A TERAPÊUTICA COM ACUPUNTURA EM RELAÇÃO A ENDOMETRIOSE

In: Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações - Volume 2 · 2025 · pp. 48–60 · doi:10.37885/250519373 · W4415677919
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Abstract

O Presente artigo se trata de uma revisão bibliográfica e possui por objetivo maior, abordar o uso da Acupuntura no tratamento de endometriose. Apoiando-se em trabalhos acadêmicos correlacionados com o tema o presente estudo pode fomentar a premissa que esse tratamento tende a ser de grande auxílio no tocante a saúde da mulher. Entende-se a endometriose como uma patologia ginecológica, de apresentação crônica e não maligna. Caracteriza-se pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Seus sintomas podem ser diversos, porém é comum haver fortes cólicas menstruais, dor durante a relação sexual e dor pélvica. O seu tratamento varia com a gravidade do quadro, podendo ser acompanhada regularmente pelo ginecologista e com medicamentos, ou até chegar a intervenções cirúrgicas. Nos casos mais brandos e de intensidade moderada, alguns protocolos de acupuntura tem trazido respostas positivas para a recuperação, de modo a diminuir os efeitos colaterais dos medicamentos, assim como tende a ser capaz de amenizar o reflexo da dor, melhorando assim a qualidade de vida da paciente.
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' 10.37885/250519373 04 A TERAPÊUTICA COM ACUPUNTURA EM RELAÇÃO A ENDOMETRIOSE Alice dos Santos Cirne Centro Universitário UNIME João Matheus Pereira Falcão Nunes Universidad Colúmbia - PY Jamille Macedo Leite Diogens Centro Universitário UNIME Edicleide dos Santos Brito Centro Universitário UNIME 49 ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br RESUMO O Presente artigo se trata de uma revisão bibliográfica e possui por objetivo maior, abordar o uso da Acupuntura no tratamento de endometriose. Apoian- do-se em trabalhos acadêmicos correlacionados com o tema o presente estudo pode fomentar a premissa que esse tratamento tende a ser de grande auxílio no tocante a saúde da mulher. Entende-se a endometriose como uma patologia ginecológica, de apresentação crônica e não maligna. Caracteriza-se pela pre - sença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Seus sintomas podem ser diversos, porém é comum haver fortes cólicas menstruais, dor durante a relação sexual e dor pélvica. O seu tratamento varia com a gravidade do quadro, podendo ser acompanhada regularmente pelo ginecologista e com medicamentos, ou até chegar a intervenções cirúrgicas. Nos casos mais brandos e de intensidade moderada, alguns protocolos de acupuntura tem trazido respostas positivas para a recuperação, de modo a diminuir os efeitos colaterais dos medicamentos, assim como tende a ser capaz de amenizar o reflexo da dor, melhorando assim a qualidade de vida da paciente. Palavras-chave: endometriose; acupuntura; medicina tradicional chinesa; dismenorreia; ginecologia. 50 Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações INTRODUÇÃO Na literatura se tem diversas definições para o termo endometriose. Entretanto aqui nesse trabalho, se entende a endometriose sob a mesma ótica de Verceline e seus colaboradores (2014), onde estes definem a endometriose como “alterações morfológicas no útero, que tendem a apresentar mucosas do tipo endometrial fora da cavidade uterina”. A endometriose tem seu diagnóstico padrão realizado com o exame de visualização direta e o exame histológico das lesões encontradas nessa região. Estudos mostram que quadros de endometriose afetam cerca de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. A prevalência de endometriose aumenta drasticamente padrões tão altos que podem chegar 25 a 50%, em mulheres com infertilidade, estudos também apontam que 30 a 50% das mulheres com endo- metriose são inférteis (ROLIM et al., 2020). A sintomatologia apresentada pelas pacientes com casos de endome- triose tende a ser bastante variável. Uma baixa quantidade das pacientes possui uma apresentação assintomática, onde pesquisas como a realizada por Bulun (2009), que é citada no estudo de Rolim e colaboradores (2020), que apresenta os dados onde aproximadamente 3 a 22% possuem essa apresentação sem sintomas. No entanto a mesma pesquisa mostra que a maioria das pacientes apresentam comumente dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica, disúria, disquezia e infertilidade. Amaral et al. (2018), diz que a endometriose é causadora de intensa dor pélvica e pode causar infertilidade feminina, causando