{"paper_id":"9b01436d-3cf1-4c8b-80c4-cba81edcd68c","body_text":"UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO \nFACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nJULIO CESAR ROSA E SILVA \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nAvaliação de marcadores de proliferação celular e apoptose em \ntecido endometrial eutópico e ectópico em modelo experimental de \nendometriose em coelhas \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRIBEIRÃO PRETO \n2007 \n\n \n \nJULIO CESAR ROSA E SILVA \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nAvaliação de marcadores de proliferação celular e apoptose em \ntecido endometrial eutópico e ectópico em modelo experimental de \nendometriose em coelhas \n \n \n \n \n \n \nTese de doutorado apresentada à Faculdade de \nMedicina de Ribeirão Pre to da Universidade de \nSão Paulo para obtenção do título de Doutor em \nMedicina. \n \nÁrea de concentração: Tocoginecologia \nOrientador: Prof. Dr. Antonio Alberto Nogueira \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRIBEIRÃO PRETO \n2007 \n\n \nAutorizo a reprodução e divul gação total ou parc ial deste trabalho, por qualquer meio \nconvencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRosa e Silva, Julio Cesar. Avaliação de marcadores  de proliferação \ncelular e apoptose em tecido endometri al eutópico e ectópico em modelo \nexperimental de endometriose em coelhas. Ribeirão Preto, 2007. \n \n61p. : il. ; 29,7cm \n \nTese de Doutorado, apresentad a à Faculdade de Medicina de \nRibeirão Preto/USP – Área de concentração: Tocoginecologia. \nOrientador: Nogueira, Antonio Alberto \n \n1. Proliferação celular. 2. Apoptose. 3. Endometriose. \n4. Homeostase tecidual. 5. Coelha. \n\n \n \n \n \nDEDICO ESSE TRABALHO: \n \n \nAo meu pai, JAYRO, que sempre foi um grande exemplo de cientista e professor para mim \n(no verdadeiro sentido destas palavras), e que com muita dedicação, construiu uma família \nexemplar da qual muito me orgulho. \n \nÀ minha mãe, LILIAN, que muita falta nos faz e que com muito amor e serenidade sempre \nnos mostrou o melhor caminho da vida a seguir, da honestidade e do amor. Agradeço a ela \ntudo o que sou hoje. \n \nÀ minha esposa, ANA CAROLINA, que se transformou no principal motivo da minha vida, \ne que sempre esteve ao meu lado durante toda minha trajetória profissional e pessoal nestes \núltimos 9 anos. \n \nAo meu filho, MATHEUS, que desde os seus primeiros dias de vida intra-uterina já se tornou \no ser mais amado deste mundo. \n \nÀ minha família, que sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida. \n\n \nAGRADECIMENTOS \n \nAo Prof. Dr. Antônio Alberto Nogueira, meu orientador, meu professor e responsável por este \ntrabalho e por grande parte da minha formação profissional e pessoal. Exemplo profissional e \npessoal a ser seguido. \n \nAo Prof. Dr. Sérgio Britto Garcia, pela grande contribuição neste trabalho e pela grande \namizade que nos aproximou desde o início da minha vida nesta instituição. \n \nAo Prof. Dr. Francisco José Cândido dos Reis, que contribuiu enormemente para este \ntrabalho, e também na minha formação profissional, do qual muito me orgulho. \n \nAo Prof. Dr. Rui Alberto Ferriani, pelos ensinamentos, pelo exemplo que é e deve ser seguido \ncomo professor, pesquisador e como pessoa, e principalmente pelas oportunidades abertas. \n \nAo Prof. Dr. Omero Benedicto Poli Neto, pela amizade e grande colaboração neste e em todos \nos nos nossos projetos de pesquisa em conjunto. \n \nAo Prof. Dr. Antonio Pellicer Martinez, pe la oportunidade do conhecimento de um novo \nserviço e pelos ensinamentos. \n \nAo Setor de Reprodução Humana deste Departam ento, pelos inúmeros ensinamentos e pelas \noportunidades proporcionadas ao meu cresciment o acadêmico e profissional, em especial aos \nProfessores Rui Alberto Ferriani, Rosana Maria dos Reis, Marcos Felipe Silva de Sá, Marcos \nDias de Moura e Maria Matheus de Sala. \n\n \nAo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica de ste Departamento, pelo convívio marcante, \npela amizade, pelos constantes ensinamentos e pela contribuição ne ste trabalho, Professores \nAntônio Alberto Nogueira, Francisco José Câ ndido dos Reis, Omero Benedicto Poli Neto, \nMédico Assistente Hermes de Freitas Ba rbosa, Pós-graduandas Debora Machado, Mary \nLourdes Montenegro, Liana Gomide, Adriana Peterson, Paula de Souza. \n \nA todos os professores e médi cos assistentes deste e de ou tros Departamentos que muito \ncontribuíram para a minha formação profissional. \n \nÀs Sras. Ilza, Taísa e Rosane, que sempre presentes, contribu íram e seguem contribuindo de \nmaneira decisiva para o desenvolvimento de to da a pós-graduação deste Departamento e pela \namizade sempre presente. \n \nÀ todos os funcionários do Setor de Cirurgia Experimental deste hospital, pela ajuda durante a \nexecução deste trabalho. \n \nÀs Sras. Rose e Aline pela ajuda e grande disponibilidade no preparo do material para análise \nhistológica. \n \nAos funcionários do laboratório de Ginecologia e Obstetrícia, Albina, Auxiliadora, Cidinha, \nMarilda, Cristina, Sandra e Roberta, pela amizade dispensada a mim. \n \nÀ todos funcionários do Depart amento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de \nMedicina de Ribeirão Preto, pela disponibilidade em ajudar quando necessário. \n \n\n \nAo amigo Hermes, pela amizade e grande colaboração profissiona l no Setor de Video-\nendoscopia Ginecológica deste Departamento. \n \nAos demais amigos pós-graduandos e médicos assistentes deste departamento, pela amizade e \ncompanheirismo durante estes anos todos, em es pecial para Adriana Peterson, Alberto Trapp, \nÂngela Cury, Alessandra Marcolin, Carolina Sales, Cláudia Baraldi, Conrado Coutinho, \nDaniel Tiezzi, Daniela Mich elazzo, Davidson Alvarenga, Débor a Machado, Elaine Moisés, \nFernanda Rodovalho, Flávia Aguiar, Francisco Magário, Joaquim Sarmento, Laura Santana, \nLiana Gomide, Luiz Manetta, Maria Rita Bagio, Mariana Kefalás, Mary Lourdes Montenegro, \nPatrícia Reis, Paula Andrea Navarro, Paula de Souza, Rodrigo Ferreira, Stael Porto. \n \nÀ minha esposa, Ana Carolina, pelo amor vivi do em todos estes anos e pelos próximos que \nseguramente virão. \n \nAo meu filho, Matheus, por existir, pois soment e assim consolidei em meu coração o exato \nsignificado da palavra AMOR. \n \nÀ toda minha família, Jayro, Lisete, Fernando, Luc ilene, Craig, Jairo Jr., Ana Julieta, Liana, \nJarson, Ana Rita, Leandra, Eduardo, Thiago, Gu ilherme, Mariana, Ana Carolina, Leonardo, \nPedro, Felipe, Letícia, Lívia, Na thália pela presença constante e decisiva durante toda minha \nvida, nos bons e principalmente nos maus momentos. \n \nÀ minha nova família, Marcos Felipe, Marina, Guilherme, Andréa, Leonardo e Fernanda \npelos grandes momentos vividos juntos e pela amizade criada nestes anos de convívio. \n \n\n \nAo meu tio César, pela presença sempre mar cante desde a minha infância, pelos momentos \njuntos e pelo amor sempre dedicado a todos  nós. Um grande exemplo como cientista e \nprofessor. \n \nA todos os que contribuíram, direta ou indiretamente, para realização desse trabalho. \n \n\n \nSUMÁRIO \n \n \nLISTA DE FIGURAS EXTRAS ............................................................................................ix \nLISTA DE TABELAS.............................................................................................................. x \nLISTA DE ABREVIATURAS................................................................................................xi \nRESUMO.................................................................................................................................xii \nABSTRACT ............................................................................................................................ xv \n1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 18 \n2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................ 24 \n3 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 26 \n4 ARTIGO............................................................................................................................... 28 \n4.1 Introdução........................................................................................................................... 29 \n4.2 Material e Métodos............................................................................................................. 32 \n4.3 Resultados........................................................................................................................... 35 \n4.4 Discussão............................................................................................................................ 36 \n4.5 Referências Bibliográficas.................................................................................................. 41 \n4.6 Tabelas................................................................................................................................ 46 \n4.7 Figuras ................................................................................................................................ 50 \n5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 51 \n6. ANEXOS ............................................................................................................................. 