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A TERAPÊUTICA COM ACUPUNTURA EM
RELAÇÃO A ENDOMETRIOSE
Alice dos Santos Cirne
Centro Universitário UNIME
João Matheus Pereira Falcão Nunes
Universidad Colúmbia - PY
Jamille Macedo Leite Diogens
Centro Universitário UNIME
Edicleide dos Santos Brito
Centro Universitário UNIME
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ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br
RESUMO
O Presente artigo se trata de uma revisão bibliográfica e possui por objetivo
maior, abordar o uso da Acupuntura no tratamento de endometriose. Apoian-
do-se em trabalhos acadêmicos correlacionados com o tema o presente estudo
pode fomentar a premissa que esse tratamento tende a ser de grande auxílio
no tocante a saúde da mulher. Entende-se a endometriose como uma patologia
ginecológica, de apresentação crônica e não maligna. Caracteriza-se pela pre -
sença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Seus sintomas podem ser
diversos, porém é comum haver fortes cólicas menstruais, dor durante a relação
sexual e dor pélvica. O seu tratamento varia com a gravidade do quadro, podendo
ser acompanhada regularmente pelo ginecologista e com medicamentos, ou
até chegar a intervenções cirúrgicas. Nos casos mais brandos e de intensidade
moderada, alguns protocolos de acupuntura tem trazido respostas positivas
para a recuperação, de modo a diminuir os efeitos colaterais dos medicamentos,
assim como tende a ser capaz de amenizar o reflexo da dor, melhorando assim
a qualidade de vida da paciente.
Palavras-chave: endometriose; acupuntura; medicina tradicional chinesa;
dismenorreia; ginecologia.
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Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações
INTRODUÇÃO
Na literatura se tem diversas definições para o termo endometriose.
Entretanto aqui nesse trabalho, se entende a endometriose sob a mesma ótica
de Verceline e seus colaboradores (2014), onde estes definem a endometriose
como “alterações morfológicas no útero, que tendem a apresentar mucosas do
tipo endometrial fora da cavidade uterina”.
A endometriose tem seu diagnóstico padrão realizado com o exame de
visualização direta e o exame histológico das lesões encontradas nessa região.
Estudos mostram que quadros de endometriose afetam cerca de 10% a 15% das
mulheres em idade reprodutiva no mundo. A prevalência de endometriose aumenta
drasticamente padrões tão altos que podem chegar 25 a 50%, em mulheres com
infertilidade, estudos também apontam que 30 a 50% das mulheres com endo-
metriose são inférteis (ROLIM et al., 2020).
A sintomatologia apresentada pelas pacientes com casos de endome-
triose tende a ser bastante variável. Uma baixa quantidade das pacientes possui
uma apresentação assintomática, onde pesquisas como a realizada por Bulun
(2009), que é citada no estudo de Rolim e colaboradores (2020), que apresenta
os dados onde aproximadamente 3 a 22% possuem essa apresentação sem
sintomas. No entanto a mesma pesquisa mostra que a maioria das pacientes
apresentam comumente dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica, disúria,
disquezia e infertilidade. Amaral et al. (2018), diz que a endometriose é causadora
de intensa dor pélvica e pode causar infertilidade feminina, causando estresse e
desgaste tanto físicos, quanto psicológicos, gerando muitos prejuízos.
Em casos mais graves, a qualidade de vida das pacientes, isso se deve,
muitas vezes ao atraso ocorrido na análise e diagnóstico adequado. Atualmente,
mesmo com diversas terapêuticas aplicadas ao manejo da dor, o gerenciamento
da dor na endometriose ainda é inadequado em sua grande maioria. Todavia
a acupuntura tem sido estudada em afecções ginecológicas, mas a sua eficá -
cia para a dor na endometriose ainda se apresenta de maneira incerta (ZHU;
HAMILTON; MCNICOL, 2011). Apesar disso estudos como o de Mirzaee e Ahmadi
(2021), apontam a eficácia da acupuntura em tratamento da dor relacionada à
endometriose. A acupuntura é uma técnica que consiste em perfurações em
pontos específicos a fim de estimular diversas reações, inclusive o alívio da dor.