estresse e desgaste tanto físicos, quanto psicológicos, gerando muitos prejuízos. Em casos mais graves, a qualidade de vida das pacientes, isso se deve, muitas vezes ao atraso ocorrido na análise e diagnóstico adequado. Atualmente, mesmo com diversas terapêuticas aplicadas ao manejo da dor, o gerenciamento da dor na endometriose ainda é inadequado em sua grande maioria. Todavia a acupuntura tem sido estudada em afecções ginecológicas, mas a sua eficá - cia para a dor na endometriose ainda se apresenta de maneira incerta (ZHU; HAMILTON; MCNICOL, 2011). Apesar disso estudos como o de Mirzaee e Ahmadi (2021), apontam a eficácia da acupuntura em tratamento da dor relacionada à endometriose. A acupuntura é uma técnica que consiste em perfurações em pontos específicos a fim de estimular diversas reações, inclusive o alívio da dor. 51 ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br Essa técnica tem origem na medicina tradicional chinesa, ainda assim o seu estudo e confirmação de eficácia se dão a percepção de reações em cadeia de liberação de substâncias que podem atuar de maneira sistêmica e assim ajudar na atenuação dos problemas, inclusive em casos de dor crônica causada pela endometriose (SOUSA; JÚNIOR; VENTURA, 2020). O presente estudo se trata de uma revisão bibliográfica, que foi norteada pelo questionamento: Quais interações são percebidas entre a acupuntura e a os sintomas da endometriose? Para responder esse questionamento se obje - tivou relacionar o tratamento com acupuntura e o alívio da sintomatologia da endometriose. Sendo que de maneira secundária o presente estudo focou em caracterizar a endometriose, explicar a ciência por trás da acupuntura, relatar achados científicos que apoiam a acupuntura como tratamento eficaz contra os sintomas da endometriose. METODOLOGIA O presente trabalho é uma revisão de literatura, qualitativa e descritiva baseada em trabalhos publicados nos últimos 10 anos. A coleta de dados se deu através de fontes/ dados como o SCielo (ScientificElectronic Library Online), Pubmed e Google acadêmico. A inclusão de obras e textos obedecerá aos seguintes critérios/ descritores: Endometriose, acupuntura, alívio da dor, dis- menorreia, tratamento. Para a exclusão de alguns artigos foi usado o seguinte critério: artigos não estiverem nas bases de dados na íntegra, ou seja, que só possuam o resumo. O critério para seleção dos artigos foi realizado com base na sua interpretação, nos materiais que abordarem temáticas correlacionados. DISCUSSÃO A endometriose O sistema reprodutor feminino, em sua porção interna, mais especifi - camente na cavidade interna do útero, possui um revestimento composto por uma camada de tecido conjuntivo, chamado de tecido endometrial, que possui a capacidade de se modificar em função ao ciclo hormonal e reprodutivo da mulher. Essas mudanças estão associadas a sua espessura, e são conseqüentes dos estímulos hormonais, de maneira que essa camada reduz ao longo do ciclo 52 Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações menstrual, ou se torna mais densa oportunizando a implantação de um zigoto (óvulo fecundado). Mas, quando a gravidez não ocorre, como parte natural do ciclo menstrual, a camada do endométrio tende a se desprender, fazendo parte do ciclo menstrual normal (ANTUNES et al., 2021). Santos (2021),relata que em ocasião da endometriose, que pode ser classificada como uma doença ginecológica de ordem inflamatória, contrário a ordem natural do ciclo onde as células do endométrio são expelidas mediante a menstruação, há a movimentação dessas células no sentido oposto, podendo alcançar várias partes próximas ao útero, tal qual as tubas uterinas, a bexiga, o intestino, não sendo incomum que sejam encontradas na estrutura retal. Dessa forma, essas células tendem a dar origem a tecidos cicatriciais, caracterizados por se apresentarem com aspecto fibrótico, como isso se dá dentro da pelve, assim como em algumas outras partes do corpo, o que vem a acontecer é que elas voltam a se multiplicar e provocam sangramento (ANTUNES et al., 2021). Imagem 1. Tecido Normal e com Tecido com Endometriose. Fonte: Salazar (2021). Santos (2021), caracterizam em seu estudo a Endometriose como um agravo de ordem crônica, na qual acomete indivíduos do sexo biológico feminino durante o periodo em que as mesmas possuem capacidade de se reproduzir. Eles explicam que a endometriose se dá quando há achados de tecido da parede interna do útero (endometrio), fora de sua respectiva região de origem, sendo que podem 53 ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br estar em locais fora do próprio útero. O tecido endometrial tem, dentre outras funções, a de recobrir todo o espaço interno do útero, sendo que no começo do ciclo menstrual ele cresce e depois da fase de ovulação o mesmo se transforma a fim de possibilitar a implantação do embrião, caso a fecundação aconteça, após o período menstrual ele descama e torna a crescer no início do próximo ciclo. Os achados teciduais de endométrio externo a cavidade uterina se comporta de maneira parecida, dessa forma esse comportamento de maneira repetida, e influenciada pelas fases dos ciclos, tendem a propiciar processos inflamatórios, assim como a formação de fibrose, de forma que pode estar intrinseco ao que os autores chamam de “coleções de sangue e restos de células” advindas desse tecido endometrial anômalo, originando os endometriomas (SANTOS, 2021),. Amaral et al. (2018), falam que as causas da endometriose, mesmo com tantos estudos realizados, ainda não estão completamente estabelecidas, por esse motivo ainda não se pode desvendar algumas coisas sobre ela, mas as evi- dências advindas dos estudos científicos promissores apontam que a origem e o desenvolvimento dos focos ectópicos da endometriose acontecem por causa de uma combinação onde se tem envolvidos uma série de fatores genéticos, fatores hormonais e algumas respostas imunológicas . A endometriose costuma ser mais freqüente em mulheres que se encontram no período reprodutivo, que vai desde a adolescência e se estende até a fase de transição para a menopausa (ANTUNES et al., 2021). Um dos sintomas mais comuns é a presença de cólica muito intensa durante a menstruação, acompanhados de sangramentos fora do normal, além da habitual dificuldade para engravidar, entretanto esses sintomas não são suficientes para diagnosticar a doença. Existe ainda uma grande diversidade de possibilidades de manifestações clínicas referentes à endometriose, que podem se apresentar desde casos com completa ausência de sintomas, até quadros onde as pacientes sofrem com intensa dor pélvica de forma crônica, dismenorreia e dispareunia. Esses sintomas são decorrentes das possíveis lesões em órgãos não reprodutivos. Outra con - seqüência que pode vir de lesões causadas pela endometriose é a infertilidade, que pode estar relacionada com a quantidade de lesões, tamanho das mesmas e a localização dos focos endometriais. Esse conjunto de fatores, sintomas e características geram ampla repercussão nos mais diversos aspectos da vida das mulheres afetadas pela endometriose (SOUSA; JÚNIOR; VENTURA, 2020). 54 Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações Campana (2021) ao falar sobre o amplo acometimento da endometriose escreve que os diversos e múltiplos tipos e subtipos de endometriose estão cor- relacionados diretamente com a localização do tecido, salientando os principais tipos dessa doença ginecológica como: Endometriose Intestinal; Endometriose Superficial; Endometriose Profunda; Endometriose Ováriana; Endometriose de Parede e até mesmo Endometriose Pulmonar (CAMPANA, 2021). Antunes et al. (2021), ao citar alguns outros trabalhos sobre a classificação da endometriose, traz o que diz a American Fertility Society (AFS,1966), de acordo com o exposto na tabela a seguir: Tabela 1 - Classificação da endometriose pela AFS (American Fertility Society). Estágio I ou Doença Mínima Onde se nota a presença de manchas peritoneais. Estágio II ou Leve Quando se observa manchas peritoneais extensas e/ou aderências. Estágio III ou Moderada Quando existe a formação de endometriomas profundos. Estágio IV ou Severa Onde há um grande comprometimento do tubo ovariano com obstrução do fundo de saco de Douglas. Fonte: Antunes et al. (2021). De acordo com Souza (2022), uma a cada dez mulheres possui endometriose no país, sendo que muitas delas apresentam os sintomas característicos e ainda assim em muitos casos não sabem do diagnóstico para endometriose. A fim de gerar consciência por parte da população acerca dessa problemática, foi san - cionada a Lei de nº 14.324, onde se tem instituído o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, assim como a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose, com vista de espalhar maiores informações relativa ao tratamento da doença, sendo que este é ofertado integralmente de forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde) (BRASIL, 2022). O conjunto de sintomas que se apresenta nos casos endometriose, em cada paciente, tendem a ser considerados como pontos de apoio para a escolha do tratamento, assim com a intensidade e a gravidade apresentada pela doença. Outros fatores que precisam ser observados criteriosamente são a idade da paciente e a localização da endometriose. O tratamento pode ser realizado de forma medicamentosa, pode envolver intervenções cirúrgicas de baixa ou alta complexidade e/ou fisioterapia (SOUZA, 2022). 