55 \nFiguras extras \nAprovação do Comitê de Ética em experimentação animal da FMRP \nArtigo publicado do mestrado \n \n\n ix\nLISTA DE FIGURAS EXTRAS \n \nFigura 1E – ............................................................................................................................... 56 \nFigura 2E – ............................................................................................................................... 56 \nFigura 3E – ............................................................................................................................... 57 \nFigura 4E – ............................................................................................................................... 57 \nFigura 5E -................................................................................................................................ 58 \nFigura 6E -................................................................................................................................ 58 \nFigura 7E -................................................................................................................................ 59 \nFigura 8E -................................................................................................................................ 59 \nFigura 9E -................................................................................................................................ 60 \nFigura 10E -.............................................................................................................................. 60 \nFigura 11E -.............................................................................................................................. 61 \nFigura 12E -.............................................................................................................................. 61 \n\n x\nLISTA DE TABELAS \n \nTabela 1 .................................................................................................................................... 46 \nTabela 2 .................................................................................................................................... 47 \nTabela 3 .................................................................................................................................... 48 \nTabela 4 .................................................................................................................................... 49 \n\n xi\nLISTA DE ABREVIATURAS \n \nPCNA: Antígeno nuclear celular proliferativo \nIPC: Índice de proliferação celular \nIA: Índice de apoptose \nIHT: Índice de homeostase tecidual \nMMP: Metaloprotease \nTIMP: Inibidor tecidual de metaloprotease \nVEGF: Fator de crescimento endotelial vascular \nDNA: Ácido desóxi-rubonucléico \nTNF: Fator de necrose tumoral \nHE: Hematoxilina-eosina \nTGF: Fator de crescimento tumoral \nEGF: Fator de crescimento epidermal \nCPI: Cell Proliferation Index \nAI: Apoptotic Index \nHTI: Homeostatic Tissue Index \n \n\n xii\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nResumo  \n\n xiii\nRESUMO \n \nRosa e Silva, J.C. Avaliação de marcadores de prolif eração celular e apoptose em tecido \nendometrial eutópico e ectópico em modelo experimental de endometriose em coelhas.  \n2007. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina  de Ribeirão Preto, Universidade de São \nPaulo, Ribeirão Preto, 2007. \n \nObjetivo: Caracterizar o padrão de homeostase (p roliferação celular e apoptose) de tecido \nendometrial eutópico e ectópico de coelhas s ubmetidas à indução de lesões de endometriose \npor modelo experimental já conhecido, quatro e oito semanas após o procedimento de \nimplantação endometrial. \nMaterial e Métodos:  Estudo experimental animal sendo utilizado 20 coelhas adultas Nova \nZelândia, fêmeas e virgens, submetidas à laparo tomia para indução da lesão de endometriose, \natravés da ressecção de um corno uterino e fixação no peritônio pélvico de fragmento de \n5mm. As coelhas foram dividi das em dois grupos de 10 animais, sendo os animais do grupo \n1, sacrificados após 4 semanas da indução da lesão endometrial ectópica e os do grupo 2 após \n8 semanas. A lesão foi excisada para anális e histológica juntamente  com o corno uterino \ncontralateral, comprovando a presença de tecido endometrial glandular e estromal. Reações de \nimunohistoquímica foram realizadas, no tecido endometrial eutópico e ectópico, para \nproliferação celular através do PCNA e para apoptose através do fas, na glândula e estroma, \nsendo obtido o índice de proliferação celular (IP C) e de apoptose (IA) através do número de \ncélulas marcadas por 1000 contadas, e o índice de  homeostase tecidual através do coeficiente \nentre o IPC e IA. \nResultados: Observou-se maior índice de prolifer ação no tecido ectópico, tanto glandular \ncomo estromal, quando comparado com o endom étrio eutópico, com 4 e 8 semanas após a \n\n xiv\nindução da lesão. Contudo, quando as lesões ect ópicas foram comparadas entre si, com 4 e 8 \nsemanas, não foi observada diferença sign ificativa. Quando comparamos o índice de \napoptose, observamos que não houve diferença entre o tecido ectópico e o eutópico, tanto \nglandular como estromal nas lesões induzidas e analisadas com 4 semanas, porém no tecido \nglandular das lesões analisadas com 8 sema nas houve diferença significativa entre a lesão \nectópica e o tecido endometrial  eutópico 0,0819 ± 0,0213 e 0,0995 ± 0,01336, \nrespectivamente (p=0,04). A homeostase tecidu al foi calculada e obs ervou-se uma tendência \ndestes tecidos a proliferação, sempre com índices  de homeostase tecidual (IPC/IA) acima de \n1. \nConclusão: As lesões ectópicas parecem ter uma proliferação celular maior que o endométrio \neutópico levando a uma tendência ao crescime nto tecidual descontrolado nas lesões de \nendometriose induzidas. \n \n \nPalavras-chave: endometriose experimental, prolif eração celular, apoptose, homeostase \ntecidual, coelha \n\n xv\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nAbstract \n\n xvi\nABSTRACT \n \nRosa e Silva, J.C. Evaluation of cell proliferation and apoptosis markers on eutopic and \nectopic endometrium in a r abbit experimental model . Thesis (Doctoral)  – Faculdade de \nMedicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2007. \n \nObjective: To characterize the pattern of tissue homeostasis (cell proliferation and apoptosis) \nof eutopic and ectopic endometrium in rabbits  four and eight weeks after endometrium \nimplantation for induction of endometriotic lesions by experimental standardized method. \nMaterial and methods: Animal experimental study with 20 female, virgins and adult New \nZeland rabbits, submitted to laparotomy for endometriosis induction by resection of one \nuterine horn, isolation of the correspondent endometrium and fixation of a 5mm tissue \nsegment to the pelvic peritoneum. The animals were divided in two groups of 10, group 1 was \nsacrificed after 4 weeks of endometriosis induction and group 2 eight weeks after the \nprocedure. The lesion was excised for later hi stological analysis toge ther with the opposite \nuterine horn, just to verify the pres ence of endometrial gland and stroma. \nImmunohistochemistry reactions were performe d in order to study cell proliferation (by \nPCNA technique) and apoptosis (by fas technique) in the eutopic and ectopic endometrium, \nand a Cell Proliferation Index (CPI) and an Ap optotic Index (AI) were  calculated based on \nthese findings, considering the number of marked cells  per 1000 counted cells. The \nHomeostatic Tissue Index (HTI) was considered to be the relation between CPI and AI \n(CPI/AI). Gland and stroma were analyzed separately. \nResults: There was an increase in the CPI of the ectopic tissue, considering gland and stroma, \nafter four and eight weeks of endometriosis induction when comparing to the eutopic one. \nHowever, when comparing the ectopic lesions, there was no difference between four and eight \n\n xvii\nweeks of induction. Analyzing the only the AI, there was no difference between the eutopic \nand the ectopic endometrium with four weeks,  nevertheless there was a significant difference \nin the glandular tissue of the lesions with eight weeks when compar ing eutopic and ectopic \ntissues (0.0819 ± 0.0213 e 0.0995 ± 0.01336, respectiv ely (p=0,04)). Based on HTI there was \na tendency to cell proliferation on these tissues, always with and HTI (CPI/AI) higher than 1. \nConclusions: Ectopic lesions seem to have a highe r cell proliferation than the eutopic \nendometrium, tending to present an uncontrolled tissue growth in the endometriotic inducted \nlesions. \n \n \nKey words: Experimental endometriosis, cell proliferation, apoptosis, tissue homeostasis, \nrabbit \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n1. Introdução  \n\n 19\nA etiopatogenia da endometriose continua  controversa e várias são as teorias \natuais para explicá-la, embora nenhuma dela s o faça completamente quando isolada. A mais \naceita é a teoria de Sampson que aponta a presença de células endometriais viáveis no fluxo \nmenstrual retrógrado como causador