{"paper_id":"dc1e714b-7cef-4146-8e3c-c65764391eb7","body_text":"106 | P á g i n a  \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n   Palavras-Chave: Inflamação; Dor Pélvica; Infertilidade. \n  \nCapítulo 14 \nEDUARDA EICKHOFF GIRARDI¹ \nFRANCIELI JANTSCH PEDÓ¹ \nGIULIA CECONELLO DE AQUINO¹ \nJÚLIA GRALHA TONETT¹ \nLEONARDO MIOTTE2 \nLUCAS GAILHARD BRITO¹ \nMELISSA HOFFMANN FAGUNDES3 \nRAFAELLA PEIXOTO ABREU DA SILVA¹ \nSAMIRA CECÍLIA WEBER BAUMGARTEN¹ \nTIAGO CAMARGO COLETO4 \n \n 1Discente – Medicina na Universidade de Caxias do Sul  \n2Discente – Medicina na Universidade Anhembi Morumbi \n3Discente – Medicina na Universidade Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul \n4Discente- Medicina na Universidade de Santa Cruz do Sul \nENDOMETRIOSE \n10.59290/978-65-6029-200-0.14 \n \n\n \n107 | P á g i n a  \nINTRODUÇÃO \nA endometriose é uma doença ginecológica \ncrônica, benigna, dependente de estrogênio e \ncaracterizada pela presença de tecido endome -\ntrial (estroma e/ou glândulas endometriais) fora \nda cavidade uterina. O endométrio ectópico po-\nde estar nas vísceras pélvicas, como nos ovários \ne nas tubas uterinas, peritônio e, em casos mais \nraros, fora da pelve, como na pleura, no peri -\ncárdio e no encéfalo. A etiologia da endometri-\nose não é totalmente compreendida e existem \nvárias teorias, mas fatores genéticos, hormonais \ne imunológicos desempenham um papel impor-\ntante no seu desenvolvimento. (BEREK; et al., \n2016; PASSOS; et al., 2023) \nA patologia pode causar inflamação, dor \npélvica crônica (dismenorreia e/ou dispareu -\nnia), formação de aderências com o intestino, a \nbexiga e o ureter, endometriomas (cistos nos o-\nvários) e infertilidade. Alguns fatores de risco \npara a endometriose são menarca precoce, me -\nnopausa tardia e nuliparidade, já que essas con-\ndições promovem maior exposição ao estrogê -\nnio ao longo da vida. Já alguns fatores de pro -\nteção são a multiparidade, a lactação, o aumen-\nto do índice de massa corporal, o aumento da \nrazão cintura-quadril e a alimentação saudável. \n(BEREK; et al., 2016; PASSOS; et al., 2023; \nCRUMP; et al., 2024) \nA endometriose é uma doença abrangente \nem meio ao sexo feminino, sendo encontrada \nem aproximadamente 10% das mulheres de ida-\nde fértil. A doença está altamente relacionada \ncom casos de dor pélvica crônica (DPC) e infer-\ntilidade. Sobre a infertilidade sem causa aparen-\nte, cerca de 50% dos casos está relacionado com \na endometriose. (MAGGIORE; et al. 2024) \nSendo uma doença complexa, de difícil dia-\ngnóstico e com alta incidência na população fe-\nminina, o objetivo desse capítulo é desbravar a \nendometriose, mostrando seus aspectos \nclínicos, etiológicos, o seu diagnóstico e trata -\nmento; além disso, outro objetivo é ressaltar a \nimportância de uma abordagem multidisci -\nplinar para enfrentar a doença, a fim de obter \nmaior qualidade de vida para as pacientes.  \nMÉTODO \nTrata-se de uma revisão integrativa realiza-\nda em novembro de 2024, por meio de pesqui -\nsas em diversas bases de dados, incluindo Pub-\nMed, UpToDate, Minha Biblioteca e Biblioteca \nVirtual, disponibilizadas pela Universidade. \nPara a busca, utilizaram-se os seguintes termos: \n“endometriose”, “epidemiologia da endometri-\nose”, “patogênese da endometriose”, “trata -\nmento da endometriose”, “sintomas da endo -\nmetriose” e “diagnóstico da endometriose”. Fo-\nram incluídos apenas artigos publicados nos úl-\ntimos 14 anos, no período de 2010 a 2024, es -\ncritos em português ou inglês e que abordassem \ntemas como fisiopatologia, epidemiologia, qua-\ndro clínico, classificação, diagnóstico e inter -\nvenções terapêuticas aplicáveis à endometriose. \nApós a seleção, os dados foram analisados e \napresentados de