55 ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br A acupuntura e a Ciência Naturalmente a acupuntura é considerada como uma técnica de tratamento milenar, sendo ela uma parte da Medicina Tradicional Chinesa, de forma que a mesma é usada há mais de 2 milênios para fins diagnósticos, com finalidades terapêuticas, assim como, no auxílio a prevenção de diversas doenças. Essa téc- nica peculiar se utiliza de agulhas que são levemente inseridas em alguns pontos específicos do corpo, onde normalmente são locais tidos como “canais de energia”, chamados de meridianos, aos quais possuem o objetivo de restaurar e/ou manter as mais diversas funções do organismo (CONTATORE; TESSER; BARROS, 2018). No trabalho de Antunes et al. (2021), pode-se ver que os autores afirmam que os estímulos que se tem graças a aplicação das agulhas em lugares específi- cos de acordo com as técnicas de acupuntura, os também chamados por eles de acupontos, promovem a ativação de diversas fibras as quais apresentam ligações desde a pele, sendo que assim ainda geram ações diretas nos mais diversos órgãos, sendo que se é visto muito comumente a ação do tratamento de maneira imediata. Quando se faz a aplicação das técnicas de acupuntura, tem-se o retorno sistemático do indivíduo alvo, ao seu estado normal, sendo assim, como este se sentia antes da doença ao qual está tratando (ANTUNES et al., 2021). Tais inserções geram estímulos em terminações nervosas e sucessiva - mente na musculatura, irradiando para o sistema nervoso central (SNC), onde esse estímulo é reconhecido e assim traduzido em três níveis diferentes, sendo eles o nível hipotalâmico, ao qual origina a ativação do eixo hipotálamo-hipófise, gerando por sua vez a liberação na corrente sanguínea e no líquido encefálico raquidiano de β-endorfinas, que agem como analgésicos, liberam ainda cortisol e serotonina, com ação antiinflamatória e antidepressiva, respectivamente; No nível do mesencéfalo, por sua vez, acarreta na ativação de células nervosas da substância cinzenta, subseqüentemente liberando endorfinas, que estimulam positivamente a produção de serotonina e norepinefrina; e por fim, no nível da medula espinal, provoca a ativação dos interneurônios presentes na substância gelatinosa, além de agir na liberação de substâncias chamadas dinorfinas (PIETA; LEITE, 2017). Os estudos corroboram o fato de que a inserção das agulhas na pele causa processos de micro inflamação, este ativa e estimula a produção natural das substâncias supracitadas. Com a liberação desses neurotransmissores, ocorre 56 Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações um bloqueio nos processos de propagação dos estímulos da dor no sistema nervoso central (SNC), dessa forma impedindo que o cérebro possa perceber, abrindo um processo em cadeia de um estado de analgesia (ALVARENGA; AMA- RAL; STEFFEN, 2014). Segundo Mirzaee e Ahmadi (2021), a Acupuntura pode ser considerada como método alternativo de tratamento, sendo uma técnica que tem eficácia se aplicada sozinha em diversas modalidades de tratamento, ou juntamente com outras terapêuticas da medicina ocidental, mesmo que sem o uso de recursos medicamentosos. Muitos dos estudos analisados trazem relatos e concluem que a acupun- tura é uma técnica com amplo escopo de benefícios quanto ao tratamento da endometriose, justamente pela sua capacidade e eficácia em gerar alivio em relação aos sintomas dolorosos, mostrando muitas vezes mais eficiência do que alguns fármacos. Sousa, Júnior e Ventura (2020), salientam que em alguns casos, o quadro de endometriose traz consigo a infertilidade e processos aderenciais, nesses casos pode-se observar que o tratamento com a acupuntura tende a trazer resultados agradáveis às pacientes. Algo que merece destaque sobre a técnica da acupuntura é que ela tende a gerar melhora em relação aos quadros emocio- nais como stress, irritabilidade e depressão (SOUSA; JÚNIOR; VENTURA, 2020). Corroborando com tais informações, o trabalho de Artioli, Tavares e Berto- lini (2019), anteriormente já declarava que a técnica da acupuntura traz consigo muitos benefícios, sendo que em relação a casos de endometriose, o uso dela provoca alívio das