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Essa técnica tem origem na medicina tradicional chinesa, ainda assim o seu
estudo e confirmação de eficácia se dão a percepção de reações em cadeia de
liberação de substâncias que podem atuar de maneira sistêmica e assim ajudar
na atenuação dos problemas, inclusive em casos de dor crônica causada pela
endometriose (SOUSA; JÚNIOR; VENTURA, 2020).
O presente estudo se trata de uma revisão bibliográfica, que foi norteada
pelo questionamento: Quais interações são percebidas entre a acupuntura e a
os sintomas da endometriose? Para responder esse questionamento se obje -
tivou relacionar o tratamento com acupuntura e o alívio da sintomatologia da
endometriose. Sendo que de maneira secundária o presente estudo focou em
caracterizar a endometriose, explicar a ciência por trás da acupuntura, relatar
achados científicos que apoiam a acupuntura como tratamento eficaz contra os
sintomas da endometriose.
METODOLOGIA
O presente trabalho é uma revisão de literatura, qualitativa e descritiva
baseada em trabalhos publicados nos últimos 10 anos. A coleta de dados se deu
através de fontes/ dados como o SCielo (ScientificElectronic Library Online),
Pubmed e Google acadêmico. A inclusão de obras e textos obedecerá aos
seguintes critérios/ descritores: Endometriose, acupuntura, alívio da dor, dis-
menorreia, tratamento. Para a exclusão de alguns artigos foi usado o seguinte
critério: artigos não estiverem nas bases de dados na íntegra, ou seja, que só
possuam o resumo. O critério para seleção dos artigos foi realizado com base
na sua interpretação, nos materiais que abordarem temáticas correlacionados.
DISCUSSÃO
A endometriose
O sistema reprodutor feminino, em sua porção interna, mais especifi -
camente na cavidade interna do útero, possui um revestimento composto por
uma camada de tecido conjuntivo, chamado de tecido endometrial, que possui
a capacidade de se modificar em função ao ciclo hormonal e reprodutivo da
mulher. Essas mudanças estão associadas a sua espessura, e são conseqüentes
dos estímulos hormonais, de maneira que essa camada reduz ao longo do ciclo
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Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações
menstrual, ou se torna mais densa oportunizando a implantação de um zigoto
(óvulo fecundado). Mas, quando a gravidez não ocorre, como parte natural do
ciclo menstrual, a camada do endométrio tende a se desprender, fazendo parte
do ciclo menstrual normal (ANTUNES et al., 2021).
Santos (2021),relata que em ocasião da endometriose, que pode ser
classificada como uma doença ginecológica de ordem inflamatória, contrário a
ordem natural do ciclo onde as células do endométrio são expelidas mediante
a menstruação, há a movimentação dessas células no sentido oposto, podendo
alcançar várias partes próximas ao útero, tal qual as tubas uterinas, a bexiga, o
intestino, não sendo incomum que sejam encontradas na estrutura retal. Dessa
forma, essas células tendem a dar origem a tecidos cicatriciais, caracterizados
por se apresentarem com aspecto fibrótico, como isso se dá dentro da pelve,
assim como em algumas outras partes do corpo, o que vem a acontecer é que
elas voltam a se multiplicar e provocam sangramento (ANTUNES et al., 2021).
Imagem 1. Tecido Normal e com Tecido com Endometriose.
Fonte: Salazar (2021).
Santos (2021), caracterizam em seu estudo a Endometriose como um agravo
de ordem crônica, na qual acomete indivíduos do sexo biológico feminino durante
o periodo em que as mesmas possuem capacidade de se reproduzir. Eles explicam
que a endometriose se dá quando há achados de tecido da parede interna do
útero (endometrio), fora de sua respectiva região de origem, sendo que podem
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estar em locais fora do próprio útero. O tecido endometrial tem, dentre outras
funções, a de recobrir todo o espaço interno do útero, sendo que no começo do
ciclo menstrual ele cresce e depois da fase de ovulação o mesmo se transforma a
fim de possibilitar a implantação do embrião, caso a fecundação aconteça, após
o período menstrual ele descama e torna a crescer no início do próximo ciclo.
