{"paper_id":"501e3b97-958b-4e3a-a7f5-7dd4899d23a9","body_text":"UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO \nFACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO \n \n \n \n \n \n \n \nADRIANA PETERSON MARIANO SALATA ROMÃO \n \n \n \nO Impacto da Ansiedade e Depressão na Qualidade de Vida de \nmulheres com Dor Pélvica Crônica \n \n \n \n \n \n \n \nRibeirão Preto \n2008 \n\n \nADRIANA PETERSON MARIANO SALATA ROMÃO \n \n \n \n \n \n \n \n \nO Impacto da Ansiedade e Depressão na Qualidade de Vida de \nmulheres com Dor Pélvica Crônica \n \nDissertação de mestrado apresentada à \nFaculdade de Medicina de Ribeirão Preto da \nUniversidade de São Paulo para obtenção do \ntítulo de Mestre em Biologia da Reprodução. \n \nÁrea de concentração: Biologia da \nReprodução \n \n \n \n \n \nOrientador: Prof. Dr. Antonio Alberto Nogueira \n \n \n \n \n \n \n \n \nRIBEIRÃO PRETO \n2008 \n\n \nAutorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio \nconvencional ou eletrônico, para fins de pesquisa, desde que citada à fonte. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n          Romão, Adriana Peterson Mariano Salata \n \nAvaliação da prevalência de Ansiedade e Depressão e o Impacto na \nQualidade de Vida de Mulheres com Dor Pélvica Crônica. Ribeirão \nPreto, 2008. 89 p.: Il.; 30 com \n \nDissertação de Mestrado, apresentada à Faculdade de Medicina \nde Ribeirão Preto/USP – Área de concentração: Biologia da \nReprodução \nOrientador: Nogueira, Antonio Alberto \n \n1. Dor Pélvica Crônica. 2. Ansi edade. 3. Depressão. 4. \nQualidade de vida. \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n“Ser homem é precisamente ser responsável. \nE sentir vergonha diante da miséria, \nMesmo quanto ela não, parece ter qualquer relação com você. \n \nÉ ter orgulho de uma vitória dos companheiros. \n \nÉ sentir, ao colocar a sua pedra, que você está contribuindo para  \n \nconstruir o mundo” \n \n \n \n(Antonie de Saint – Exupéry) \n \n \n\n \nDedico este trabalho... \n \n...A Deus, por estar comigo durante todo o processo deste trabalho. \n \n \n...Ao Gustavo, meu esposo, grande companheiro e incessante incentivador na busca de meus \nideais. Obrigada pelo amor, dedicação, amizade e parceria. Obrigada por estar comigo “para o \nque der e vier”. Com amor... \n \n...A minha linda filha Luísa, obrigada por iluminar nossas vidas, fruto de um lindo amor e \num sonho realizado. \n \n \n... Aos meus pais, João e Nilcéa, minha gratidão e orgulho, que apesar de não obterem mais \nque a formação primária, souberam transmitir a importância da formação acadêmica, pessoal \ne profissional e que apesar da distância que nos separa significam muito para mim. \n \n...Aos meus queridos irmãos: Anderson, Alex, Alysson, Aliane, Arley, Aline e Alan. \nCunhados: Ivone Luiz Carlos e Sandra. Sobrinho: Lucas. \nObrigada por vocês existirem na minha vida. Sinto muito a falta de vocês perto de mim. \n \n \n...Aos meus sogros Dayse e Erasmo, pelo incentivo, atenção e apoio. Obrigada por fazer \nparte da minha vida. Agradeço também pelas muitas vezes que estiveram com a Luísa para \nque eu pudesse finalizar este trabalho. Difíceis foram os momentos que precisei trocá-la pelo \ncomputador, mas sei que esse esforço valerá à pena. \n \n \n\n \n...Ao meu orientador, Prof. Dr. Antonio Alberto Nogueira, pela \nconfiança e paciência ao longo deste trabalho. Agradeço pela \ncompreensão em momentos difíceis e o respeito pelos meus \nideais.Obrigada pelos conhecimentos compartilhados, por sua \norientação dedicada e pelo apoio durante toda a elaboração deste \ntrabalho. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, \n \n mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem  \n \nmomentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e \n \npessoas incomparáveis.