{"paper_id":"de5a7608-4424-4bb0-93df-334c3e0def7c","body_text":"Gramado – RS\nDe 30 de setembro a 2 de outubro de 2014\nDESIGN DA INFORMAÇÃO EM SISTEMA DIGITAL PARA\nMAPEAMENTO DOS SITIOS DE ENDOMETRIOSE\nCristina Portugal\nPUC-Rio\ncrisportugal@gmail.com\nMarcelo Pereira\nPUC-Rio\nmarcelopereira@me.com\nMariana Corrêa\nPUC-Rio\nantigonecarter@yahoo.com.br\nRicardo Lasmar\nUFF\nlasmar@ginendo.com\nResumo: O presente artigo apresenta um projeto de pesquisa de caráter\ninterdisciplinar  entre  os  campos  do  Design  e  da  Medicina,  o  qual  foi\ncontemplado pelo Edital FAPERJ Nº 41/2013 1 - Programa Apoio a Grupos\nEmergentes de Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro – 2013. O projeto visa\ndesenvolver tecnologicamente um sistema interativo digital para auxiliar a\nequipe  cirúrgica  no  ato  operatório  para  tratamento  de  pacientes  com\nendometriose.  Ele  nasce  da  experiência  da  equipe  de  Ginecologia  do\nHospital Universitário Antonio Pedro e do Departamento Materno-Infantil\nda Universidade Federal Fluminense, com a colaboração do Laboratório\nInterdisciplinar de Design/Educação do Departamento de Artes & Design\nda PUC-Rio. Em 2013, o trabalho que deu origem a este projeto ganhou o\nprêmio  de  melhor  pôster  no  congresso  da  ESGE  (European  Society  of\nGyneacology  Endoscopy)  realizado  na  Alemanha.  Referendado  em  sua\nversão  analógica,  o  objetivo  deste  projeto  de  pesquisa  é  elaborar  um\nsistema interativo digital que possibilite a visualização de dados de maneira\nclara  e  efetiva  através  de  recursos  gráficos.  Ou  seja,  criar  em  formato\ndigital o modelo analógico existente, permitindo o mapeamento visual que\ncorresponda, de forma prática e objetiva, às áreas de acometimento pela\nendometriose, que faça parte do registro clínico, e que possa ser usado no\nacompanhamento de pacientes portadoras da doença.\n1 Sistema digital para mapeamento dos sítios de endometriose. http://www.faperj.br/interna.phtml?obj_id=9813\nBlucher Design Proceedings\nNovembro de 2014, Número 4, Volume 1\nwww.proceedings.blucher.com.br/evento/11ped\n\n2\nPalavras  chave :  Design  da  Informação,  Visualização  de  dados,\nInterdisciplinar, Endometriose \n1. INTRODUÇÃO\nO presente artigo apresenta um projeto de pesquisa de caráter interdisciplinar\nentre os campos do Design e da Medicina, o qual foi contemplado pelo Edital FAPERJ\nNº 41/2013 - Programa Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa no Estado do Rio de\nJaneiro – 2013, e que visa desenvolver tecnologicamente um sistema interativo digital\npara auxiliar a equipe cirúrgica no ato operatório para tratamento de pacientes com\nendometriose. \nO  projeto  nasce  da  experiência  da  equipe  de  Ginecologia  do  Hospital\nUniversitário  Antônio  Pedro  e  do  Departamento  Materno-Infantil  da  Universidade\nFederal  Fluminense,  com  a  colaboração  do  Laboratório  Interdisciplinar  de\nDesign/Educação (LIDE) do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio. Em 2012, o\nprofessor  Ricardo  Lasmar  (autor  do diafragma  que  deu  origem  a  este  trabalho)  e\noutros  do  Serviço  de  Ginecologia  do  Hospital  Antonio  Pedro  publicaram,  no\nInternational Journal of Gynecology and Obstetrics, o trabalho “Diagram to Map the\nLocations  of  Endometriosis”.  Em  2013,  este  trabalho  ganhou  o  prêmio  de  melhor\npôster no congresso da ESGE (European Society of Gyneacology Endoscopy) realizado\nem Berlim, Alemanha. Referendado em sua versão analógica, o objetivo do presente\nprojeto de pesquisa é elaborar um sistema interativo digital desenvolvido para a WEB\ne que poderá ser executado em navegadores compatíveis com os padrões do W3C. O\nsistema  poderá  operar  em  modo  on-line,  com  armazenamento  das  imagens  em\nnuvem, ou em modo offline, com armazenamento local.