{"paper_id":"ef374666-abf8-4620-be85-790a652a806b","body_text":"PRÁTICAS INTEGRATIVAS E\nCOMPLEMENTARES NO\nMANEJO DA DOR EM\nMULHERES COM\nENDOMETRIOSE:\nCONTRIBUIÇÕES DA\nENFERMAGEM\nINTEGRATIVE AND COMPLEMENTARY PRACTICES IN PAIN MANAGEMENT\nFOR WOMEN WITH ENDOMETRIOSIS: CONTRIBUTIONS FROM NURSING\nCiências da Saúde23/05/2026\nREGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779466759\nMikaelle Silva Ferreira1\nLuanna de Almeida Dias2\nFernanda italiano Alves Benício Sousa3\n•\nIS S N  2 9 6 5-6 6 7 2  | Q u a lis A2\n\nRESUMO\nA endometriose é uma condição inflamatória crônica associada à\ndor pélvica persistente e impactos significativos na qualidade de\nvida das mulheres, exigindo abordagens terapêuticas ampliadas. O\npresente estudo teve como objetivo investigar o uso das práticas\nintegrativas e complementares no manejo da dor em mulheres com\nendometriose, destacando o papel da enfermagem na promoção do\ncuidado integral. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de\nnatureza qualitativa e abordagem descritivo-analítica, conduzida no\nperíodo de 2025 a 2026, com base na estratégia PICo e seguindo as\nrecomendações do PRISMA. A busca foi realizada nas bases\nPubMed, ScienceDirect, LILACS, Google Scholar e SciELO, incluindo\nestudos publicados entre 2017 e 2025. Após aplicação dos critérios\nde elegibilidade, 15 estudos compuseram a amostra final. Os\nresultados evidenciaram que práticas como acupuntura, yoga,\nterapia cognitivo-comportamental, fitoterapia e intervenções\nmente-corpo apresentam efeitos positivos na redução da dor,\nmelhora da qualidade de vida e bem-estar emocional. Destacou-se a\nacupuntura como a intervenção com maior robustez científica, com\nevidências provenientes de ensaios clínicos randomizados e revisões\nsistemáticas. Além disso, observou-se que as práticas integrativas\ncontribuem para o fortalecimento do autocuidado, autonomia das\npacientes e ressignificação da experiência de adoecimento.\nContudo, foram identificadas limitações, como heterogeneidade\nmetodológica e ausência de padronização dos protocolos. Conclui-\nse que as práticas integrativas e complementares constituem\nestratégias eficazes e promissoras no manejo da dor em mulheres\ncom endometriose, especialmente quando associadas ao\ntratamento convencional, sendo a enfermagem fundamental na\npromoção do cuidado integral, educação em saúde e uso seguro\ndessas terapias.\n\nPalavras-chave: Endometriose; Práticas integrativas e\ncomplementares; Enfermagem.\nABSTRACT\nEndometriosis is a chronic inflammatory condition associated with\npersistent pelvic pain and significant impacts on women’s quality of\nlife, requiring expanded therapeutic approaches. The present study\naimed to investigate the use of integrative and complementary\npractices in pain management among women with endometriosis,\nhighlighting the role of nursing in promoting comprehensive care.\nThis is an integrative literature review, qualitative in nature and\nemploying a descriptive-analytical approach, conducted from 2025\nto 2026, based on the PICo strategy and following the PRISMA\nguidelines. The search was conducted in the PubMed, ScienceDirect,\nLILACS, Google Scholar, and SciELO databases, including studies\npublished between 2017 and 2025. After applying the eligibility\ncriteria, 15 studies comprised the final sample. The results showed\nthat practices such as acupuncture, yoga, cognitive-behavioral\ntherapy, herbal medicine, and mind-body interventions have\npositive effects on pain reduction, improved quality of life, and\nemotional well-being. Acupuncture stood out as the intervention\nwith the strongest scientific evidence, supported by randomized\nclinical trials and systematic reviews. In addition, it was observed\nthat integrative practices contribute to strengthening self-care,\npatient autonomy, and reframing the experience of illness. However,\nlimitations were identified, such as methodological heterogeneity\nand a lack of standardized protocols. It is concluded that integrative\nand complementary practices constitute effective and promising\nstrategies for pain management in women with endometriosis,\nespecially when combined with conventional treatment, with\nnursing playing a fundamental role in promoting comprehensive\n\ncare, health education, and the safe use of these therapies.\nKeywords: Endometriosis; Integrative and complementary practices;\nNursing.\n1. INTRODUÇÃO\nA endometriose é uma doença inflamatória crônica que acomete\ncerca de 10% a 15% das mulheres em idade fértil, caracterizando-se\npela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Pode\nser classificada conforme localização, extensão e gravidade, estando\nassociada a um processo inflamatório persistente que, em muitos\ncasos, evolui de forma assintomática, contribuindo para o atraso no\ndiagnóstico. (Figueiredo; Bouças, 2025)\nOs agravos decorrentes dessa condição impactam diretamente a\nvivência das mulheres no contexto biopsicossocial, podendo assumir\ncaráter incapacitante. A manifestação dos sintomas ocorre\nprecocemente em grande parte dos casos, especialmente no\nperíodo reprodutivo. Entre as principais manifestações clínicas,\ndestacam-se dor pélvica crônica, dismenorreia progressiva,\ndispareunia, dor sacral, disúria, dor ao evacuar e alterações\nintestinais, como diarreia ou constipação, além de menorragia e\novulação dolorosa. (Smolarz; Szy łł o; Romanowicz, 2021)\nEssa condição repercute de forma significativa na vida das mulheres,\ncomprometendo aspectos físicos, emocionais, sociais e reprodutivos.