{"paper_id":"a0ea9018-04c1-48ac-a0a6-298475536998","body_text":"I CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n153 \n \nABORDAGENS MULTIDIMENSIONAIS NA ENDOMETRIOSE: UMA ANÁLISE \nCRÍTICA DOS AVANÇOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS \nMultidimensional Approaches to Endometriosis: A Critical Analysis of Diagnostic and \nTherapeutic Advances \n \n \nAna Lúcia de Almeida Lopes \nMestre em Enfermagem \nInstituição: Faculdade Israelita Albert Einstein \nE-mail: analulop@icloud.com \n \nRafael Gomes Vieira \nGraduado em Medicina \nInstituição: Universidade Federal Fluminense (UFF) \nE-mail: rafavieira2211@gmail.com \n \nSérgio Marcelo Lima Souza Filho \nGraduando em Medicina \nInstituição: Centro Universitário UniFG \nE-mail: sergio_mlsf@hotmail.com \n \nBernardo Augusto Rafael Silveira \nGraduando em Medicina \nInstituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc Afya \nE-mail: bernardoosilveira21@gmail.com \n \n \nRESUMO \nA endometriose é uma condição inflamatória crônica que afeta mulheres em idade reprodutiva, \ncaracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, associada a sintomas \ncomplexos como dor pélvica crônica e infertilidade. Este artigo apresenta uma revisão crítica dos \navanços recentes nos métodos diagnósticos e nas abordagens terapêuticas, destacando os desafios \ninerentes à ausência de biomarcadores específicos e à heterogeneidade clínica da doença. A \nmetodologia incluiu busca sistemática nas bases PubMed, Scopus e Web of Science até 2025, \ncom critérios rigorosos de seleção para garantir a qualidade e relevância dos estudos analisados. \nEntre os principais achados, a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética emergem \ncomo ferram entas fundamentais no diagnóstico, apesar das limitações na detecção de lesões \nsuperficiais, enquanto a videolaparoscopia com confirmação histopatológica permanece como \npadrão ouro, embora seu uso seja restrito por indicações terapêuticas. No tratamento, enfatiza-se \na individualização das terapias, com o uso de analgésicos e moduladores hormonais para controle \nda dor, complementados por intervenções cirúrgicas em casos refratários ou com \ncomprometimento anatômico severo. O manejo da infertilidade associada requer avaliação \nintegrada, incluindo indicação criteriosa de reprodução assistida e, em situações selecionadas, \ncirurgia para otimizar a fertilidade. Além disso, estratégias multidisciplinares não farmacológicas \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n154 \n \ncontribuem para a melhoria da qualidade de vida das pacientes. Por fim, o artigo reforça a \nimportância do acompanhamento clínico contínuo e personalizado, visando o manejo eficaz da \ndoença e a promoção do bem-estar feminino. \nPalavras-chave: endometriose, diagnóstico, tratamento, infertilidade, abordagem \nmultidisciplinar. \nABSTRACT \nEndometriosis is a chronic inflammatory condition affecting women of reproductive age, \ncharacterized by the presence of endometrial tissue outside the uterine cavity and associated with \ncomplex symptoms such as persistent pelvic pain and infertility. This study provides a critical \nreview of recent advances in diagnostic methods and therapeutic strategies, highlighting the \nchallenges posed by the lack of specific biomarkers and the clinical heterogeneity of the disease. \nThe methodology involved a sy stematic search of PubMed, Scopus, and Web of Science \ndatabases up to 2025, applying strict criteria to select relevant and high -quality studies. Key \nfindings indicate that transvaginal ultrasound and magnetic resonance imaging are essential \ndiagnostic tools, despite their limitations in detecting superficial lesions; laparoscopy combined \nwith histopathological confirmation remains the gold standard but is reserved for specific \ntherapeutic indications. Therapeutically, the importance of individualized treat ment is \nemphasized, including the use of analgesics and hormonal therapies to manage symptoms, \ncomplemented by surgical interventions in refractory cases or those with significant anatomical \ninvolvement. Managing infertility associated with endometriosis r equires a comprehensive \nevaluation, with careful consideration of assisted reproductive technologies and, in selected \ncases, surgery to enhance reproductive outcomes. Furthermore, multidisciplinary non -\npharmacological approaches contribute significantly to  improving patients’ quality of life. \nUltimately, this review underscores the need for continuous, personalized clinical