\nA parceria entre o campo do Design e o campo da Medicina, neste caso, tem\npor objetivo possibilitar a visualização de dados de modo a comunicar a informação de\nmaneira clara e efetiva através de recursos gráficos. Ou seja, criar em formato digital o\nmodelo analógico existente, permitindo o mapeamento visual que corresponda, de\nforma prática e objetiva, às áreas de acometimento pela endometriose, que faça parte\ndo  registro  clínico,  e  que  possa  ser  usado  no  acompanhamento  de  pacientes\nportadoras da doença.\nOs aspectos metodológicos que servirão de guia a esta investigação, que tem\num  viés  qualitativo,  encontram-se  apresentados  no  processo  de  pesquisa  para  o\ndesenvolvimento do sistema digital para mapeamento dos sítios de endometriose:\n2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA, DESENVOLVIMENTO E JUSTIFICATIVA\nA endometriose segundo Lasmar (2012) é uma doença que acomete cerca de\n10% das mulheres em idade reprodutiva, apresentando prevalência de 30 a 50% nas\npacientes  com  infertilidade.  Define-se  pela  presença  de  glândulas  e  estroma\nendometrial em sítios ectópicos. Encontra-se associada a quadros clínicos variáveis e\nevolução insidiosa e progressiva,  interferindo na qualidade  de vida e desempenho\nprofissional destas mulheres.\nUm  dos  maiores  desafios  na  abordagem  de  mulheres  com  suspeita  de\nendometriose é avaliar a extensão da doença e se há comprometimento funcional de\n\n3\nórgãos pélvicos ou extrapélvicos. A partir da história clínica, exame físico detalhado e\nde exames complementares pode ser feito mapeamento do grau de acometimento da\nendometriose, visando buscar o melhor tratamento para cada caso, de acordo com os\nobjetivos de cada paciente. Considerando-se que tenha sido realizada a propedêutica\nclínica adequada para rastrear a doença, os dados obtidos devem ser registrados de\nforma  precisa  e  objetiva,  pois  vão  servir  de  elemento  fundamental  na  conduta\nterapêutica, particularmente no momento da abordagem cirúrgica mais complexa.\nA informação é essencial no desempenho da atividade médica, bem como na\ncoordenação das ações da equipe multidisciplinar e no planejamento e obtenção de\nrecursos administrativos e financeiros necessários em cada situação. O registro clínico\ndeve ser claro e preciso, de compreensão fácil entre os membros da equipe, de forma\norganizada  e  padronizada,  atribuindo  um  significado  no  contexto  em  questão.  A\ninclusão  de  um  diagrama  visual  que  represente  os  locais  acometidos  pela\nendometriose  poderá  servir  de  guia  no  momento  da  abordagem  cirúrgica  e  no\nseguimento clínico posterior.\nA necessidade em transferir todas as informações adquiridas no pré-operatório\ndas pacientes com endometriose para o momento do ato operatório é extremamente\nimportante, pois existe um longo intervalo de tempo entre o inicio da investigação e o\nato  operatório.  Considerando  que,  em  sua  grande  maioria  de  casos,  o  tempo\noperatório de pacientes com endometriose ultrapassa cinco horas de duração, sendo\nconsiderado um procedimento delicado e de alto custo, torna-se imprescindível que o\ndiagnóstico da doença tenha sido claramente identificado para que o procedimento\ncirúrgico, que utiliza uma série de instrumentos e equipamentos específicos, ocorra\ndentro  de  um  planejamento  prévio  para  evitar  intercorrências.  O  fato  de  a\ninvestigação  ser  realizada  por  equipe  diferente  da  que  realizará  o  procedimento\ncirúrgico, e ainda, o fato de normalmente a paciente percorrer diferentes instituições\ndurante este processo, requer que seu histórico tenha sido devidamente registrado,\npois a melhora da paciente está diretamente correlacionada à retirada de todos os\nfocos de endometriose que foram identificados no pré-operatório.