{"paper_id":"8f105397-5473-4338-8342-7a292feeace7","body_text":"06\nUso de gestrinona no tratamento de \nendometriose\nThuane Teixeira Lima\nCESMAC\nBrenda de Carvalho Resende Mergulhão\nCESMAC\nAna Soraya Lima Barbosa\nCESMAC\n10.37885/210504583\n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n71\nPalavras-chave:  Endometriose, Gestrinona, Medicamento.\nRESUMO\nIntrodução: A endometriose é uma condição caracterizada pela presença de locais \nectópicos do Tacna endometrial. Isso significa que o tecido histológico e funcionalmente \nsemelhante ao endométrio (mucosa uterina) cai nos tecidos e órgãos que não estão pre-\nsentes, ocorre principalmente em mulheres em idade reprodutiva. Objetivo: investigar os \nresultados em termos de eficácia em pacientes com endometriose nos estudos escolhi-\ndos se a gestrinona é uma terapêutica eficaz. Metodologia: revisão de literatura do tipo \nintegrativa na qual se utilizou os termos “ Endometriose”; “Gestrinona”; “Medicamento”, \nnas bases de dados LILACS, SciELO, e PubMed/MEDLINE. Discussão: como alterna-\ntiva para o tratamento da endometriose a Gestrinona é um hormônio esteroide sintético \ncom alta atividade antiprogestina, age afetando o hipotálamo e o sistema hipofisário e \nbloqueia a ação dos hormônios do sistema nervoso central (gonadotrofinas), além de \npossui atividade estrogênica, assim se usada no tratamento da endometriose inibirá o \nfluxo menstrual da mulher, impedindo o conceito de menstruarão retrógrada, a qual é \numa das teorias que ocasionam a doença. Resultados: a gestrinona bloqueia a função \novariana e desta forma inibe o crescimento de células endometriais em outras partes do \nsistema reprodutor feminino, sendo assim benéfica para o tratamento desta patologia, \nporém vale ressaltar os efeitos colaterais que podem aparecer como: acne, oleosidade \nde pele, engrossamento da voz, irregularidade menstrual ou bloqueio menstrual. Sendo \nassim a indicação deve ser precisa e bem discutida com a paciente.  Considerações \nFinais: a sintomatologia e a progressão da endometriose estão intrinsecamente ligadas \nao microambiente hiperinflamatório estimulado pelo crescimento do endométrio ectópi -\nco. A gestrinona configura uma boa opção como progestagênio de atuação no tecido en-\ndometriótico local, permitindo a melhora clínica das mulheres que sofrem com a patologia.\n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n72\nINTRODUÇÃO\nA endometriose é uma proliferação benigna de tecido funcional e morfologicamente \nsemelhante ao endométrio normal. A doença é caracterizada pelo aumento da formação \nlocal de estrógenos e sensibilidade a eles, bem como resistência à progesterona, o que leva \nà interrupção das funções menstruais e reprodutivas e à diminuição da qualidade de vida. \nProcesso inflamatório concomitante, desregulação imunológica, inibição da apoptose, ativa-\nção da angiogênese são fatores patogenéticos que contribuem para a sobrevivência e cres-\ncimento dos implantes endometrióides. A endometriose afeta 6-10% das mulheres em idade \nreprodutiva, com dor pélvica crônica e infertilidade - 40-70% e 30-50%, respectivamente.\nA endometriose é uma doença dependente de estrogênio. Assim, os vários tratamentos, \nalém dos anti-inflamatórios não esteróides, visam induzir um estado de hipoestrogenismo, \ncolocando os ovários em repouso, daí a atrofia do tecido endometrial ectópico. A dor pélvica \ne infertilidade são as duas principais manifestações de endometriose.\nAtualmente, a endometriose é uma doença que não tem cura. Existe apenas trata -\nmento para aliviar os sintomas que ocorrem, como dor e sangramento anormal, e controlar \no crescimento do tecido endometrial. Para isso, pode ser aplicada cirurgia farmacológica, \nhormonal, natural ou mesmo cirúrgica.