OA: closed CC0
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Abstract

Objetivo: Revisar sistematicamente a literatura recente sobre endometriose, abordando fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e manejo terapêutico, com ênfase no controle da dor e na preservação da fertilidade, a fim de apoiar o cuidado clínico no Brasil. Métodos: Foi realizada uma busca em 07/06/2023 na base de dados da National Library of Medicine (PubMed), utilizando os termos “endometriosis” AND “pathophysiology” AND “clinical condition” AND “symptoms” AND “treatment”. Aplicaram-se os filtros: artigo de revisão e período referente ao último ano, restringindo-se a revisões recentes e relevantes. Foram identificados 239 artigos. Após a triagem de títulos e resumos e a aplicação dos critérios de inclusão (definição, fisiopatologia, epidemiologia, sintomas, diagnóstico ou manejo em humanos) e de exclusão (foco experimental ou dados insuficientes), sete revisões foram selecionadas. A seleção foi realizada de forma independente por três autores e validada por uma banca editorial da Revista Pasteur. Os dados foram extraídos por meio de leitura detalhada e organizados em planilha contendo os tópicos: definição, classificação, fisiopatologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento. Divergências foram resolvidas por consenso. As limitações incluem o uso exclusivo da National Library of Medicine (PubMed) e o recorte temporal de um ano, o que pode ter resultado na exclusão de estudos relevantes. Resultados: A endometriose é uma doença inflamatória crônica dependente de estrogênio, com prevalência estimada de 10% entre mulheres em idade reprodutiva. Sua fisiopatologia é multifatorial, com teorias como menstruação retrógrada, implantação indireta, metaplasia celômica e fatores genéticos/epigenéticos. Clinicamente, a doença causa dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia, disúria, disquesia e infertilidade. O diagnóstico é desafiador, com atraso médio de sete anos, exigindo anamnese detalhada, exames físico e de imagem (ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética). Biomarcadores como o CA-125 apresentam baixa especificidade. O manejo clínico inclui o bloqueio hormonal (progestagênios e anticoncepcionais combinados), agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina, anti-inflamatórios e abordagens multidisciplinares (fisioterapia e psicoterapia). O tratamento cirúrgico é indicado para casos refratários ou para lesões profundas, preferencialmente por laparoscopia, visando à excisão completa com preservação da fertilidade. As estratégias reprodutivas incluem a inseminação intrauterina para casos leves e a fertilização in vitro para doença avançada ou falha de tratamentos prévios. Conclusão: A endometriose é uma condição complexa que requer diagnóstico precoce e manejo individualizado e multiprofissional. Esta revisão apoia a prática clínica ao ressaltar a importância da anamnese detalhada, do uso criterioso de exames de imagem e da escolha terapêutica personalizada. No Brasil, é essencial ampliar o acesso a métodos diagnósticos e terapêuticos e fomentar pesquisas locais para reduzir o impacto da doença na saúde reprodutiva e na qualidade de vida das mulheres.

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