Endometriose extrapélvica: acometimento hepático e cutâneo; relatos de casos
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CC0
Abstract
Introdução: A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial em locais extrauterinos; mais comumente afeta ovários, ligamentos uterossacros e fundo de saco. O tecido endometrial, no entanto, pode ser encontrado também em órgãos extrapélvicos, afetando órgãos abdominais, sistema nervoso central e urinário e pele, sendo, destes, o envolvimento torácico na localização além da pelve mais comum. Casos de endometriose extrapélvica são raros, com prevalência estimada em 0,6%. Objetiva-se trazer destaque para a endometriose extrapélvica, condição rara, que será discutida nestes relatos. Relatos de casos: Paciente 1: 36 anos, em investigação por quadro crônico de dismenorreia intensa, dispareunia profunda, oligomenorreia e infertilidade. Em propedêutica complementar (ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética da pelve), constatou-se: endometrioma em ovário direito associado a cisto paraovariano; ovário esquerdo com nódulo de intensidade de sinal heterogêneo, com debris e septações internas – possível cisto hemático; espessamento dos ligamentos redondos e uterossacros. Após estabilização do quadro álgico inicial, foi submetida à videolaparoscopia tendo sido realizada salpingectomia à esquerda, lise de aderências pélvicas e, durante inventário completo da cavidade, detectado nódulo hepático de enegrecido submetido à biópsia. O anatomopatológico definiu: alterações degenerativas entremeadas de tecido de padrão endometrial, sugestivo de endometriose hepática. Paciente 2: 41 anos, apresentando nódulo umbilical, sensível à palpação, com sangramento cíclico mensal durante período menstrual associado à dor local. Diagnóstico recente de endometriose. Apresenta cirurgias prévias: cesariana e correção de hérnia umbilical. Ao exame físico, presença de nódulo umbilical, enegrecido, doloroso à palpação, sem sangramento ativo; espessamento de ligamentos uterossacros identificado pelo toque vaginal. Na propedêutica complementar, evidencia-se endometrioma de ovário volumoso, adjacente à parede anterior do útero por ultrassonografia transvaginal; realizou tomografia de abdome total com área isodensa e mal definida, com realce homogêneo, medindo 4,2x2,4x2,7 cm em parede abdominal, não sendo possível descartar endometriose de parede. Iniciado dienogeste 2 mg, contínuo, com clínica; solicitada ressonância magnética de pelve para programação de abordagem cirúrgica adequada e estudo patológico direcionado. Comentários: Destaca-se a importância de uma avaliação laparoscópica minuciosa em casos de endometriose; e inventário completo da cavidade, incluindo avaliação de abdome superior, peri-hepática, diafragmática, intestinal e do trato urinário. A endometriose cutânea ocorre geralmente em cicatrizes cirúrgicas, embora possa ocorrer espontaneamente. O acometimento da cicatriz umbilical envolve 34% dos casos de endometriose de parede abdominal e apresenta quadro clínico típico. Os melhores métodos diagnósticos complementares e as melhores condutas e abordagens específicas para focos além da pelve ainda não são precisamente definidos.
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