\nA intensidade e a recorrência dos sintomas contribuem para\nsofrimento contínuo, exigindo adaptações no estilo de vida, como\nmudanças alimentares, prática de atividades físicas e\nacompanhamento multiprofissional. (alves et al., 2025)\n\nNo âmbito laboral, a dor frequentemente compromete a\nprodutividade e a permanência no trabalho, sendo agravada pela\nfalta de reconhecimento social da doença. Muitas mulheres\npermanecem em atividade mesmo diante do adoecimento, o que\nintensifica o desgaste físico e emociona. (Nascimento et al., 2024)\nA dor, principal manifestação da endometriose, é definida pela\nAssociação Internacional para o Estudo da Dor como uma\nexperiência sensorial e emocional desagradável associada a dano\nreal ou potencial (Oliveira et al., 2020). Enquanto a dor aguda\ncorresponde a uma resposta imediata a estímulos nocivos, a dor\ncrônica característica da endometriose persiste por período superior\na três meses e envolve mecanismos orgânicos, psicofisiológicos e\nemocionais, o que torna seu manejo mais complexo. (Vieira; Prinz,\n2022; Oliveira et al., 2023)\nDiante da natureza crônica da doença e das limitações das\nabordagens exclusivamente farmacológicas, observa-se a busca por\nestratégias terapêuticas complementares. Nesse contexto,\ndestacam-se as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde\n(PICS), regulamentadas pelo Conselho Federal de Enfermagem por\nmeio da Resolução nº 739/2024, que propõem um modelo de\ncuidado integral, humanizado e centrado na pessoa, estimulando\nmecanismos naturais de prevenção, promoção e recuperação da\nsaúde. (COFEN, 2024)\nAs PICS foram incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) em\n2006 com o objetivo de ampliar as possibilidades terapêuticas e\npromover maior autonomia das pacientes. Entre as práticas mais\nutilizadas, destacam-se acupuntura, fitoterapia, homeopatia, reiki,\naromaterapia e meditação. Apesar do crescimento das evidências,\n\nfatores como escassez de profissionais capacitados, limitações de\ninvestimento e desigualdades estruturais ainda dificultam sua\nampliação no sistema de saúde. (Nascimento et al., 2025)\nNesse cenário, a Sistematização da Assistência de Enfermagem\n(SAE) assume papel essencial na organização do cuidado. A atuação\ndo enfermeiro deve ocorrer de forma integral e contínua,\ncontemplando dimensões físicas, emocionais e sociais. Estratégias\ncomo escuta qualificada, apoio psicossocial e educação em saúde\ncontribuem para a redução do sofrimento e para o fortalecimento da\nautonomia das pacientes (Alves et al., 2021).\nDiante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo\ninvestigar o uso das práticas integrativas e complementares no\nmanejo da dor em mulheres com endometriose, destacando o\npapel da enfermagem na promoção do cuidado integral.\n2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA\n2.1. Endometriose e Suas Condições Clínicas\nA endometriose é uma condição ginecológica crônica caracterizada\npela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina,\npodendo acometer estruturas como miométrio e órgãos adjacentes,\nincluindo bexiga, ureteres, ovários e trato intestinal. Trata-se de uma\ndoença estrogênio-dependente, que incide predominantemente\nem mulheres em idade reprodutiva, sendo frequentemente\nassociada a repercussões na fertilidade e na qualidade de vida.\n2.1.1. Conceito, Fisiopatologia e Fatores de Risco\n\nDo ponto de vista fisiopatológico, a endometriose está\nintrinsecamente relacionada a alterações estruturais e funcionais do\nsistema reprodutor feminino. A infertilidade, por exemplo, constitui\numa das principais complicações da doença, sendo decorrente de\nmodificações na anatomia pélvica, formação de aderências entre\nórgãos, cicatrizes nas tubas uterinas, processos inflamatórios\ncrônicos e alterações imunológicas e hormonais (Wang et al., 2022).\nAlém disso, fatores de risco diversos têm sido associados ao\ndesenvolvimento da doença, como oscilações hormonais, menarca\nprecoce, ciclos menstruais curtos, consumo de álcool e cafeína, bem\ncomo exposição a fatores ambientais. Tais elementos contribuem\npara o aumento da predisposição ao surgimento de lesões\nendometrióticas, especialmente os endometriomas ovarianos\n(Calzada, 2024).\nNo que se refere à etiologia, a literatura evidencia uma pluralidade\nde teorias. Inicialmente, no século XIX, destacava-se a teoria\nmetaplásica, que sugeria a transformação de células em tecido\nendometrial ectópico. Posteriormente, Sampson (1925) propôs a\nteoria da menstruação retrógrada, amplamente difundida, segundo\na qual células endometriais viáveis refluxariam pelas tubas uterinas\ne se implantariam na cavidade peritoneal. Entretanto, essa teoria\nnão explica integralmente a doença, uma vez que o refluxo\nmenstrual ocorre em grande parte das mulheres sem evolução para\nendometriose.\nNesse contexto, abordagens mais recentes, como a teoria genética e\nepigenética, destacam a influência de fatores hereditários e\nalterações na regulação da expressão gênica. Koninckx et al. (2021)\napontam que o processo contínuo de replicação celular, associado a\n\nfatores mutagênicos, pode favorecer o desenvolvimento de focos\nendometrióticos, conferindo à doença características semelhantes a\nprocessos neoplásicos, especialmente no que se refere à capacidade\nproliferativa e invasiva. Contudo, apesar dos avanços, ainda não há\nconsenso sobre uma teoria única que explique completamente a\norigem da endometriose.