Perfil epidemiológico dos pacientes internados por endometriose no Rio de Janeiro nos últimos cinco anos

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2022 · pp. 16 · doi:10.5327/jbg-0368-1416-2022132s1038 · W4365421146
article OA: closed CC0
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Abstract

Introdução: A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial ectópico, glândula e/ou estroma fora da cavidade uterina. Estima-se que 10 a 15% das mulheres em idade fértil, ou 2% da população geral, tenham endometriose. No entanto, sua frequência real é mascarada pela dificuldade em confirmar a ausência da doença, uma vez que, para tal, é necessário realizar exames de alto custo ou até mesmo laparoscopia. O quadro clínico pode ser inespecífico, como dor (dispareunia, dismenorreia e dor pélvica crônica) e infertilidade, que acometem de 30 a 50% das mulheres com a doença. O diagnóstico é realizado por meio de quadro clínico, exame físico, exames laboratoriais e de imagem, sendo confirmado por biópsia de material coletado em laparoscopia. O tratamento da endometriose é individualizado e visa reduzir os sintomas, evitar o progresso da doença e possibilitar a gravidez para as pacientes que a desejam. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico das pacientes internadas por endometriose no estado do Rio de Janeiro no período de janeiro de 2017 a dezembro de 2021. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo descritivo que usou dados secundários referentes às internações por endometriose no estado do Rio de Janeiro. Os dados foram coletados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), e as variáveis selecionadas foram: raça, faixa etária e taxa de mortalidade a cada cem internações. O programa Microsoft Excel foi utilizado para a tabulação e análise de dados. Resultados e conclusão: No período estudado, foram realizadas 2.978 internações referentes à endometriose no estado do Rio de Janeiro. Com relação à raça, 27,97% (n=833) eram mulheres brancas, 22,1% (n=658) pardas, 10,1% (n=298) pretas, 5,27% (n=157) amarelas, e 34,65% (n=1.032) não tinham informações sobre a raça. A faixa etária com o maior número de internações foi a de 40–49 anos (42,14%), e em seguida a de 30–39 anos (25,65%). Durante o período estudado, a taxa média de mortalidade nas internações por endometriose foi de 0,17%, sendo a faixa etária com maior mortalidade a de 80 anos ou mais (4,55%), seguida pela de 15–19 anos (4%), com óbitos possivelmente decorrentes de complicações e procedimentos cirúrgicos realizados. O percurso até a obtenção do diagnóstico de endometriose não é fácil, e nem todas as mulheres têm a mesma facilidade de obtê-lo. Isso fica evidente ao se observar que, apesar de no Rio de Janeiro existirem mais mulheres pardas e negras do que brancas, o maior número de mulheres diagnosticadas corresponde a mulheres brancas. Essa dificuldade em estabelecer um diagnóstico impacta negativamente a vida dessas mulheres, que passam a ter que conviver com os sintomas, inclusive a infertilidade, já que não têm acesso ao tratamento adequado. Por isso, é fundamental a análise e o conhecimento do perfil epidemiológico da doença nessa população para que novas estratégias sejam traçadas, a fim de auxiliar assim o diagnóstico, tratamento e seguimento das pacientes.

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openalex
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