O uso de dicloroacetato no tratamento da endometriose: revisão sistemática atualizada

In: Jornal Brasileiro de Ginecologia · 2024 · pp. 42 · doi:10.5327/jbg-2965-3711-2024134s1107 · W4413010119
article OA: closed CC0
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Abstract

Objetivo: Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão sistemática para avaliar o novo tratamento para endometriose utilizando dicloroacetato. O objetivo é analisar a eficácia e segurança desse tratamento com base nas evidências disponíveis nas bases de dados United States National Library of Medicine (PubMed), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Fontes de dados: Foram analisadas as bases de dados PubMed, BVS e Google Acadêmico para artigos publicados entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2024. Os termos de busca incluíram “dichloroacetate” e “endometriosis” em inglês, português e espanhol. Seleção de estudos: Foram identificados um total de 17 estudos na busca inicial. Após a aplicação dos critérios de inclusão, sete estudos foram selecionados para revisão. Os critérios de inclusão abrangeram estudos que pertenceram ao tempo e idioma selecionado. Foram excluídos estudos que não estavam diretamente relacionados ao tema ou não estavam disponíveis na íntegra. Coleta de dados: Os dados foram extraídos dos estudos selecionados por dois revisores de forma independente. Foram registradas informações sobre desenho do estudo, intervenção utilizada, resultados principais e eventos adversos associados ao tratamento com dicloroacetato (DCA) para endometriose. Resultados: A endometriose exibe características semelhantes às do câncer. As células tumorais são programadas pelo TGF-β1 para utilizar glicólise aeróbica, resultando no aumento da secreção de lactato. O TGF-β1 e o lactato estão ambos elevados no líquido peritoneal de mulheres com endometriose, e isso é acompanhado por uma mudança da respiração mitocondrial normal para a glicólise nas células mesoteliais peritoneais humanas (HPMCs) que revestem a cavidade pélvica. Nos tumores, o lactato é considerado um fator-chave na condução da invasão celular, na angiogênese e na supressão imunológica, alterações que também estão implicadas no estabelecimento e na sobrevivência das lesões de endometriose. Pensando nisso, atuais estudos pretenderam reverter o aumento aberrante da glicólise de HPMCs com DCA. O primeiro estudo, realizado em um modelo de camundongo, mostrou que a administração oral de DCA reduz o tamanho das lesões e reduziu a liberação de lactato de HPMC. Além disso, um ensaio clínico exploratório aberto de braço único concluiu que o DCA pode ser um potencial novo tratamento não hormonal para a dor associada à endometriose em mulheres, pois mulheres que usaram o DCA por 6 meses em uso de 6,25 mg/kg de cápsulas orais obtiveram melhora significativa. Conclusões: Com base nas evidências disponíveis, o tratamento com dicloroacetato para endometriose parece ser uma opção terapêutica promissora, com potencial para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida das pacientes. No entanto, são necessários mais estudos controlados e de longo prazo para confirmar sua eficácia e segurança a longo prazo. Esta revisão destaca a importância de continuar investigando novas abordagens terapêuticas para o tratamento da endometriose.

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