das lesõ es (Sampson, 1927), porém praticamente 90% \ndas mulheres têm trompas pérvias (Halme et al, 1984) e apresentam fluxo retrógrado e, no \nentanto, a maioria não apresenta endometriose. Há também a teoria da metaplasia celômica \n(Suginami, 1991), e, mais recentemente, a teor ia imunológica (Chung et al, 2002; Braun et al, \n2002; Witz et al, 2002 e Nogueira & Abrão, 2000). Hoje se acredi ta na confluência destas \nteorias para a verdadeira exp licação da etiopatogenia da endo metriose, haveria realmente um \nfluxo menstrual retrógrado asso ciado a uma predisposição imunológica no micro-ambiente \nperitonial que facilitaria o implante de células endometriais viáveis e com potencial para \nimplantação. \nAlguns fatores que justificariam a predispos ição de algumas pacientes à formação \nde implantes de endometriose estariam re lacionadas com alterações no micro-ambiente \nperitonial. Já é descrito por alguns autores o provável mecanismo de invasão do tecido \nendometrial descamado no peritônio abdominal . A adesão entre o tecido endometrial e o \nperitônio ocorreria por meio das integrinas, que são receptores heterodiméricos trans-\nmembrana de adesão celular (Witz et al, 2002). O peritônio ao qual está aderido o fragmento \nde endométrio teria sua matriz extracelular invadida. Acredita -se que esta invasão ocorra \ndevido a um desequilíbrio entre enzimas de  degradação de componentes da matriz \nextracelular e seus reguladores. As metalopr oteases (MMPs) são enzi mas zinco-dependentes \ncomo as colagenases, gelatinases e as enzimas estromais, que tem expressão mutagênica, com \ncapacidade de promover a remodelação da matriz  extracelular quando associados a seus \ninibidores (TIMPs- tissue inhibitors of metalloproteases ). Vários estudos têm observado um \naumento na quantidade de algumas MMPs e redu ção de TIMPs produzidos pelo endométrio \n\n 20\neutópico e ectópico de pacien te com endometriose em comp aração com o endométrio de \npacientes sem a doença, o que justificaria uma maior capacidade invasora deste tecido no \nfluxo menstrual retrógrado (Chung et  al, 2002). Após a invasão pe ritonial a viabilidade do \nfoco endometriótico seria mantida pela neo- formação vascular local desenvolvida sob \nestímulo de substâncias angiogênicas como o VEGF (Fator de crescimento endotelial \nvascular). O VEGF seria produzido e secreta do no fluido peritonial por macrófagos ali \npresentes, e teria capacidade de promover cres cimento endotelial, aumento da permeabilidade \nvascular e modulação da secreção de enzima s proteolíticas relacionadas a angiogênese \n(Nogueira & Abrão, 2000). Há estudos descre vendo a presença de VEGF aumentado no \nfluido peritonial e no soro de pacientes com endometriose (Oliveira et al, 2005). \nA “Homeostase Tecidual” é dada por um equilíbrio entre células em proliferação \ne células em processo de degradação (morte cel ular programada - apoptose). Acredita-se que \nnestas pacientes haveria alterações nesta homeo stase tecidual dada por uma maior viabilidade \ndas células endometriais descamadas secundárias a um aumento na capacidade de proliferação \ntecidual e pela diminuição dos processos de apoptose. A apoptose é um processo de morte \ncelular programada que acontece após estímulo específico, no qual há condensação da \ncromatina e fragmentação do DNA, do núcleo e da célula em si, com posterior fagocitose por \nmacrófagos. A apoptose é controlada pela  proporção de BCL2 e BAX, duas proteínas \nintracelulares, sendo que a BCL2 tem função de bloquear a apoptose, aumentando a sobrevida \nda célula e a BAX tem função contra-regula dora, acelerando o processo de apoptose \n(Nogueira & Abrão, 2000). No endométrio, a pr oteína BCL-2 tem sua máxima expressão \ndurante a fase proliferativ a, gradualmente diminuindo at é a fase secr etora, quando \npraticamente não é encontrada, coincidindo com o aumento da incidência de apoptose nessa \nfase do ciclo menstrual. \n\n 21\nTem sido observado um aume nto de macrófagos BCL2+  em tecido endometrial \nectópico analisado por imunohistoquímica, sugerindo maior \"resistência\" do tecido (Nogueira \n& Abrão, 2000). Além disso, também tem si do descrita uma redução do número de \nmacrófagos e de células apoptó ticas no endométrio eutópico de  pacientes com endometriose \nquando comparado com endométrio de pacientes sem a doença, podendo justificar um \naumento na viabilidade deste tecido para implantação futura (Braun et al, 2002). \nMc Laren et al mediram as proteínas BCL-2 e BAX em tecido endometrial e em \nmacrófagos de líquido peritoneal de pacientes com endometriose e concluíram que, em tecido \nendometrial eutópico ou ectópico, a expressão do BCL-2 acompanha o ciclo menstrual, com \naumento na fase proliferativa e declínio até níveis não mensuráveis na segunda metade da fase \nsecretora, enquanto a expressão do BAX não se altera, independente da fase do ciclo ou tecido \nendometrial eutópico ou ectópico. Adicionalmen te, macrófagos expressando a proteína BCL-\n2 estavam presentes em número significativamen te maior em pacientes com endometriose e \napresentavam variação cíclica, com declínio  de seu número até próximo de valores \nencontrados em pacientes sem endometriose,  na fase secretora. Nas pacientes sem \nendometriose, não houve variação cíclica destes  macrófagos. Em relação aos macrófagos que \nexpressavam proteína BAX, um número expr essivamente maior deles foi encontrado em \npacientes sem endometriose, porém em ambos os  grupos, sem alterações com a fase do ciclo. \nO estudo imunohistoquímico revelou população  de macrófagos BCL-2 positivo e BAX \nnegativo presentes apenas em tecido ectópico e ndometrial (presentes em todas as fases do \nciclo, sem descrição de variações quantitativa s de acordo com a fase do ciclo). Especula-se \nque a expressão da proteína BCL-2 com a ausênc ia da proteína BAX pode ria conferir a estas \ncélulas maior resistência a estímulos apoptótic os, aumentando a expectativa de vida destas \ncélulas, ou seja, a viabilidade deste tecido. Os autores postularam ainda que, apesar de ser \nreconhecido que a ativação de macrófagos fr eqüentemente resulte em apoptose, a maior \n\n 22\nquantidade de macrófagos BCL-2 positivos em pacientes com endometriose pode resultar em \nmaior número de células que sobrevivam ao pr ocesso de ativação e, portanto, ser um dos \nmecanismos pelo qual se observa maior qua ntidade de macrófagos  ativados no líquido \nperitoneal de pacientes com endometriose (Mc Laren et al, 1997). \nA apoptose pode ser regulada através da ativ ação de sinais chamados sinais de \nmorte (“death signals”), que aumentam a expressão de proteína p53 e ativam receptores de \nmembrana como as proteínas do sistema fas-fas ligante. O receptor fas, também chamado \nCD95, é uma proteína de membrana que pertence  à família TNF, que está expressa em uma \ngrande variedade de tipos celulares. Seu ligante, fasL, também é uma proteína de membrana, \nmais restrita a linfócitos T. A interação destas proteínas desencadeia mecanismos \nintracelulares que culminam com o processo de apoptose através do estímulo da enzima \ncaspase-8 (Nagara, 1997). \nAlguns marcadores de proliferação celular  estão sendo implicados na gênese da \nendometriose. O PCNA ( proliferative cell nuclear antigen ) é avaliado através de estudo \nimunohistoquímico e está sendo bastante estudado em neoplasias, estando relacionado a \nneoplasias mais indiferenciadas. Fujis hita et al., em 1999, avaliando o PCNA em \nendometriose mostrou maior expressão do PCNA entre lesões vermelhas, quando comparadas \na lesões brancas e negras (Fujishita et al, 1999). \nA complexidade na fisiopatologia da e ndometriose e a heterogeneidade da doença \nlevaram ao desenvolvimento de alguns modelo s experimentais. O achado de endometriose \nespontânea em 25% de animais primatas não humanos (D'Hooghe et al, 1991) com histologia \ne localização semelhantes às encontradas em hum anos (Cornillie et al, 1985; Clement, 1990; \nCornillie, 1990; Vernon & Wils on, 1985), levou à uti lização destes animais como modelo \nexperimental, porém sua utilização vem sendo progressivamente reduzida devido às \ndificuldades éticas e pela heterogeneidade da s lesões. A utilização de coelhas passa a ser uma \n\n 23\nboa opção de modelo experimental, pois se ca racteriza pelo desenvolvimento de lesões \nhomogêneas, geralmente massas sólidas hemo rrágicas, facilmente obtidas através de \nautotransplante de fragmentos endometriais ou abertura e exposição da  cavidade endometrial \n(Manyak et al, 1990; Hahn et al , 1986; Rosa e Silva et al, 2004). Além disso, a escolha da \ncoelha como animal para experimentação se deve ao baixo índice de infecção, sem \nnecessidade de utilização de antibióticos (Schor et  al, 1999) e pela ausência de ciclo estral, o \nque dispensa a necessidade de programação dos procedimentos de acordo com a fase do ciclo \ndo animal.  \nEm modelo experimental desenvolvido em  nosso serviço por Rosa e Silva em \n2004, o desenvolvimento das lesões após o implante  do tecido endometrial  foi de 100% após \nquatro e oito semanas, com presença de estroma e glândulas à histologia (Rosa e Silva et al, \n2004), fato também relatado em outros estudos experimentais (Schor et al, 1999; Schenken & \nAsch, 1980). Os implantes eram bem vascularizados e bem delimitados, com incremento \nsubstancial de tamanho após oito semanas da fixação ao peritônio quando comparado com as \nlesões de quatro semanas. Esta facilidad e de implantação do tecido endometrial ectópico \ntraduz a alta eficácia deste modelo experime ntal para desenvolvimento da endometriose. A \nutilização deste tecido para av aliação de marcadores de prol iferação tecidual e apoptose pode \nser extremamente útil para identificar o padrão de comportamento destas lesões, elucidando \nalguns pontos na etiopatogenia da endometriose.  A verdadeira correlação destes focos de \ntecido endometrial implantado na parede abdo minal das coelhas com a endometriose humana \nnão é conhecida, por isso estudos comparativos são necessários para que os resultados destes \nexperimentos possam ser extrapolados para humanos. \n\n 24\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n2. Justificativa  \n\n 25\nSendo a endometriose uma doença de grande importância clínica e com tantos \npontos obscuros em sua etiopatogenia, o desenv olvimento de modelos experimentais passa a \nter papel fundamental na descoberta de características e padrões de comportamento da doença \ne para o desenvolvimento de novas opções terapêuticas, permitindo o teste de novas \nmedicações. Com base em estudos anteriores que sugerem haver alterações na capacidade de \nproliferação e apoptose do tecido endometria l em pacientes com endometriose, o que \njustificaria a maior viabilidad e do tecido e o desenvolvimento dos  focos de lesão peritonial, \neste estudo propõe a avaliação da homeostase destes tecidos através de marcadores de \nmultiplicação celular e apoptose. \n\n 26\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n3. Objetivos  \n\n 27\nObjetivos gerais: \nCaracterizar o padrão de homeostase (pro liferação celular e a poptose) de tecido \nendometrial eutópico e ectópico de coelhas s ubmetidas à indução de lesões de endometriose \npor modelo experimental já conhecido, quatro e oito semanas após o procedimento de \nimplantação endometrial. \nA avaliação das lesões em dois tempos tem a finalidade de verificar se existe \nmodificação tecidual ao longo da evolução das lesões assim como se existe crescimento das \nmesmas. \n \nObjetivos específicos: \nAvaliar marcadores de proliferação cel ular e apoptose em tecido endometrial \neutópico e ectópico de coelhas após quatro e oito semanas de implantação das lesões: \n• índice de proliferação celular através da marcação do PCNA ( proliferative cell \nnuclear antigen). \n• Índice de apoptose através da marcação do anticorpo fas. \n• Índice de Homeostase tecidua l, caracterizado pelo coef iciente entre o índice de \nproliferação celular e apoptótico. \n\n 28\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n4. Artigo  \n\n 29\n4.1 Introdução \nA etiopatogenia da endometriose continua  controversa e várias são as teorias \natuais para explicá-la, embora nenhuma dela s o faça completamente quando isolada. A mais \naceita é a teoria de Sampson que aponta a presença de células endometriais viáveis no fluxo \nmenstrual retrógrado como causador das lesõ es (Sampson, 1927), porém praticamente 90% \ndas mulheres têm trompas pérvias (Halme et al, 1984) e apresentam fluxo retrógrado e, no \nentanto, a maioria não apresenta endometriose. Há também a teoria da metaplasia celômica \n(Suginami, 1991), e, mais recentemente, a teor ia imunológica (Chung et al, 2002; Braun et al, \n2002; Witz et al, 2002 e Nogueira & Abrão, 2000). Hoje se acredi ta na confluência destas \nteorias para a verdadeira exp licação da etiopatogenia da endo metriose, haveria realmente um \nfluxo menstrual retrógrado asso ciado a uma predisposição imunológica no micro-ambiente \nperitonial que facilitaria o implante de células endometriais viáveis e com potencial para \nimplantação. \nA “Homeostase Tecidual” é dada por um equilíbrio entre células em proliferação \ne células em processo de degradação (morte cel ular programada - apoptose). Acredita-se que \nnestas pacientes haveriam alterações nest a homeostase tecidual dada por uma maior \nviabilidade das células endometriais descamadas  secundárias a um aumento na capacidade de \nproliferação tecidual e pela diminuição dos processos de apoptose. \nA apoptose pode ser regulada através da ativ ação de sinais chamados sinais de \nmorte (“death signals”)., que aumentam a expressão de proteína p53 e ativam receptores de \nmembrana como as proteínas do sistema fas-fas ligante. O receptor fas, também chamado \nCD95, é uma proteína de membrana que pertence  à família TNF, que está expressa em uma \ngrande variedade de tipos celulares. Seu ligante, fasL, também é uma proteína de membrana, \nmais restrita a linfócitos T. A interação destas proteínas desencadeia mecanismos \n\n 30\nintracelulares que culminam com o processo de apoptose através do estímulo da enzima \ncaspase-8 (Nagara, 1997). \nAlguns marcadores de proliferação celular  estão sendo implicados na gênese da \nendometriose. O PCNA ( proliferative cell nuclear antigen ) é avaliado através de estudo \nimunohistoquímico e está sendo bastante estudado em neoplasias, estando relacionado a \nneoplasias mais indiferenciadas. Estudos avaliando o PCNA em endo metriose ainda são \nescassos, mas um estudo de Fujishita, em 1999, mostrou maior expressão do PCNA entre \nlesões vermelhas, quando comparadas a lesões brancas e negras (Fujishita et al, 1999). \nA complexidade na fisiopatologia da e ndometriose e a heterogeneidade da doença \nlevaram ao desenvolvimento de alguns modelos experimentais. A utilização de coelhas passa \na ser uma boa opção de modelo experimental , pois se caracteriza pelo desenvolvimento de \nlesões homogêneas, geralmente massas sólidas hemorrágicas, facilmente obtidas através de \nautotransplante de fragmentos endometriais ou  abertura e exposição da cavidade endometrial \n(Manyak et al, 1990; Hahn et al , 1986; Rosa e Silva et al, 2004). Além disso, a escolha da \ncoelha como animal para experimentação se deve ao baixo índice de infecção, sem \nnecessidade de utilização de antibióticos (Schor et  al, 1999) e pela ausência de ciclo estral, o \nque dispensa a necessidade de programação dos procedimentos de acordo com a fase do ciclo \ndo animal. \nEm modelo experimental desenvolvido em  nosso serviço por Rosa e Silva em \n2004, o desenvolvimento das lesões após o implante  do tecido endometrial  foi de 100% após \nquatro e oito semanas, com presença de estroma e glândulas à histologia (Rosa e Silva et al, \n2004), fato também relatado em outros estudos experimentais (Schor et al, 1999; Schenken & \nAsch, 1980). Os implantes eram bem vascularizados e bem delimitados, com incremento \nsubstancial de tamanho após oito semanas da fixação ao peritônio quando comparado com as \nlesões de quatro semanas. Esta facilidad e de implantação do tecido endometrial ectópico \n\n 31\ntraduz a alta eficácia deste modelo experime ntal para desenvolvimento da endometriose. A \nutilização deste tecido para av aliação de marcadores de prol iferação tecidual e apoptose pode \nser extremamente útil para identificar o padrão de comportamento destas lesões, elucidando \nalguns pontos na etiopatogenia da endometriose.  A verdadeira correlação destes focos de \ntecido endometrial implantado na parede da s coelhas com a endometriose humana não é \nconhecida, por isso estudos comparativos são necessários para que os  resultados destes \nexperimentos possam ser extrapolados para humanos. \nEste estudo tem por objetivo caracterizar  o padrão de homeostase (proliferação \ncelular e apoptose) de tecido endometrial eutópico e ectópico de coelhas submetidas à indução \nde lesões de endometriose por modelo experime ntal já conhecido, quatro e oito semanas após \no procedimento de implantação endometrial. A avaliação das lesões em dois tempos tem a \nfinalidade de verificar se existe modificação te cidual ao longo da evolução das lesões assim \ncomo existe crescimento das mesmas. \n\n 32\n4.2 Material e Métodos \n1. Animais: o estudo foi realizado no setor de cirurgia experimental do Hospital das \nClínicas de Ribeirão Preto e no Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de \nRibeirão Preto da Universidade de São Paulo, laboratório de Oncopatologia. \nForam utilizadas 20 coelhas adultas Nova Zelândia, fêmeas, virgens do biotério da \nFaculdade de Medicina de Ribe irão Preto. As coelhas foram ma ntidas em gaiolas apropriadas \nsob controle de temperatura, umidade e lumi nosidade do ambiente por três dias antes da \nindução das lesões cirurgicamente e alimentadas com água e ração ad libitum. Todas foram \nsubmetidas à laparotomia para indução da lesão de endometriose, após anestesia geral \nendovenosa com 3ml de tionembutal associado a 1ml de xilestasina. O procedimento foi \nrealizado com todos os cuidados de anti-sepsia e sempre pelo mesmo pesquisador. \n2. Técnica de indução das lesões de endometriose:  a abertura da cavidade pélvica \nfoi realizada com incisão longitudinal median a de aproximadamente 2cm, a 2 cm do púbis do \nanimal. Posteriormente foi ressecado cerca de 4 cm do corno uterino direito seguido de seu \nfechamento. A porção uterina ressecada foi imersa em soro fisiológico 0,9% a 4°C por cerca \nde 2 minutos e então incisada longitudinalmen te, sendo retirado um fragmento de 5 x 5mm. \nEste fragmento de tecido endometrial foi sutu rado ao peritônio próximo ao trato reprodutivo \nda coelha utilizando-se o fio Vi cryl 6.0 com a face endometrial liv re voltada para a cavidade \nabdominal, com posterior fechamento da incisão cirúrgica abdominal. Nenhuma \nsuplementação hormonal foi administrada antes ou após a laparotomia. \n3. Obtenção das lesões para análise histológica:  as coelhas foram divididas em dois \ngrupos de 10 animais, sendo os animais do grupo 1, sacrificados após 4 semanas da indução \nda lesão endometrial ectópica e os do grupo 2 após 8 semanas. A lesão foi excisada para \nanálise histológica juntamente com o corno uterino esquerdo (contralateral) (Figuras 1E e 2E). \nOs tecidos retirados foram fixados em formol 10%, processados para inclusão em parafina e \n\n 33\ncorados por hematoxilina e eosina (HE) para análise histológica comprovando a presença de \ntecido endometrial glandular e estromal (Figura 3E e 4E). \n4. Técnicas de imunohistoquímica:  as reações de imunohistoquímica foram \nrealizadas nos cortes histológicos com 4 a 5µ m através de reação antígeno-anticorpo seguida \nde revelação da reação com marcador visível ao microscópio. As lâminas desparafinadas e \nhidratadas foram recuperadas antigenicamente através de incubação em  panela a vapor em \nmeio tamponado por 40 minutos. Após resfriamen to do material, as peroxidases teciduais \nendógenas foram removidas pela adição de peróxido de hidrogênio e ligações inespecíficas do \nanticorpo primário foram evitadas por adição de  soro de cavalo. As lâminas foram então \nincubadas com anticorpo primário por 12 horas em câmara úmida. Em seguida, houve a \nincubação com anticorpo secundário e, por último, a etapa avidina-biotina. A reação foi \nidentificada após a revelação por  tratamento com DAB (Sigma-Aldrich Inc., USA) por cinco \nminutos e contra coloração com Hematoxilina de Harris seguida de montagem das lâminas. \n5. Quantificação da proliferação celular:  na avaliação do PCNA, que apresenta \nmarcação nuclear, utilizamos método quantitativo, com contagem de células marcadas pela \nimunohistoquímica em 1000 células contadas na lâmina, procurando contar células nos quatro \nquadrantes de cada lâmina. Com ba se neste cálculo, obtivemos o  Índice de Proliferação \nCelular (IPC): número de células marcadas pa ra o PCNA em 1000 células contadas, tanto no \ntecido glandular como estromal, que foram anal isadas separadamente (Figuras 5E, 6E, 7E e \n8E). \n6. Quantificação da apoptose:  na avaliação do fas, que apresenta marcação \ncitoplasmática, utilizamos o mesmo método quan titativo e obtivemos o Índice de apoptose \n(IA) tanto glandular como estromal (Figuras 9E, 10E, 11E e 12E). \n7. Índice de Homeostase tecidual: caracterizado pelo coeficiente entre o índice de \nproliferação celular e apoptótico. \n\n 34\n8. Análise estatística:  foi realizada através da util ização do software GraphPad \nPrism®  2.01 32 Bit Executable (GraphPad Softwa re Inc., San Diego, CA, EUA), utilizando-\nse Teste t pareado e considerando-se nível de significância de 5%. \nTodas as lâminas foram analisadas por dois patologistas com experiência em \nimunohistoquímica, sem identificação do tipo de tecido analisado.  \nO projeto de pesquisa foi aprovado pelo  Comitê de Experimentação Animal da \nFaculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. \n\n 35\n4.3 Resultados \nObservou-se maior índice de proliferação no tecido ectópico, tanto glandular como \nestromal, quando comparado com o endométrio eu tópico, com 4 e 8 semanas após a indução \nda lesão (Tabela 1). Contudo, quando as lesões ectópicas foram comparadas entre si, com 4 e \n8 semanas, não foi observada diferença significativa (Tabela 2). \nQuando comparamos o índice de apoptose, observamos que não houve diferença entre o \ntecido ectópico e o eutópico, tanto glandular como  estromal nas lesões induzidas e analisadas \ncom 4 semanas (Tabela 3), porém no tecido gla ndular das lesões analisadas com 8 semanas \nhouve diferença significativa entre a lesão ectópica e o t ecido endometrial eutópico 0,0819 ± \n0,0213 e 0,0995 ± 0,0133, respectivamente (p=0,002) (Tabela 3). Ao compararmos os índices \napoptóticos das lesões ectópicas de 4 e 8 sema nas, observamos que tanto no tecido glandular \ncomo estromal houve mais apoptose no grupo de lesões analisadas com 4 semanas (Tabela 2). \nA homeostase tecidual foi calculada e obser vou-se uma tendência destes tecidos a \nproliferação, sempre com índices de homeostase  tecidual (IPC/IA) acima de 1. A análise \ncomparativa entre os tecidos mostrou que o tecido ectópico tem uma tendência maior a \nproliferação que o tecido eutópico, tanto estr omal quanto glandular (Tabela 4). Contudo a \ncomparação entre a homeostase tecidual da glândula entre 4 e 8 semanas não mostrou-se \ndiferente significativamente (Tabela 2), ao co ntrário, no estroma houve  diferença entre as \nlesões analisadas com 4 e 8 semanas (Tabela 2). \n\n 36\n4.4 Discussão \nOs padrões de proliferação  celular e apoptose no endomét rio eutópico de pacientes \nnormais sofrem variações ao longo do ciclo. A pr oliferação do tecido glandular da camada \nfuncional do endométrio tem um padrão cíc lico, com proliferação máxima na fase \nproliferativa tardia, com decréscimo importante ao longo da fase secretora, até praticamente \nausente na fase menstrual. O tecido estromal , ao contrário, apre senta dois picos de \nproliferação celular, um na fase proliferativa e outro na fase pré-menstrual. Este mesmo \npadrão é mantido em mulheres com endometrios e, tanto no tecido glan dular quanto estromal, \nquando consideramos o tecido endometrial eutópi co (Li et al, 1993; Wi ngfield et al, 1995; \nJurgensen et al, 1996; Nisolle & Donnez, 1997; Beliard et al, 2004). Entretanto, os focos \nectópicos de tecido parecem perder esta ciclic idade (Jones et al, 1995; Nisolle et al, 1997; \nScotti et al, 2000; Beliard et al, 2004). No desenvolvimento de ste modelo experimental em \ncoelhas, um dos fatores considerados foi a ausê ncia de ciclo estral nestes animais, o que \nfacilitaria a padronização da técnica, permitindo que o procedimento fosse realizado em \nqualquer época e mantendo uma característica de similaridade com o tecido endometrial \nectópico.  \nA teoria de Sampson do fluxo menstrual re trógrado justifica a presença do tecido \nendometrial na cavidade pélvica (Sampson, 1927). Entretanto, cerca de 90% das mulheres têm \ntrompas pérvias (Halme et al, 1984) e aprese ntam fluxo menstrual retrógrado, sem no entanto \ndesenvolverem endometriose. Complementando a et iopatogenia da doença, inúmeros estudos \nvêm demonstrando uma maior viabilidade deste tecido refluído naquelas pacientes portadoras \nda doença. Gebel et al, verifi caram que existe uma diminuição da susceptibilidade à apoptose \nespontânea no endométrio eutópico de pacientes com endometriose (Gebel et al, 1998), dados \nestes que foram corroborados por Meresman et  al, em 2000 (Meresman et al, 2000). Além \ndisso, a capacidade de proliferação celular ta mbém se encontra aumentada no endométrio \n\n 37\neutópico de pacientes com endometriose qu ando comparado a pacientes do grupo controle, \nem parte secundário à diminuição das concen trações de TGF beta, um regulador de \nproliferação e diferenciação das células endometriais. Nas células de linhagem epitelial o TGF \nbeta mantém a homeostase tecidual limitando seu crescimento através da supressão de fatores \nde crescimento promotores de transcrição, co mo o cMyc, um proto-onc ongene, que no tecido \nendometrial das pacientes com endometriose encontra-se aumentado (Johnson et al, 2005). \nEste aumento na proliferação celular e redução de apoptose descrito para o \nendométrio eutópico de pacientes com endometr iose se mantêm no comportamento do tecido \nectópico, inclusive de maneira mais proeminente. Como já mencionado, as lesões perdem sua \nciclicidade (Jones et al, 1995; Ni solle et al, 1997; Scotti et al, 2000; Beliard et al, 2004) e \nmantém índices de proliferaç ão celular aumentado (Li et al, 1993). Em nosso estudo \nverificamos um aumento da capacidade pr oliferativa do teci do implantado quando o \ncomparamos ao tecido eutópico, independente do tempo de duração do implante, mostrando \num padrão de comportamento semelhante ao das lesões endometrióticas humanas. Estas \nalterações foram verificadas tanto para o componente glandular quanto estromal do tecido \nectópico. \nComo a origem do implante é a mesma do tecido eutópico, acreditamos que a \nexposição do tecido implantado ao micro-ambiente  peritoneal promoveu alterações locais que \nculminaram com o desbalanço na homeostase tecidual. Na composição do fluido peritoneal \nhumano encontramos a presença de substâncias inflamatórias, mesmo em situações normais, \nlivre de doença, apesar de níveis menos elevad os que no fluido perito neal de pacientes com \nendometriose (Kats et al, 2002; Akoum et al, in press). \nEm pacientes com endometriose já é bem documentada a presença aumentada de \nsubstâncias inflamatórias e fatores de cresci mento no fluido peritone al (Kats et al, 2002; \n\n 38\nAkoum et al, in press), bem como o aumento da concentração de