\nO tratamento deve ser personalizado com base na idade do paciente, na extensão da \ndoença, no desejo reprodutivo do casal e na gravidade dos sintomas. A endometriose pode, \nem termos curtos, ser definida como tecido endometrial fora da cavidade uterina. É uma \ndoença crônica comum que causa principalmente sintomas de dor como dismenorreia, \ndispareunia e dor não menstrual. Mas também pode reduzir a fertilidade e reduzir significa-\ntivamente a qualidade de vida da mulher. O diagnóstico é confirmado laparoscopicamente \ne as lesões devem ser removidas posteriormente. O tratamento empírico agora também é \nrecomendado, e o objetivo principal é induzir a amenorreia. Os medicamentos comuns em \nuso atualmente incluem contraceptivos orais combinados, vários progestágenos e análogos \ndo hormônio liberador de gonadotrofinas com terapia de reposição. O Objetivo deste traba-\nlho é investigar os resultados em termos de eficácia em pacientes com endometriose nos \nestudos escolhidos se a gestrinona é uma terapêutica eficaz.\nENDOMETRIOSE\nA endometriose é a presença de tecido endometrial fora do útero. Na maioria das vezes, \nesses focos de endometriose são encontrados na área pélvica (no peritônio, nos ovários, \nno intestino ou na bexiga), mas, com menos frequência, podem ser encontrados em outras \náreas, como pele ou pulmões1,2.\n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n72\n 73\nEstes focos se desenvolvem com base nos hormônios do ciclo menstrual e, como a \nmucosa uterina normal evolui ciclicamente e sangram. A endometriose é uma patologia de-\npendente de hormônios do corpo feminino, para a qual a ocorrência de crescimento benigno \ndo tecido é típica, em termos de propriedades funcionais, estrutura, cor e outro endométrio \nsemelhante. A zona de risco para o aparecimento de um foco de doença endometrioide \ninclui os órgãos da cavidade pélvica de uma mulher - os ovários, as trompas de falópio, os \nligamentos reto-uterinos, a seção retossigmóide do intestino inferior e a bexiga1.\nEssa patologia evolui imprevisivelmente. Em alguns casos, o paciente possui tecidos \nexternos ao útero que não evoluem, enquanto em outros, eles podem se desenvolver mais \nextensivamente2.\nÉ caracterizada como uma doença inflamatória, podendo causar aderências entre os \nórgãos. Além disso, essa condição pode ter graus diferentes:\n• Mínimo ou estágio I: ocorre quando existem implantes isolados sem aderências.\n• Leve ou estágio II: existem implantes superficiais anexados ou disseminados na \nsuperfície do peritônio e ovários.\n• Moderado ou estágio III: são apresentados múltiplos implantes caracterizados por \nserem superficiais ou invasivos. Existem aderências ao redor das trompas de faló-\npio ou do ovário1,2.\n• Grave ou estágio IV: nesse grau da doença, os implantes são múltiplos e profun -\ndos, além de produzir grandes cistos e aderências com grandes membranas2.\nExistem várias classificações de doenças endometriais. Porém, os principais são a \nclassificação de acordo com a concentração da doença e a classificação de acordo com a \nprofundidade dos danos nos tecidos do útero e genitais1. A tipologia devido à concentração \nde patologia distingue: A endometriose genital, que por sua vez é dividida em endometriose \ninterna (o útero é afetado) e endometriose externa (os ovários, trompas, vagina e órgãos \ngenitais externos).A endometriose extragenital é uma variante rara da doença endometrioi-\nde, na qual o tecido cresce em vários órgãos do peritônio pélvico e mesmo fora do sistema \nreprodutivo (intestino, apêndice, cavidade pleural, pele e outros órgãos)1,2.\nAs causas exatas da endometriose não são conhecidas, mas, de acordo com espe -\ncialistas, uma das opções pelas quais isso pode ocorrer é que, quando uma mulher está \nmenstruada, um fluxo retrógrado se desenvolve através do qual as células, através das \ntrompas de falópio podem retornar à pelve2,3. Os fatores internos do corpo incluem: distúrbios \nda imunidade, distúrbios hormonais, estresse e efeitos tóxicos. Uma diminuição da imuni -\ndade, em princípio, aumenta significativamente a sensibilização do corpo a várias doenças, \nespecialmente doenças que afetam o sistema reprodutor feminino. As violações da função \n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n74\nreguladora do sistema imunológico levam ao fato de que o tecido endometrial do útero cresce \nrapidamente e sem obstáculos no corpo do útero3.