Os achados teciduais de endométrio externo a cavidade uterina se comporta
de maneira parecida, dessa forma esse comportamento de maneira repetida, e
influenciada pelas fases dos ciclos, tendem a propiciar processos inflamatórios,
assim como a formação de fibrose, de forma que pode estar intrinseco ao que
os autores chamam de “coleções de sangue e restos de células” advindas desse
tecido endometrial anômalo, originando os endometriomas (SANTOS, 2021),.
Amaral et al. (2018), falam que as causas da endometriose, mesmo com
tantos estudos realizados, ainda não estão completamente estabelecidas, por
esse motivo ainda não se pode desvendar algumas coisas sobre ela, mas as evi-
dências advindas dos estudos científicos promissores apontam que a origem e o
desenvolvimento dos focos ectópicos da endometriose acontecem por causa de
uma combinação onde se tem envolvidos uma série de fatores genéticos, fatores
hormonais e algumas respostas imunológicas .
A endometriose costuma ser mais freqüente em mulheres que se encontram
no período reprodutivo, que vai desde a adolescência e se estende até a fase de
transição para a menopausa (ANTUNES et al., 2021). Um dos sintomas mais comuns
é a presença de cólica muito intensa durante a menstruação, acompanhados
de sangramentos fora do normal, além da habitual dificuldade para engravidar,
entretanto esses sintomas não são suficientes para diagnosticar a doença.
Existe ainda uma grande diversidade de possibilidades de manifestações
clínicas referentes à endometriose, que podem se apresentar desde casos com
completa ausência de sintomas, até quadros onde as pacientes sofrem com
intensa dor pélvica de forma crônica, dismenorreia e dispareunia. Esses sintomas
são decorrentes das possíveis lesões em órgãos não reprodutivos. Outra con -
seqüência que pode vir de lesões causadas pela endometriose é a infertilidade,
que pode estar relacionada com a quantidade de lesões, tamanho das mesmas
e a localização dos focos endometriais. Esse conjunto de fatores, sintomas e
características geram ampla repercussão nos mais diversos aspectos da vida
das mulheres afetadas pela endometriose (SOUSA; JÚNIOR; VENTURA, 2020).
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Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações
Campana (2021) ao falar sobre o amplo acometimento da endometriose
escreve que os diversos e múltiplos tipos e subtipos de endometriose estão cor-
relacionados diretamente com a localização do tecido, salientando os principais
tipos dessa doença ginecológica como: Endometriose Intestinal; Endometriose
Superficial; Endometriose Profunda; Endometriose Ováriana; Endometriose
de Parede e até mesmo Endometriose Pulmonar (CAMPANA, 2021). Antunes et al.
(2021), ao citar alguns outros trabalhos sobre a classificação da endometriose,
traz o que diz a American Fertility Society (AFS,1966), de acordo com o exposto
na tabela a seguir:
Tabela 1 - Classificação da endometriose pela AFS (American Fertility Society).
Estágio I ou Doença Mínima Onde se nota a presença de manchas peritoneais.
Estágio II ou Leve Quando se observa manchas peritoneais extensas e/ou aderências.
Estágio III ou Moderada Quando existe a formação de endometriomas profundos.
Estágio IV ou Severa Onde há um grande comprometimento do tubo ovariano com obstrução
do fundo de saco de Douglas.
Fonte: Antunes et al. (2021).
De acordo com Souza (2022), uma a cada dez mulheres possui endometriose
no país, sendo que muitas delas apresentam os sintomas característicos e ainda
assim em muitos casos não sabem do diagnóstico para endometriose. A fim de
gerar consciência por parte da população acerca dessa problemática, foi san -
cionada a Lei de nº 14.324, onde se tem instituído o Dia Nacional de Luta contra
a Endometriose, assim como a Semana Nacional de Educação Preventiva e de
Enfrentamento à Endometriose, com vista de espalhar maiores informações
relativa ao tratamento da doença, sendo que este é ofertado integralmente de
forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde) (BRASIL, 2022).
O conjunto de sintomas que se apresenta nos casos endometriose, em
cada paciente, tendem a ser considerados como pontos de apoio para a escolha
do tratamento, assim com a intensidade e a gravidade apresentada pela doença.
Outros fatores que precisam ser observados criteriosamente são a idade da
paciente e a localização da endometriose. O tratamento pode ser realizado de
forma medicamentosa, pode envolver intervenções cirúrgicas de baixa ou alta
complexidade e/ou fisioterapia (SOUZA, 2022).