\n2.1.2. Tipos de Endometriose e Sintomatologia\nAs lesões endometrióticas ectópicas são compostas por estroma e\nglândulas endometriais, sendo classificadas em três principais\nformas clínicas: endometriose peritoneal superficial, endometrioma\novariano e endometriose infiltrativa profunda.\nA endometriose peritoneal superficial apresenta prevalência\nestimada entre 15% e 50% das mulheres, sendo caracterizada por\nlesões classificadas em vermelhas, pretas e brancas, que refletem\ndiferentes estágios evolutivos da doença. As lesões vermelhas\nindicam fase inicial, com alta vascularização; as pretas\ncorrespondem a estágios mais avançados; e as brancas estão\nassociadas a processos fibróticos e cicatriciais.\nO endometrioma ovariano, por sua vez, acomete cerca de 2% a 10%\ndas mulheres em idade reprodutiva, caracterizando-se pela\nformação de cistos ovarianos com conteúdo espesso e de coloração\nmarrom, conhecidos como “cistos achocolatados”. Sua formação\nestá relacionada, entre outras hipóteses, à invaginação do córtex\novariano e à incorporação de focos endometrióticos superficiais\n(Dutra et al., 2023).\nJá a endometriose infiltrativa profunda é considerada a forma mais\ngrave da doença, sendo definida pela penetração de lesões abaixo\n\ndo peritônio, acometendo estruturas como ligamentos útero-sacros,\nsepto retovaginal, trato urinário e parede intestinal. Essa forma\napresenta maior potencial invasivo e está associada a sintomas mais\nintensos (Imperiale et al., 2023; Temponi et al., 2023).\nDessa forma, observa-se que a endometriose constitui uma\ncondição complexa e multifatorial, cuja compreensão exige a\nintegração de diferentes perspectivas teóricas e clínicas,\nevidenciando a necessidade de abordagens diagnósticas e\nterapêuticas mais abrangentes.\n2.2. Abordagens Terapêuticas na Endometriose: Tratamento\nConvencional Versus Práticas Integrativas\nO manejo da endometriose apresenta caráter desafiador, uma vez\nque não há tratamento curativo definitivo, sendo as abordagens\nterapêuticas direcionadas principalmente ao controle da dor,\nredução da progressão da doença e preservação da fertilidade\n(Zondervan et al., 2020; Becker et al., 2022). Nesse contexto,\ndestacam-se o tratamento convencional e, de forma crescente, as\npráticas integrativas e complementares em saúde.\nO tratamento convencional baseia-se, predominantemente, em\nterapias hormonais e intervenções cirúrgicas. As terapias hormonais,\ncomo contraceptivos orais combinados, progestagênios e análogos\ndo hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), atuam na\nsupressão da atividade estrogênica, reduzindo a proliferação do\ntecido endometrial ectópico. Apesar de sua eficácia no controle\nsintomático, tais abordagens apresentam limitações importantes,\ncomo efeitos adversos, recorrência dos sintomas após a interrupção\n\ndo tratamento e impacto na fertilidade durante o uso (Becker et al.,\n2022; Chapron et al., 2019).\nNo que se refere à abordagem cirúrgica, especialmente a\nlaparoscopia, esta é indicada em casos de dor refratária ou\ncomprometimento anatômico relevante. Embora possibilite a\nremoção de lesões e melhora clínica inicial, a literatura aponta taxas\nconsideráveis de recorrência da doença, além de riscos inerentes ao\nprocedimento. Ademais, observa-se controvérsia quanto ao\nmomento ideal para indicação cirúrgica, sobretudo em mulheres\nque desejam engravidar (Zondervan et al., 2020; Chapron et al., 2019).\nDiante dessas limitações, as práticas integrativas e complementares\ntêm ganhado espaço como estratégias adjuvantes no manejo da\nendometriose. Entre as mais investigadas, destacam-se a\nacupuntura, intervenções nutricionais, mudanças no estilo de vida e\nterapias complementares baseadas em evidências. Estudos recentes\nsugerem que a acupuntura pode contribuir para a redução da dor\npélvica por meio da modulação neurofisiológica, enquanto\nabordagens nutricionais anti-inflamatórias podem atuar na\nregulação hormonal e na redução do estado inflamatório sistêmico\n(Armour et al., 2019; Becker et al., 2022).\nEntretanto, apesar dos resultados promissores, observa-se uma\nimportante lacuna na literatura quanto à padronização dos\nprotocolos dessas terapias, bem como à heterogeneidade\nmetodológica dos estudos disponíveis. Além disso, ainda há\nresistência no meio biomédico quanto à incorporação dessas\npráticas como parte do tratamento convencional, frequentemente\nassociada à limitação de evidências de alto nível (Zondervan et al.,\n2020; Armour et al., 2019).\n\nOutro ponto de debate refere-se ao fato de que as práticas\nintegrativas, embora eficazes na melhora da qualidade de vida e no\ncontrole sintomático, raramente atuam diretamente na regressão\ndas lesões endometrióticas, o que limita seu uso como terapia\nisolada (Becker et al., 2022).\nNesse cenário, evidencia-se que o manejo mais eficaz da\nendometriose tende a ser multidimensional, integrando terapias\nfarmacológicas, intervenções cirúrgicas e práticas integrativas, com\nfoco na individualização do cuidado. Contudo, a ausência de\ndiretrizes unificadas que integrem essas abordagens constitui uma\nlacuna relevante na literatura contemporânea (Zondervan et al.,\n2020; Becker et al., 2022).