\nCom a possibilidade da utilização de um sistema interativo digital apontando os\nsítios da endometriose, será possível, ainda no ambulatório – momento em que se dá\na indicação cirúrgica –, o preenchimento deste mapa digital. Esse mesmo mapa será\nreproduzido posteriormente na sala de cirurgia, recapitulando as informações do pré-\noperatório.  Este  recurso  poderá  auxiliar  a  equipe  cirúrgica  a  ficar  ciente  da\ncomplexidade da cirurgia, mapear os focos da doença impedindo o esquecimento de\nalgum sítio, assim como também, estabelecer o provável tempo operatório e riscos\ninerentes. Portanto, o “mapa digital” representa a memória da investigação do pré-\noperatório funcionando como uma ferramenta importante no ato operatório.\nPara a confecção do “mapa digital” (figura 1) foi necessário o envolvimento de\nprofissionais  de  diferentes  áreas,  em  um  trabalho  multidisciplinar,  isto  é,  médicos\nginecologistas, designers, programadores e profissionais da área de informática.\nA partir do diagrama apresentado abaixo, será desenvolvido um produto para\nfuncionar em ambiente digital facilitando sua divulgação e utilização tanto na área da\nsaúde como no meio acadêmico.\n\n4\nFigura 1 – Mapa analógico de Ricardo Lasmar et al. (2012)\nNo  campo  do  Design,  existe  uma  base  teórica  bastante  abrangente  das\npossibilidades de aplicação de seus métodos e técnicas para disponibilizar informação\nem ambiente digital. Para isso, vale aplicar os estudos que discutem questões sobre\ncor, tipografia, imagem, ícone, layout, dentre outros, que possibilitam a apresentação\nda informação mais significativa em interfaces digitais.\nSegundo Portugal (2013), no Design de Interface evidenciam-se os elementos\nque  permitem  executar  as  operações,  como  por  exemplo,  a  configuração  e  a\norganização de informações verbais, visuais, sonoras e sinestésicas, além dos índices\nde navegação e de interação. No entanto, a expressão visual da página segundo Dias\net al. (2012), incluindo os elementos indicativos de interatividade, aparece como um\nconjunto  de  ícones,  menus,  linhas  e  outros  elementos,  que  são  dispositivos\nmetafóricos de uma realidade operacional interativa acessível aos usuários. \nNesse sentido, ainda segundo os autores, essa visualidade, além de representar\na realidade, também se constitui como um tipo de realidade. Os elementos visuais que\naparecem  no  monitor  compõem  um  espaço  de  ação,  portanto  cabe  ao  designer\nprojetar os elementos de modo que induzam essas ações. Entretanto, para isso ser\nviável, torna-se necessário planejar de modo eficiente o processo simbólico de cada\nelemento,  tendo em  vista as  características  próprias,  considerando a influência do\ncontexto material e simbólico que circunda os elementos e usuários.\nEm  sistemas  de  hipermídia,  os  elementos  de  design  para  a  orientação  da\nnavegação  devem  ter  uma  linguagem  visual  criada  para  atender  os  objetivos  do\nprojeto e as necessidades do usuário, dando força à mensagem de modo que seu\nreconhecimento seja imediato. \nNavegar  em  ambientes  que  possuem  diferentes  linguagens  para  designar  a\nmesma informação pode confundir o usuário durante a navegação fazendo com que\nele perca o interesse no ambiente hipermidiático. \nA  utilização  de  hierarquias  e  repetições  de  elementos  de  design  traz\nconsistência e credibilidade para o usuário ao navegar em ambientes de hipermídia.\nUm bom sistema irá utilizar uma família tipográfica, o mesmo estilo em todos os ícones\n\n5\ne  uma  hierarquia  consistente  de  informações  por  meio  de  cores  ou  de  outros\nelementos de design.