forma descritiva, sendo organi-\nzados em categorias temáticas para facilitar a \ncompreensão dos aspectos mais relevantes. \nDISCUSSÃO \nPatogenia da endometriose \nA etiopatogenia da endometriose ainda não \nestá completamente elucidada, mas acredita -se \nque seja multifatorial. Entre os principais fato -\nres envolvidos estão a presença de tecido endo-\nmetrial fora da cavidade uterina (ectópico), \nalterações na imunidade celular e humoral, de -\nsequilíbrios nos processos de proliferação ce -\nlular e apoptose, disfunções na sinalização en -\ndócrina e a influência de fatores genéticos, fre-\nquentemente em combinação. (SILVEIRA, et \nal., 2023; LAMCEVA, et al., 2023). \n\n \n108 | P á g i n a  \nA endometriose é caracterizada pela pre -\nsença de tecido endometrial fora do útero, ge -\nralmente associada à inflamação crônica. A pri-\nmeira descrição documentada da condição e sua \npatogênese ocorreu em 1860, quando von Roki-\ntansky identificou tecido endometrial ativo fora \nda cavidade uterina. (KOBAYASHI, 2024). \nFoi somente em 1927 que Sampson introdu-\nziu formalmente o termo \"endometriose\" na ter-\nminologia médica e propôs a teoria da \"mens -\ntruação retrógrada\" para explicar a doença. Se -\ngundo essa teoria, o fluxo reverso do sangue \nmenstrual permite que células endometriais a -\ntinjam a cavidade peritoneal, onde podem se \nimplantar e crescer (KOBAYASHI, 2024). \nEmbora amplamente aceita e respaldada \npela literatura, essa teoria não é a única expli -\ncação para a endometriose. Um dos principais \nquestionamentos é por que a menstruação retró-\ngrada — um evento comum em cerca de 90% \ndas mulheres em idade reprodutiva — resulta \nno crescimento de tecido endometrial fora do ú-\ntero apenas em uma minoria delas. A razão exa-\nta para essa discrepância ainda não foi com -\npletamente esclarecida, apesar dos avanços nas \npesquisas (KOBAYASHI, 2024). \nTambém, as primeiras descrições da endo -\nmetriose referiam-se a nódulos adenomióticos \nno septo retovaginal, localizados ao longo do \ntrato Mulleriano. Posteriormente, a condição \nfoi identificada também como implantes de te -\ncido semelhante ao endométrio no peritônio e \novários (LAMCEVA, et al., 2023; NOVELLI, \net al., 2023). \nDada a diversidade de localizações, possí -\nveis origens, aparências e respostas hormonais, \nsugeriu-se recentemente que a endometriose \nperitoneal, a endometriose ovariana e os nódu -\nlos adenomióticos no septo retovaginal consti -\ntuem três entidades distintas, cada uma com sua \nprópria patogênese. No entanto, há um argu -\nmento de que a endometriose profunda não se \norigina no septo retovaginal, mas surge de im -\nplantes superficiais na bolsa de Douglas (LA -\nMCEVA, et al., 2023; NOVELLI, et al., 2023). \nAtualmente, três principais teorias expli -\ncam a patogênese da endometriose: a teoria da \nindução, a teoria da disseminação hematogêni -\nca/linfática, a teoria da metaplasia celômica, a \nteoria do desenvolvimento in situ e a teoria do \ntransplante retrógrado  (LAMCEVA, et al ., \n2023; NOVELLI, et al., 2023). \nTeoria da Indução \nEssa teoria sugere que a degeneração do \nendométrio menstrual libera fatores endógenos, \nos quais induzem a metaplasia do epitélio se -\nroso dos ovários e das células mesoteliais, re -\nsultando na formação de tecido semelhante ao \nendométrio. Para que uma lesão seja definida \ncomo endometriose, é necessário que tanto as \nglândulas quanto o estroma endometrial este -\njam presentes. Estudos que apoiam essa teoria \nfornecem evidências da formação de epitélio e \nglândulas semelhantes ao endométrio por indu-\nção, embora faltem provas diretas de que o es -\ntroma endometrial se forme ao final do proces-\nso metaplásico  (LAMCEVA, et al., 2023; NO-\nVELLI, et