\nOs distúrbios hormonais também podem levar ao desenvolvimento da doença. Em uma \nsérie de estudos, verificou-se que na maioria dos pacientes com endometriose, o nível de \nhormônios esteróides no sangue aumentou significativamente no contexto de uma diminuição \nnos níveis de progesterona. Isto leva a uma diminuição no efeito da função androgênica das \nglândulas suprarrenais e, como resultado, o tecido endometrial começa a crescer3.\nOs especialistas distinguem uma forma familiar de endometriose, quando a doença é \ntransmitida ao longo da linha feminina no nível genético. Como resultado dos estudos, foi \nidentificado um gene marcador específico que determina a sensibilidade do corpo a fatores \ngerais e a possibilidade de desenvolver endometriose2,3.\nAs causas da metaplasia ainda não são claras, mas o fato da transição do tecido en -\ndometrial para outro tipo de tecido é comprovado. Talvez isso se deva aos efeitos tóxicos \nde fatores externos, como fumo, álcool e uso de drogas. Uma vez lá, eles são fixos e se \nmultiplicam, causando endometriose. Em relação a essa causa, alguns pesquisadores di -\nzem que pode ser devido a falhas no sistema imunológico das mulheres, embora seja uma \nhipótese que esteja sob investigação3,4.\nA endometriose é uma patologia que, em alguns casos, é hereditária, ou seja, pode \nser transmitida de mães para filhas e provavelmente começa quando a mulher começa a \nter períodos menstruais. Também existem fatores de risco que aumentam as chances de \nsofrer desta condição4:\n• O paciente tem uma mãe ou irmã que sofre desta doença ou nunca teve filhos.\n• O início dos períodos menstruais ocorreu em tenra idade e estes são caracteriza -\ndos por serem frequentes e / ou durar sete dias ou mais.\n• Ter o hímen fechado também pode bloquear o fluxo menstrual durante o período4,5.\nUma característica da endometriose é a tendência a se espalhar para os órgãos e \ntecidos circundantes, a germinação e a conexão em um único conglomerado. Pode crescer \nnas membranas mucosas, tecido muscular, serosa, fibra, pele e até osso. Endometriose \ntem a capacidade de metastizar. A disseminação de suas células é realizada por um fluxo \nsanguíneo ou linfático, também ocorre como resultado da ruptura de cistos endometrioides5.\nNo desenvolvimento da endometriose, vários fatores são importantes. O papel das \ncausas hormonais no desenvolvimento desta doença foi estabelecido. Nesse caso, é es -\nsencial um aumento no conteúdo do hormônio estrogênio e falta de progesterona. Na ocor-\nrência de endometriose, o trauma é de grande importância 4. Observa-se um aumento na \n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n74\n 75\nfrequência da endometriose com um aumento nas indicações de intervenções cirúrgicas \nnos órgãos pélvicos5,6.\nA doença até certo ponto pode ser assintomática. Quando o crescimento do tecido já \natinge uma determinada escala ou há um recurso de localização, a endometriose pode se \nmanifestar como dor pélvica. Esta é uma dor ou peso constante na parte inferior do abdômen, \nque pode aumentar antes e depois da menstruação, bem como durante a relação sexual, \ndurante a micção ou defecação, durante o esforço físico1,2. Os sintomas ocorrem dependendo \nda localização do tecido endometrioide. Por exemplo, com danos à espessura do útero, a \nendometriose pode se manifestar como menstruação dolorosa, pode haver manchas antes \ne depois da menstruação, a menstruação em si pode ser abundante. Se estes são ovários, \nocorrem cistos endometrioides3. Eles são visualizados em uma ultrassonografia. Se manchas \nde tecido crescerem na parede intestinal, pode haver uma violação do movimento intestinal \ne dor durante o movimento intestinal. Se o crescimento do endométrio ocorre na parte pos-\nterior do pescoço, a chamada endometriose retrocervical, pode haver dor durante a micção, \ndefecação, relações sexuais dolorosas3,4.\nOs mesmos sintomas ocorrem com a endometriose da vagina e períneo. A endome -\ntriose do colo do útero (por exemplo, como resultado de um trauma) pode se manifestar \ncomo manchas fora do ciclo menstrual, entre em contato com hemorragias. Esta localização \né mais favorável5,6.