Análise da tendência de atendimentos por endometriose na atenção primária: um estudo epidemiológico

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2025 · pp. 12 · doi:10.5327/jbg-2965-3711-2025135s1027 · W7134888856
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Abstract

Introdução: A endometriose é uma condição ginecológica crônica e subdiagnosticada, frequentemente negligenciada nos níveis iniciais de atenção à saúde. No Brasil, estima-se que uma a cada dez mulheres seja afetada pela endometriose — cerca de 10 milhões de brasileiras —, evidenciando a relevância de aprofundamento sobre o tema. Objetivo: Analisar a tendência temporal dos atendimentos por endometriose na atenção primária à saúde e suas implicações na saúde feminina. Métodos: Os dados foram obtidos por meio de publicação no website Gov.br, que apresenta dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), do Ministério da Saúde, com o objetivo de analisar a tendência dos atendimentos por endometriose na atenção primária do SUS no intervalo entre 2022 e 2024. Resultados: Os resultados evidenciaram um aumento expressivo no número de atendimentos por endometriose na atenção primária, com 82.693 registros em 2022 e 145.744 em 2024, o que representa um aumento de 76,2% em um intervalo de três anos. A região Sudeste apresentou o maior número de atendimentos, seguida pelas regiões Nordeste e Sul. Conclusão: Houve crescimento significativo na demanda por atendimentos relacionados à endometriose na atenção primária, refletindo possivelmente maior reconhecimento da doença, avanços no diagnóstico precoce ou ampliação do acesso aos serviços de saúde. Os resultados, que apontaram uma expressiva elevação de 76,2% entre 2022 e 2024, destacam a relevância da atenção primária como porta de entrada no cuidado à saúde da mulher, especificamente das mulheres com endometriose. A forte concentração dos atendimentos na região Sudeste, seguida pelas regiões Nordeste e Sul, pode indicar disparidades regionais no acesso aos serviços, no contexto de capacidade de diagnóstico ou notificação dos casos. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias que promovam a equidade na atenção à saúde da mulher em todo o país, além da ampliação de ações de educação em saúde e da disseminação de informações qualificadas acerca da temática.

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