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A acupuntura e a Ciência
Naturalmente a acupuntura é considerada como uma técnica de tratamento
milenar, sendo ela uma parte da Medicina Tradicional Chinesa, de forma que a
mesma é usada há mais de 2 milênios para fins diagnósticos, com finalidades
terapêuticas, assim como, no auxílio a prevenção de diversas doenças. Essa téc-
nica peculiar se utiliza de agulhas que são levemente inseridas em alguns pontos
específicos do corpo, onde normalmente são locais tidos como “canais de energia”,
chamados de meridianos, aos quais possuem o objetivo de restaurar e/ou manter
as mais diversas funções do organismo (CONTATORE; TESSER; BARROS, 2018).
No trabalho de Antunes et al. (2021), pode-se ver que os autores afirmam
que os estímulos que se tem graças a aplicação das agulhas em lugares específi-
cos de acordo com as técnicas de acupuntura, os também chamados por eles de
acupontos, promovem a ativação de diversas fibras as quais apresentam ligações
desde a pele, sendo que assim ainda geram ações diretas nos mais diversos
órgãos, sendo que se é visto muito comumente a ação do tratamento de maneira
imediata. Quando se faz a aplicação das técnicas de acupuntura, tem-se o retorno
sistemático do indivíduo alvo, ao seu estado normal, sendo assim, como este se
sentia antes da doença ao qual está tratando (ANTUNES et al., 2021).
Tais inserções geram estímulos em terminações nervosas e sucessiva -
mente na musculatura, irradiando para o sistema nervoso central (SNC), onde
esse estímulo é reconhecido e assim traduzido em três níveis diferentes, sendo
eles o nível hipotalâmico, ao qual origina a ativação do eixo hipotálamo-hipófise,
gerando por sua vez a liberação na corrente sanguínea e no líquido encefálico
raquidiano de β-endorfinas, que agem como analgésicos, liberam ainda cortisol e
serotonina, com ação antiinflamatória e antidepressiva, respectivamente; No nível
do mesencéfalo, por sua vez, acarreta na ativação de células nervosas da substância
cinzenta, subseqüentemente liberando endorfinas, que estimulam positivamente
a produção de serotonina e norepinefrina; e por fim, no nível da medula espinal,
provoca a ativação dos interneurônios presentes na substância gelatinosa, além
de agir na liberação de substâncias chamadas dinorfinas (PIETA; LEITE, 2017).
Os estudos corroboram o fato de que a inserção das agulhas na pele causa
processos de micro inflamação, este ativa e estimula a produção natural das
substâncias supracitadas. Com a liberação desses neurotransmissores, ocorre
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um bloqueio nos processos de propagação dos estímulos da dor no sistema
nervoso central (SNC), dessa forma impedindo que o cérebro possa perceber,
abrindo um processo em cadeia de um estado de analgesia (ALVARENGA; AMA-
RAL; STEFFEN, 2014). Segundo Mirzaee e Ahmadi (2021), a Acupuntura pode ser
considerada como método alternativo de tratamento, sendo uma técnica que
tem eficácia se aplicada sozinha em diversas modalidades de tratamento, ou
juntamente com outras terapêuticas da medicina ocidental, mesmo que sem o
uso de recursos medicamentosos.
Muitos dos estudos analisados trazem relatos e concluem que a acupun-
tura é uma técnica com amplo escopo de benefícios quanto ao tratamento da
endometriose, justamente pela sua capacidade e eficácia em gerar alivio em
relação aos sintomas dolorosos, mostrando muitas vezes mais eficiência do que
alguns fármacos. Sousa, Júnior e Ventura (2020), salientam que em alguns casos,
o quadro de endometriose traz consigo a infertilidade e processos aderenciais,
nesses casos pode-se observar que o tratamento com a acupuntura tende a trazer
resultados agradáveis às pacientes. Algo que merece destaque sobre a técnica
da acupuntura é que ela tende a gerar melhora em relação aos quadros emocio-
nais como stress, irritabilidade e depressão (SOUSA; JÚNIOR; VENTURA, 2020).