al., 2023). \nTeoria da Disseminação Hematogênica/ \nLinfática \nEssa teoria propõe sugere que células endo-\nmetriais podem entrar na circulação sanguínea \nou linfática, alcançando e se instalando em ou -\ntros tecidos. Embora a endometriose profunda \ncompartilhe algumas características com me -\ntástases de câncer, como invasividade e adapta-\nção celular, essas funções complexas são típicas \nde células tumorais, e não há evidências conclu-\nsivas de que células benignas do endométrio se-\njam capazes de realizar esse processo (NOVEL-\nLI, et al., 2023).\n \n\n \n109 | P á g i n a  \nTeoria da Metaplasia Celômica \nProposta por Gruenwald em 1942, essa te -\noria sugere que a endometriose pode surgir a \npartir de células do epitélio celômico, que é em-\nbriologicamente relacionado aos ductos de Mü-\nller. Segundo essa hipótese, as paredes celômi-\ncas (como o peritônio e outras estruturas sero -\nsas) podem sofrer transformação metaplásica, \ndesenvolvendo tecido semelhante ao endomé -\ntrio. Estudos sugerem que produtos químicos \ndesreguladores endócrinos podem desempe -\nnhar um papel no estímulo ou ativação dessas \ncélulas para se transformarem em tecido endo-\nmetriótico. Essa teoria explica casos de endo -\nmetriose em locais onde o fluxo menstrual re -\ntrógrado seria impossível, como regiões distan-\ntes da pelve (NOVELLI, et al., 2023). \nTeoria do Desenvolvimento In Situ \nDe acordo com essa hipótese, o endométrio \nectópico se desenvolve localmente a partir de \ntecidos como o epitélio germinativo do ovário e \nrestos dos ductos Mullerianos e Wolffianos. \nEssa teoria também propõe que a endometriose \nperitoneal surge da metaplasia in situ de células \nmesoteliais totipotentes. No entanto, a predomi-\nnância da endometriose em mulheres, associada \nà ausência da condição em homens, limita a for-\nça dessa teoria ao tentar explicar completamen-\nte a doença  (LAMCEVA, et al., 2023; NOVE-\nLLI, et al., 2023). \nTeoria do Transplante Retrógrado \nA Teoria do Transplante Retrógrado, am -\nplamente aceita, propõe que a endometriose \nocorre devido ao refluxo de fragmentos endo -\nmetriais pelas tubas uterinas durante a mens -\ntruação, que se implantam e crescem no peritô-\nnio e ovários. Estudos apontam que cerca de \n90% das mulheres com tubas uterinas pervias \napresentam sangue no líquido peritoneal duran-\nte o período perimenstrual, comparado a apenas \n15% daquelas com trompas obstruídas. Mens -\ntruações intensas e prolongadas também au -\nmentam o risco de desenvolvimento da doença \n(LAMCEVA, et al ., 2023; NOVELLI, et al ., \n2023). \nA viabilidade desses implantes depende da \ncapacidade do tecido endometrial de aderir ao \nperitônio, invadir a matriz extracelular, estabe -\nlecer suprimento sanguíneo e sobreviver, pro -\ncessos corroborados por estudos experimentais \nin vivo, ex vivo e in vitro. Esses achados refor-\nçam o papel central do tecido endometrial na \npatogênese da endometriose  (LAMCEVA, et \nal., 2023; NOVELLI, et al., 2023). \nSINTOMAS \nO sintoma mais comum da endometriose é \na dor pélvica crônica, que tende a ser cíclica e \nintensifica antes e durante o período menstrual. \nEssa dor pode ser constante e persistente, afe -\ntando a rotina diária e a qualidade de vida. Mui-\ntas mulheres também relatam cólicas menstru -\nais severas, conhecidas como dismenorreia, que \nnão respondem bem aos analgésicos comuns. \nAlém disso, é comum que a endometriose cause \ndispareunia, dor profunda durante a relação se-\nxual, devido à inflamação e aderências na cavi-\ndade pélvica (WATERS, et al., 2021). \nSintomas adicionais que costumam ser ob -\nservados incluem dor ao urinar ou ao evacuar, \nespecialmente durante a menstruação, quando o \ntecido endometrial se infiltra na bexiga