follow -up to \neffectively manage the disease and promote the well-being of affected women. \nKeywords: endometriosis, diagnosis, treatment, infertility, multidisciplinary approach \n \nINTRODUÇÃO \nA endometriose é uma condição ginecológica inflamatória crônica, hormônio -dependente, \ncaracterizada pela presença ectópica de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade \nuterina. Trata -se de uma afecção que compromete de forma significativa a saúde fí sica, \npsicológica e reprodutiva de mulheres em idade fértil, com impactos diretos sobre sua qualidade \nde vida, produtividade e bem -estar. Estima -se que cerca de 10% das mulheres em idade \nreprodutiva sejam acometidas pela doença, o que a torna um problema de saúde pública relevante \ne subestimado. \nNa maioria dos casos, os focos de endometriose localizam -se na cavidade pélvica, afetando \nestruturas como peritônio, ovários, septo retovaginal, ligamentos uterossacros, intestino e bexiga. \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n155 \n \nContudo, em situações menos comuns, pode haver comprometimento de órgãos extraperitoneais, \no que dificulta o diagnóstico e o manejo clínico. A hipótese da menstruação retrógrada é a mais \namplamente aceita para explicar sua patogênese, sendo proposta originalmente por Sampson em \n1927. No entanto, o caráter multifatorial da endometriose, somado à complexidade de suas \nmanifestações clínicas, levou ao desenvolvimento de outras teorias explicativas, como a \nmetaplasia celômica, disseminação linfática ou hematogên ica, além de recentes investigações \nque apontam para contribuições imunológicas, genéticas e epigenéticas relevantes. \nDo ponto de vista classificatório, a endometriose pode ser dividida em três formas principais: \nperitoneal superficial, ovariana (com formação dos chamados endometriomas) e endometriose \ninfiltrativa profunda, definida por lesões com mais de 5 mm de profundidade. Diversos sistemas \nclassificatórios foram propostos com o intuito de avaliar a gravidade da doença e orientar \nestratégias cirúrgicas ou reprodutivas. Entre eles, destaca -se o sistema da American Society for \nReproductive Medicine (ASRM), que estratifica os casos em estágios I a IV com base em achados \ncirúrgicos. Contudo, esse sistema apresenta baixa correlação com a intensidade dos sintomas \ndolorosos e com o prognóstico reprodutivo das pacientes. Recentemente, surgiram classificações \nmais refinadas, com o a classificação ENZIAN  voltada para o planejamento cirúrgico da \nendometriose profunda, e a da American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL), \nque busca predizer a complexidade operatória com base na localização e no tamanho das lesões, \no que pode auxiliar na alocação de recursos e na formação de equipes multidisciplinares. \nApesar do avanço nas técnicas diagnósticas e terapêuticas, a endometriose ainda permanece \ncomo uma condição subdiagnosticada e, muitas vezes, tratada de forma tardia ou inadequada. A \nvariabilidade clínica, a ausência de marcadores laboratoriais específicos  e as limitações dos \nexames de imagem em detectar formas superficiais dificultam o diagnóstico precoce. No campo \nterapêutico, o manejo requer uma abordagem individualizada, baseada na gravidade dos \nsintomas, desejo reprodutivo da paciente e extensão anatôm ica da doença, integrando medidas \nfarmacológicas, cirúrgicas e suporte multidisciplinar. \nDiante da complexidade etiopatogênica, das múltiplas apresentações clínicas e dos desafios \ndiagnósticos e terapêuticos envolvidos, justifica -se a realização de uma revisão crítica da \nliteratura científica recente. O presente artigo tem como objetivo analisar de forma abrangente e \nintegrada os principais avanços no entendimento clínico, diagnóstico e terapêutico da \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n156 \n \nendometriose, com ênfase nas estratégias atuais de manejo e nas perspectivas futuras para uma \nabordagem mais efetiva, individualizada e baseada em evidências. \nMETODOLOGIA \nFoi realizada uma busca sistemática e abrangente em bases de dados eletrônicas reconhecidas \ninternacionalmente, incluindo PubMed, Scopus e Web of Science, com o intuito de garantir a \nampla cobertura das publicações relevantes até o ano de 2025. \nA estratégia de busca envolveu a combinação de descritores e termos específicos relacionados \nao tema, como “endometriose”, “diagnóstico”, “tratamento”, “manejo clínico”, e “etiologia”, \nassociados por operadores booleanos (AND, OR) para refinar os resultado s e