\nOs sistemas mais adequados de navegação são aqueles que vão diretamente ao\nponto,  sem  excesso de  informação.  Os  dispositivos  devem  disponibilizar  apenas  o\nnecessário para a realização de tarefas. \nDentre as qualidades de uma navegação bem elaborada em um produto digital\nevidenciam-se três: \n• rótulos claros: consiste na nomeação dos nós de navegação que devem\nser claros e significativos para o usuário.\n• consistência/inconsistência  das  ferramentas  de  navegação:  está\nrelacionada com a manutenção das características das ferramentas de navegação em\ntodas as telas, em termos de aparência, localização e rotulagem, e a diferenciação\nentre ferramentas de navegação com funções diferentes.\n• e clareza visual: refere-se  ao uso adequado  de  elementos  de design\ncomo cor, tipografia, imagem, layout etc. visando facilitar a navegação. \nO “mapa analógico” já desenvolvido, que servirá de base para este projeto de\npesquisa, está sendo testado também por oncologistas, buscando demostrar no pré-\noperatório a extensão da doença e o provável estadiamento desta. Com o sistema\ndigital, a sua utilização poderá ser ampliada para outras áreas médicas.\nCom  a  publicação  e  premiação  do  trabalho  no  congresso  internacional\nrealizado na Alemanha, professores europeus realçaram a importância em desenvolver\na alternativa  em  meio digital  para  que o mapa  pudesse  ser  utilizado também em\noutros  países.  A  finalização  deste  projeto  desenvolvido  por  pesquisadores  de\nuniversidades brasileiras permitirá que pesquisadores em geral, inclusive de outras\nnacionalidades,  realizem  trabalhos  multicêntricos  nacionais  ou  internacionais\nfomentando a pesquisa no país.\n3. METODOLOGIA DA PESQUISA\nOs aspectos metodológicos que servirão de guia a esta investigação, que tem\num  viés  qualitativo,  encontram-se  apresentados  no  processo  de  pesquisa  para  o\ndesenvolvimento do sistema digital para mapeamento dos sítios de endometriose:\n Pesquisar,  à  luz  de  metodologias  de  Design,  meios  para  a  construção  de\nsistema digital para mapeamento dos sítios de endometriose.\n Como  apontam  Rosenfeld  e  Morville  (2006),  desenvolver  a  arquitetura  de\ninformação do ambiente digital segundo características, as quais são divididas\nem quatro grandes sistemas interdependentes, cada um composto por regras\npróprias e suas aplicações: 1. Sistema de Organização ( Organization System ):\ndetermina o agrupamento  e  a categorização  do conteúdo informacional; 2.\nSistema de Navegação ( Navigation System): especifica as maneiras de navegar,\nde  se  mover  pelo  espaço  informacional  e  hipermidiático;  3.  Sistema  de\nRotulação  ( Labeling  System ):  estabelece  as  formas  de  representação,  de\napresentação da informação, definindo signos para cada elemento informativo;\n\n6\n4. Sistemas de Busca ( Search System ): determina as perguntas que o usuário\npode fazer e o conjunto de respostas que irá obter.\n Desenvolver  os  componentes  de  navegação  como  menus,  setas,  nós  de\nnavegação, hipertextos, imagens. O sistema de navegação é, por sua vez, a\nforma de busca, relação e construção de conhecimentos do sistema digital e\npossui  os  seguintes  objetivos  fundamentais:  Promover  a  orientação  local  e\nglobal  do  usuário  dentro  do  próprio  sistema;  permitir  o  deslocamento  do\nusuário entre os nós de navegação, de acordo com seu interesse e necessidade\ninformacional;  fornecer  ferramentas  de  acesso  à  informação  alternativa,  à\nnavegação nó a nó. \n Desenvolver mapa digital para plataforma Windows e IOS – (Desenvolvimento\nde projeto sob a perspectiva de metodologias do campo do Design).