\nDessa forma, a comparação entre tratamento convencional e\npráticas integrativas não deve ser compreendida como excludente,\nmas complementar, apontando para a construção de um modelo de\ncuidado mais holístico, centrado na paciente e baseado em\nevidências científicas atuais (Armour et al., 2019; Becker et al., 2022).\n3. METODOLOGIA\nTrata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, com\nabordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, cujo objetivo foi\nanalisar o uso das práticas integrativas e complementares no\nmanejo da dor em mulheres com endometriose, destacando o\npapel da enfermagem na promoção do cuidado integral.\nA elaboração da questão norteadora foi fundamentada na estratégia\nPICo (População, Interesse e Contexto), sendo definida da seguinte\nforma: P (População): mulheres com diagnóstico de endometriose; I\n(Interesse): práticas integrativas e complementares em saúde; Co\n\n(Contexto): manejo da dor e atuação da enfermagem. A partir dessa\nestrutura, formulou-se a seguinte questão: “Quais são as evidências\ncientíficas acerca do uso das práticas integrativas e complementares\nno manejo da dor em mulheres com endometriose e qual o papel\nda enfermagem na promoção do cuidado integral?”.\nA busca dos estudos foi realizada de forma sistematizada nas bases\nde dados PubMed, ScienceDirect, LILACS e SciELO. Adicionalmente,\no Google Scholar foi utilizado como ferramenta complementar para\nrastreamento adicional da literatura científica. Com a estratégia de\nbusca conduzida por meio da combinação de descritores\ncontrolados (DeCS/MeSH) e não controlados, nos idiomas português\ne inglês. Foram utilizadas as seguintes strings de\nbusca:“Endometriosis AND Pain AND Complementary Therapies\nAND Nursing”\n“Endometriosis AND Chronic Pelvic Pain AND Integrative Medicine”\n“Endometriose AND dor pélvica AND práticas integrativas AND\nenfermagem”\nOs termos foram combinados por meio dos operadores booleanos\nAND e OR, garantindo maior sensibilidade e especificidade na\nrecuperação dos estudos.\nA coleta de dados foi realizada entre 2025 e 2026, incluindo artigos\npublicados entre 2017 e 2025 disponíveis na íntegra, nos idiomas\nportuguês, inglês e espanhol, que abordassem o uso das práticas\nintegrativas e complementares no manejo da dor em mulheres com\nendometriose ou condições correlatas. Foram incluídos diferentes\ndelineamentos metodológicos, como ensaios clínicos randomizados,\nrevisões sistemáticas, revisões integrativas, estudos qualitativos e\nestudos observacionais. Como critérios de exclusão, consideraram-se\nestudos duplicados, artigos incompletos, resumos sem acesso ao\n\ntexto completo e aqueles que não apresentavam relação direta com\no objetivo proposto.\nA seleção dos estudos ocorreu em etapas sequenciais: leitura dos\ntítulos, análise dos resumos e avaliação na íntegra dos artigos\npotencialmente elegíveis, conforme as recomendações do PRISMA,\nassegurando transparência, rigor metodológico e reprodutibilidade\ndo processo. Ao final, 15 estudos atenderam aos critérios\nestabelecidos, compondo a amostra final desta revisão. Após a\naplicação dos critérios, os estudos elegíveis foram incluídos para\nanálise.\nOs dados foram extraídos e organizados em quadro sinóptico\ncontendo: número do estudo, autor/ano, base de dados de origem,\nmetodologia e principais resultados. A análise foi realizada de forma\ndescritiva e comparativa, permitindo a identificação de\nconvergências, divergências e lacunas na literatura.\nPara a classificação do nível de evidência, considerou-se a hierarquia\nmetodológica dos estudos, atribuindo maior robustez a ensaios\nclínicos randomizados e revisões sistemáticas, e menor nível a\nestudos observacionais e qualitativos. Esse procedimento\npossibilitou uma análise crítica mais aprofundada dos achados,\nconforme recomendado para revisões integrativas.\nPor tratar-se de um estudo baseado em dados secundários de\ndomínio público, não houve necessidade de submissão ao Comitê\nde Ética em Pesquisa, conforme a Resolução nº 510/2016 do\nConselho Nacional de Saúde.\nFigura 1: Fluxograma Prisma para seleção dos artigos\n\nFonte: Elaborado pelas autoras\nTabela 1: Síntese dos estudos sobre práticas integrativas no manejo\nda dor\nNº Autor/Ano Base de\ndados\n(real)\nMetodolog\nia\nPrincipais\nresultados\n(análise crítica)\n1 Liang et al.,\n2023\nPubMed Protocolo\nde ensaio\nclínico\nrandomiza\ndo\nO estudo\napresenta uma\nestrutura\nmetodológica\nrigorosa, com\ndelineamento\n\nmulticêntri\nco\nmulticêntrico e\ncontrole adequado\nde vieses, visando\navaliar a eficácia\nda acupuntura em\ndor crônica.\nEvidencia uma\nlacuna relevante\nna padronização\ndos protocolos\nterapêuticos,\ndestacando a\nnecessidade de\nuniformização\nmetodológica para\nmaior\ncomparabilidade\nentre estudos e\nfortalecimento da\nevidência\ncientífica.\n2 Giese et al.,\n2023\nPubMed /\nScienceDir\nect\nRevisão\nsistemátic\na com\nmeta-\nanálise\nOs achados\ndemonstram\nredução\nestatisticamente\nsignificativa da dor\npélvica, associada\nà melhora da\nqualidade de vida.\nA meta-análise\nreforça a robustez\ndos resultados,\nindicando forte\nnível de evidência\npara o uso da\nacupuntura como\nterapia\ncomplementar.