dores, visto que ao gerar estímulos nos nervos que ficam na musculatura e em outros tipos de tecidos é provocada a liberação de endorfina no organismo. É comprovado ainda que a acupuntura tende ainda a acarretar melhoras em relação ao sistema imunológico e ao sistema endócrino, assim como promove o aquecimento uterino e auxilia no processo da ovulação, aumentando a fertilidade (ARTIOLI; TAVARES; BERTOLINI, 2019). Trabalhos como o desenvolvido por Artioli, Tavares e Bertolini (2019), mos- tram que para localizar um ponto de acupuntura se faz necessário certo grau de sensibilidade, pois os pontos de acupuntura normalmente estão localizados nas áreas de depressões ósseas, nos músculos, ou na área das articulações. Esses pontos tendem a ser naturalmente sensíveis a pressão digital, isso se intensifica em casos onde possa existir alguma doença ou algum sintoma associado ao ponto de acupuntura. Pieta e Leite (2017, p 5), dizem que “A acupuntura não trata apenas 57 ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br o local comprometido no corpo, ela também atua em todo o sistema nervoso, estimulando assim o mecanismo de compensação e equilíbrio no corpo todo”. As técnicas de acupuntura, mesmo sendo um método alternativo, é uma ferramenta poderosa e eficaz, devendo ser considerada de relevância terapêu - tica, visto que possui como um dos objetivos imediatos a analgesia, a fim de minimizar os possíveis efeitos colaterais causados por fármacos que deixariam de ser utilizados, ou minimizariam sua necessidade, preservando a saúde da paciente e ajudando a devolver uma boa parte da qualidade de vida para elas (MIRZAEE; AHMADI, 2021). Tratamento da sintomática da endometriose com acupuntura Em relação aos protocolos mais comuns de acupuntura como tratamento para a endometriose, se tem normalmente a realização de oito sessões, essas sessões são realizadas comumente uma vez por semana, mas podendo-se alternar com a fisioterapia pélvica, que pode ser considerada como outra grande aliada quanto a esse tratamento. Como citado e reiterado de forma corroborativa em diversos dos trabalhos estudados para a construção dessa revisão bibliográfica, pode-se inferir assertivamente que a acupuntura objetiva influenciar e estimular a recuperação do organismo de forma integral, e isso se deve pelo fato de que ela induz a processos regenerativos, estimula a normalização das possíveis funções que estão alteradas, gerando ainda uma espécie de reforço do sistema imunológico, além de agir em mecanismos que permitem o manejo e alívio dor (PIRES, 2021). Pires (2021), ainda diz que quanto ao tratamento da endometriose, podendo este ser de cunho cirúrgico ou com medicações, a Acupuntura se mostra como uma alternativa altamente viável visto que é um método natural, além de que se tem em larga escala material científico que afirma a sua eficácia no tocante ao auxílio no alívio dos sintomas da endometriose, assim como na redução dos efeitos colaterais dos fármacos utilizados mediante ao tratamento medicamentoso (PIRES, 2021). Antunes e colaboradores (2021), abordando sobre os tratamentos com a acupuntura, expõem que esta possui a capacidade de modular, de forma neu - roquimica, os reflexos da dor, tanto ao se tratar deles em referência a medula espinhal, quanto ao encéfalo. Eles ainda explicam que tais influencias podem afetar quanto a atividade encefálica, como respostas ao estimulo em acupontos 58 Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações de maiores áreas, como o ponto chamado “E36”. A estimulação deste ponto promove a maior ativação da região cerebral, conhecida como hipotálamo, o qual promove a maior liberação de endorfina no organismo, sendo ainda responsável pelo controle dos comportamentos, da temperatura corporal, e responde com estímulos tais quais os de comer e de beber. Outra região cerebral que pode ser estimulada pela aculpuntura e o “núcleo accumbens”, que é uma área responsável por regular as emoções, equilibra sensações como a motivação, tem influencia sobre o poder de cognição humana e participa dos processos que envolvem a liberação de um poderoso neurotransmissor, a Dopamina, neurotransmissor esse que é intrínseco às reações de prazer. O estímulo correto no acuponto exato pode ainda desativar uma área conhecida como hipocampo, área essa que se liga ao controle das ações e reações de ordem emocional, assim gerando influência também em atitudes e comportamentos, da mesma forma que em uma varie - dade de impulsos motivacionais. A acupuntura pode então, dessa forma, gerar influência