O impacto do tratamento cirúrgico laparoscópico na qualidade de vida de mulheres com endometriose profunda: uma revisão integrativa de literatura

In: Revista JRG de Estudos Acadêmicos · 2026 · vol. 9(21) , pp. e094001 · doi:10.55892/jrg.v9i21.4001 · W7225300131
OA: diamond CC0

Abstract

Objetivo: Sintetizar e analisar criticamente as evidências científicas disponíveis sobre o impacto do tratamento cirúrgico laparoscópico na qualidade de vida de mulheres com endometriose profunda. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, estruturada pela estratégia PICO: "Em mulheres com endometriose profunda, qual é o impacto do tratamento cirúrgico sobre a qualidade de vida em comparação à condição pré-operatória ou a parâmetros comparativos de referência?". A busca foi realizada em 9 de agosto de 2026 nas bases PubMed/MEDLINE e LILACS (via BVS), combinando descritores DeCS/MeSH (Endometriose, Procedimentos Cirúrgicos Operatórios, Procedimentos Cirúrgicos Ginecológicos, Laparoscopia e Qualidade de Vida) e termos livres pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos clínicos primários publicados entre 2016 e 2026, em português, inglês ou espanhol, em acesso aberto, que avaliaram a qualidade de vida após tratamento cirúrgico por meio de instrumentos validados. O processo de seleção seguiu o fluxograma PRISMA 2020, dispensando apreciação pelo sistema CEP/CONEP por utilizar dados secundários de domínio público. Resultados: Foram incluídos 19 estudos clínicos primários (15 estudos longitudinais pré e pós-operatórios, somando 1.891 pacientes operadas únicas, e quatro estudos transversais analíticos pós-operatórios, somando 484 pacientes operadas), totalizando 2.375 pacientes operadas únicas (2.877 participantes totais ao se incluírem 502 mulheres de grupos controles saudáveis e comparativos sob manejo clínico). Os instrumentos validados mais utilizados foram o Endometriosis Health Profile (EHP-30/EHP-5, em 12 estudos; 63,2%), o Short Form Health Survey (SF-36/SF-12, em cinco estudos; 26,3%) e o Female Sexual Function Index (FSFI, em quatro estudos; 21,1%). Todos os 15 estudos longitudinais (100%) demonstraram melhora pós-operatória significativa nos domínios de dor corporal, capacidade funcional e dispareunia em seguimentos de um mês a quatro anos. Também foi observada redução nos escores de ansiedade e depressão, embora a recuperação dos domínios emocionais, de autoimagem, de suporte social e de desejo sexual tenha se mostrado menos uniforme, sendo negativamente influenciada por múltiplas cirurgias prévias, preocupação com a fertilidade, disfunções intestinais pós-operatórias (como a síndrome da ressecção anterior baixa) e uso de terapia hormonal adjuvante. Conclusão: O tratamento cirúrgico da endometriose profunda promove melhora significativa na qualidade de vida, com maior magnitude e consistência sobre os desfechos álgicos, funcionais e de dor sexual, exigindo indicação individualizada, preservação funcional nervosa e acompanhamento multidisciplinar para o manejo de demandas psicossociais e funcionais persistentes.

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