\n Entrevistar  grupos  selecionados  de  professores  e  residentes  da  UFF,  e\nprofissionais da área médica. A partir das observações feitas sobre o uso do\nmapa  digital,  os  resultados  serão  analisados  para  reforçar,  exemplificar  e\nfundamentar  a  questão  da  eficácia  no  uso  do  produto.  (Entrevistas\nsemiestruturadas).\n Elaborar recurso digital a partir de um instrumento analógico para aplicação em\nambulatórios e em cirurgias para tratamento de pacientes com endometriose.\nCom a participação de equipe multidisciplinar, profissionais das áreas de saúde,\ndesign e informática, será desenvolvido um instrumento, o qual será testado\nem procedimentos cirúrgicos no Hospital Universitário Antonio Pedro.\n Validar mapa digital junto a professores, médicos e alunos da UFF. (elaboração\nde roteiro de validação e referencial de análise).\n Durante  a  concretização  do  projeto  e  principalmente  com  sua  conclusão,\nplaneja-se  a divulgação  nacional  e  internacional  do  novo  sistema interativo\ndigital,  buscando  principalmente  sua  aplicação  para  grupos  de  assistência\nuniversitária e pública.\n4. PRIMEIROS RESULTADOS\nDe acordo com Bonsiepe (1997), a interface deve ser entendida em um caráter\nmais  amplo  desde  a  sua  ação  instrumental,  relacionada  ao  desenvolvimento  de\nprodutos, até sua ação comunicativa, uso de signos e informações. O autor ressalta\nque  uma das  características  da  hipermídia  que  a torna  interessante  é  a interação\ndialógica do meio visual com o discursivo. Nela, a informação pode vir sob a forma de\ntexto, áudio, imagens, sequências de vídeos, animações, música e sons (BONSIEPE,\n1997, p. 144). Entretanto, estas formas precisam ser elaboradas dentro do processo de\ndesenvolvimento de uma interface, pois se as possibilidades abertas pela tecnologia de\ninformação e comunicação estarão ou não disponíveis, dependerá da qualidade de\ninterface.  Esta  poderá  inibir  ou  facilitar  o  acesso  às  informações,  dependerá  se  a\norganização  e  apresentação  de  dados  e  a  sua  transformação  em  informações  são\nválidas e significativas, e que possibilite a ação efetiva na comunicação.\nDiante do exposto, o primeiro protótipo do aplicativo desenvolvido do  sistema\ndigital para mapeamento dos sítios de endometriose a luz do Design da Informação  é\n\n7\napresentado a seguir. Estes layouts não são definitivos, mas já mostram um pouco das\nfuncionalidades que estarão disponíveis na interface.\nA primeira imagem (figura 2) é uma visão geral da interface. Os retângulos com\nas siglas são botões com três estados, um desativado, e dois ativados. Com um clique o\nusuário define um estado e, com um segundo clique, altera para o segundo estado.\nCada estado é representado com uma cor diferente. Os campos em azul ao lado de\nalguns botões (BEX, OVA, RET e SIG) são para entrada de valores numéricos. No topo\nda página, temos campos para cadastro da paciente.\nA barra cinza abaixo da caixa de texto serve para que o usuário possa expandir\na ficha do paciente. Lá, haverá informações adicionais que ainda não foram definidas.\nFigura 2 – Interface do sistema interativo digital para mapeamento dos sítios\nde endometriose\nA entrada de valores numéricos pode ser realizada de duas formas: através da\ndigitação convencional ou através de um  slider circular (figura 3). Com um clique no\ncampo, aciona-se o modo de entrada de dados (teclado). Ao clicar e arrastar sobre o\ncampo, aciona-se o modo de entrada por slider. O menu lateral possibilita as seguintes\n\n\n8\nopções: exibição em tela cheia, inserir imagem e travar a entrada de dados para que\nnão sejam feitas alterações acidentais.