\" \n \n \n  \n(Fernando Pessoa) \n \n \n \n \n \n \n\n \nAGRADECIMENTOS ESPECIAIS \n \n...Aos meus cunhados Alexandre e a Fabiana, pela atenção a mim dada. \n \n...A Neuza Salata Brandão por toda a ajuda e pela revisão ortográfica. \n \n...Ao Wagner (Bali) pela ajuda com a Luísa. \n \n...A toda minha família de Belo Horizonte e de “Ribeirão” pela torcida, ajuda e por todos os \nmomentos que passamos juntos, em especial à minha tia Fátima (in memoriam), pois mesmo \nnão estando aqui conosco, participou do meu desenvolvimento tanto como pessoa como \nprofissional e que com certeza estaria muito feliz com este resultado.  \n \n...Ao Centro de Convivência Infantil, por cuidar tão bem da minha filha, me deixando \ntranqüila na execução deste trabalho. \n \n...A grande mestre e amiga, Lúcia Alves da Silva Lara. Obrigada pelo incentivo \nincondicional no meu aprendizado em relação à sexualidade humana e por trabalharmos \njuntas no Ambulatório de Sexualidade Humana. Obrigada por sonharmos juntas por este \nideal. \n \n...À Flávia Raquel Rosa Junqueira e Alessandra Ricci Dias Manganaro, pela amizade e \nparceria profissional, que germinou e cresceu durante nossas viagens a São Paulo, para o \ncurso de especialização em Terapia Sexual.  \n\n \n... Aos meus amigos, aqui de Ribeirão, por todo o aprendizado que vocês me \nproporcionaram e por tornarem a nossa vida sempre melhor. Em especial: Dagmar, Celinha, \nMarcinha, Sabrina, Simone, Aline, Lulu, Aline Tamara, Andréa, Márcia, Liliane, Maíra, Ivy. \n  \n...A todos que, direta ou indiretamente, colaboraram com este trabalho. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \nAGRADECIMENTOS \n \n \nA todas as mulheres com do Ambulatório de Dor Pélvica Crônica do HCFMRP-USP e do \nAmbulatório de Ginecologia do CSE, que, atra vés de seu sofrimento físico e emocional \ntornaram possível a idealização e realização de ste trabalho. Obrigada pelo conhecimento \nadquirido e colaboração neste estudo. \n \nAo Prof. Dr. Ricardo Gorayeb, pela oportunidade me dada na realização de um sonho deste os \ntempos de estagiária. \n \nAo Prof. Dr. Francisco José Candido dos Reis, pelas sugestões na elaboração da versão final \ndesta dissertação e por participar da apreciação deste trabalho. \n \nA Profa Dra Valéria Barbieri, pelas correções e sugestões dadas na finalização deste trabalho \ntendo como resultados grandes contribuições.  \n \nAo Prof. Dr. Omero Benedicto Poli Neto pela participação em minha banca de qualificação e \npor todo o apoio e incentivo na execução deste trabalho. \n \nA Profa Dra Maria Helena Sarti pela particip ação em minha banca de  qualificação e pelas \nsugestões colocadas. \n \n\n \nA todos profissionais do Ambulatório de Do r Pélvica Crônica pela  cooperação e pelo \nincentivo. Agradecimento especial ao Júlio César Rosa e Silva pelas vári as dicas e sugestões \ndadas. \n \nA todos os funcionários e amigos do Se rviço de Psicologia do HCFMRP-USP que \nparticiparam direta ou indiretamente deste trabalho. \n \nAos companheiros de pós-graduação pela experiência vivenciada durante este percurso. \n \nÀ Taísa, Rosane, Reinaldo e Ricardo, pela colaboração durante a pós-graduação. \n \nA todos os funcionários, docentes e médicos a ssistentes do Departamento de Ginecologia e \nObstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeir ão Preto. Agradecimento especial a Ilza, pela \ncompetência, disponibilidade e colaboração durante a pós-graduação. \n \nA Sra. Elletra Greene, pela disposição e colaboração. \n \nAo CNPQ pelo apoio financeiro deste trabalho.  \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nRESUMO \n \n \n \n \n \n\n \nRESUMO \n \nROMÃO, AP.M.S. O Impacto da Ansiedade e Depressão na qualidade vida de mulheres \ncom Dor Pélvica Crônica. 2008. 89p. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação \nem Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São \nPaulo.  \n \nIntrodução: A Dor Pélvica Crônica (DPC)  tem sido definida como dor pélvica não \nexclusivamente menstrual, com duração de pelo menos seis meses, suficientemente intensa \nque pode interferir em atividades habituais, n ecessitando de tratamento clínico e/ou cirúrgico. \nPacientes portadoras de DPC tem apresentado altos níveis de ansiedade e depressão desta \nforma tem havido um comprometimento na sua qualidade de vida. Objetivos: verificar o \nimpacto da ansiedade e depressão na qualidade de  vida de mulheres com dor pélvica crônica. \nCasuísticas e Métodos:  foi realizado um estudo do tipo tr ansversal, no qual foram incluídas \n52 pacientes com dor e 54 sem dor. A depressão e a ansiedade foram avaliadas pela escala \nHospital Anxiety and Depression Scale - HAD  e a qualidade de vida foi avaliada pelo World \nHealth Organization Quality of life – Whoqol-bref. Para análise estatística foram utilizados os \ntestes U de Mann-Whitney, Exato de Fisher, X² e o teste de Spearman. Resultados: A \nfreqüência de ansiedade nos grupos com dor e controle foram respectivamente 73% e 37% \n(p=0, 0001) e de depressão foram respectivamente 40% e 30% (p=0, 0269). Houve correlação \nsignificativa entre os escores de ansiedade e depressão (p<0, 0001; r= 0, 6418). Quanto aos \nescores de qualidade de vida observaram-se dife renças significativas entre os domínios físico \n(p<0, 0001), psicológico (p<0, 003) e social (p<0, 005), não havendo diferenças significativas \nno domínio ambiental (p=0, 610) entre os grupos. Foram comparadas no grupo com dor, \npacientes com e sem ansiedade quanto aos escores de qualidade de vida, observando-se níveis \nsignificativamente mais elevados nos domíni os físico (p=0, 0011), psicológico (p<0, 0001), \n\n \nsocial (p=0, 0186) e ambiental (p=0, 0187) nas pacientes sem ansiedade. Neste mesmo grupo, \nforam comparadas as pacientes com e sem depressão quanto aos escores de qualidade de vida, \nobservando-se níveis significativamente mais el evados para os domínios físico (p=0, 003), \npsicológico (p<0, 0001), social (p =0, 0015) e ambiental (p=0, 0048). Conclusões: As \npacientes com DPC apresentam índices de ansiedade e depressão maiores que o grupo \ncontrole e a sua qualidade de vi da está diminuída. Quanto maio res os escores de ansiedade e \ndepressão, menores os escores de qualidade de vida. Mais estudos são necessários para \ncomprovar efetivamente estas associações. No entanto, uma avaliação bem realizada e o \nacompanhamento psicológico podem auxiliar no tratamento da dor pélvica crônica, \nobjetivando melhorar a qualidade de vida dessas pacientes.  \n \nPalavras-chave: Dor Pélvica Crônica, Ansiedade, Depressão, Qualidade de vida. \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nABSTRACT \n \n \n \n \n\n \nABSTRACT \n \nROMÃO, AP.M.S. Evaluation of the Prevalence of Anxiety and its Impact on the Quality \nof Life of Women with Chronic Pelvic Pain . 2008. 89p. Master’s thesis – Programa de Pós-\nGraduação em Ginecologia e Obstetrícia, Fa culdade de Medicina de Ribeirão Preto, \nUniversidade de São Paulo.  \n \nIntroduction: chronic pelvic pain (CPP) has been de fined as pain pelvic not exclusively \nmenstrual, with duration of at least six m onsths, enough intense that can intervene with \nactivities, nedding clinical and/or surgical trea tment. Patients with CPP have high levels of \nanxiety and depression, with a consequent impairment of  their quality of life. Objectives: to \nverify the impact of the anxiety and depression in th e quality of life of women with chronic \npelvic pain. Patients and Methods: 52 patients with pain and 54 without pain were included \nin a cross-sectional controlled study. Depression and anxiety were assessed using the Hospital \nAnxiety and Depression Scale ( HAD and quality of life was a ssessed using the World Health \nOrganization Quality of life – WHOQOL-bref ques tionnaire. Data were analyzed statistically \nby the Mann-Whitney U test, the Fisher exact test, the X² test, and the