Endometriose e infertilidade: mecanismos fisiopatológicos e condutas

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2025 · pp. 23 · doi:10.5327/jbg-2965-3711-2025135s1057 · W7135081689
article OA: closed CC0
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Abstract

Objetivo: Compreender os mecanismos fisiopatológicos da endometriose, apresentando as condutas executadas para o tratamento da infertilidade de forma efetiva. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa de caráter qualitativo. Foram selecionados cinco artigos nas plataformas Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SciELO), levando em consideração estudos dos últimos dez anos. Foram encontrados 22 artigos referentes ao tema, dos quais foram escolhidos cinco. Para a identificação de literatura pertinente, utilizaram-se os descritores “infertilidade”, “endometriose” e “tratamento”, sendo identificados três artigos. Por outro lado, foram rigorosamente excluídos artigos duplicados (4), cartas ao editor (7), estudos que apresentavam dados incompletos (6), a fim de garantir eficiência na revisão da literatura. A extração consistiu na síntese da coleta de dados sobre a endometriose, aprofundada nos mecanismos fisiopatológicos relacionados à infertilidade, bem como nas condutas terapêuticas. Trata-se de uma síntese de conhecimento, e não de dados brutos. Resultados: A análise dos estudos selecionados evidenciou que a endometriose compromete a fertilidade feminina por múltiplos mecanismos fisiopatológicos, incluindo alterações anatômicas pélvicas, inflamação crônica, disfunções ovulatórias e falhas na receptividade endometrial. Observou-se que a presença de citocinas inflamatórias e o estresse oxidativo contribuem para um ambiente peritoneal hostil à fertilização e à implantação embrionária. Alterações hormonais, como a resistência à progesterona, também foram associadas à manutenção do processo inflamatório. Além disso, foi identificado o polimorfismo do gene do receptor da vitamina D como fator genético relevante, associado à disfunção imune e ao desenvolvimento da endometriose. Em relação às condutas terapêuticas, os estudos destacaram a abordagem cirúrgica como eficaz na remoção de lesões endometrióticas, especialmente em casos moderados a graves, com impacto positivo sobre a taxa de gravidez e na melhora da função sexual. No entanto, a cirurgia isolada apresentou limitações em pacientes com múltiplos fatores associados à infertilidade. Conclusão: Os dados analisados indicam que a infertilidade em mulheres com endometriose está associada ao avanço no estadiamento da doença e à ocorrência de estresse oxidativo sistêmico, evidenciada pela redução dos níveis séricos de vitamina E e da glutationa. Entre as condutas, a ressecção cirúrgica em casos de endometriose profunda demonstrou melhora na dispareunia e aspectos positivos na função sexual. Apesar dos riscos à reserva ovariana, a cirurgia pode ser indicada para aumentar a chance de concepção espontânea na ausência de outros fatores de infertilidade. Também se recomenda a criopreservação de oócitos em casos de endometriomas bilaterais ou recorrência unilateral após cirurgia.

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