\nContudo, ressalta-\nse\nheterogeneidade\nentre os estudos\n\nincluídos,\nespecialmente\nquanto aos\nprotocolos de\nintervenção.\n3 Mikocka-\nWalus et\nal., 2021\nPubMed Ensaio\nclínico\nrandomiza\ndo\nA intervenção\ncombinando yoga\ne terapia\ncognitivo-\ncomportamental\n(TCC) evidenciou\nredução\nsignificativa da\ndor, ansiedade e\ncustos em saúde.\nO estudo reforça o\nmodelo\nbiopsicossocial no\nmanejo da dor\ncrônica,\ndemonstrando\nque intervenções\nintegrativas\nmultimodais\npodem ampliar\ndesfechos clínicos\ne econômicos de\nforma consistente.\n4 Mazur-\nBialy et al.,\n2024\nPubMed Revisão\nnarrativa\nsistematiza\nda\nO estudo sintetiza\nevidências sobre\nterapias holísticas,\nincluindo\nacupuntura,\nintervenções\ndietéticas e\npráticas de\nmindfulness,\ndemonstrando\nque tais\nabordagens\natuam como\nimportantes\n\nadjuvantes ao\ntratamento\nconvencional da\ndor crônica. A\nanálise evidencia\nbenefícios na\nmodulação\ninflamatória,\nredução da dor e\nmelhora do bem-\nestar global.\nContudo, destaca-\nse limitação\nquanto à ausência\nde padronização\nmetodológica\nentre os estudos e\npredominância de\nevidências de nível\nmoderado.\n5 Silva et al.,\n2025\nPubMed\n/SciELO\nSíntese de\ndiretrizes\nclínicas\nA publicação\nreúne\nrecomendações\nbaseadas em\nevidências para o\nmanejo da dor\ncrônica,\nreforçando a\ninserção das\npráticas\nintegrativas e\ncomplementares\n(PICs) como\ncomponentes\nessenciais do\ncuidado.\nEvidencia-se forte\nrecomendação\npara abordagens\nmultidisciplinares,\ncom destaque\npara acupuntura,\n\ntécnicas mente-\ncorpo e\nintervenções não\nfarmacológicas. O\nestudo fortalece a\ntranslação do\nconhecimento\ncientífico para a\nprática clínica,\nembora a\naplicabilidade\ndependa da\ncapacitação\nprofissional e da\nestrutura dos\nserviços de saúde.\n6 Silva &\nPereira et\nal., 2022\nLILACS /\nGoogle\nScholar\nEstudo\ndescritivo\nO estudo\nevidencia\nfragilidades na\nassistência de\nenfermagem no\ncontexto da dor\ncrônica,\nespecialmente no\nque se refere à\nabordagem\nintegral do\npaciente. Identifica\nlacunas na\nformação\nprofissional\nquanto ao uso de\nPICs, bem como\nlimitações\ninstitucionais para\nsua\nimplementação. A\nanálise aponta\npara a\nnecessidade de\nampliação do\ncuidado centrado\n\nno paciente,\nincorporando\ndimensões\nbiopsicossociais e\nculturais. Destaca-\nse ainda a\nimportância da\neducação\npermanente em\nsaúde e da\natuação\nmultiprofissional\ncomo estratégias\nfundamentais para\nqualificar a\nassistência,\npromover maior\nadesão\nterapêutica e\nmelhorar os\ndesfechos clínicos.\n7 Magalhães\net al., 2025\nLILACS/\nGoogle\nScholar\nRevisão\nintegrativa\nO estudo\nevidencia que as\npráticas\nintegrativas e\ncomplementares\n(PICs)\ndesempenham\npapel estratégico\nna promoção da\nsaúde no contexto\ndo Sistema Único\nde Saúde (SUS),\ncontribuindo para\na ampliação do\ncuidado para além\ndo modelo\nbiomédico. Os\nachados\ndemonstram\nbenefícios na\nprevenção de\n\nagravos, redução\nde sintomas\ncrônicos e\nfortalecimento do\nautocuidado.\nDestaca-se a\nenfermagem\ncomo agente\nfacilitador na\nimplementação\ndessas práticas,\natuando na\neducação em\nsaúde, no vínculo\ncom o paciente e\nna coordenação\ndo cuidado. No\nentanto, são\napontados\ndesafios\nestruturais, como\nlimitação de\nrecursos e\nnecessidade de\npolíticas públicas\nmais efetivas para\nconsolidação das\nPICs no SUS.\n8 Nasciment\no et al.,\n2023\nLILACS/\nGoogle\nScholar\nRevisão da\nliteratura\nA revisão evidencia\nque a\nenfermagem\npossui papel\ncentral na\noperacionalização\ndo cuidado\nintegral,\nespecialmente na\nincorporação das\nPICs como\nestratégias\nterapêuticas\ncomplementares.\n\nOs resultados\napontam que a\natuação do\nenfermeiro vai\nalém da\nassistência técnica,\nenvolvendo\ndimensões\neducativas,\nemocionais e\nsociais do cuidado.\nObserva-se\nimpacto positivo\nna qualidade de\nvida dos pacientes,\nna adesão ao\ntratamento e na\nhumanização da\nassistência.\nEntretanto, o\nestudo também\ndestaca a\nnecessidade de\nmaior inserção\ndessas práticas na\nformação\nacadêmica e na\ncapacitação\ncontínua dos\nprofissionais.\n9 Carvalho\nSilva et al.,\n2023\nLILACS\nGoogle\nScholar\nSciELO\nRevisão\nnarrativa\nde\nliteratura\nO estudo\ndemonstra que as\npráticas\nintegrativas\napresentam\neficácia\nsignificativa na\nredução da\ndismenorreia, com\nimpacto direto na\ndor ginecológica e\nna funcionalidade\n\ndas pacientes.\nIntervenções\ncomo acupuntura,\nfitoterapia e\ntécnicas mente-\ncorpo mostraram-\nse eficazes na\nmodulação da dor\ne na redução do\nuso de\nmedicamentos\nanalgésicos. Além\ndisso, os achados\nindicam melhora\nna qualidade de\nvida, no bem-estar\nemocional e na\nprodutividade\ndiária. A análise\nreforça a\nrelevância das PICs\ncomo alternativa\nterapêutica segura\ne acessível,\nembora destaque\na necessidade de\nmaior\npadronização dos\nprotocolos e\nfortalecimento das\nevidências clínicas.\n10 Xu et al.,\n2017\nPubMed Revisão\nsistemátic\na com\nmeta-\nanálise\nA meta-análise\nevidencia eficácia\nconsistente da\nacupuntura na\nredução da dor\nassociada à\nendometriose,\ncom resultados\nestatisticamente\nsignificativos\nquando\n\ncomparados a\ngrupos controle ou\ntratamentos\nconvencionais\nisolados. Os\nachados sugerem\nque a acupuntura\natua na\nmodulação da dor\npor mecanismos\nneurofisiológicos,\nincluindo liberação\nde endorfinas e\nregulação de vias\ninflamatórias.