Spearman correlation \ntest. Results: The frequency of anxiety was 73% in the study group and 37% in the control \ngroup (p=0.0001) and the frequency of depr ession was 40% and 30%, respectively \n(p=0.0269). There was a significant correlation be tween anxiety and depression scores (p<0, \n0001; r= 0.6418). Regarding the quality of life sc ores, significant differences were observed \nbetween groups for the physical (p<0.0001), psychological (p<0.003) and social (p<0.005) \ndomains, with no difference for the environmental domain (p=0.610). When patients with and \nwithout anxiety in the study gr oup were compared in terms of quality of life scores, \nsignificantly higher levels were detected in the patients without anxiety regarding the physical \n(p=0.0011), psychological (p<0.0001), social (p=0.0186) and environmental (p=0.0187) \ndomains. When patients with and without depression were co mpared in this same group \n\n \nregarding quality of life scores, significantly higher levels were observed for the physical \n(p=0.003), psychological (p<0.0001), social  (p=0.0015) and environmental (p=0.0048) \ndomains. There was a significant correlation be tween anxiety and depression scores (p<0. \n0001; r= 0.6418). Conclusions: patients with CPP present higher anxiety and depression \nindices than control wo men and their quality of life is reduced. The higher the anxiety and \ndepression scores, the lower the quality of life scores. More studies are necessary to prove \nthese associations effectively . Thus, evaluation and psychological  monitoring can be of help \nfor the treatment of CPP in order to improve the quality of life of affected patients.  \n \n \nKey-words: Chronic Pelvic Pain, Anxiety, Depression, Quality of life. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nLISTA DE GRÁFICOS \n\n \nLISTA DE GRÁFICOS \n \nGráfico 1 - Comparação entre as medianas dos escores de ansiedade e depressão para os \ngrupos com DPC e controle ..................................................................................................... 50 \n \nGráfico 2 - Comparação entre as medianas dos  escores de qualidade de vida entre os \ngrupos com DPC e controle ..................................................................................................... 51 \n \nGráfico 3 - Correlação entre os escores de ansiedade e tempo do grupo de DPC.................... 54 \n \nGráfico 4 – Correlação entre os escores de depressão e tempo do grupo de DPC................... 54 \n \nGráfico 5 – Correlação entre os escores de ansiedade e os escores de depressão do grupo de \nDPC ................................................................................................................................................... 54 \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nLISTA DE TABELAS \n\n \nLISTA DE TABELAS \n \n \n \n \n \nTabela 1- Caracterização dos grupos com DPC e controle quanto às características sócio-\ndemográficas............................................................................................................................. 45 \n \nTabela 2- Comparação entre os escores de qualidade de vida (medianas) entre as \npacientes com e sem ansiedade e depressão do grupo com DPC ............................................ 52 \n \nTabela 3- Comparação entre os escores de qualidade de vida (medianas) entre as \npacientes com e sem ansiedade e depressão do grupo com controle........................................ 