\nFigura 3 – Interface do sistema interativo digital para mapeamento dos sítios de\nendometriose\nA inserção de imagem serve para que o médico possa colocar uma foto de\nfundo sob o mapa gráfico,  facilitando  a identificação  das  áreas  com problemas. A\nimagem (figura 4) mostra um exemplo de uma foto aplicada. Como não temos como\nprever  o  tamanho  da  imagem  que  o  médico  irá  inserir,  é  necessário  permitir  o\nredimensionamento da foto, quando necessário.\n\n9\nFigura 4 – Interface do sistema interativo digital para mapeamento dos sítios de\nendometriose\nO aplicativo será desenvolvido para rodar em  tablets, mas a primeira versão\nrodará apenas em  desktop. Para a versão  desktop iremos considerar a entrada de\ndados  apenas  como  digitação  de  números,  já  que  não  é  possível  contar  com  um\ndispositivo  touch. É por isso que a interface oferece recursos híbridos, compatíveis\ncom ambos os formatos.\nCom o protótipo desenvolvido, o sistema passará por teste de usabilidade, que\né uma técnica formal que seleciona alguns usuários de modo a representar o grupo\nalvo para quem se destina o sistema. Estes usuários ( professores, médicos e alunos da\nUFF) são designados a desenvolver tarefas no sistema em desenvolvimento de modo\nque se possa coletar dados a fim de, posteriormente, poder analisá-los e procederem\nàs devidas correções ou alterações no sistema para que este atinja um melhor grau de\nusabilidade. \nComo justificativa da importância dos testes de usabilidade junto aos usuários\ntoma-se por base as ideias de Cybis, Betrol e Faust (2007), que afirmam que o objetivo\n\n10\nde  utilizar  o  recurso  de  testes  de  usabilidade  e  avaliação  ergonômica  é  avaliar  a\nqualidade das interações levando em conta os resultados dessas avaliações para a\nconstrução de novas versões das interfaces. Tal estratégia se faz necessária com a\nimplementação  desde  o  início  do  projeto,  podendo  reduzir  o  risco  de  falhas\nconceituais e garantindo que a cada ciclo o sistema responda cada vez melhor às\nexpectativas e necessidades dos usuários em suas tarefas.\n \n5. CONSIDERAÇÕES FINAIS\nDe acordo com Shedroff (2010), uma das habilidades mais importantes para\nquase todas as pessoas adquirirem na próxima década será aquela que permita criar\ninformações significativas, interessantes e válidas. Para fazer isso, temos de aprender\nas  maneiras  de  criar  novas  formas  de  organização  e  apresentação  de  dados  e\ninformações. O autor afirma que faz pouca diferença se as nossas ferramentas de\ncomunicação  são  os  produtos  tradicionais  de  impressão,  produtos  eletrônicos,\nprogramação televisiva, experiências interativas, performances ao vivo. Também não\nimporta se estamos empregando dispositivos físicos ou eletrônicos ou nossos próprios\ncorpos e vozes, pois o processo de criação é praticamente o mesmo em qualquer\nmídia. Essas questões se aplicam a todos os tipos de mídia e de experiências, porque\nelas  tratam  diretamente  sobre  o  fenômeno  da  sobrecarga  de  informações,  da\nansiedade de informação, da literacia midiática, da imersão de mídia, e da sobrecarga\ntecnológica, enfim tudo o que necessita de melhores soluções.\nAinda segundo o autor, o cruzamento dessas questões pode ser resolvido pelo\nprocesso  de  Design  da  Informação  e  de  Interação.  Para  Shedroff  (2010),  a\ncompreensão do Design da Informação começa com a visão que a grande quantidade\nde  coisas  que  bombardeiam  nossos  sentidos,  todos  os  dias,  não  são  pedaços  de\ninformação, mas simplesmente de dados. \nOs  dados  se  constituem  em  elementos  tipicamente  quantitativos  e\nmensuráveis,  podendo  ser  facilmente  manipulados  por  processos  computacionais\nquando  codificados  na  linguagem  digital.  Dessa  forma,  podemos  aplicar  o  poder\ncomputacional para criar formas de mapeamento desses dados, a fim de incorporar\nnovos sentidos interpretativos.