\nApesar da\nrobustez dos\nresultados, o\nestudo aponta\nlimitações\nrelacionadas ao\ntamanho amostral\nreduzido e à\nvariabilidade dos\nprotocolos\nterapêuticos,\nindicando a\nnecessidade de\nensaios clínicos\nmais\npadronizados.\n11 Armour et\nal., 2017\nPubMed Protocolo\nde ensaio\nclínico\nrandomiza\ndo\nO protocolo\npropõe investigar\na eficácia da\nacupuntura como\nterapia adjuvante\nao tratamento\nconvencional da\ndor associada à\nendometriose,\ndestacando\npotencial benefício\n\nna redução da\nintensidade da dor\ne na melhora da\nqualidade de vida.\nO estudo\napresenta\ndelineamento\nmetodológico\nrigoroso, com\ncontrole de vieses\ne uso de grupo\nplacebo (sham\nacupuncture),\ncontribuindo para\no avanço da\nevidência\ncientífica na área.\nRessalta-se a\nrelevância do\nestudo para\npreencher lacunas\nexistentes quanto\nà padronização\ndas intervenções e\navaliação de\ndesfechos clínicos.\n12 Li et al.,\n2023\nPubMed/\nScienceDir\nect\nEnsaio\nclínico\nrandomiza\ndo\nplacebo-\ncontrolado\nO ensaio clínico\ndemonstra\nredução\nsignificativa da dor\nem pacientes com\nendometriose\nsubmetidas à\nacupuntura,\nquando\ncomparadas ao\ngrupo placebo,\nevidenciando alto\nnível de evidência\ncientífica. Os\nresultados\nindicam melhora\n\nnão apenas na\nintensidade da\ndor, mas também\nem aspectos\nfuncionais e na\nqualidade de vida.\nA utilização de\ngrupo controle\nplacebo fortalece a\nvalidade interna\ndo estudo,\nminimizando\nvieses e\nreforçando a\neficácia específica\nda intervenção.\nAinda assim, o\nestudo sugere a\nnecessidade de\nacompanhamento\na longo prazo para\navaliação da\nsustentabilidade\ndos efeitos\nterapêuticos.\n13 Tarpinian &\nGonçalo-\nMialhe,\n2022\nPoltal\nCAPES\nEstudo\nqualitativo\nO estudo\nevidenciou que o\nuso de práticas\nintegrativas e\ncomplementares\n(PICs) está\ndiretamente\nassociado à\nressignificação da\nexperiência de\nadoecimento em\nmulheres com\nendometriose,\nespecialmente em\nestágios\navançados. As\nparticipantes\n\nrelataram que\nterapias como\nginecologia\nnatural, uso de\nplantas\nmedicinais,\npráticas corporais\ne abordagens\nholísticas\ncontribuíram para\no fortalecimento\ndo autocuidado,\nmaior autonomia\nsobre o próprio\ncorpo e melhor\nenfrentamento da\ndor crônica.\nObservou-se\ntambém impacto\npositivo na\ndimensão\nemocional, com\nredução de\nsentimentos como\nansiedade,\nsofrimento e\nimpotência frente\nà doença. Além\ndisso, as PICs\nfavoreceram a\nconstrução de um\nvínculo mais ativo\ncom o processo\nterapêutico,\npromovendo\nprotagonismo\nfeminino no\ncuidado. O estudo\ndestaca ainda que\nessas práticas\natuam como\ncomplemento ao\ntratamento\n\nbiomédico,\nampliando a visão\nde saúde para\nalém do controle\nsintomático, e\nreforça a\nimportância da\nenfermagem na\nescuta qualificada,\nacolhimento e\nincentivo ao uso\nseguro e orientado\ndessas\nabordagens,\ncontribuindo para\num cuidado\nintegral,\nhumanizado e\ncentrado na\npaciente.\n14 Malik et al.,\n2022\nPubMed/\nScienceDir\nect\nEstudo\ntransversal\n(cross-\nsectional)\nO estudo\nidentificou alta\nprevalência do uso\nde terapias\ncomplementares\nentre mulheres\naustralianas com\ndor pélvica\ncrônica, incluindo\nacupuntura,\nfisioterapia, yoga e\nsuplementos. As\nparticipantes\nrelataram melhora\nsignificativa na dor\ne no bem-estar\ngeral. Observou-se\nque o uso dessas\npráticas ocorre\nfrequentemente\nde forma\nconcomitante ao\n\ntratamento\nconvencional,\nevidenciando a\nbusca por\nabordagens\nintegrativas.\nDestaca-se ainda a\nimportância da\norientação\nprofissional,\nespecialmente da\nenfermagem, para\ngarantir uso\nseguro e eficaz\ndessas terapias.\n15 Silva et al.,\n2024\nPortal\nCAPES/\nGoogle\nScholar\nRevisão de\nescopo\nO estudo\nevidenciou ampla\nutilização das\npráticas\nintegrativas, com\ndestaque para\nacupuntura,\nfitoterapia, terapias\nmente-corpo e\nintervenções\nnutricionais no\nmanejo da\nendometriose. Os\nresultados\nindicam redução\nda dor, melhora da\nqualidade de vida\ne maior\nautonomia das\npacientes.\nEntretanto, foram\nidentificadas\nlimitações\nimportantes, como\nheterogeneidade\nmetodológica,\nausência de\n\nFonte: Elaborado pelas autoras.\n4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS\nA presente revisão evidencia que as práticas integrativas e\ncomplementares (PICs) têm se consolidado como estratégias\nrelevantes no manejo da dor em mulheres com endometriose,\nespecialmente quando incorporadas a um modelo de cuidado\nintegral. A análise dos estudos incluídos demonstra convergência\nquanto aos benefícios dessas práticas na redução da dor pélvica\ncrônica, no aprimoramento do bem-estar e no fortalecimento do\nautocuidado, ainda que com diferentes níveis de evidência e\nabordagens metodológicas, o que exige interpretação crítica dos\nachados.\nNo que se refere às intervenções com maior robustez científica, a\nacupuntura se destaca como a prática mais investigada e com\nevidência mais consistente. Revisões sistemáticas e meta-análises\npadronização dos\nprotocolos e\nescassez de\nensaios clínicos\nrobustos. O estudo\nreforça a\nnecessidade de\nintegração dessas\npráticas no\nsistema de saúde\ne destaca o papel\nda enfermagem\nna promoção do\ncuidado integral,\neducação em\nsaúde e incentivo\nao autocuidado.