\nAlgumas manifestações da endometriose podem ser detectadas pelo ultrassom, mas \no exame laparoscópico dos órgãos fornece mais informações quando é possível observar \nvisualmente os focos da endometriose. Densidade tecidual e dor em algumas formas de \nendometriose podem ser suspeitas por palpação6.\nA lógica patogenética para o desenvolvimento da endometriose inclui 2 (dois) aspectos \nprincipais: Uma predisposição genética associada aos processos de metaplasia endome -\ntrial e realizada no contexto de alterações hormonais e imunológicas no corpo; fatores de \ntransporte (refluxo menstrual)6. O desenvolvimento da heterotopia no futuro pode seguir o \ncenário geral: implantação, invasão progressiva, disseminação linfogênica e / ou hemato -\ngênica. Um papel significativo no mecanismo de ocorrência e desenvolvimento da doença \nda endometriose genital é desempenhado por interrupções no funcionamento dos sistemas \nimunológico e retículoendotelial6,7.\nA principal complicação da endometriose é a dificuldade de concepção, que se trans-\nforma em infertilidade. Portanto, se uma mulher foi diagnosticada com endometriose de \ngravidade leve a moderada, mas ela planeja ter um bebê, nenhum médico o aconselhará \na adiar a gravidez6. O desenvolvimento de implantes endometrióides leva ao esgotamento \nprematuro da reserva ovariana e à síndrome do esgotamento prematuro do ovário. Além \n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n76\ndisso, mulheres com endometriose com mais frequência do que com outras doenças do \nsistema reprodutivo desenvolvem câncer de ovário (câncer de ovário)6,7.\nO diagnóstico de endometriose é baseado em exame físico, histórico médico, exame \nginecológico, diagnóstico histológico e instrumental, o diagnóstico final é através da video-\nlaparoscopia a qual coleta material para biopsia. Ao coletar uma anamnese, é dada atenção \nespecial à idade, uma predisposição genética à endometriose (hereditariedade), o primeiro \nsangramento menstrual (menarca), gravidez e aborto, a presença de doenças ginecológicas \ne extragenitais6. Os efeitos desses medicamentos estão bem documentados e os efeitos \ncolaterais são geralmente leves. Progestinas e Contraceptivos Orais Combinados COCs \nsão possíveis de usar ao longo dos anos5,6.\nO danazol, que era o padrão-ouro do tratamento da endometriose anteriormente, não \né usado muito hoje em dia, pois tem efeitos colaterais menos toleráveis. Gestrinona e mi-\nfeprestone também não são muito usadas. Muito esforço foi feito para desenvolver novos \nmedicamentos contra a endometriose com menos efeitos colaterais adversos. Estes incluem \ninibidores da aromatase, moduladores seletivos de receptores de progestina (MSRP), modula-\ndores seletivos de receptores de estrogênio, Moduladores Seletivos do Receptor de Estrógeno \n(MSRE), inibidores de angiogênese e inibidores de fator de necrose tumoral 6,7. A cirurgia \nainda é o único tratamento que potencialmente pode curar a doença, embora os sintomas \ntendam a se repetir com o tempo. Também é possível combinar tratamento cirúrgico e mé-\ndico, mas é apenas a cirurgia que melhora a fertilidade7,8.\nO uso do gestrinona\nA gestrinona foi introduzido para uso médico em 1986 por restos amplamente utili -\nzados na Europa, mas continua a ser comercializado em alguns países ao redor do mun -\ndo. A Gestrinona foi aprovada e utilizada para o tratamento de endometriose. O danazol, con-\nforme descrito nesta ação e efeito, também é usado no tratamento da endometriose, mas foi \nrelatado que é menos androgênico em comparação com seus efeitos colaterais8. A Gestrinona \ntambém tem sido usado para encolher miomas e reduzir a menorragia8,9.\nDevido aos efeitos antigonadotrópicos e à capacidade de inibir a ovulação, a contra -\ncepção hormonal em mulheres tem sido estudada como o método gesturerinon. Milhares \nde grandes estudos descobriram que os ciclos menstruais são eficazes na prevenção da \ngravidez. No entanto, apesar de sua eficácia, no grande estudo realizado, a taxa de gravidez \nfoi muito alta, uma taxa de falha do medicamento foi recomendada como um método seguro \nde 4,6 controle de natalidade.