macrófagos peritoneais, com \naumento da atividade dos fagócitos mononuclear es (Oral & Arici, 1 997). Este efeito foi \ndemonstrado através de medidas de biossíntese de citocinas, metabolismo oxidativo e funções \nde citotoxicidade (Zeller et al, 1987; Braun DP et al, 1992; Taketani et al, 1992 e Braun DP et \nat, 1996). Braun et al, utilizando cultivo de cé lulas endometriais de pacientes com e sem \nendometriose, acrescentando fluido peritoneal  autólogo ou heteró logo entre os grupos, \nverificaram que em pacientes com endometriose  o acréscimo de fluido peritoneal autólogo \npromovia aumento da proliferação celular, enquanto que o fluido de pacientes férteis \ncontroles produzia redução na proliferação. Em contrapartida em cultura de células \nendometriais de pacientes férteis normais, independente do fluido acrescentado, não houve \nvariação do índice de proliferação  celular. Portanto, o aumento da capacidade de proliferação \ndo tecido em pacientes com endometriose está re lacionado não só a alterações específicas do \nendométrio, mas também à mudanças no micro-ambiente peritoneal (Braun et al, 2002). \nCom o intuito de verificar o impacto de  diversos mediadores inflamatórios \nsecretados por macrófagos sobre a proliferação celular em cultivo de células estromais de \nendométrio humano, Hammond et al verificaram a existência de uma resposta pró-\nproliferativa dose-dependente destas células in vitro. Diversos fatores foram testados, como o \nfator de crescimento epidermal (EGF), o fator de crescimento tumoral alfa (TGF-α), o fator de \ncrescimento tumoral beta (TGF- β) e o fator de crescimento de  fibroblastos (Hammond et al, \n1993). A presença de uma maior população de macr ófagos ativados na cavidade pélvica de \npacientes com endometriose promove o au mento de secreção destes mediadores, \nprovavelmente tendo papel importante na etiopatogenia de doença. \nEm relação à apoptose, neste estudo, não foi observada diferença entre os tecidos \neutópicos e ectópicos nos implantes de 4 semana s, tanto para estroma como para o tecido \nglandular. Em contrapartida, após 8 semanas de  implante o tecido glandular apresentou maior \n\n 39\níndice de apoptose quando comparado ao endométr io eutópico. Este ac hado talvez possa ser \nexplicado pelo maior tempo de exposição do tecido implantado ao fluido peritoneal, o que \npromoveu mudança na homeostase do tecido. Em  consonância com o que ocorre no tecido \nectópico das lesões de endometriose a apoptose espontânea passa a estar supressa (Gebel et al, \n1998; Meresman et al, 2000; Szymanowski et  al, 2006). O tecido es tromal não sofreu \nmodificações em relação aos índices de apoptose após 8 semanas.  \nDe qualquer maneira, no cômputo geral, o índice de homeostase tecidual (IPC/IA) \napresentou uma tendência dos implantes à pro liferação celular, com IHT maiores que 1 em \nambos os componentes histológicos: glândula e estroma. \nA teoria inflamatória, uma das teorias para  a etiopatogenia da endometriose, propõe \nque um ambiente peritoneal pró-inflamatório  propiciaria o implante do tecido menstrual \nrefluído no peritônio pélvico (Chung et al, 200 2). Em compensação, a própria presença do \nimplante poderia promover uma agressão local co m conseqüente recrutamento de macrófagos \npélvicos (Oral & Arici, 1997) e ativação de fibr oblastos peritoneais (Buckley et al, 2001), os \nquais levam a secreção de substâncias inflamatór ias, gerando assim um círculo vicioso . Este \nestudo vem de encontro à estas dúvidas, os dados aqui verificados indicam que realmente \nexiste um papel ambiental promovendo um a mudança no comportamento do tecido \nendometrial e permitindo a formação das lesões  de endometriose. Todavia, não podemos \nafirmar que esta transformação se deva à pr esença de substâncias inflamatórias no fluido \nperitoneal, visto que este não foi o objeti vo deste estudo e portanto seu desenho não nos \npermite tirar tal conclusão. \nA boa reprodutibilidade e eficácia do mode lo experimental proposto em coelhas já \nhavia sido confirmada em estudos anteriores (Schor et al, 1999; Rosa  e Silva et al, 2004), \nembora o comportamento histológico das le sões não houvesse sido estudado. Aqui foi \n\n 40\npossível caracterizar o padrão de prolifer ação celular e apoptose do tecido implantado e \nverificar que o comportamento das lesões em termos de homeostase tecidual é semelhante \nàquele encontrado no tecido eutópico e ectópico de portadoras de endometriose. Portanto, este \nmodelo experimental de endometriose reproduz satisfatoriamente a endometriose humana e \npode ser utilizado para testes terapêuticos com diferentes cl asses de droga, com resultados \nbastante compatíveis com a realidade clínica. \n\n 41\n4.5 Referências \n• Akoum A, Al-Akoum M, Le may A, Maheux R, Leboeuf M. Imbalance in the \nperitoneal levels of interleukin 1 and its  decoy inhibitory receptor type II in \nendometriosis women with infertility and pelvic pain. Fertil Steril 2007, in press. \n• Beliard A, Noel A, Joidart JM. Reductio n of apoptosis and proliferation in \nendometriosis. Fertil Steril 2004; 82(1): 80-85. \n• Braun DP, Ding J, Dmowski WP. 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Comparação entre IPC, IA e IHT nas di ferentes estruturas hi stológicas após 4 e 8 \nsemanas: \n 4 semanas \nMédia ± SD \n8 semanas \nMédia ± SD \n \np \nIPC Glândula 0.2505 ± 0.0452 0.2210 ± 0.0368 0.127 \nIPC Estroma 0.2026 ± 0.0553 0.2010 ± 0.0359 0.939 \nIA Glândula 0.1182 ± 0.0379 0.0819 ± 0.0213 0.049 \nIA Estroma 0.1291 ± 0.0356 0.0921 ± 0.0184 0.0049 \nIHT Glândula 2.311 ± 0.826 2.935 ± 1.141 0.184 \nIHT Estroma 1.681 ± 0.608 2.328 ± 0.855 0.0159 \nIPC= Índice de proliferação celular; IA= Índice de apoptose; Índice de homeostase tecidual \n \n\n 48\nTabela 3. Índice de Apoptose nas diferentes estruturas histológicas após 4 e 8 semanas: \n \nIA \nEctópico \nMédia ± SD \nEutópico \nMédia ± SD \n \np \nGlândula 4 sem 0.1182 ± 0.0379 0.1132 ± 0.0162 0.589 \nEstroma 4 sem 0.1291 ± 0.0356 0.1272 ± 0.0374 0.707 \nGlândula 8 sem 0.0819 ± 0.0213 0.0995 ± 0.0133 0.002 \nEstroma 8 sem 0.0921 ± 0.0184 0.0959 ± 0.0156 0.393 \nIA= Índice de Apoptose \n \n\n 49\nTabela 4. Índice de Homeostase Tecidual (IPC/IA) nas diferentes estruturas histológicas após \n4 e 8 semanas: \n \nIHT \nEctópico \nMédia ± SD \nEutópico \nMédia ± SD \n \np \nGlândula 4 sem 2.311 ± 0.826 1.659 ± 0.534 0.0043 \nEstroma 4 sem 1.681 ± 0.608 1.262 ± 0.569 0.0181 \nGlândula 8 sem 2.935 ± 1.141 1.749 ± 0.486 0.0027 \nEstroma 8 sem 2.328 ± 0.855 1.750 ± 0.500 0.0029 \nIHT= Índice de Homeostase Tecidual (IPC/IA) \n \n\n 50\n4.7 Figuras \n \nFigura 1. Marcação pelo PCNA em endométrio ectópico \n \n \nFigura 2. Marcação pelo fas em endométrio ectópica \n \n\n 51\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n5. Referências Bibliográficas  \n\n 52\n• Braun DP, Ding J, Shen J, Rana N, Fernandez BB, Dmowski WP. Relationship \nbetween apoptosis and the number of m acrophages in eutopic endometrium from \nwomen with and without endometriosis. 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Updated Oct 2001: \nhttp://www.icmje.org/index.html.\n \n\n 55\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n6. Anexos  \n\n 56\nFiguras extras \nFigura 1E. Lesão macroscópica após 4 semanas da indução: \n \n \n \nFigura 2E. Lesão macroscópica após 8 semanas da indução: \n \n\n 57\nFigura 3E. Lesão microscópica após 4 semanas da indução: \n \n \n \nFigura 4E. Lesão microscópica após 8 semanas da indução: \n \n\n 58\nFigura 5E. Marcação pelo PCNA em lesão ectópica com 4 semanas de evolução: \n \n \n \nFigura 1 e 6E. Marcação pelo PCNA em lesão ectópica com 8 semanas de evolução: \n \n\n 59\nFigura 7E. Controle positivo da marcação pelo PCNA: \n \n \n \nFigura 8E. Controle negativo da marcação pelo PCNA: \n \n\n 60\nFigura 2 e 9E. Marcação pelo fas em lesão ectópica com 4 semanas de evolução: \n \n \n \nFigura 10E. Marcação pelo fas em lesão ectópica com 8 semanas de evolução: \n \n\n 61\nFigura 11E. Controle positivo da marcação pelo fas: \n \n \n \nFigura 12E. Controle negativo da marcação pelo fas: \n \n\n715RBGO - v. 26, nº 9, 2004\nTrabalhos Originais\n26 (9): 715-719, 2004RBGO\nModelo Experimental para Endometriose em Coelhas com\nSeguimento Evolutivo das Lesões\nExperimental Endometriosis Model in Rabbits with Follow-up of the Lesions\nJulio César Rosa e Silva 1, Ana Carolina Japur de Sá Rosa e Silva 1, Pedro Soler Coltro1,\nSérgio Britto Garcia 2, Francisco Cândido dos Reis 1, Antônio Alberto Nogueira 1\n1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade\nde Medicina de Ribeirão Preto - USP2Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de\nRibeirão Preto - USP\nCorrespondência:\nAntônio Alberto Nogueira\nDepartamento de Ginecologia e Obstetrícia\nFaculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade\nde São Paulo\nAv. Bandeirantes, 3900 – Campus da USP\n14049-900 – Ribeirão Preto – SP\nIntrodução\nA endometriose é, atualmente, uma das doen-\nças ginecológicas mais estudadas. Sua incidên-\ncia é variável de acordo com a população analisa-\nRESUMO\nObjetivos: desenvolvimento de modelo experimental de endometriose em coelhas avaliando\na evolução temporal da doença macro e microscopicamente.