Reserva ovariana em pacientes com endometriose
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Abstract
Objetivo: Avaliar o impacto da endometriose sobre a reserva ovariana e as condutas clínicas que visem sua preservação, considerando dados experimentais, observacionais e estratégias de preservação da fertilidade. Métodos: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados United States National Library of Medicine (PubMed) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), em junho e julho de 2025. Consideraram-se artigos publicados entre 2009 e 2025, nos idiomas português e inglês, relacionados à “endometriose”, “reserva ovariana” e “fertilidade”. Entre esses, selecionaram-se estudos originais, revisões sistemáticas e ensaios clínicos que abordassem a relação entre endometriose e reserva ovariana, além de estratégias de preservação da fertilidade. Após a triagem de títulos, resumos e textos completos, 34 estudos foram identificados para análise. Constituíram critérios de exclusão os artigos duplicados, estudos com modelos animais não aplicáveis à prática clínica e publicações que não abordassem diretamente os parâmetros da reserva ovariana. Os dados foram compilados de forma descritiva e qualitativa por revisores independentes. Foram analisados subtipos de endometriose, modelos utilizados (in vitro, in vivo e humanos), biomarcadores avaliados (hormônio anti-Mülleriano [AMH], hormônio folículo-estimulante [FSH] e contagem de folículos antrais [AFC]), mecanismos fisiopatológicos (inflamação e estresse oxidativo) e estratégias clínicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação de oócitos. Resultados: Estudos demonstram que a endometriose, em razão de seu ambiente inflamatório rico em citocinas, aumenta o estresse oxidativo e a apoptose em células da granulosa, prejudicando o desenvolvimento folicular e a qualidade oocitária. Em animais, a presença de endometriomas leva à perda de folículos, à fibrose e ao comprometimento da vascularização ovariana, reduzindo o número de folículos primordiais e antrais, além da qualidade dos oócitos. Em mulheres com endometriose, observa-se redução do AMH, da contagem de folículos antrais (AFC) e aumento do FSH basal, indicando menor reserva e responsividade ovariana. O número de oócitos aspirados também é menor, e o AMH se destaca como o melhor marcador de má resposta ovariana. A criopreservação de oócitos é viável, mas mulheres com endometriose, especialmente com histórico cirúrgico ou endometriomas bilaterais, frequentemente necessitam de múltiplos ciclos para alcançar um número adequado de oócitos. Conclusão: A endometriose compromete a reserva ovariana por mecanismos inflamatórios, estresse oxidativo e alterações estruturais associadas aos endometriomas. Essa condição reduz os níveis de AMH, a contagem de folículos antrais e o número de oócitos viáveis, impactando negativamente o potencial reprodutivo, mesmo em fases iniciais da doença. A criopreservação de oócitos representa uma opção segura e eficaz para a preservação da fertilidade, mas a resposta à estimulação ovariana pode ser limitada, exigindo planejamento precoce, sobretudo em pacientes com histórico cirúrgico ou doença bilateral.
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