\nA gestrinona é usada no tratamento da endometriose genital e extragenital. Gestrinona é \num derivado da 19-nortestosterona designado como 13B-etil-17B-hidroxi-18,19-dinorpregn-e \n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n76\n 77\n11 trienna9. O composto e seus metabólitos hidroxilados ativos têm atividade antiestrogênica, \nantiprogestacional e androgênica. Gestrinona inibe a foliculogênese e suprime aumento de \ngonadotrofinas no meio do ciclo menstrual e, consequentemente, produz uma diminuição \nno estrogênio, anovulação e amenorreia. É possível que a gestrinona atue através dessa \ndiminuição do suporte estrogênico da endometriose ou que tenha efeitos diretos devido \nantiestrogênico, antiprogestacional e androgênico8,9.\nA ação antiestrogênica se deve ao fato de que a gestrinona diminui a concentração de \nreceptores estrogênios e sua reciclagem no nível endometrial; este efeito antiestrogênico \npode ser responsável pela atrofia endometrial, apesar da presença de concentrações de \npróprio estradiol da fase folicular9. Por outro lado, a gestrinona possui atividade androgênica \nintrínseca e parcialmente devido a um aumento na proporção de testosterona.\nOs principais efeitos colaterais encontrados são ganho de peso, acne, seborreia, rouqui-\ndão e hirsutismo. A gestrinona é mais tolerada que o danazol. Esta molécula é, na realidade, \njá comercializada com a indicação “endometriose” em alguns países7,8. As recomendações do \nESHRE 2013 colocam-no em outro lugar da estratégia tratamento terapêutico da dor pélvica \nligada à endometriose no mesmo nível das associações estrogênio-progestinas, progestinas \nisoladamente, danazol ou agonistas de GnRH a longo prazo. Sua eficácia é semelhante à \ndessas outras moléculas9.\nRESULTADOS\nApós a identificação, foi realizada a leitura do título. Quando existiu a possibilidade \nde contribuição do trabalho para elaboração da pergunta de pesquisa, foi realizada então a \nleitura do resumo e, posteriormente, do texto integralmente. Apenas após estas, o artigo foi \nentão considerado incluído no estudo. Trabalhos repetidos foram automaticamente excluídos. \nForam selecionados 20 artigos, em seguida, foram excluídos 07 artigos após a leitura dos \nreferidos títulos, restando 13 artigos para análise seguinte. Destes, 13 artigos foram excluí-\ndos 03 por serem duplicados, resultando em 10 artigos. Após a leitura prévia dos referidos \nresumos, 01 artigo foi excluído, restando para análise 09 artigos na íntegra.\n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n78\nNº do \ntexto\nAno de\nPublicação Título do Documento Referências bibliográficas do documento Objetivo\n1 2009 Endometriose intestinal: \numa doença benigna?\nMARTINS JT, ROBAZZI MCC, BOBROFF MCC. Prazer \ne sofrimento no trabalho da equipe de enferma -\ngem: reflexão à luz da psicodinâmica Dejouriana. \nRev Esc Enferm USP 2010.\nA doença geralmente envolve todas as trompas de \nfalópio, ovários, intestinos ou tecidos do assoalho \npélvico. O tecido endotelial circundante pode ser \nirritado, doloroso, formando cicatrizes e vesículas \nque dificultam a gravidez das mulheres, ferindo as \ntrompas de falópio, trompas de falópio, distúrbios \nda ovulação, causando infertilidade nas mulheres.\n2 2010\nAspectos epidemiológicos \ne clínicos da endometrio-\nse pélvica – uma série de \ncasos\nBelleli P , Dias Junior JA, Podgaec S, Gonzales M, \nBaracat EC, Abrão MS. Aspectos epidemiológicos e \nclínicos da endometriose pélvica – uma série de ca-\nsos. Rev Assoc Méd Bras 2010; 56 (4): 467-471. [ci-\ntado 16 de janeiro de 2018]. Disponível em:http://\nwww. scielo. br/ pdf/ ramb/ v56 n4/ 22.pdf.\nA dor pélvica com endometriose é um parâmetro -\n-chave que afeta negativamente a qualidade de \nvida dos pacientes. É difícil objetivar, uma vez que \na gravidade da dor é subjetiva, tendo em vista as \ndiferenças individuais no limiar da sensibilidade à \ndor.