Eficácia dos análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas versus progestagênios no manejo da dor associada à endometriose
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Abstract
Objetivo: Comparar a eficácia dos análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) com os progestagênios no alívio da dor associada à endometriose, por meio da análise sistemática de estudos clínicos publicados. Métodos: Foi realizada uma busca sistemática nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed)/ Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Embase, Scopus e Cochrane Library, com inclusão de trabalhos publicados entre janeiro de 2015 e maio de 2025. Utilizaram-se os seguintes descritores controlados (MeSH e Emtree) e termos livres: "endometriosis", "pain management", "GnRH agonists", "gonadotropin-releasing hormone agonists", "progestins", "dienogest", "levonorgestrel" e "medical therapy", combinados com os operadores booleanos “AND” e “OR”. Após a remoção de duplicatas, 305 títulos e resumos foram avaliados, resultando em 38 artigos para análise completa. Aplicando critérios rigorosos, como ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais comparativos, com amostras de 30 ou mais pacientes e desfechos relacionados à dor, foram selecionados 11 artigos para a revisão final. A extração dos dados foi realizada por dois revisores de forma independente, com a aplicação de um formulário padronizado. Foram coletadas informações sobre população, intervenções, desfechos relacionados à dor e efeitos adversos. A qualidade metodológica foi avaliada pelas escalas de Jadad e Newcastle-Ottawa. Divergências foram resolvidas por consenso com o terceiro revisor. Dada a heterogeneidade dos estudos, a análise foi descritiva. Resultados: Os 11 artigos incluíram 1.126 mulheres com endometriose. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor pélvica (p<0,01). Os análogos de GnRH evidenciaram maior eficácia na dor profunda e na dispareunia, mas apresentaram maior incidência de efeitos adversos, como fogachos e perda óssea, gerando maiores taxas de descontinuação na ausência de terapia add-back (reposição hormonal associada). Os progestagênios, sobretudo o dienogeste e o DIU com levonorgestrel, mostraram eficácia comparável na dor cíclica e melhor perfil de segurança, com adesão superior. A qualidade da maioria dos estudos foi adequada. Conclusão: A revisão sistemática evidenciou que tanto os análogos de GnRH quanto os progestagênios são efetivos na redução da dor associada à endometriose. No entanto, os progestagênios destacam-se pelo melhor perfil de segurança e pela maior adesão ao tratamento, sendo recomendados como primeira linha terapêutica. Os análogos de GnRH demonstraram maior eficácia para dor profunda e refratária; porém, seu uso é limitado pelos efeitos adversos e pela necessidade de terapia complementar. Considerando a heterogeneidade metodológica dos estudos, são imprescindíveis ensaios clínicos futuros, com desenho rigoroso e seguimento prolongado, para consolidar as recomendações terapêuticas e aprimorar o manejo da dor na endometriose.
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- last seen: 2026-06-10T17:14:06.276822+00:00
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