assegurar maior \nespecificidade. Por exemplo, foram aplicadas buscas utilizando a expressão: (“endometriosis” \nOR “endometriose”) AND (“diagnosis” OR “diagnóstico”) AND (“therapy” OR “tratamento”) \npara incluir estudos que abordassem os aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos da doença. \nAlém disso, filtros de idioma (artigos em inglês, português e espanhol) e tipo de publicação \n(artigos originais, revisões sistemáticas e meta -análises) foram aplicados para manter a \nrelevância e qualidade dos dados selecionados. \nForam adotados critérios rigorosos de inclusão e exclusão para garantir a pertinência das \nevidências analisadas. Foram incluídos estudos que tratassem da epidemiologia, fisiopatologia, \ndiagnóstico e manejo terapêutico da endometriose em populações feminina s em idade \nreprodutiva, com ênfase em publicações dos últimos dez anos, a fim de refletir os avanços \nrecentes no campo. Excluíram -se artigos com escopo divergente, relatos de casos isolados, \npublicações sem acesso ao texto completo, e aqueles que não apresentassem rigor metodológico \nsuficiente, conforme avaliação preliminar durante a triagem. \nO processo de seleção seguiu uma abordagem em etapas, iniciando pela triagem dos títulos e \nresumos identificados, realizada de forma independente por dois revisores experientes. Estudos \nque apresentaram pertinência temática foram então submetidos à leitura  integral para análise \ndetalhada dos conteúdos, garantindo a consistência e a abrangência das informações incluídas na \nrevisão. Eventuais divergências entre revisores foram resolvidas por consenso ou mediante \nconsulta a um terceiro avaliador. \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n157 \n \nPara a extração e organização dos dados, utilizou -se uma ficha padronizada contemplando \ninformações essenciais como características metodológicas dos estudos, população amostrada, \nprincipais achados sobre diagnóstico e terapias, bem como lacunas identificadas na literatura. A \nanálise qualitativa dos dados foi conduzida mediante síntese temática, favorecendo uma visão \nintegrada e crítica das evidências disponíveis, em consonância com a diversidade metodológica \ne multidisciplinar observada nas publicações revisadas. \nEmbora a revisão não tenha se caracterizado como sistemática estrita, houve preocupação em \ncontemplar estudos de alta qualidade e relevância clínica, em especial aqueles que oferecem \ndiretrizes atualizadas, como as recomendações da ESHRE e outras entidades  científicas \nrenomadas. Ademais, procurou-se abordar as múltiplas dimensões da doença — desde aspectos \nmoleculares e etiológicos até intervenções farmacológicas, cirúrgicas e suporte multidisciplinar \n— refletindo o caráter complexo e multifatorial da endometriose. \nAssim, esta metodologia permitiu a construção de uma análise crítica fundamentada em \nevidências atuais e diversificadas, contribuindo para um melhor entendimento dos avanços \ndiagnósticos e terapêuticos na endometriose, com vistas a subsidiar práticas clíni cas mais \neficazes e integradas. \nRESULTADOS E DISCUSSÃO \nA determinação precisa da prevalência da endometriose permanece um desafio, sobretudo pelo \nfato de seu diagnóstico definitivo ainda depender da confirmação cirúrgica, comumente realizada \npor laparoscopia. Essa limitação metodológica compromete a acurácia d os dados \nepidemiológicos disponíveis, uma vez que casos subclínicos ou assintomáticos tendem a \npermanecer subdiagnosticados. Apesar disso, estimativas atuais sugerem que aproximadamente \n10% das mulheres em idade reprodutiva são acometidas pela doença, o qu e representa um \nimpacto expressivo na saúde pública feminina. \nQuando a análise é direcionada a subgrupos específicos, como mulheres que apresentam dor \npélvica crônica, os índices de prevalência sobem consideravelmente, podendo atingir até 70%, \nde acordo com estudos observacionais e dados clínicos acumulados. Este dad o reforça a \ncorrelação entre sintomas álgicos persistentes e a presença de focos endometrióticos, sugerindo \nque a endometriose deve ser considerada como diagnóstico diferencial prioritário nesse perfil de \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n158 \n \npacientes. Da mesma forma, em mulheres com infertilidade, algumas séries de casos apontam \nque mais de 50% podem apresentar endometriose como fator contribuinte ou determinante, o que \nevidencia a forte associação entre a doença e a disfunção reprodutiva. \nEssas estimativas, embora limitadas por vieses diagnósticos e pela