\nMétodos: foram utilizadas 30 coelhas nas quais induziu-se lesão de endometriose por fixação\nde fragmento do corno uterino no peritônio da parede pélvica. Após 4 ou 8 semanas\nverificou-se a viabilidade da lesão por laparoscopia. Foi documentado o aspecto visual\nendoscópico e feita avaliação anatomopatológica. Os grupos foram comparados quanto à\npresença de lesão visual à laparoscopia, seu maior diâmetro, presença de aderências e\nhistologia da mesma. Na análise estatística foram utilizados os testes t de Student e de Mann-\nWhitney, com significância estatística de 5%.\nResultados: em todos os casos foi identificada a presença de lesão visual à laparoscopia\napós 4 semanas, sendo 64% císticas, e em 80% dos casos após 8 semanas, 66% císticas. As\naderências estavam presentes em 71% das coelhas após 4 semanas (sendo ausentes nos\nimplantes) e em 80% das coelhas após 8 semanas (13% nos implantes). O diâmetro das lesões\napós 8 semanas de implante foi maior que após 4 semanas (p<0,0001). A análise histológica\nmostrou 100% de tecido endometrial (glândula e estroma) em atividade nos 2 grupos.\nConclusão: a utilização desse modelo experimental de endometriose em coelhas mostrou\nser possível reproduzir a doença nesse animal, sendo viável e de fácil execução. Permitiu\ndocumentar as características e a progressão dos implantes, o crescimento e o desenvolvimento\nhistopatológico. Embora com mesmo aspecto histológico, as lesões após oito semanas foram\nmaiores que após 4 semanas da implantação.\nPALAVRAS-CHAVE: Endometriose. Endometriose: modelo experimental. Laparoscopia.\nda, desde 2 a 7,5% em pacientes assintomáticas\nsubmetidas à laqueadura tubária 1,2 até 50% nas\npacientes com dor pélvica associada à infertilida-\nde3. Caracteriza-se pela presença de tecido\nendometrial, seja ele glandular ou estromal, fora\nda cavidade uterina 4. As lesões de endometriose\npodem ter aspectos variáveis, podendo ser classi-\nficadas em típicas e atípicas. As lesões típicas são\nas negras e as atípicas as vesiculares, brancas,\nvermelhas e marrons. Alguns autores defendem\na teoria de que estas seriam manifestações\nevolutivas de doença progressiva 5,6.\nA etiopatogenia da endometriose continua\ncontroversa e várias são as teorias atuais para\nexplicá-la, embora nenhuma delas o faça comple-\ntamente quando isolada. A mais aceita é a teoria\n\n716 RBGO - v. 26, nº 9, 2004\nde Sampson4, que aponta a presença de células\nendometriais viáveis no fluxo menstrual retrógra-\ndo como causador das lesões. No entanto, pratica-\nmente 90% das mulheres têm trompas pérvias e\napresentam fluxo menstrual retrógrado7 e a maio-\nria não apresentará endometriose. Há também a\nteoria da metaplasia celômica 8 e, mais recente-\nmente, a teoria imunológica 9-11. Hoje se acredita\nna confluência destas teorias para a explicação da\netiopatogenia da endometriose. Haveria realmen-\nte fluxo menstrual retrógrado associado a predispo-\nsição imunológica no microambiente peritoneal\nque facilitaria o implante de células endometriais\nviáveis e com potencial para implantação.\nA complexidade na sua fisiopatologia e a\nheterogeneidade da doença em humanos faz da\nendometriose uma das doenças mais estudadas\nda atualidade. Para facilitar estes estudos alguns\nmodelos experimentais vêm sendo propostos. O\nachado de endometriose espontânea em 25% de\nanimais primatas não humanos 12 com histologia\ne localização semelhantes às encontradas em\nhumanos3,13-15 levou à utilização destes animais\ncomo modelo experimental, porém sua utilização\nvem sendo progressivamente reduzida devido às\ndificuldades éticas e pela heterogeneidade das le-\nsões. As ratas seriam modelos experimentais bem\nmais acessíveis com lesões homogêneas e mane-\njo fácil16, mas o pequeno porte do animal dificulta\na abordagem cirúrgica com material laparoscópi-\nco. Assim, a utilização de coelhas passa a ser boa\nopção de modelo experimental, pois apresenta bai-\nxo índice de infecção, sem necessidade, portanto,\nde utilização de antibióticos17. O porte do animal\nfacilita o acesso por vídeo-laparoscopia se compa-\nrado com ratas, e a ausência de ciclo estral dis-\npensa a necessidade de programação dos procedi-\nmentos de acordo com a fase do ciclo do animal.\nAlém disso, apresentam lesões homogêneas, ge-\nralmente massas sólidas hemorrágicas, facilmen-\nte obtidas por meio de autotransplante de fragmen-\ntos endometriais ou abertura e exposição da cavi-\ndade endometrial18. A opção pela técnica cirúrgi-\nca de colocação do implante na parede abdominal\nfoi feita pela necessidade de visualização fácil da\nlesão à laparoscopia.\nA padronização e validação de técnica facil-\nmente reprodutível tornam-se extremamente im-\nportantes para o desenvolvimento deste tipo de\npesquisa, permitindo simular novas propostas\ndiagnósticas e terapêuticas para a abordagem des-\nta doença. Não encontramos na literatura nenhu-\nma descrição de modelo experimental para endo-\nmetriose em coelhas com seguimento evolutivo\ndas lesões utilizando-se da técnica laparoscópica\ne acreditamos ser este um modelo prático, que\npermitiria caracterizar e documentar as lesões\ninduzidas com baixas taxas de aderências pélvicas\npor ser método pouco invasivo. A proposta deste\nestudo é de produzir lesões endometrióticas com\no emprego de laparotomia e realizar o seguimento\nevolutivo da lesão por videolaparoscopia e estudo\nhistológico comparativo das lesões com quatro e\noito semanas após o implante.\nMateriais e Métodos\nTrata-se de estudo experimental realizado\nno setor de cirurgia experimental do Hospital das\nClínicas do Departamento de Cirurgia e Anatomia\ne no Departamento de Patologia da Faculdade de\nMedicina de Ribeirão Preto da Universidade de São\nPaulo. Foram utilizadas 30 coelhas adultas Nova\nZelândia, fêmeas, virgens, com peso aproximado\nde 2,5 kg. As coelhas foram mantidas em gaiolas\napropriadas sob controle de temperatura, umida-\nde e luminosidade do ambiente por três dias an-\ntes da indução cirúrgica das lesões, alimentadas\ncom água e ração ad libitum. As coelhas eram pe-\nsadas no dia do procedimento inicial.\nTodas foram submetidas a laparotomia para\nindução da lesão de endometriose, após anestesia\ngeral endovenosa com 3 mL de tionembutal as-\nsociado a 1 mL de xilestasina. Procedeu-se à\ntricotomia da parede abdominal dos animais, se-\nguida dos cuidados de anti-sepsia. As luvas de\nlátex foram lavadas com soro fisiológico 0,9%\nexaustivamente para redução da formação de\naderências e o mesmo pesquisador realizou to-\ndos os procedimentos.\nA abertura da cavidade pélvica foi realizada\ncom incisão longitudinal mediana de aproxima-\ndamente 2 cm, iniciando 2 cm cranialmente ao\npúbis do animal. Posteriormente foi ressecado\nsegmento de cerca de 4 cm do corno uterino direi-\nto, seguido de seu fechamento. A porção uterina\nressecada foi imersa em soro fisiológico 0,9% a\n4ºC por cerca de 2 minutos e então incisada lon-\ngitudinalmente, sendo retirado fragmento de 5 por\n5 mm. Este fragmento de tecido endometrial foi\nsuturado ao peritônio próximo ao trato reprodutivo\nda coelha, utilizando-se fio Vicryl 6.0, com a face\nendometrial livre voltada para a cavidade abdomi-\nnal, com posterior fechamento da incisão cirúrgi-\nca abdominal. Nenhuma suplementação hormonal\nfoi administrada antes ou após a laparotomia.\nAs coelhas foram divididas em dois grupos,\nsendo o primeiro denominado grupo 8 semanas,\nconstituído de 15 animais, que foram submetidos\na laparoscopia diagnóstica para pesquisa de lesões\nde endometriose, documentação da lesão por meio\nde vídeo e medida da lesão após oito semanas de\nsua indução. O outro grupo, chamado grupo 4 se-\nmanas, também composto de 15 animais, foi sub-\nmetido aos mesmos procedimentos porém somen-\nte após quatro semanas de seguimento. A\nEndometrioseSilva et al\n\n717RBGO - v. 26, nº 9, 2004\nlaparoscopia foi realizada utilizando-se óptica de\n6 mm e 30° e trocarte de 7 mm. Após incisão lon-\ngitudinal na pele e tecido subcutâneo de 7,0 mm,\nsobre a linha mediana e 6,0 cm abaixo do esterno,\nfoi introduzido de maneira direta um trocarte de 7\nmm. Procedeu-se à insuflação de gás CO2 com flu-\nxo constante de um litro por minuto e pressão\nmáxima de aproximadamente 3 mmHg e realiza-\nda a inspeção da cavidade abdômino-pélvica, com\nregistro das imagens por meio de vídeo super VHS.\nApós a inspeção pélvica, identificação e documen-\ntação da lesão, as coelhas foram sacrificadas e a\nlesão foi excisada para análise histológica. Os te-\ncidos retirados foram fixados em formol 10%, pro-\ncessados para inclusão em parafina e corados por\nhematoxilina e eosina (HE).\nOs grupos foram analisados quanto ao peso\nmédio das coelhas, ganho de peso total ao longo do\nseguimento e tempo cirúrgico da laparotomia du-\nrante indução da lesão endometriótica para\nhomogeneização das amostras e padronização para\nposterior comparação. A análise estatística utili-\nzou o programa GraphPad Prism  2.01 32 Bit\nExecutable (GraphPad Software Inc., San Diego,\nCA, EUA), utilizando-se o teste estatístico t de\nStudent para as variáveis peso e tempo de cirur-\ngia, que seguiram padrão de distribuição normal\nsem diferença à análise de variância. O teste de\nMann-Whitney foi empregado para a comparação\ndo ganho de peso ao longo de seguimento, pois esta\nvariável não apresentou distribuição gaussiana.