53 \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nLISTA DE ABREVIATURAS \n\n \nLISTA DE ABREVIATURAS \n \n \n \n \n \nDPC: Dor Pélvica Crônica \n \nHAD: Hospital Anxiety and Depression Scale \n \nWHOQOL: World Health Organization Quality of Life \n \nHCFMRP-USP: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto \n \nIDATE: Inventário de Ansiedade Traço-Estado \n \nFCM: Faculdade de Ciências Médicas \n \nUNICAMP: Universidade Estadual de Campinas \n \nOMS: Organização Mundial de Saúde \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \nSUMÁRIO \n\n \nSUMÁRIO \n \n \n1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................26 \n1.1. Dor Pélvica Crônica .......................................................................................................26 \n1.2. Fatores Psicológicos.......................................................................................................30 \n \n2. OBJETIVOS .......................................................................................................................41 \n2.1. Objetivo geral.................................................................................................................41 \n2.2. Objetivos Específicos..................................................................................................... 41 \n \n3. CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................................................43 \n3.1. Casuística .......................................................................................................................43 \n3.2. Métodos..........................................................................................................................44 \n3.3. Análise dos Dados..........................................................................................................47 \n3.4. Aspectos Éticos ..............................................................................................................48 \n \n4. RESULTADOS ...................................................................................................................50 \n \n5. DISCUSSÃO .......................................................................................................................56 \n \n6. CONCLUSÕES...................................................................................................................63 \n \n7. PERSPECTIVAS FUTURAS............................................................................................65 \n \n8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................67 \n \n9. ANEXOS .............................................................................................................................80 \n \n \n\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n1. INTRODUÇÃO \n \n \n \n \n\n \n \n \n26\n1. INTRODUÇÃO \n \n1.1. Dor Pélvica Crônica \n \nA doutrina dos cinco sentidos atribuída a Aristóteles não fazia menção à dor, da mesma \nforma que seu antecessor Platão. Ambos coloca ram a dor lado a lado ao prazer com paixões \nda alma. No antigo testamento, a dor foi considerada como uma forma de castigar os \npecadores e uma maneira de provação para os justos. Com o advento do Cristianismo, a dor \nfoi vista de maneira definida como forma de iluminação ou de obtenção de graças e até como \nsacramento (Bonica JJ, 1953).  \nA palavra latina “poena” e a grega “poin é”, ambas significando castigo, punição, deram \norigem ao termo inglês “pain”, mostrando a conotação entre castigo e dor (Bond MR, 1984). \nDesta forma, a dor foi sacralizada e considerad a como “boa para a alma”. A partir desta \népoca, todas as pesquisas ligadas a erradicação da dor foram desencorajadas, atrasando assim, \npesquisas relativas ao fenômeno doloroso. \nNo século XIX, a dor começou a ser estu dada por fisiologist as e discutida por \npsicólogos e filósofos, tendo como objetivo dar opiniões de acordo com seus interesses \n(Iannetta O, 2000). A massa dos trabalhos de pesquisa favoreceu os fisiologistas, e a teoria da \ndor como sensação foi aceita de maneira geral, inclusive pelos psicólogos, no começo do \nnosso século e, desta forma, a opinião tradicio nal defendida pelos filósofos foi posta de lado \n(Bonica JJ, 1953). \nMas o pêndulo tinha ido muito longe, leva ndo vários