Internações de urgência e eletivas por adenomiose e endometriose no Sistema Único de Saúde: análise de casos registrados no estado do rio de janeiro, de 2019 a 2024
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CC0
Abstract
Introdução: Adenomiose e endometriose são condições determinadas pela localização ectópica do tecido endometrial, com diagnóstico definitivo baseado na análise histopatológica de material de biópsia. Sua abordagem terapêutica pode ser refratária às opções de tratamento clínico-ambulatorial, havendo a necessidade de acompanhamento em regime hospitalar. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico das internações relacionadas à endometriose e à adenomiose em mulheres residentes no estado do Rio de Janeiro, entre 2019 e 2024. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo que utilizou dados agregados e não identificados, disponibilizados publicamente via internet pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). O Sistema de Informação Hospitalar do SUS (SIH/SUS) foi acessado para obter as internações classificadas pelos códigos N80 a N98 relativas aos transtornos não inflamatórios do trato genital feminino, os quais abrangem a adenomiose e todas as variações de endometriose. As variáveis selecionadas foram ano (2019 a 2024), idade (10 a 49 anos), raça/cor (branca, preta, amarela, parda, indígena, ignorada) e caráter da internação (eletiva/urgência). O estudo obedece às diretrizes brasileiras para ética em pesquisa e, por examinar dados públicos, agregados e não identificados, está isento de apreciação formal pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: De 2019 a 2024, ocorreram 3.651 internações de mulheres com idades entre 10 e 49 anos, por endometriose e adenomiose em estabelecimentos do SUS, no estado do Rio de Janeiro. A distribuição por idade indicou frequência crescente conforme a faixa etária: 10–19 anos (1,0%), 20–29 anos (8,7%), 30–39 anos (30,2%) e 40–49 anos (60,1%). A comparação entre o ano inicial (2019) e o ano final (2024) indicou aumento de 70% no total de casos registrados (574 versus 973). A variação do número de internações foi positiva em todas as faixas etárias, com mulheres de 40–49 anos apresentando a maior variação (104%), seguidas pelas faixas de 20–29 anos (46%), 30–39 anos (25%) e 10–19 anos (17%). Apesar da incompletude dos dados sobre cor de pele, observada em 18,9% dos casos, a distribuição indicou predomínio de internações entre mulheres não-brancas (56%), em relação às brancas (25%). Do total de internações no período, 32,2% correspondem a internações de urgência, sendo a maior demanda entre mulheres pardas (42,2%), seguidas por brancas (19,9%), pretas (11,1%) e amarelas (2,8%). A proporção das internações por urgência e eletivas correspondeu a 25,5% do total entre mulheres brancas e 31,7% entre mulheres não-brancas. Conclusão: Adenomiose e endometriose são condições em crescente demanda por leitos hospitalares no estado do Rio de Janeiro, independentemente da faixa etária. Embora a falta de informação sobre raça/cor ainda seja uma realidade que necessita de aprimoramento, os dados do presente estudo mostram que as internações predominaram entre mulheres não-brancas e foram justificadas pelo caráter de urgência envolvendo a situação.
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