\nOs grupos foram então comparados quanto ao as-\npecto visual da lesão e tamanho da mesma; para\nesta comparação foi utilizado o teste de Mann-\nWhitney, apesar da distribuição normal, já que os\ngrupos apresentavam variâncias diferentes. Con-\nsiderou-se o nível de significância de 5%.\nEste estudo foi aprovado pela Comissão de\nÉtica em Experimentação Animal da Faculdade de\nMedicina de Ribeirão Preto - Universidade de São\nPaulo.\nResultados\nOs grupos apresentaram-se homogêneos\nquanto ao peso no início do experimento e ganho\nde peso ao longo do seguimento. O peso inicial foi\nde 2493,0±231,4 g no grupo 8 semanas e de\n2453,0±269,6 g no grupo 4 semanas, com p=0,66, e\no ganho de peso foi de 440,0±284,9 g e de\n293,3±301,1 g para os grupos 8 e 4 semanas, res-\npectivamente (p=0,18). O tempo cirúrgico médio da\nrealização da laparotomia para indução da endo-\nmetriose, no grupo 8 semanas, foi de 18,6 minutos\ne no grupo 4 semanas, de 16,0 minutos (p=0,02).\nNa comparação entre os achados cirúrgicos\nda videolaparoscopia verificamos que a lesão foi\nvisualizada em 80% das coelhas do grupo 8 sema-\nnas e em 100% do grupo 4 semanas, embora após\no sacrifício do animal e exploração do peritônio via\naberta tenham sido encontradas lesões em todos\nos animais, de ambos os grupos. Das lesões visí-\nveis na laparoscopia, 66% foram caracterizadas\ncomo de aspecto cístico no grupo 8 semanas, se-\nmelhante ao achado do grupo 4 semanas, em que\neste aspecto foi descrito em 64% das lesões.\nAs aderências estavam presentes em 71%\ndas coelhas após 4 semanas, porém em locais dis-\ntintos dos implantes endometriais, e em 80% das\ncoelhas após 8 semanas, sendo 13% no local dos\nimplantes.\nNa avaliação da medida das lesões encon-\ntramos diferença significante entre os dois gru-\npos, sendo maiores as lesões após 8 semanas de\nseguimento. A média do maior diâmetro das le-\nsões do grupo 8 semanas foi de 1,82±0,73 cm (va-\nriando de 0,7 a 3,5 cm) e do grupo 4 semanas, de\n0,96±0,17 cm (variando de 0,7 a 1,3 cm) (p<0,0001)\n(Figura 1).\nA análise histológica mostrou que todas as\namostras eram compostas de tecido endometrial\n(glândula e estroma) em atividade nos dois gru-\npos, com características morfológicas similares\nentre eles. As lesões caracterizaram-se por cistos\nde paredes finas localizados sobre a musculatura\nestriada da parede abdominal, projetando-se para\na cavidade abdominal. A parede destes cistos era\nformada por camada delgada de tecido conjuntivo,\nrica em células e revestida por epitélio pavimen-\ntoso simples. O estroma era rico em fibroblastos e\napresentava alguns macrófagos e eosinófilos, além\nde grande quantidade de glândulas endometriais\ntípicas. Portanto, o tecido da lesão de endometrio-\nse não sofreu alterações em sua composição e\narquitetura ao longo do tempo, porém apresentou\naumento de suas dimensões.\nFigura 1 - Distribuição dos diâmetros das lesões das coelhas de acordo com o período\nde avaliação.\nEndometrioseSilva et al\n\n\n718 RBGO - v. 26, nº 9, 2004\nAbstract\nPurpose:  development of a new experimental model of\nendometriosis induction in rabbits evaluating its temporal\nevolution both macro-and microscopically.\nMethods:  thirty female rabbits were submitted to\nendometriosis induction through the fixation of a piece of\nthe left uterine horn to the abdominal peritoneum. After four\nor eight weeks the viability of the lesions was verified by\nlaparoscopy. The lesions were observed endoscopically. The\nimplants were measured and histological analyses were\nmade. The groups were compared for the presence of\nendometriotic lesion on laparoscopy, presence of adhesions,\nimplant size and histological aspects. For statistical analyses\nwe utilized Student’s  t  and Mann-Whitney’s tests, with a\nstatistical significance of 5%.\nResults: endometriotic lesions were identified in all cases\nsubmitted to laparoscopy after 4 weeks of induction, 64% of\nthem cystic, and in 80% of the rabbits after eight weeks, 66%\nof which cystic. The adhesions were present in 71% of the\nrabbits after 4 weeks (none in the implants) and in 80% of\nthe rabbits after 8 weeks (13% in the implants). The lesions\nwere significantly larger after 8 weeks (p<0,0001). The\nhistological analyses showed 100% of endometrial tissue in\nboth groups.\nConclusion: this experimental model showed that it is possible\nto simulate endometriosis in rabbits with a viable and simple\ntechnique, also allowing to record the characteristics and\ndevelopment of the implants macro-and microscopically.\nDiscussão\nO desenvolvimento das lesões após o implan-\nte do tecido endometrial ocorreu em todos os ani-\nmais, com presença de estroma e glândulas à\nhistologia, fato também relatado em outros estu-\ndos experimentais. Schor et al. 17 e Schenken e\nAsch19 descrevem inclusive os implantes como\nbem vascularizados e bem delimitados, com in-\ncremento substancial de tamanho após sete se-\nmanas da fixação ao peritônio. Esta facilidade de\nimplantação do tecido endometrial ectópico traduz\na alta eficácia deste modelo experimental para\ndesenvolvimento da endometriose, o que talvez\npermitisse realização do estudo com menor nú-\nmero de animais, apesar de que a demonstração\nda evolução significativa no diâmetro da lesão não\nteria sido possível com casuística menor.\nA avaliação videolaparoscópica da lesão, por\nser menos invasiva que a laparotomia, possibilita\na avaliação e documentação seriada do aspecto\nmacroscópico das lesões e a demonstração de sua\nevolução temporal. Esta evolução é bastante evi-\ndente em nosso estudo, no qual houve incremen-\nto significativo no maior diâmetro da lesão entre\na 4 a e a 8 a semana após o implante do tecido\nendometrial. A progressão do tecido endometrial\nectópico sugere viabilidade do implante e prová-\nvel evolução da doença, e a predominância do as-\npecto cístico das lesões caracteriza atividade\nsecretora destes focos. Não houve, porém, mudan-\nça nas características histológicas do tecido\nendometrial ectópico quando analisado 4 e 8 se-\nmanas após o implante, sem mudança na cor ou\naspecto visual das lesões à macroscopia e sem\nalterações no padrão de distribuição glandular ou\nestromal à microscopia. Esses dados são concor-\ndantes com os da literatura, que não fazem men-\nção a nenhuma mudança na histologia dos im-\nplantes e, sim, crescimento das lesões medidas\npelo maior diâmetro ou pelo volume.\nUm quinto das lesões endometrióticas en-\ncontradas após a abertura da cavidade abdominal\ndas coelhas do grupo 8 semanas não haviam sido\nvistas durante a laparoscopia, pois encontravam-\nse aderidas a estruturas adjacentes. A visualização\na céu aberto e a lise destas aderências permiti-\nram identificação de todas as lesões.\nO peso das coelhas não diferiu entre os gru-\npos, mostrando, provavelmente, que foram\nmantidas sob mesmas condições de alimentação,\nluz e temperatura, não havendo, portanto, inter-\nferências das condições ambientais no tamanho\ndas lesões entre eles.\nAs primeiras coelhas submetidas à indução\nde lesão de endometriose foram as do grupo 8 se-\nmanas, o que talvez justifique o maior tempo ci-\nrúrgico encontrado nos procedimentos deste gru-\npo em relação ao grupo 4 semanas; não acredita-\nmos, porém, que isto possa ter influenciado na\nevolução dos implantes.\nA utilização dos modelos experimentais para\ntestes terapêuticos com drogas já existentes no\nmercado, como o danazol, os agonistas do GnRH e\ninibidores da aromatase, e com novas substâncias\nainda em fase de experimentação já vem sendo\nempregada por alguns autores, com sucesso 20-25.\nA verdadeira equivalência destes focos de tecido\nendometrial implantado na parede de ratas e\ncoelhas com a endometriose humana não é co-\nnhecida, por isso estudos comparativos são neces-\nsários para que os resultados destes experimen-\ntos possam ser extrapolados para humanos.\nCom base nos achados deste estudo concluí-\nmos que este modelo experimental mostrou-se\neficaz no desenvolvimento de focos de endométrio\nectópico na parede abdominal de coelhas, man-\ntendo características evolutivas que sugerem pro-\ngressão da lesão ao longo do tempo e viabilidade\ndo tecido implantado. A possibilidade de realiza-\nção de laparoscopias ou microlaparoscopias seria-\ndas permite a avaliação macroscópica do aspecto\nevolutivo da lesão, registro das imagens e coleta\nde material para exame histológico quando neces-\nsário, de maneira minimamente invasiva.\nEndometrioseSilva et al\n\n719RBGO - v. 26, nº 9, 2004\nReferências\n1. Strathy JH, Molgaard CA, Coulam CB, Melton LJ\n3rd. Endometriosis and infertility: a laparoscopic\nstudy of endometriosis among fertile and infertile\nwomen. Fertil Steril 1982; 38:667-72.\n2. Kirshon B, Poindexter AN 3rd, Fast J. Endometriosis\nin multiparous women. J Reprod Med 1989; 34:215-7.\n3. Cornillie FJ. Peritoneal endometriosis. In: Brosens\nI, Gordon E, editors. Tubal infertility. 1st ed. London:\nGower Medical; 1990. p. 3-8.\n4. Sampson JA. Peritonial endometriosis due to\nmenstrual dissemination of endometrial tissue into\nthe peritonial cavity. Am J Obstet Gynecol 1927;\n14:422-69.\n5. Redwine DB. 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