estudiosos do século XX a \nconsiderarem o componente psicológico ou re ativo da sensação dolorosa, reconhecendo a \nemoção como um fator importante na dor, mant endo, entretanto, a dualidade entre sensação e \nreação emocional (Lobato O, 1992). Merskey e Sp ear (1967) analisaram esta dicotomia que \n\n \n \n \n27\nrepresentava a dualidade cartesiana – alma/c orpo, propondo então, uma definição para a dor \nque abrange os dois aspectos e que serviu como  base para o conceito estabelecido em 1979, \npela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP). \nEm termos gerais, a dor é uma manifestação subjetiva, tratando-se de uma experiência \nsensorial e emocional desagradável decorrente  da lesão real ou po tencial dos tecidos do \norganismo, variando sua apreciação de pessoa pa ra pessoa, envolvendo mecanismos físicos, \npsíquicos e culturais (IASP, 1979). Em casos em que ocorre agressão do tecido, há um \ncomprometimento patológico que muitas vezes pr omove o sintoma doloros o, isto é, trata-se \nda dor “orgânica” que, embora te nha um substrato físico defini do, está associada aos fatores \nemocionais, principalmente em pessoas com di stúrbios do humor e da personalidade (Vilela \nFilho, 1999). É interessante deix ar claro que o paci ente com ausência de lesão tecidual, \ninterpreta seu sofrimento como se houvesse a lesão, como se algo estivesse alterando seu \norganismo, este fato explica porque as cham adas dores psicogênicas freqüentemente são \ndescritas com palavras semelhantes às utilizad as nas dores de origem somática (Lobato O, \n1992). \nA dor é considerada um dos sintomas de mais  difícil tratamento, devido às diferentes \netiologias e às respostas individuais que desencadeia. Sendo afetados pelos estados subjetivos \nque, dificilmente são medidos, envolvendo m ecanismos pessoais como nível de atenção, \nestado emocional, personalidade e experiências  passadas, servindo como sintoma e defesa \ncontra o estresse psicológico. Ganhos secundá rios, sociais e financeiros podem exacerbar o \ncomportamento de dor, modificando as percepçõ es e sensações dolorosas. Dessa forma, não \nse trata apenas de uma condição estímulo-resposta, pois a reação à dor é multifatorial, em que \nvariáveis biopsicossociais estão presentes (Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA, 1997).  \nEm 1883, Lawson Tait, famoso ginecologista da época vitoriana, já havia observado \nquadros de dor pélvica em mulheres que ap rendiam piano e permaneciam várias horas \n\n \n \n \n28\nsentadas, segundo este pesquisa dor a posição afetava o reto rno sanguíneo ovariano causando \nas dores, os médicos franceses atribuíram este tipo de dor às práticas contraceptivas e os \nalemães incluíram como fator da dor pélvica, as cervicites crônicas (Iannetta, 2000). \nAtualmente, a Dor Pélvica Crônica (DPC) tem sido definida como dor pélvica não \nexclusivamente menstrual, com duração de pelo menos seis meses, suficientemente intensa \nque pode interferir em atividades habituais, ne cessitando de tratamento clínico e/ou cirúrgico \n(Milburn A, Reiter RC, Rhomberg AT, 1993).  A etiologia não é clara e, usualmente, \nresultante de uma complexa interação entre os sistemas gastrointestinais, urinário, \nginecológico, músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endocrinológico, influenciado \nainda por fatores socioculturais (Howard FM , 1996).  