\n\n(Xu et al., 2017; Giese et al., 2023) demonstram redução\nestatisticamente significativa da dor associada à endometriose,\nsendo esses achados reforçados por ensaios clínicos randomizados\n(Li et al., 2023), que evidenciam superioridade em relação ao\nplacebo. Nesse sentido, a acupuntura configura-se como a\nintervenção com maior nível de evidência dentro das PICs, embora\nainda haja necessidade de padronização dos protocolos, conforme\napontado por estudos metodológicos (liang et al., 2023; Armour et\nal., 2017).\nAlém da acupuntura, terapias mente-corpo também se destacam\ncomo intervenções eficazes, sobretudo na dimensão psicossocial da\ndoença. O ensaio clínico demonstra que a combinação de yoga e\nterapia cognitivo-comportamental promove redução significativa da\ndor, da ansiedade e do impacto funcional, evidenciando que o\nmanejo da endometriose deve considerar não apenas fatores\nbiológicos, mas também emocionais e comportamentais. (Mikocka-\nWalus et al. 2021)\nOutras práticas, como fitoterapia, intervenções nutricionais e\nmindfulness, apresentam resultados promissores (Mazur-Bialy et al.,\n2024; Silva et al., 2024), porém com menor robustez metodológica. A\nheterogeneidade dos estudos, associada à ausência de\npadronização dos protocolos e à variabilidade dos desfechos, limita a\ngeneralização dos resultados e indica que essas intervenções,\nembora potencialmente benéficas, ainda carecem de evidências\nmais consistentes para recomendação ampla.\nNo âmbito da experiência das pacientes, estudos qualitativos e\ntransversais (Tarpinian; Gonçalo-Mialhe, 2022; Malik et al., 2022)\nampliam a compreensão dos efeitos das PICs, evidenciando\n\nbenefícios que transcendem a dimensão física da dor. Observa-se\nressignificação do adoecimento, fortalecimento do autocuidado e\nmaior autonomia das mulheres, aspectos que não são plenamente\ncontemplados pelo modelo biomédico tradicional.\nNo contexto da prática profissional, destaca-se o papel estratégico\nda enfermagem na implementação dessas práticas, especialmente\nno âmbito do Sistema Único de Saúde (Magalhães et al., 2025;\nNascimento et al., 2023; Silva; Pereira, 2022). A enfermagem atua na\neducação em saúde, na orientação quanto ao uso seguro das PICs e\nna promoção do cuidado integral, sendo fundamental para a\narticulação entre abordagens convencionais e integrativas. No\nentanto, ainda se observa necessidade de maior capacitação\nprofissional e inserção estruturada dessas práticas nos serviços de\nsaúde.\nApesar dos avanços, persistem desafios importantes para a\nconsolidação das PICs na prática clínica. A escassez de ensaios\nclínicos randomizados de alta qualidade, a ausência de protocolos\npadronizados e a limitada integração dessas práticas nos sistemas\nde saúde representam barreiras significativas (Silva et al., 2024).\nEsses fatores reforçam a necessidade de investimento em pesquisa,\nformação profissional e políticas públicas.\nDessa forma, as práticas integrativas e complementares configuram-\nse como estratégias promissoras no manejo da dor em mulheres\ncom endometriose, especialmente quando utilizadas de forma\ncomplementar ao tratamento convencional. Entretanto, sua\nincorporação deve ser orientada por evidências científicas\nconsistentes e integrada à prática profissional. Nesse cenário, a\nenfermagem assume papel central na consolidação de um modelo\n\nde cuidado integral, contribuindo para uma assistência mais\nresolutiva, humanizada e centrada nas necessidades das pacientes.\nConcomitantemente a presente revisão evidencia que as práticas\nintegrativas e complementares (PICs) vêm sendo amplamente\nutilizadas no manejo da dor em mulheres com endometriose,\ndemonstrando resultados positivos tanto na redução da dor pélvica\nquanto na melhora da qualidade de vida. De modo geral, os estudos\nanalisados apontam que essas práticas atuam como estratégias\ncomplementares ao tratamento convencional, especialmente em\numa condição crônica e multifatorial como a endometriose (Giese et\nal., 2023; Silva et al., 2024).\nEntre as intervenções investigadas, a acupuntura se destaca como a\nprática com maior respaldo científico. Revisões sistemáticas e meta-\nanálises demonstram redução significativa da dor associada à\nendometriose, sendo esses achados corroborados por ensaios\nclínicos randomizados que evidenciam superioridade em relação ao\nplacebo (Xu et al., 2017; Li et al., 2023). Além disso, estudos\nmetodológicos indicam a necessidade de padronização dos\nprotocolos terapêuticos, evidenciando que, apesar de eficaz, a\nprática ainda está em processo de consolidação científica (Liang et\nal., 2023; Armour et al., 2017).\nAs terapias mente-corpo, como yoga e terapia cognitivo-\ncomportamental, também apresentaram resultados relevantes,\nespecialmente na redução de sintomas psicológicos associados à\ndor crônica. Evidências apontam melhora significativa na ansiedade,\nno impacto emocional e na qualidade de vida das pacientes,\nreforçando a necessidade de uma abordagem ampliada no\ntratamento da endometriose. (Mikocka-Walus et al., 2021)\n\nOutras práticas integrativas, como fitoterapia, intervenções\nnutricionais e mindfulness, demonstraram benefícios no controle da\ndor e na promoção do bem-estar geral. No entanto, os estudos\napresentam heterogeneidade metodológica, o que limita a\ncomparação entre os resultados e a consolidação de evidências\nrobustas. (Mazur-Bialy et al., 2024; Silva et al., 2024)\nNo âmbito da experiência das