heterogeneidade dos estudos, \nconvergem para o entendimento de que a endometriose apresenta alta prevalência entre \npopulações sintomáticas específicas. Isso ressalta a importância de estratégias diagnósticas mais \nacessíveis e precoces, especialmente em contextos clínicos com manifestações sugestivas, como \ndor pélvica cíclica ou infertilidade inexplicada. Além disso, os dados disponíveis reforçam a \nnecessidade de maior vigilância clínica e inv estigação sistemática em pacientes de risco, a fim \nde reduzir o subdiagnóstico e possibilitar intervenções terapêuticas mais oportunas e eficazes. \nAbordagens Diagnósticas na Endometriose: Limitações, Recursos e Perspectivas Clínicas \nO diagnóstico da endometriose permanece um desafio clínico significativo, especialmente devido \nà ausência de um biomarcador específico e à apresentação clínica heterogênea da doença. A \nsuspeita diagnóstica deve ser considerada sempre que houver relato de sintomas clássicos como \ndismenorreia refratária e progressiva, dispareunia profunda e dor pélvica acíclica, principalmente \nquando estes se manifestam de forma associada. Em pacientes inférteis, uma anamnese detalhada \ne uma propedêutica direcionada são funda mentais para investigar a possível associação com \nendometriose, dada sua elevada prevalência nesse grupo. Além disso, sintomas como disquesia \ne hematúria podem indicar comprometimento intestinal ou urinário, respectivamente, reforçando \na importância de con siderar o acometimento extragenital na avaliação diagnóstica. Importa \nressaltar que uma parcela significativa das pacientes pode permanecer assintomática, sendo o \ndiagnóstico feito incidentalmente durante procedimentos cirúrgicos ou exames de imagem \nsolicitados por outras razões. \nO exame físico ginecológico continua sendo uma etapa essencial na abordagem inicial, incluindo \no exame especular e o toque vaginal bimanual, que podem revelar nódulos visíveis ou palpáveis, \npresença de massa anexial sugerindo endometrioma ovariano, ou aind a redução da mobilidade \nuterina. No entanto, a ausência de alterações ao exame físico não exclui a presença de formas \nmenos evidentes da doença, como a endometriose peritoneal superficial. Até o momento, não há \nbiomarcadores séricos com sensibilidade e esp ecificidade adequadas para serem recomendados \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n159 \n \nna prática clínica, o que torna os métodos de imagem e, em última instância, a cirurgia, pilares \ndo processo diagnóstico. \nA ultrassonografia transvaginal é considerada o exame de imagem de primeira linha, \napresentando desempenho satisfatório na detecção de endometriose ovariana e profunda, \nespecialmente quando realizada por profissionais experientes e com treinamento específi co, de \npreferência seguindo os critérios do grupo International Deep Endometriosis Analysis (IDEA). \nJá a ressonância magnética pélvica tem papel complementar relevante, sobretudo em casos de \nsuspeita de lesões multifocais ou extrapélvicas, em apresentações  atípicas, ou quando a \nultrassonografia não for conclusiva. Também é indicada em pacientes virgens, em que o exame \ntransvaginal não pode ser realizado. \nApesar dos avanços tecnológicos, as técnicas de imagem atuais ainda apresentam limitações \nimportantes, sobretudo na detecção da endometriose peritoneal superficial, que continua \ndependendo da visualização direta por videolaparoscopia, considerada o padrão ouro \ndiagnóstico, especialmente quando associada à confirmação histopatológica. No entanto, a \nindicação cirúrgica deve ser individualizada, levando em conta o quadro clínico, o impacto \nsintomatológico e os riscos do procedimento, sendo desestimulada a real ização de laparoscopia \npuramente diagnóstica na ausência de indicação terapêutica concomitante. \nO diagnóstico diferencial é igualmente relevante e deve contemplar outras condições que cursam \ncom dor pélvica cíclica em mulheres em idade reprodutiva. Entre elas, destacam -se patologias \nginecológicas benignas como os leiomiomas uterinos, a adenomiose – frequentemente \ncoexistente com endometriose – e síndromes dolorosas crônicas como fibromialgia, migrânea \nabdominal, síndrome da bexiga dolorosa e síndrome do intestino irritável. Esses quadros podem \napresentar exacerbamentos cíclicos e dificultar a delimita ção diagnóstica. Em pacientes com \nidade mais avançada ou que apresentem sintomas atípicos, a investigação para neoplasias torna-\nse imprescindível, reforçando a necessidade de uma abordagem ampla, individualizada