\n3 2010\nEstrogen and progestero-\nne receptors in smooth \nmuscle component of \ndeep infiltrating endome-\ntriosis.\nNoel, J,C. et al. Estrogen and progesterone recep -\ntors in smooth muscle component of deep infiltra -\nting endometriosis. Fertil Steril, v. 93, p. 1774-1777, \n2010.\nO objetivo do estudo foi analisar as condições en -\ndometriais ocorrem em muitas partes do corpo em \nresposta a mudanças no hormônio feminino estro-\ngênio. Esses tecidos “dispersos” podem se desen -\nvolver, causando sangramento semelhante ao re -\nvestimento uterino no ciclo menstrual. Além disso, \nessa condição afeta os tecidos circundantes, cau -\nsando irritação, inflamação e inchaço. A destruição \ne sangramento desses tecidos a cada mês causa a \nformação de tecido cicatricial, chamado adesão.\n4 2012 Pílulas Anticoncepcionais.\nMattos, J. M. Pílulas Anticoncepcionais. Projeto \nPIBID (Licenciatura) da Universidade Estadual de \nCampinas, 2012, 7f., Campinas, mar. 2012.\nAo usar medicamentos para tratar a endometriose \ncom a substância ativa danazol, a dor é reduzida. \nÉ prescrito para aliviar a dor, tratar a infertilida -\nde com endometriose e impedir a progressão da \ndoença.O tratamento hormonal da endometriose \npode ser realizado usando drogas com gestrinona. \nTem um efeito antigonadotrópico.\nOs efeitos colaterais do danazol e da gestrinona \nestão associados à criação de um ambiente hipoes-\ntrogênico e às propriedades androgênicas.\n5 2014 Endometriose: do diag-\nnóstico ao tratamento.\nMarqui ABT. Endometriose: do diagnóstico ao trata-\nmento. Rev Enferm Atenção Saúde 2014;\nO tratamento hormonal da endometriose é base -\nado no uso de drogas que podem normalizar os \novários e bloquear a formação de focos de endo -\nmetriose. Para o tratamento da endometriose com \nhormônios, são utilizados comprimidos com com -\nposição semelhante aos contraceptivos. Estas são \ndrogas do grupo danazol, gestrinona e decapeptil. \nO tratamento hormonal da endometriose leva um \nlongo período de até seis meses ou mais. No trata-\nmento, são utilizados comprimidos que aliviam a \ndor na endometriose.\n6 2010\nEnfermagem na Saúde \ndas Mulheres, das Mães \ne dos Recém-Nascidos: o \ncuidado ao longo da vida.\nOrshan SA. Enfermagem na Saúde das Mulheres, \ndas Mães e dos Recém-Nascidos: o cuidado ao lon -\ngo da vida. São Paulo: Artmed, 2010. [11 de Março \nde 2020].Disponível em:https://books.google.com.\nbr/books?id=NStADQAAQBAJ &pg=PA183&dq=e -\ntiologia+da+endometriose&hl=pt- BR&sa=X&re -\ndir_esc=y#v=onepage&q=etiologia%20da%20 en -\ndometriose& f= false.\nO presente estudo teve por objetivo analisar os \nprincipais aspectos da endometriose com desta -\nque no diagnóstico e tratamento desta patologia.\n7 2013\nComo diagnosticar e tra-\ntar o tromboembolismo \nvenoso.\nVeiga, A. G et al. Como diagnosticar e tratar o trom-\nboembolismo venoso. Lilacs, v. 13, n. 10, p. 335-\n341, maio/jul. São Paulo, 2013.\nA endometriose, um processo patológico carac -\nterizado pelo crescimento e desenvolvimento de \ntecidos semelhantes em estrutura e função ao en -\ndométrio, além dos limites da localização normal (a \nmembrana mucosa do útero), é um dos problemas \nurgentes da medicina moderna. Em relação aos \nmecanismos de desenvolvimento da endometrio -\nse, vários pontos de vista são expressos, muitas \nvezes diametralmente opostos. As principais mani-\nfestações clínicas da endometriose são dor (disme-\nnorreia, dispareunia, etc.) e infertilidade\n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n78\n 79\nNº do \ntexto\nAno de\nPublicação Título do Documento Referências bibliográficas do documento Objetivo\n8 2011\nWaiting for Godot: a \ncommonsense approach \nto the medical treatment \nof endometriosis\nVercellini, P . et al. Waiting for Godot: a common -\nsense approach to the medical treatment of endo -\nmetriosis. Human Reproduction, v. 26, n. 1, p. 3-13, \n2011.\nO tratamento da endometriose no primeiro estágio \ndeve incluir a remoção cirúrgica da heterotopia. No \nsegundo estágio, é recomendável o uso de terapia \nhormonal. A endometriose é tradicionalmente \nconsiderada uma doença persistente e recorrente \nque requer tratamento em longo prazo. Os prin -\ncipais especialistas de sociedades internacionais, \natentos à segurança e tolerabilidade dos medica -\nmentos.