pacientes, observa-se que o uso das\nPICs vai além dos efeitos clínicos, promovendo ressignificação do\nprocesso de adoecimento, fortalecimento do autocuidado e maior\nautonomia das mulheres. Estudos qualitativos e transversais\nevidenciam que essas práticas contribuem para uma vivência mais\npositiva da doença e maior engajamento no tratamento. (Tarpinian;\nGonçalo-Mialhe, 2022; Malik et al., 2022)\nNo contexto da assistência em saúde, destaca-se o papel da\nenfermagem na implementação dessas práticas, especialmente na\npromoção da saúde, educação do paciente e orientação quanto ao\nuso seguro das PICs. A atuação do enfermeiro mostra-se\nfundamental para a integração dessas práticas ao cuidado\nconvencional e para a construção de uma assistência mais\nhumanizada (Magalhães et al., 2025; Nascimento et al., 2023; Silva;\nPereira, 2022).\nAlém disso, evidências apontam que as PICs também apresentam\nimpacto positivo em outras manifestações da dor ginecológica,\ncomo a dismenorreia, ampliando sua aplicabilidade clínica (Carvalho\nSilva et al., 2023). Estudos observacionais reforçam ainda a alta\nadesão das pacientes a essas práticas, embora indiquem a\nnecessidade de maior orientação profissional (Armour et al., 2022).\n\nApesar dos benefícios observados, ainda existem desafios\nimportantes para a consolidação das PICs na prática clínica,\nincluindo a escassez de ensaios clínicos de alta qualidade, a ausência\nde protocolos padronizados e a limitada inserção dessas práticas nos\nserviços de saúde. Esses fatores evidenciam a necessidade de maior\ninvestimento em pesquisa e políticas públicas que favoreçam sua\nintegração ao sistema de saúde (Silva et al., 2024).\nDessa forma, as práticas integrativas e complementares configuram-\nse como estratégias promissoras no manejo da dor em mulheres\ncom endometriose, devendo ser utilizadas de forma complementar\nao tratamento convencional. Sua incorporação na prática clínica,\naliada à atuação da enfermagem, contribui para a promoção de um\ncuidado integral, mais eficaz e centrado nas necessidades das\npacientes.\n5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS\nA presente revisão evidenciou que as práticas integrativas e\ncomplementares configuram estratégias relevantes e promissoras\nno manejo da dor em mulheres com endometriose, com destaque\npara a acupuntura, que apresenta maior robustez científica, e para\nas terapias mente-corpo, que ampliam o cuidado para além da\ndimensão física da doença. De modo geral, essas práticas\ncontribuem para a redução da dor pélvica crônica, para o\naprimoramento do bem-estar e para o fortalecimento do\nautocuidado, aspectos fundamentais no enfrentamento de uma\ncondição complexa e multifatorial.\nEntretanto, apesar dos avanços, a heterogeneidade metodológica\ndos estudos, a ausência de padronização dos protocolos e a\n\nlimitação de ensaios clínicos de alta qualidade ainda representam\ndesafios para a consolidação dessas práticas na clínica. Tais lacunas\nevidenciam a necessidade de maior investimento em pesquisas\nrigorosas que subsidiem sua incorporação baseada em evidências.\nNesse contexto, destaca-se o papel fundamental da enfermagem na\npromoção do cuidado integral, atuando na educação em saúde, na\norientação quanto ao uso seguro das práticas integrativas e na\narticulação entre abordagens convencionais e complementares.\nAssim, a inserção qualificada dessas práticas nos serviços de saúde,\nespecialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), mostra-\nse essencial para a construção de uma assistência mais humanizada,\nresolutiva e centrada nas necessidades das mulheres com\nendometriose.\nAlém disso, do ponto de vista prático, os achados desta revisão\nindicam a necessidade de elaboração e implementação de\nprotocolos clínicos que incorporem as práticas integrativas como\nestratégias adjuvantes no manejo da dor, bem como o\nfortalecimento de políticas públicas que ampliem o acesso a essas\nterapias no SUS. A capacitação dos profissionais de enfermagem\npara atuação nessas abordagens também se configura como\nelemento-chave para garantir segurança, eficácia e integralidade do\ncuidado.\nPor fim, reforça-se que a integração entre saberes científicos e\npráticas integrativas não apenas amplia as possibilidades\nterapêuticas, mas também contribui para a consolidação de um\nmodelo de cuidado mais abrangente, no qual a mulher é\nreconhecida como protagonista do seu processo de saúde-doença.\n\nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS\nALVES, A. L. J et al. Assistência de enfermagem às pacientes\nportadoras de endometriose. Health of Humans, v.3, n.2, p.29-37,\n2021.\nALVES, L. S et al. As repercussões da endometriose na qualidade de\nvida das mulheres Brasileiras. Revista Sociedade Científica, [s.l.]\nvol.8, n. 1, p.600-616, 2025. Disponível em: As repercussões da\nendometriose na qualidade de vida das mulheres brasileiras –\nRevista Sociedade Científica. Acesso em: 5 dez. 2025.\nARMOUR, M. et al. 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E-mail: acesse o artigo\noriginal para visualizar o e-mail\n3 Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Centro\nUniversitário Santa Terezinha- CEST Campus São Luís– MA, Brasil.\nOrcid: https://orcid.org/0000-0002-4703-0536. E-mail: acesse o artigo\noriginal para visualizar o e-mail","source_license":"CC0","license_restricted":false}