e \nmultidisciplinar no processo diagnóstico da endometriose. \nAbordagens Terapêuticas na Endometriose: Estratégias Clínicas, Farmacológicas e \nConsiderações Multidisciplinares \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n160 \n \nO manejo da endometriose deve ser orientado com base nos sintomas clínicos predominantes, e \nnão necessariamente condicionado à confirmação cirúrgica ou por imagem. Evidências \nacumuladas indicam que o início precoce do tratamento, mesmo de forma empírica, p ode \npromover alívio sintomático significativo e melhorar a qualidade de vida das pacientes, \nprincipalmente em contextos em que há manifestação clínica sugestiva. Essa abordagem é \nrespaldada pelo entendimento atual de que não existe, até o momento, uma tera pia curativa ou \nque previna de maneira eficaz a progressão da doença. Assim, o foco terapêutico permanece \ncentrado no controle dos sintomas, com especial atenção à dor e à infertilidade, considerando a \nindividualidade clínica de cada paciente e a necessidade de ajustes nas expectativas terapêuticas. \nO tratamento medicamentoso é amplamente utilizado, com a dor representando um dos principais \nalvos clínicos. Analgésicos simples, como dipirona e paracetamol, oferecem alívio satisfatório \nem casos leves, enquanto os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) podem ser indicados para \nmanejo de sintomas cíclicos mais intensos e de curta duração. No entanto, deve -se ter cautela \nquanto ao uso prolongado desses fármacos, devido ao potencial de efeitos adversos, sendo os \nopioides fortemente desaconselhados para u so contínuo, dada sua associação com dependência \ne tolerância. \nA base farmacológica do tratamento da endometriose reside na terapia hormonal, reconhecida \npor sua eficácia na modulação da dor pélvica e outros sintomas relacionados. Os contraceptivos \nhormonais combinados e os progestagênios isolados constituem opções terapêuticas de primeira \nlinha, cuja escolha deve considerar fatores como tolerabilidade, custo, acesso e os critérios \nmédicos de elegibilidade definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O uso contínuo \ndesses agentes é particularmente benéfico em cas os de dismenorreia acentuada. Dispositivos \nintrauterinos (DIU) com levonorgestrel, implantes de etonogestrel e outras formas hormonais \ntambém têm demonstrado impacto positivo sobre os sintomas álgicos, embora seu efeito na \nsupressão ovulatória seja limitado, especialmente nas pacientes com endometriomas ovarianos, \no que leva parte da literatura a desencorajar seu uso nessas circunstâncias. Contudo, não há \nevidência conclusiva que demonstre superioridade clara de uma formulação hormonal sobre \noutra em termos de eficácia clínica. \nOs análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) representam uma opção \nterapêutica eficaz para o controle da dor pélvica cíclica e acíclica, bem como da dispareunia, ao \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n161 \n \npromoverem um estado de hipoestrogenismo por meio da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-\novariano. Apesar disso, o perfil de efeitos adversos desses agentes – incluindo sintomas \nvasomotores intensos, secura vaginal e perda de densidade mineral óssea – limita sua \naplicabilidade clínica de forma rotineira. Por esse motivo, os análogos de GnRH são geralmente \nreservados como terapias de segunda linha, indicados apenas em casos selecionados. Os \nantagonistas de GnRH, embora compartilhem um mecanismo de ação sem elhante, apresentam \nigualmente limitações relacionadas à tolerabilidade e alto custo, restringindo seu uso em larga \nescala. \nPara além das abordagens hormonais, o tratamento da endometriose pode envolver medicações \nmoduladoras de dor, especialmente em pacientes com sensibilização central e periférica. \nAntidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos de recaptação de serotonina e noradrenalina, bem \ncomo determinados anticonvulsivantes, têm sido utilizados com o objetivo de modular circuitos \nneuronais relacionados à dor crônica, embora as evidências clínicas para seu uso específico na \nendometriose ainda sejam limitadas. \nAs estratégias não farmacológicas, embora careçam de comprovação robusta em ensaios clínicos \nrandomizados, são frequentemente integradas ao plano terapêutico multidisciplinar. Atividade \nfísica regular, reeducação alimentar, fisioterapia pélvica e intervenç ões psicoterapêuticas têm \nsido recomendadas como medidas complementares que visam não apenas o alívio sintomático, \nmas