ou no \ntrato gastrointestinal. O fluxo menstrual pode \nser intenso e duradouro, acompanhado por san-\ngramentos irregulares entre os períodos mens -\ntruais. Em situações mais graves, pode existir \npresença de sangue nas fezes ou na urina (WA-\nTERS, et al., 2021). \nAlém dos sintomas relacionados à dor e ao \nciclo menstrual, a endometriose é uma das prin-\ncipais razões para a infertilidade feminina. As \nlesões causadas pela endometriose podem pro -\nvocar alterações inflamatórias que comprome -\n\n \n110 | P á g i n a  \ntem tanto a qualidade dos óvulos quanto o trans-\nporte através do sistema reprodutivo, além de \nformarem aderências que têm o potencial de \nobstruir as trompas de Falópio (WATERS, et \nal., 2021). \nSintomas gerais, como fadiga intensa e uma \nsensação de cansaço extremo, são frequente -\nmente reportados. Essa condição inflamatória \ncrônica afeta não apenas o corpo, mas também \na saúde mental, devido ao estresse e às limita -\nções funcionais que causa  (WATERS, et al ., \n2021) \nÉ importante ressaltar que nem todas as \npessoas diagnosticadas com endometriose apre-\nsentam sinais claros. Muitas vezes, o diagnós -\ntico ocorre durante a investigação de problemas \nde fertilidade, em consultas de rotina na gineco-\nlogista ou em cirurgias para tratar outras condi-\nções. É interessante notar que a gravidade dos \nsintomas não está necessariamente relacionada \nà severidade da doença. Por exemplo, algumas \nmulheres com formas leves relatam dores inten-\nsas, enquanto outras com manifestações mais \navançadas podem ser quase assintomáticas.  \nEsses aspectos contribuem para o atraso \ncomum no diagnóstico, que pode levar anos a -\npós o aparecimento dos primeiros sintomas. A \nconscientização sobre as manifestações da en -\ndometriose e o reconhecimento precoce são es-\nsenciais para aprimorar o cuidado clínico e re -\nduzir seu impacto negativo na vida das mulhe -\nres afetadas.  \nCLASSIFICAÇÃO  \nA classificação da endometriose visa padro-\nnizar a análise da doença, servindo como guia \npara o diagnóstico, tratamento e prognóstico. \nExistem diversas metodologias, cada uma com \num enfoque distinto, que incluem a extensão \nanatômica, a gravidade clínica e os efeitos sobre \na fertilidade. \nClassificação da ASRM (Sociedade \nAmericana de Medicina Reprodutiva) \nA classificação da ASRM, introduzida ini -\ncialmente em 1996, é uma das mais tradicionais \ne amplamente adotada na categorização da en -\ndometriose. Organizada em estágios que são \ndeterminados pela quantidade, localização e \nprofundidade dos implantes de tecido endome -\ntrial, bem como pela presença de aderências. A \navaliação considera ainda a ocorrência de le -\nsões nos órgãos do sistema reprodutivo, como \novários, trompas de Falópio e no peritônio. \nÉ organizada em quatro estágios: mínimo \n(estágio I), sendo ele classificado como a pre -\nsença de poucos implantes superficiais, geral -\nmente pequenos e localizados no peritônio. Não \nhá aderências significativas. O Estágio II (leve): \nImplantes superficiais mais extensos ou profun-\ndos, mas sem invasão significativa de tecidos. \nPequenas aderências podem ser observadas. Já \nno estágio III (moderada): A endometriose a -\npresenta implantes profundos, cistos ovarianos \nendometrióticos (endometriomas) e aderências \nmais evidentes, que podem comprometer par -\ncialmente órgãos como trompas e ovários. E no \nEstágio IV (severa), conta com presença de im-\nplantes profundos, grandes endometriomas e a-\nderências extensas que frequentemente afetam \na anatomia pélvica e comprometem o funcio -\nnamento de órgãos, como intestino e bexiga  \n(PODGAEC, 2019). \nEmbora útil, essa classificação apresenta \nlimitações, pois a gravidade dos sintomas pode \nnão correlacionar diretamente com a extensão \nda doença. Ou seja, mulheres com um estágio \navançado podem ter poucos sintomas, enquanto \nmulheres em estágios iniciais podem apresentar \ndores intensas. Por isso, a classificação da AS -\nRM é frequentemente usada como um ponto de \npartida, mas não deve ser a única base para de-\ncisões clínicas.  \n \n\n \n111 | P á g i n a  \nClassificação Enzian \nA classificação Enzian constitui uma ferra-\nmenta mais direcionada, centrada na endome -\ntriose profunda infiltrativa (EPI), que represen-\nta uma variante mais grave e menos comum da \ndoença. Seu principal objetivo é orientar o ma-\nnejo cirúrgico, categorizando tanto a localiza -\nção quanto a profundidade das lesões endome -\ntrióticas. Essa forma de endometriose geral -\nmente afeta regiões como o intestino, ligamen -\ntos uterossacros e paredes pélvicas, sendo ava -\nliada em diferentes níveis, conforme o tamanho \ne a abrangência das lesões (KIESENHOFER, et \nal., 2020). \nA classificação Enzian divide a pelve em \ntrês compartimentos principais, descritos de a -\ncordo com a localização das lesões: ligamentos \nuterossacros e espaço retrouterino, fundo de sa-\nco posterior e estruturas ao redor do reto, e a pa-\nrede anterior do reto e do reto -sigmóide. Cada \nlesão é avaliada em termos de profundidade e \ntamanho, sendo categorizada em graus de 1 a 3, \nde acordo com sua extensão, que varia desde \nmenos de 1 cm até mais de 3 cm. Além disso, a \nEnzian abrange categorias a dicionais para le -\nsões que se estendem para além da pelve, como \naquelas que afetam a bexiga, o peritônio supe -\nrior e até órgãos distantes, como o diafragma  \n(KIESENHOFER, R. et al., 2020). \nDevido à sua ênfase na endometriose pro -\nfunda, a classificação Enzian se mostra particu-\nlarmente valiosa para identificar áreas que re -\nquerem uma intervenção mais intensa e com -\nplexa durante a cirurgia, além de oferecer uma \ncompreensão mais clara da extensão da condi -\nção (KIESENHOFER, R. et al., 2020). \nÍndice de Fertilidade na Endometriose \n(EFI) \nO Índice de Fertilidade na Endometriose \n(EFI) é uma ferramenta desenvolvida para ava-\nliar o impacto da endometriose na fertilidade \ndas mulheres. Ele combina informações clíni -\ncas e cirúrgicas para estimar as chances de con-\ncepção espontânea ou assistida, especialmente \nem mulheres que apresentam dificuldades para \nengravidar devido à doença. Este índice é uti -\nlizado por ginecologistas e especialistas em re-\nprodução assistida para orientar as escolhas te -\nrapêuticas e personalizar os tratamentos, depen-\ndendo das condições individuais de cada paci -\nente  (SALA, et al., 2019). \nO cálculo do EFI leva em consideração três \nfatores principais: a idade da paciente, que é um \ndos elementos mais importantes na fertilidade, \njá que, mulheres mais jovens têm maior chance \nde concepção; o histórico reprodutivo, que pode \nincluir a presença de filhos anteriores ou difi -\nculdades anteriores para engravidar, fornecen -\ndo um indicativo da capacidade reprodutiva da \nmulher; e, a gravidade da endometriose, que é \ngeralmente avaliada durante a cirurgia, consi -\nderando o estágio da doença e a presença de le-\nsões em órgãos como os ovários, trompas de \nFalópio e o útero. Essa avaliação cirúrgica aju-\nda a categorizar a doença de acordo com a clas-\nsificação da ASRM, fornecendo informações \ncruciais sobre a extensão dos danos causados \npela endometriose (SALA, et al., 2019). \nO EFI desempenha um papel importante \nnos tratamentos de fertilização in vitro (FIV). \nMulheres com maior EFI têm maior chance de \nter uma gravidez bem sucedida, espontânea ou \nassistida. Com base na gravidade da endome -\ntriose e nos métodos reprodutivos gerais, esse \níndice indica o risco de gravidez e permite aos \nmédicos determinar o melhor curso para cada \npaciente. Porém, é importante entender que o \nEFI tem limitações, como confiar na precisão \ndas informações clínicas e cirúrgicas, e não le-\nvar em consideração  fatores externos, como a \nqualidade do esperma do parceiro, que afetam o \nresultado.  (SALA, et al., 2019). \nPortanto, o EFI é uma ferramenta impor -\ntante, mas deve ser utilizada em conjunto com \n\n \n112 | P á g i n a  \numa avaliação clínica minuciosa para uma \nabordagem de tratamento eficaz e personaliza -\nda (SALA, et al., 2019). \nCada uma dessas classificações oferece \numa perspectiva diferente sobre a endometri -\nose, concentrando -se em aspectos específicos \nda doença, como a extensão anatômica, a pro -\nfundidade das lesões e o impacto na fertilidade. \nA escolha do sistema de classificação a utilizar \ndepende dos objetivos do diagnóstico e do trata-\nmento, sendo essencial que a abordagem tenha \nem conta a complexidade e a variabilidade da \ndoença para uma gestão mais eficaz.  \nDIAGNÓSTICO \nA laparoscopia com confirmação por exa -\nme histológico é considerada padrão ouro no \ndiagnóstico da endometriose. Na prática, em \ngeral, os médicos tomam como base para iniciar \na terapia, a história clínica, a apresentação dos \nsintomas e os achados do exame físico, com ou \nsem estudos de imagem (GREENE et al., 2016; \nTAYLOR et al., 2018) \nO sintoma mais comum na endometriose é \na dor, que pode se manifestar de diversas for -\nmas: dor pélvica cíclica, dismenorreia, dor peri-\novulatória, dor pélvica crônica não cíclica, dis-\npareunia (posicional ou contínua), além de dor \nao evacuar (disquezia) e ao urinar (disúria) \n(CRANNEY et al ., 2017; TAYLOR et al ., \n2018; ROLLA, 2019). \nOutra parte importante no diagnóstico é o \nexame pélvico. O exame deve ser iniciado pela \npalpação abdominal da paciente, se nenhuma \ndor for registrada podemos prosseguir para o \nexame pélvico. A palpação bimanual dos reces-\nsos vesicouterino, retouterino, ou fundo de saco \nde Douglas e anexos, pode revelar locais extre-\nmamente doloridos. A retroversão uterina fixa \né frequentemente devida ao comprometimento \ndo ligamento útero -sacro ou aderências no re -\ncesso de Douglas. A mobilização uterina dolo -\nrosa é outro sin al comum da endometriose. A \npressão aplicada ao fundo do útero costuma \ncausar dor quando há presença de adenomiose. \nA dor durante a relação sexual geralmente está \nassociada à sensibilidade intensa à palpação dos \nligamentos útero -sacros (CRANNEY et al ., \n2017; TAYLOR et al., 2018; ROLLA, 2019). \nUm exame pélvico minucioso e realizado \npor um especialista oferece uma quantidade sig-\nnificativa de informações com custo bastante li-\nmitado (ROLLA, 2019). \nA laparoscopia permite a observação direta \nda região pélvica, possibilitando não apenas \nidentificar a doença, mas também classificar o \nestadiamento da doença (CRANNEY et al ., \n2017). Além disso, os exames de imagem são \namplamente empregados no auxílio ao diagnós-\ntico da endometriose, especialmente quando \ncombinados com a história clínica. Entre esses \nexames, destaca-se a ultrassonografia transva -\nginal (USTV) e a ressonância magnética (RM). \nA ultrassonografia transvaginal (USTV) é o \nexame de imagem de escolha inicial, pois se tra-\nta de uma técnica não invasiva, de custo acessí-\nvel, que utiliza um transdutor portátil para emi-\ntir ondas sonoras de alta frequência. As lesões \nendometrióticas detectadas por esse método são \ngeralmente identificadas até 5 mm de profundi-\ndade no revestimento uterino. Já as lesões que \nse encontram em regiões mais profundas da pel-\nve (> 5 mm) são classificadas como endome -\ntriose profunda (SHAH et al., 2018).  \nA ressonância magnética (RM) é um méto-\ndo de imagem estática, em contraste com a ul -\ntrassonografia transvaginal (USTV), que é di -\nnâmica, porém apresenta a vantagem de ser me-\nnos invasiva para mulheres nulíparas (CRAN -\nNEY et al., 2017). Além disso, é eficaz no ma-\npeamento de lesões discretas, auxiliando na re-\ndução de atrasos diagnósticos, e na identifica -\nção de lesões que invadem o espaço retroperito-\n\n \n113 | P á g i n a  \nneal ou as paredes dos órgãos pélvicos (SHAH \net al., 2018). \nVale ressaltar que os exames de imagem \nnão possuem precisão suficiente para substituir \na confirmação por biópsia no diagnóstico da en-\ndometriose. No caso da endometriose peritone-\nal, as lesões só são visíveis quando os implantes \nendometrióticos apresentam sangramentos ou \ncausam alterações na anatomia pélvica normal \n(SHAH et al., 2018). \nTRATAMENTO \nO tratamento da endometriose dependerá da \ngravidade dos sintomas, da localização e ex -\ntensão das lesões, do desejo de engravidar e da \nidade da paciente. Este, visa aliviar os sintomas, \nreduzir a progressão da doença, aumentar a fer-\ntilidade e melhorar a qualidade de vida das mu-\nlheres afetadas. Pode ser clínico, cirúrgico ou \nmesmo uma combinação de ambos (FRANÇA \net al, 2022; CESAR, 2024). \n Dentre os principais medicamentos utiliza-\ndos destacam-se: \nOs anti-inflamatórios não esteroidais muito \nutilizados concomitantemente com as demais \nmedicações no tratamento da inflamação crôni-\nca e no alívio da dismenorreia primária, apenas \npara minimizar os sintomas, sem interferir na \novulação. Seus principais efeitos adversos são \nas úlceras gástricas, eventos cardiovasculares e \ninsuficiência renal aguda (FRANÇA et al , \n2022). \nAs terapias hormonais como anticoncepcio-\nnais combinados, progestagênios, análogos de \nGnRH e inibidores de aromatase, usados para \ninibir a atividade dos ovários e, com isso, dimi-\nnuir o estímulo estrogênico, retardar o cresci -\nmento do tecido endometrial ectópico, reduzir \no sangramento e a dor (PASSOS et al, 2023). \nOs contraceptivos orais combinados e pro -\ngestágenos são utilizados como primeira linha \nde tratamento, uma vez que melhoram os sinto-\nmas de dor na maioria das pacientes, são bem \ntolerados e têm baixo custo.   Entretanto, 25% \ndas pacientes não respondem ao tratamento, \nalém de apresentarem efeitos adversos como: \nalteração no padrão menstrual, ganho de peso, \nsensibilidade mamária, alteração de humor, re-\ntenção de líquido e acne (FRANÇA, et al.2022; \nCESAR, 2024; PODGAEC, 2019). \nO agonista do hormônio liberador de gona-\ndotrofinas (GnRH) representa a segunda linha \nde tratamento para essa doença. Este é um fár -\nmaco eficaz no tratamento de mulheres que não \nresponderam bem à primeira linha terapêutica. \nAo se ligar aos receptores de GnRH na hipófise, \nos agonistas induzem um feedback negativo, di-\nminuindo a liberação de FSH e LH. Essa redu -\nção hormonal, por sua vez, inibe a produção de \nestrógenos e progesterona nos ovários.   Eles \nsão efetivos no tratamento da dor associada à \nadenomiose, porém estão associados a diversos \nefeitos adversos como fogachos, hipotrofia ge -\nnital, instabilidade de humor, insônia, risco \ncardiovascular, além de efeito sobre a densida -\nde mineral óssea, aumentando o risco de osteo-\npenia (FRANÇA et al .2022; PODGAEC, \n2019). \nOs Inibidores da aromatase constituem uma \nclasse terapêutica inovadora que atua de forma \naltamente seletiva, bloqueando a enzima aro -\nmatase e, consequentemente, interrompendo a \nprodução de estrogênios em tecidos periféricos. \nSendo assim, há uma redução significativa no \ntamanho das lesões e na dor pélvica. Muitas \nvezes são utilizados em associação com os aná-\nlogos do GnRH ou