Corroborando com tais informações, o trabalho de Artioli, Tavares e Berto-
lini (2019), anteriormente já declarava que a técnica da acupuntura traz consigo
muitos benefícios, sendo que em relação a casos de endometriose, o uso dela
provoca alívio das dores, visto que ao gerar estímulos nos nervos que ficam na
musculatura e em outros tipos de tecidos é provocada a liberação de endorfina
no organismo. É comprovado ainda que a acupuntura tende ainda a acarretar
melhoras em relação ao sistema imunológico e ao sistema endócrino, assim como
promove o aquecimento uterino e auxilia no processo da ovulação, aumentando
a fertilidade (ARTIOLI; TAVARES; BERTOLINI, 2019).
Trabalhos como o desenvolvido por Artioli, Tavares e Bertolini (2019), mos-
tram que para localizar um ponto de acupuntura se faz necessário certo grau de
sensibilidade, pois os pontos de acupuntura normalmente estão localizados nas
áreas de depressões ósseas, nos músculos, ou na área das articulações. Esses
pontos tendem a ser naturalmente sensíveis a pressão digital, isso se intensifica
em casos onde possa existir alguma doença ou algum sintoma associado ao ponto
de acupuntura. Pieta e Leite (2017, p 5), dizem que “A acupuntura não trata apenas
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o local comprometido no corpo, ela também atua em todo o sistema nervoso,
estimulando assim o mecanismo de compensação e equilíbrio no corpo todo”.
As técnicas de acupuntura, mesmo sendo um método alternativo, é uma
ferramenta poderosa e eficaz, devendo ser considerada de relevância terapêu -
tica, visto que possui como um dos objetivos imediatos a analgesia, a fim de
minimizar os possíveis efeitos colaterais causados por fármacos que deixariam
de ser utilizados, ou minimizariam sua necessidade, preservando a saúde da
paciente e ajudando a devolver uma boa parte da qualidade de vida para elas
(MIRZAEE; AHMADI, 2021).
Tratamento da sintomática da endometriose com acupuntura
Em relação aos protocolos mais comuns de acupuntura como tratamento
para a endometriose, se tem normalmente a realização de oito sessões, essas
sessões são realizadas comumente uma vez por semana, mas podendo-se alternar
com a fisioterapia pélvica, que pode ser considerada como outra grande aliada
quanto a esse tratamento. Como citado e reiterado de forma corroborativa em
diversos dos trabalhos estudados para a construção dessa revisão bibliográfica,
pode-se inferir assertivamente que a acupuntura objetiva influenciar e estimular
a recuperação do organismo de forma integral, e isso se deve pelo fato de que
ela induz a processos regenerativos, estimula a normalização das possíveis
funções que estão alteradas, gerando ainda uma espécie de reforço do sistema
imunológico, além de agir em mecanismos que permitem o manejo e alívio dor
(PIRES, 2021). Pires (2021), ainda diz que quanto ao tratamento da endometriose,
podendo este ser de cunho cirúrgico ou com medicações, a Acupuntura se
mostra como uma alternativa altamente viável visto que é um método natural,
além de que se tem em larga escala material científico que afirma a sua eficácia
no tocante ao auxílio no alívio dos sintomas da endometriose, assim como na
redução dos efeitos colaterais dos fármacos utilizados mediante ao tratamento
medicamentoso (PIRES, 2021).
Antunes e colaboradores (2021), abordando sobre os tratamentos com a
acupuntura, expõem que esta possui a capacidade de modular, de forma neu -
roquimica, os reflexos da dor, tanto ao se tratar deles em referência a medula
espinhal, quanto ao encéfalo. Eles ainda explicam que tais influencias podem
afetar quanto a atividade encefálica, como respostas ao estimulo em acupontos
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de maiores áreas, como o ponto chamado “E36”. A estimulação deste ponto
promove a maior ativação da região cerebral, conhecida como hipotálamo, o qual
promove a maior liberação de endorfina no organismo, sendo ainda responsável
pelo controle dos comportamentos, da temperatura corporal, e responde com
estímulos tais quais os de comer e de beber. Outra região cerebral que pode ser
estimulada pela aculpuntura e o “núcleo accumbens”, que é uma área responsável
por regular as emoções, equilibra sensações como a motivação, tem influencia
sobre o poder de cognição humana e participa dos processos que envolvem a
liberação de um poderoso neurotransmissor, a Dopamina, neurotransmissor esse
que é intrínseco às reações de prazer. O estímulo correto no acuponto exato pode
ainda desativar uma área conhecida como hipocampo, área essa que se liga ao
controle das ações e reações de ordem emocional, assim gerando influência
também em atitudes e comportamentos, da mesma forma que em uma varie -
dade de impulsos motivacionais. A acupuntura pode então, dessa forma, gerar
influência quanto a redução do consumo de fármacos como medicamentos do
tipo analgésico, assim como medicamentos anestésicos (ANTUNES et al., 2021).