também a promoção de bem -estar geral em mulheres que convivem com uma condição \ncrônica e dolorosa. Tais abordagens, quando incorporadas d e forma personalizada e contínua, \ntêm o potencial de reduzir o impacto funcional da doença e melhorar a qualidade de vida das \npacientes. \nO tratamento da endometriose deve ser pautado por uma abordagem centrada na paciente, \norientada por seus sintomas predominantes e baseada em uma combinação racional entre terapias \nfarmacológicas e suporte multidisciplinar. A ausência de cura definitiva reforça a importância de \num modelo de cuidado contínuo, personalizado e integrativo. \nIntervenção Cirúrgica na Endometriose: Indicações, Estratégias e Impactos Clínicos \nA abordagem cirúrgica na endometriose desempenha um papel relevante, especialmente em \ncasos selecionados, nos quais a sintomatologia persiste apesar do manejo clínico adequado. \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n162 \n \nEvidências robustas demonstram que a excisão completa das lesões endometrióticas está \nassociada à melhora significativa da dor e da qualidade de vida das pacientes, sobretudo quando \nrealizada de forma criteriosa e por equipe especializada. A estratégia cirúrgica deve ser orientada \npor um princípio de equilíbrio entre agressividade terapêutica e preservação funcional, uma vez \nque se trata de uma patologia benigna que acomete predominantemente mulheres em idade \nreprodutiva. Nesse contexto, torna -se imperativo  adotar uma postura cirúrgica que busque \nmáxima erradicação das lesões em um único tempo operatório, preservando, sempre que \npossível, a integridade anatômica e funcional do sistema reprodutor. \nA principal indicação cirúrgica consiste na dor pélvica refratária ao tratamento hormonal ou \nclínico convencional, configurando-se como uma alternativa para pacientes que não obtiveram \nresposta satisfatória às medidas farmacológicas. Além disso, outras ind icações específicas \nincluem o acometimento de estruturas vitais, como o ureter ou o apêndice, a presença de lesões \nintestinais com repercussões suboclusivas, e a identificação de endometriomas volumosos ou \nsituados em topografias que levantem suspeita de m alignidade. Nessas situações, a intervenção \ncirúrgica visa tanto o alívio sintomático quanto a exclusão de diagnósticos diferenciais de maior \ngravidade. \nO padrão recomendado para a realização do procedimento é a via minimamente invasiva, \npreferencialmente a laparoscopia, devido aos seus benefícios já bem documentados, como menor \nmorbidade, recuperação mais rápida e visualização ampliada das estruturas pélvicas. A execução \nda cirurgia por equipe multidisciplinar com expertise em endometriose é fundamental para o \nsucesso do procedimento, considerando a complexidade anatômica das lesões profundas e a \nnecessidade frequente de ressecções em múltiplos compartimentos pélvicos ou abdominais. \nNo pós-operatório, é fortemente indicado o uso contínuo de tratamento hormonal em pacientes \nque não apresentam desejo gestacional imediato, com o objetivo de reduzir o risco de recorrência \ndas lesões e da dor associada. Tal conduta encontra respaldo na lit eratura, que aponta menores \ntaxas de recidiva sintomática em pacientes que mantêm o bloqueio hormonal após a intervenção \ncirúrgica. Portanto, a cirurgia deve ser entendida como parte de uma estratégia terapêutica \nabrangente, integrada a um plano de cuidado  contínuo e individualizado, e não como solução \ndefinitiva ou isolada. Essa perspectiva reforça a importância da integração entre terapias clínicas \ne cirúrgicas no manejo da endometriose, especialmente em casos moderados a graves. \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n163 \n \nManejo da Infertilidade Associada à Endometriose: Desafios e Diretrizes Clínicas \nA infertilidade é uma das manifestações mais relevantes e complexas associadas à endometriose, \nexigindo uma abordagem individualizada e baseada em critérios prognósticos bem definidos. \nEvidências científicas indicam que não existem tratamentos clínicos cap azes de melhorar \ndiretamente a fertilidade em mulheres com endometriose. Dessa forma, o uso isolado de terapias \nhormonais ou analgésicas com essa finalidade não é recomendado, pois pode acarretar atraso no \nencaminhamento para intervenções mais eficazes, especialmente considerando que o prognóstico \nreprodutivo é fortemente influenciado pela idade da paciente. Essa perspectiva reforça a \nimportância de uma avaliação reprodutiva precoce e objetiva nos casos de infertilidade