\nA  visualização  de  dados  complexos  em  ambientes  digitais,  ou  seja,\nvisualização dinâmica de dados é uma das formas culturais genuinamente\nnovas  que  se  tornaram  possíveis  graças  à  computação.  (...)  Com  os\ncomputadores podemos visualizar conjuntos de dados muito mais amplos,\ncriar  visualizações  dinâmicas,  alimentar  dados  em  tempo  real,  basear  as\nrepresentações gráficas de dados em sua análise matemática, usando vários\nmétodos, da estatística clássica à prospecção de dados, mapear um tipo de\nrepresentação  em  outro  (imagens  em  sons,  sons  em  espaços\ntridimensionais, etc.) (MANOVICH, 2004, p. 149)\nComo vimos, a propriedade essencialmente humana de estabelecer relações\ncognitivas entre conceitos de maneira visual já é explorada pelo Design da Informação.\nTais  estudos, por sua vez, ganharam  ainda mais relevância quando suas pesquisas\nencontraram,  naturalmente,  aplicação  na  criação  de  interfaces  para  dispositivos\ncomputacionais, exigindo capacidade de exibição dinâmica e interativa. Dinâmica, no\nsentido de contemplar a capacidade de atualização dos dados ao longo do tempo e\ninterativa,  no  sentido  de  oferecer  ao  indivíduo  a  possibilidade  de  escolher  seus\n\n11\npróprios caminhos de navegação e de maneira variáveis oferecidas pelo sistema. A\ndinamicidade  e  a  interatividade  são,  portanto,  duas  características  relevantes  na\nanálise de aplicações de visualização de dados  e podem ser assim definidas: (FRY,\n2002) \na)  dinamicidade:  ambientes  dinâmicos  pressupõem  que  alguma  de  suas\npropriedades  internas  varie  ao  longo  do  tempo,  registrando  alguma  diferença\nperceptível quando o sistema é comparado em momentos distintos. A base de dados\nque  compõe  o  sistema  deve,  portanto,  estar  preparada  para  registrar  constantes\ninterferências e evoluções; \nb)  interatividade:  ambientes  interativos  pressupõe  que  um  usuário  pode\naprender  sobre  um  sistema  de  dados  através  da  sua  manipulação  direta.  A\ninteratividade é um componente essencial da visualização de dados por confiar à ação\ndo usuário a representação de estruturas complexas de dados. A capacidade de exibir\nou esconder elementos, de aproximar ou afastar determinada área, de aplicar um\nfiltro específico ou de refinar a pesquisa são recursos particularmente úteis para que\num  indivíduo  obtenha  um  entendimento  mais  amplo  do  contexto  oferecido  pelos\ndados em questão.\nDiante do exposto, este projeto de pesquisa de caráter interdisciplinar entre os\ncampos  do  Design  e  da  Medicina  vem  solucionar  a  questão  da  sobrecarga  de\ninformações por meio da visualização de dados de modo a comunicar a informação de\nmaneira clara e objetiva. Isto não só possibilitará o registro clínico da paciente durante\no ato operatório, como também poderá ser usado no acompanhamento de pacientes\nportadoras da doença.\nO resultado esperado deste projeto é a criação de um sistema interativo digital\nbilíngue,  inédito  à  luz  de  métodos  e  técnicas  do  Design  da  Informação,  para  ser\nutilizado em circuito nacional e internacional tanto para o registro do diagnóstico da\nendometriose quanto em cirurgias, quando o sistema ajudará a orientar na retirada de\nfocos da doença, havendo a necessidade e a preocupação por parte dos especialistas\nde  evitar  ressecções  incompletas  e  de  avaliar  cuidadosamente  a  possibilidade  de\nmultifocalidade e multicentralidade das lesões.\nAGRADECIMENTO\nA FAPERJ pelo auxílio financeiro.\nREFERÊNCIAS\nBONSIEPE, G. Design, cultura e sociedade. São Paulo: Edgar Blucher, 2011.\nBONSIEPE, G. Design do material ao digital. Florianópolis: FIESC/IEL, 1997.\nCYBIS,  W.;  BETROL,  A.  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