\n9 2014\nAssociations of coagula-\ntion factor V Leiden and \nprothrombin G20210A \nmutations with Budd–\nChiari Syndrome and \nportal vein thrombosis: \na systematic review and \nmeta-analysis.\n.Xingshun, Q. I. et al. Associations of coagulation \nfactor V Leiden and prothrombin G20210A mu -\ntations with Budd–Chiari Syndrome and portal \nvein thrombosis: a systematic review and meta-a-\nnalysis. Clinical gastroenterology and hepatology, \nShenyang, v. 12, n. 11, p. 1801-1812, nov. 2014.\nA gestrinona, que é um derivado da 19-norstero -\nna e simultaneamente apresenta efeitos andro -\ngênicos, progestagênicos, antiprogestagênicos e \nantiestrogênicos, também é amplamente utilizada \nna prática médica. Acredita-se que o mecanismo \nde sua ação se baseie na diminuição do nível de \nestrogênio e progesterona, no aumento do nível de \ntestosterona livre, na atividade celular e na atrofia \ndas heterotopias endometrióides. Por via de regra, \na amenorréia enquanto toma gestrinona ocorre a \npartir do segundo mês de uso do medicamento. A \ndroga é caracterizada por alta eficácia clínica, os \nefeitos colaterais são semelhantes aos do danazol\nDISCUSSÕES\nA dimetriose contêm o ingrediente ativo gestrinona, que é um hormônio esteróide sinté-\ntico que se assemelha a um grupo de hormônios sexuais naturais (andrógenos) encontrados \nno corpo. Atua na glândula pituitária no cérebro1. A gestrinona inibe a produção de hormônios \nchamados gonadotrofinas pela glândula pituitária. As gonadotrofinas normalmente estimulam \na produção de hormônios sexuais, como estrogênio e progestogênio, responsáveis   por pro-\ncessos corporais, como menstruação e ovulação. Gestrinona reduz a produção e liberação \ndesses hormônios sexuais2,3.\nA endometriose é uma condição na qual o tecido semelhante ao revestimento do \nútero ou do útero (endométrio) cresce em outros locais do corpo 1,2. O crescimento desse \ntecido é estimulado pelo estrogênio, portanto, a diminuição dos níveis de estrogênio com a \ngestrinona interromperá o crescimento desse tecido, aliviando os sintomas. Os principais \nefeitos colaterais registrados foram seborreia e acne, que diminuíram após a interrupção do \ntratamento. O tratamento da endometriose com gestrinona oferece a vantagem de eliminar \neficazmente as lesões com dosagem relativamente baixa e liberta o paciente da administração \ndiária de medicamentos requeridos por terapias hormonais conservadoras semelhantes3,4.\nA primeira dose deste medicamento deve ser tomada no primeiro dia do seu ciclo \nmenstrual (o primeiro dia do seu período), seguida pela segunda dose três dias depois 4. \nPosteriormente, a dose deve ser tomada nesses mesmos dois dias de cada semana, de \npreferência no mesmo horário5,6. Supressor da liberação de gonadotrofinas hipofisárias, a ges-\ntrinona inibe o desenvolvimento do endométrio pela interação com receptores androgênicos. \nAlém disso, interage com receptores estrogênicos apresentando atividade antiestrogênica \n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n80\njunto aos receptores da progesterona como agonista fraco no endométrio e antagonista em \noutros tecidos, já com os receptores androgênicos, apresentam atividade androgênica par-\ncial, sendo a via vaginal a via que têm sido investigadas com finalidade de reduzir os efeitos \nadversos de natureza androgênica6.\nRecomenda-se o uso de métodos contraceptivos de barreira (não-hormonais) durante \na terapia tendo os efeitos androgênicos reversíveis e transitórios. Em estudos recentemente \nrealizados, observou-se que a gestrinona ocasiona alívio quanto a dor pélvica relacionada \nà endometriose e redução das lesões relacionadas a mesma6, 7.