A Acupuntura, em relação aos seus resultados relatados, pode ser encarada
como uma alternativa altamente viável para o tratamento de doenças como a
endometriose, pois como visto, ela tem a capacidade de produzir no organismo
do indivíduo efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, podendo ajudar ainda a
regular a produção de hormônios como o estrógeno e a progesterona (ARTIOLI;
TAVARES; BERTOLINI, 2019).
Fontes (2021),associa o uso da acupuntura a fim de proporcionar a regulação
dos sintomas, gerando alivio das dores de maneira que alguns medicamentos não
conseguem. Não sendo tudo isso o bastante, a acupuntura ainda pode melhorar
o quadro emocional, stress, irritabilidade, depressão, bem como ajudar nas ade-
rências e na infertilidade, obtendo resultados muito significativos (FONTES, 2021).
De maneira prática, o foco que os profissionais da área da saúde precisam
dar ao tratamento imediato da endometriose é o de gerar alívio da dor, porém
nos casos onde a causa é musculoesquelética, a correção do problema de base
gerará uma melhora, senão a cura, da paciente (BARACHO, 2007). Assim, os
diversos profissionais da área da saúde, devidamente capacitados podem usar de
recursos para trazer de volta a qualidade de vida na saúde e na vida das pacientes
acometidas com a endometriose, como por exemplo, a utilização da acupuntura,
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como uma técnica segura, natural e com menor custo aliada ao tratamento para
este fim (ARTIOLI; TAVARES; BERTOLINI, 2019).
CONCLUSÃO
A endometriose é um problema de saúde feminina que afeta uma alta
parcela da população, isso se intensifica quando se observa a faixa da população
de mulheres em idade reprodutiva. Apesar de não apresentar caráter maligno,
achados de tecido endometrial em ambientes fisiológicos diferentes da cavidade
uterina tende a comumente provocar dismenorreia, dispareunia, dor pélvica,
além de algumas vezes provocar alterações intestinais, mais ocasionalmente no
período menstrual, o que impacta prejudicialmente de maneira direta a qualidade
de vida das mulheres afetadas.
Comumente o diagnóstico da endometriose pode ser feito com o conjunto
de sinais clínicos apresentados pelas pacientes, assim como com exames labo-
ratoriais e de imagem. O tratamento da endometriose pode ser variável, e vai
ser definido de acordo com a gravidade de cada caso, podendo ser apenas com
observação profissional, com medicamentos, normalmente hormônios como o
progestogênio e com auxílio de medicações sintomáticas. É nesse ponto onde a
acupuntura pode ser inserida de maneira altamente benéfica.
Os estudos apontam que a Acupuntura sendo um método natural, quando
aplicada de forma correta e em locais específicos no corpo das pacientes, tende
a melhorar as reações inflamatórias no organismo das pacientes portadoras de
Endometriose. Essa melhora inflamatória tende a aliviar os reflexos dolorosos
e os principais desconfortos vindos dessa doença. Ao terminar o estudo para a
construção final desse trabalho, fica entendido que a acupuntura pode ser uma
poderosa ferramenta para melhorar o quadro geral e atribuir melhor qualidade de
vida para as pacientes. Nota-se ainda que existam poucos trabalhos acadêmicos
com a mesma vertente, dessa maneira o presente estudo vem como forma de
somar nessa escassa literatura. Visto que essa conduta terapêutica acerca da
saúde da mulher e de uma forma mais adequada no tratamento da Endometriose,
podendo usar assim, das técnicas da Acupuntura.
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Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações
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