quanto a redução do consumo de fármacos como medicamentos do tipo analgésico, assim como medicamentos anestésicos (ANTUNES et al., 2021). A Acupuntura, em relação aos seus resultados relatados, pode ser encarada como uma alternativa altamente viável para o tratamento de doenças como a endometriose, pois como visto, ela tem a capacidade de produzir no organismo do indivíduo efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, podendo ajudar ainda a regular a produção de hormônios como o estrógeno e a progesterona (ARTIOLI; TAVARES; BERTOLINI, 2019). Fontes (2021),associa o uso da acupuntura a fim de proporcionar a regulação dos sintomas, gerando alivio das dores de maneira que alguns medicamentos não conseguem. Não sendo tudo isso o bastante, a acupuntura ainda pode melhorar o quadro emocional, stress, irritabilidade, depressão, bem como ajudar nas ade- rências e na infertilidade, obtendo resultados muito significativos (FONTES, 2021). De maneira prática, o foco que os profissionais da área da saúde precisam dar ao tratamento imediato da endometriose é o de gerar alívio da dor, porém nos casos onde a causa é musculoesquelética, a correção do problema de base gerará uma melhora, senão a cura, da paciente (BARACHO, 2007). Assim, os diversos profissionais da área da saúde, devidamente capacitados podem usar de recursos para trazer de volta a qualidade de vida na saúde e na vida das pacientes acometidas com a endometriose, como por exemplo, a utilização da acupuntura, 59 ISBN 978-65-5360-942-6 - Vol. 2 - Ano 2025 - www.editoracientifica.com.br como uma técnica segura, natural e com menor custo aliada ao tratamento para este fim (ARTIOLI; TAVARES; BERTOLINI, 2019). CONCLUSÃO A endometriose é um problema de saúde feminina que afeta uma alta parcela da população, isso se intensifica quando se observa a faixa da população de mulheres em idade reprodutiva. Apesar de não apresentar caráter maligno, achados de tecido endometrial em ambientes fisiológicos diferentes da cavidade uterina tende a comumente provocar dismenorreia, dispareunia, dor pélvica, além de algumas vezes provocar alterações intestinais, mais ocasionalmente no período menstrual, o que impacta prejudicialmente de maneira direta a qualidade de vida das mulheres afetadas. Comumente o diagnóstico da endometriose pode ser feito com o conjunto de sinais clínicos apresentados pelas pacientes, assim como com exames labo- ratoriais e de imagem. O tratamento da endometriose pode ser variável, e vai ser definido de acordo com a gravidade de cada caso, podendo ser apenas com observação profissional, com medicamentos, normalmente hormônios como o progestogênio e com auxílio de medicações sintomáticas. É nesse ponto onde a acupuntura pode ser inserida de maneira altamente benéfica. Os estudos apontam que a Acupuntura sendo um método natural, quando aplicada de forma correta e em locais específicos no corpo das pacientes, tende a melhorar as reações inflamatórias no organismo das pacientes portadoras de Endometriose. Essa melhora inflamatória tende a aliviar os reflexos dolorosos e os principais desconfortos vindos dessa doença. Ao terminar o estudo para a construção final desse trabalho, fica entendido que a acupuntura pode ser uma poderosa ferramenta para melhorar o quadro geral e atribuir melhor qualidade de vida para as pacientes. Nota-se ainda que existam poucos trabalhos acadêmicos com a mesma vertente, dessa maneira o presente estudo vem como forma de somar nessa escassa literatura. Visto que essa conduta terapêutica acerca da saúde da mulher e de uma forma mais adequada no tratamento da Endometriose, podendo usar assim, das técnicas da Acupuntura. 60 Cuidado Integral em Saúde: Perspectivas Interdisciplinares, Políticas Públicas e Inovações REFERÊNCIAS ARTIOLI, D. P.; TAVARES, A. L. F.; BERTOLINI, G. R. F. Auriculoterapia: neurofisiologia, pontos de escolha, indicações e resultados em condições dolorosas musculoesqueléticas: revisão sistemática de revisões. BrJP. São Paulo/SP. n. 2. v. 4. 2019. AMARAL, P. P. Aspectos diagnósticos e terapêuticos da endometriose. 2017. Disponível em: http:// repositorio.faema.edu.br/handle/123456789/1228. Acesso em: 21 de Ago. 2021. ANTUNES, W. A.; GUIMARÃES, J. E. V.; CABRAL, R. S. C.; NOGUEIRA, L. S. V.; CABRAL, F. D. Acupuntura no tratamento de endometriose: revisão narrativa. Brazilian Journal of Health Review. Curitiba. v.4. n.6. p. 23700-23713. 2021. BARACHO, E. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia. 30 Ed. 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