\nO mecanismo de ação gestrinona é complexo e versátil. Ele mostra alta afinidade pelo \nreceptor de progesterona, bem como baixo receptor de andrógeno. O medicamento possui \natividade progestogênica e antiprogestogênica mista - isto é, um agonista parcial ou um mo-\ndulador seletivo de receptores de progesterona - e um fraco agonista ou um esteroide ana-\nbólico-androgênico8.Da mesma forma, o danazol se move fracamente, o gestrinona suprime \na glândula pituitária e o aumento no meio do ciclo através da ativação da antonadotrofina. \nDurante o hormônio luteinizante e o hormônio folículo-estimulante, sem afetar os níveis ba-\nsais do ciclo menstrual. O composto também reduz os níveis de circulação no fígado através \nda esteroidogênese ovariana e ativação da AR, globulina de ligação a hormônios sexuais, \nresultando em níveis aumentados de testosterona livre. Verificou-se que a gestrinona se liga \nao receptor de estrogênio com afinidade relativamente “ambiciosa”. O endométrio da droga \ncom atividade antiestrogênica funcional. Ao contrário do Danazol, a gestrinona SHBG ou \ninvisível para ligarglobulina de ligação a corticosteróides8,9.\nGestrinona também inibe a secreção gonadotrofina e por que a amenorreia ou a oligo-\nmenorréia é uma alta porcentagem de mulheres. Da mesma forma, a circulação foi reduzida \nem 50%, o que pode resultar em níveis de estradiol, deficiência de estrogênio e sintomas \nrelacionados. Se se constatar que o gestrinona oral é 100% de amenorreia em um dia de \nestudo de 5 mg, os estudos de 2,5 mg de gestrinona oral duas vezes por semana encon -\ntraram uma taxa de 50 a 58% de amenorréia 9.Verificou-se que a gestrinona vaginal exibe \nmenos efeitos colaterais androgênicos e ganho de peso do que a gestrinona oral com eficácia \nequivalente na endometriose. A gestrinona parece mostrar eficácia semelhante ao Danazol \nno tratamento da endometriose, mas com menos efeitos colaterais, em particular efeitos \ncolaterais androgênicos9.\nCONSIDERAÇÕES FINAIS\nVerificou-se que o gestrinona vaginal apresenta menos efeitos colaterais androgê -\nnicos e mostra que o ganho de peso é equivalente à eficácia da endometriose do que \no gestrinona oral. O gestrinona é o principal efeito colateral na natureza androgênica e \n\nCiências da Saúde: desafios, perspectivas e possibilidades - Volume 1\n80\n 81\nantiestrogênica. As mulheres em 2,5 gestrinona mg por via oral duas vezes por semana de \nestudo, sofrem de descamação, por acne, em hipoplasia mamária, por hirsutismo e couro \ncabeludo perda de cabelo. Em outro estudo, a taxa de efeitos colaterais androgênicos foi \nsemelhante a 50%. Outros efeitos colaterais androgênicos relatados, pele e cabelos oleosos, \nganho de peso, aprofundamento do som e aumento do clitóris, além de hirsutismo, podem \nser os dois últimos irreversíveis. O medicamento é contraindicado na gravidez, durante a \nlactação e em pacientes com insuficiência cardíaca grave, rim ou hepatite. Também é con-\ntraindicado para pacientes que sofreram doença metabólica e / ou vascular durante terapia \nanterior com estrogênio ou progestina ou que são alérgicos ao medicamento. O medicamento \né contraindicado em crianças9.\nO mecanismo de ação comum é a inibição da ovulação e a criação de um clima hormo-\nnal estável que evita o sangramento do endométrio anormalmente implantado. Além disso, \no tratamento induz a uma forte redução nos níveis de estrogênio. Como a endometriose é \nestimulada pelo estrogênio, em uma situação de hipoestrogenismo, a doença regride tempora-\nriamente. Recomenda-se o uso contínuo da pílula contraceptiva, ou seja, evitando o intervalo \nmensal que induz o sangramento uterino. As interações com outros medicamentos podem \nafetar o funcionamento dos medicamentos e aumentar o risco de efeitos colaterais perigosos.\nREFERÊNCIAS\n1. Bassi MA, Podgaec S, Dias Júnior JA, Sobrado CW; Amico Filho N Abrão MS. Endometriose \nintestinal: uma doença benigna? Rev Assoc Med Bras  2009; 55(5). [citado 22 de janeiro de \n2018].Disponível em:< http://www.scielo. br/pdf/ramb/v55n5/29.pdf>.\n2. Belleli P, Dias Junior JA, Podgaec S, Gonzales M, Baracat EC, Abrão MS. Aspectos epide -\nmiológicos e clínicos da endometriose pélvica – uma série de casos. Rev Assoc Méd Bras  \n2010; 56 (4): 467-471. [citado 16 de janeiro de 2018]. 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