associada \nà endometriose. \nNa prática clínica, a tomada de decisão quanto à melhor estratégia terapêutica deve considerar \nmúltiplos fatores, incluindo a idade da mulher, o tempo de infertilidade, a integridade da função \ntubária e a presença ou não de fatores masculinos associados. A  partir dessa análise, pode -se \ndeterminar a indicação de técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), \nque se mostram eficazes especialmente em casos moderados a graves ou na falha de concepção \nespontânea após abordagem inicial. Uma  ferramenta frequentemente utilizada para estimar a \nprobabilidade de gestação espontânea em mulheres com endometriose é o Endometriosis Fertility \nIndex (EFI), que permite uma avaliação prognóstica objetiva com base em achados cirúrgicos e \nhistórico reprodutivo da paciente. \nEmbora o papel da cirurgia na restauração da fertilidade natural seja motivo de controvérsia, há \nevidências que sustentam seu benefício em contextos selecionados, sobretudo em mulheres \njovens com endometriose mínima ou leve, associada a dor pélvica. Nesses  casos, a excisão \ncirúrgica das lesões pode contribuir para a restauração da anatomia pélvica e para a melhora do \nambiente peritoneal, favorecendo a concepção espontânea. No entanto, essa conduta deve ser \ncuidadosamente avaliada, considerando os riscos cir úrgicos e o tempo necessário para \nrecuperação, que pode impactar negativamente o potencial reprodutivo em pacientes com idade \nmais avançada. \nAlém das dificuldades na concepção, a literatura aponta uma associação crescente entre a \nendometriose e desfechos obstétricos adversos. Estudos sugerem que gestantes com histórico de \nendometriose apresentam maior risco de complicações como aborto espontâne o, parto \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n164 \n \nprematuro, hipertensão gestacional, placenta prévia e maior incidência de parto cesariano. Apesar \ndessas associações, não há consenso para categorizá -las como gestantes de alto risco, mas sim \ncomo um grupo que requer vigilância obstétrica mais cuidadosa e monitoramento individualizado \nao longo do pré-natal. \nO manejo da infertilidade relacionada à endometriose exige uma abordagem integrada, com foco \ntanto na preservação da função reprodutiva quanto na adoção de estratégias eficazes e oportunas. \nA adequada avaliação do perfil clínico da paciente e a identificaç ão precoce de fatores de risco \nsão essenciais para guiar intervenções assertivas, evitando o uso ineficaz de terapias clínicas e \nmaximizando as chances de sucesso gestacional. \nEstratégias de Seguimento na Endometriose: Considerações Clínicas e Perspectivas de \nMonitoramento \nO seguimento clínico das pacientes com diagnóstico de endometriose, especialmente nas formas \novariana e profunda, constitui uma etapa essencial no manejo a longo prazo da doença, \nconsiderando sua natureza crônica, recorrente e impactante na qualidade de vi da. Embora a \nliteratura reconheça a importância do acompanhamento periódico, não há consenso quanto à \nfrequência ideal para a realização de exames de imagem, o que reforça a necessidade de uma \nabordagem individualizada baseada no perfil clínico da paciente, nos sintomas persistentes e nas \ncaracterísticas morfológicas das lesões previamente identificadas. \nNas pacientes assintomáticas ou com controle adequado da dor por meio do tratamento clínico, \no seguimento pode ser realizado com base em avaliações clínicas regulares, centradas na \nmonitorização dos sintomas e na resposta terapêutica. Em contrapartida, em casos de \nendometriose profunda ou presença de endometriomas, particularmente aqueles de maior volume \nou com comportamento atípico, a reavaliação por imagem pode ser indicada com maior \nfrequência, visando identificar sinais de progressão, complicações assoc iadas ou suspeita de \ntransformação maligna, embora esta seja rara. \nA escolha do método de imagem deve considerar a acurácia diagnóstica conforme o tipo e a \nlocalização da lesão, sendo a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética os \nprincipais recursos empregados no monitoramento da endometriose. No entanto, a  indicação \ndesses exames deve ser sempre pautada por critérios clínicos bem estabelecidos, evitando a \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n165 \n \nrealização indiscriminada de exames que não necessariamente contribuem para mudanças na \nconduta terapêutica. Dessa forma, a conduta ideal no seguimento de pacientes com endometriose \ndeve equilibrar vigilância adequada e