contraceptivos hormonais \npara pacientes que não respondem adequada -\nmente ao tratamento medicamentoso habitual. \nSeus principais sintomas adversos são osteopo-\nrose, secura vaginal, insônia, náuseas e cefaleia \n(FRANÇA, et al.2022; PODGAEC, 2019). \nAdemais, quando estes métodos não são e -\nficazes ou há o desejo de engravidar a cirurgia \n\n \n114 | P á g i n a  \npode ser indicada, sobretudo a laparotomia, ci -\nrurgia minimamente invasiva que oferece vá -\nrias vantagens, como menor dor pós-operatória, \ntempo de recuperação mais rápido, menor risco \nde complicações e menor trauma para os teci -\ndos circundantes, utilizada para remover as le -\nsões e aderências, demonstrando melhora signi-\nficativa da dor pélvica e da taxa de fertilidade \ncom a excisão dos focos ectópicos. Entretanto, \nseu benefício costuma ser temporário, podendo \nrecidivar (CESAR, 2024). \nConsidera-se histerectomia abdominal total \ncom ou sem ooforectomia o tratamento definiti-\nvo da endometriose, sendo considerado em ca -\nsos graves para mulheres que não desejam mais \nter gestações. A histerectomia com salpingo -\nooforectomia bilateral com excisão de todos os \nfocos de endometriose apresentou taxas de cura \nde 90%. Em casos assintomáticos, nenhum tra-\ntamento é necessário (FRANÇA, et al .2022; \nPASSOS et al., 2023). \nÉ fundamental que as mulheres com endo -\nmetriose compreendam a natureza crônica e \nprogressiva da doença, demandando um cui -\ndado integral e personalizado. Uma equipe mul-\ntidisciplinar, composta por médicos, fisiotera -\npeutas e nutricionistas, é essencial para oferecer \num tratamento eficaz e melhorar a qualidade de \nvida (PODGAEC, 2019). \n \nCONCLUSÃO \nEste estudo evidenciou que a endometriose \né uma doença ginecológica multifatorial e com-\nplexa, caracterizada pela presença de tecido en-\ndometrial fora da cavidade uterina e associada \na inflamação crônica, dor e infertilidade. Ape -\nsar dos avanços nas teorias sobre sua patogêne-\nse, incluindo hipóteses como menstruação re -\ntrógrada, metaplasia celômica e disseminação \nlinfática, ainda existem lacunas na compreen -\nsão de sua etiologia e progressão.  \nOs dados destacam a importância de diag -\nnósticos precoces e abordagens terapêuticas in-\ndividualizadas, dado o impacto significativo da \ndoença na qualidade de vida das mulheres. \nAlém disso, a adoção de uma abordagem multi-\ndisciplinar, que inclua suporte médico, psicoló-\ngico e social, mostrou-se fundamental. \nCom base nesses achados, futuros estudos \ndevem explorar mais profundamente os meca -\nnismos moleculares da doença, o impacto de \nfatores genéticos e ambientais e o desenvolvi -\nmento de terapias personalizadas e menos inva-\nsivas. A ampliação de pesquisas em biomarca -\ndores específicos para diagnóstico precoce e \nmonitoramento também é crucial para melhorar \no manejo clínico da endometriose. \n  \n\n \n115 | P á g i n a  \nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS \nARAGAO, J. A. et al. Os avanços no diagnóstico da endometriose e a importância da sua realização de forma precoce. \nSaúde da Mulher e do Recém -Nascido: políticas, programas e assistência multidisciplinar , p. 290 –304, 2021.  DOI: \n10.37885/210404216. \n \nBEREK, J.; BEREK, D. Berek & Novak Tratado de Ginecologia . 16 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. E -\nbook. p. Capa. ISBN 9788527738392. \n \nCESAR, Daniel.  Endometriose: entendendo e superando a doença. Belo Horizonte, MG: Dialética, 2024. E -book. \nDisponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 nov. 2024. \n \nCRANNEY, Ryan., et al. An Update on the Diagnosis, Surgical Management, and Fertility Outcomes for Women with \nEndometrioma. 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