racionalidade na utilização de recur sos diagnósticos, com \no objetivo de garantir um cuidado continuado, centrado na paciente e baseado em evidências. \nCONCLUSÃO \nA endometriose configura -se como uma condição clínica complexa, multifatorial e de alta \nprevalência, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva, cuja magnitude ainda é \nsubestimada devido às limitações diagnósticas e ao subdiagnóstico frequente. Os d ados \nevidenciam que a doença representa um desafio significativo para a saúde pública, impactando \ndiretamente a qualidade de vida das pacientes, principalmente em decorrência da dor crônica e \nda infertilidade associadas. Este cenário reforça a necessidade urgente de estratégias diagnósticas \nprecoces, acuradas e acessíveis, capazes de reduzir o atraso no reconhecimento da doença e \npossibilitar intervenções terapêuticas oportunas e individualizadas. \nNo âmbito diagnóstico, a ausência de biomarcadores específicos e a heterogeneidade clínica \ndificultam a padronização da abordagem, fazendo com que o diagnóstico definitivo ainda \ndependa, em grande parte, da visualização cirúrgica e confirmação histopatológ ica. Embora os \navanços nas técnicas de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética, \ntenham aprimorado a detecção da endometriose ovariana e profunda, limitações persistem na \nidentificação de lesões superficiais e na avaliação glo bal da extensão da doença. Assim, a \nintegração de recursos clínicos, laboratoriais e imagiológicos, aliada à expertise multidisciplinar, \nmostra-se fundamental para otimizar o manejo diagnóstico. \nEm relação às terapias, destaca -se que o tratamento da endometriose deve ser orientado \nprioritariamente pelos sintomas e necessidades da paciente, com o reconhecimento de que, até o \nmomento, não existe uma cura definitiva ou uma intervenção capaz de impedi r a progressão da \ndoença. As abordagens farmacológicas, centradas na modulação hormonal e no controle da dor, \ndemonstram eficácia na melhora dos sintomas, porém, a individualização do tratamento é \nimprescindível para maximizar resultados e minimizar efeito s adversos. Além disso, a cirurgia, \nespecialmente via laparoscópica, permanece indicada para casos refratários ao manejo clínico ou \ncom comprometimento anatômico significativo, devendo ser realizada por equipes \nespecializadas e integrada a um plano terapêutico abrangente e contínuo. \n\n \nI CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEDICINA E PESQUISA – CIMED \nVol.1 No.1, 2025 \nISBN: 978-65-6036-945-0 \n \n \n \n166 \n \nA infertilidade associada à endometriose constitui um desafio adicional, que demanda avaliação \ncuidadosa e estratégias personalizadas, incluindo o uso criterioso de técnicas de reprodução \nassistida e, em alguns casos selecionados, intervenção cirúrgica par a otimizar o potencial \nreprodutivo. A complexidade dessa manifestação clínica reforça a importância de um \nacompanhamento multidisciplinar e uma abordagem holística da paciente, contemplando não \napenas os aspectos reprodutivos, mas também o impacto psicossocial da doença. \nFinalmente, o seguimento longitudinal das pacientes com endometriose é essencial para garantir \na eficácia e a segurança das intervenções, bem como para monitorar possíveis recidivas e \ncomplicações. A ausência de diretrizes uniformes sobre a periodicidade e  métodos de \nacompanhamento evidencia a necessidade de estudos futuros que possam definir protocolos mais \nprecisos e baseados em evidências. O manejo da endometriose deve, portanto, ser sustentado por \num modelo de cuidado contínuo, centrado na paciente, que  reconheça a natureza crônica da \ndoença e promova uma abordagem multidimensional, integrando avanços diagnósticos e \nterapêuticos em prol da melhora da qualidade de vida e do bem-estar das mulheres acometidas. \nEm síntese, o presente trabalho ressalta que o avanço no entendimento das múltiplas dimensões \nda endometriose e a consolidação de estratégias diagnósticas e terapêuticas integradas são \nfundamentais para transformar o panorama atual, reduzindo o atraso diagnóstico, aprimorando o \nmanejo clínico e promovendo cuidados personalizados e eficazes. A continuidade da pesquisa e \no investimento em educação médica e conscientização da população são imperativos para \nenfrentar os desafios impostos por essa doença de impacto tão significativo. \n \nREFERENCIAS \nAGARWAL, S. K.; CHAPRON, C.; GIUDICE, L. C.; LAUFER, M. R.; LEYLAND, N.; \nMISSMER, S. A.; SINGH, S. 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