A DPC é um diagnóstico sindrômico \ncomum e complexo, muitas vezes de causa nã o identificada, tornando o diagnóstico e \ntratamento mais difíceis. A importância deste tema se reflete no impacto que provoca sobre o \nbem estar das pacientes acometidas, afetando sua vida conjugal, social, profissional e sexual. \nAo contrário da aguda, a dor crônica não c onsiste em um alerta a uma agressão, pois \ncorresponde à própria doença e pode estar a ssociada a processos ps icopatológicos como \ndepressão, hipocondria, somatização, ansiedade e fatores ambientais co mo o abuso físico e \nsexual, além de ambientes estressantes. A respos ta a estes estímulos aversivos se dá por meio \nde estresse emocional, que corrobora na manutenção do quadro álgico. Sabe-se pouco a \nrespeito da patogênese, e o tratamento nem se mpre é simples ou satisfatório (Almeida ECS, \nNogueira AA, Reis FJC, 2002). \nSua prevalência é de 3,8% em mulheres de 15 a 73 anos (superior à enxaqueca, asma e \ndor nas costas) e varia de 14 a 24% em mulheres  na idade reprodutiva, com impacto direto na \nsua vida conjugal, social e profissional (M ilburn A, Reiter RC, Rhomberg AT, 1993; Howard \nFM, 1996; Mathias SD, Kuppermann M, Liberman  RF et al, 1996; Reinter RC, Gambone JC, \n1990; Moore J, Kennedy S, 2000; Howard FM, 2003;  Nogueira AA, Reis FJC, Poli-Neto OB, \n\n \n \n \n29\n2006), o que transforma a dor crôn ica em um sério problema de saúde pública (Nogueira AA, \nReis FJC, Poli-Neto OB, 2006). Cerca de 60% das mulheres com a doença nunca receberam o \ndiagnóstico específico e 20% nunca realizaram qualquer investigação para elucidar a causa da \ndor (Cheong Y, William Stones R, 2006).   \nEm unidades de cuidados primários 39% das mulheres queixam-se de dor pélvica.  É \nresponsável por 10% das visitas ao gineco logista, por 40% a 50% das laparoscopias \nginecológicas e 12% das histerectomia s (Howard FM, 1993, Broder MS, Kanouse DE, \nMittman BS et al, 2000), e um custo direto e indireto superior a dois bilhões de dólares por \nano nos Estados Unidos (Mathias SD, Kuppermann M, Libermann RF et al, 1996). Segundo o \nMinistério da Saúde, em 1997 houve 1,8 m ilhões de consultas ginecológicas e \naproximadamente 300 mil internações hospitala res de mulheres en tre 15 e 69 anos, com \nqueixas compatíveis com a dor pélvica crôni ca (Ravsky A, 2001). Gomes KRO Tanaka AC \n(2003), ao pesquisarem doenças e/ou problemas de saúde em mulheres trabalhadoras em São \nPaulo, dentre as queixas principais, 13% refe riam-se à dor abdominal e pélvica. Não se \nconhece ao certo qual é a real prevalência da dor pélvica crônica no Brasil, o que não impede \nque essa condição seja consid erada um sério problema de sa úde pública (Nogueira AA, Reis \nFJC, Poli-Neto OP, 2006) \nSua etiologia nem sempre é clara e nem sempre se obtém a cura ou melhora significativa \ndo sintoma, com os tratamentos empregados  (Gelbaya TA, El- Halwagy EH, 2001). Muitos \nestudos tentam explicar os fatores de risc o para a doença, no entanto os resultados são \nconflitantes, o que é, em parte, explicado pela particularidade dos dados epidemiológicos de \ncada localidade e pela falta de qualidade de acesso às informações dos estudos (Nogueira AA, \nReis FJC, Poli-Neto OP, 2006). Uma revisão sistemática atual, concluem que abuso de drogas \nou álcool, abortos, fluxo menstr ual aumentado, doença inflamatória pélvica, cesáreas e co-\nmorbidades psicológicas estão associados à doença (Latthe P, Mignini L, Gray R et al, 2006). \n\n \n \n \n30\n A predominância de dor pélvica crônica em mulheres no menacme não pode ser \ninteiramente explicada por este tipo de hiperalg esia desencadeada por alterações cíclicas no \naparelho reprodutor. Outros mecanismos potenciais incluem efeitos hormonais no sistema \nnervoso central e periférico (Nogueira AA, Reis FJC, Poli-Neto OP, 2006). De fato, a \ninfluência hormonal tem sido apontada como causa das diferentes respostas nociceptivas entre \nmachos e fêmeas (Wiesenfeld-Hallin Z, 2005). Adicionalmente, influências psicossociais e \nculturais podem contribuir para a hiperalgesia (Leo RJ, 2005; McGrath PA, 1994). \nTentando explicar o mecanismo da dor, Fo rdyce WE (1990), relata que uma resposta \ndolorosa crônica poderia ser a ssociada e aprendida quando há  um “ganho”, obtenção de \natenção ou afastamento das atividades indesejáveis. Embora vários modelos históricos tenham \nexplicado o mecanismo da dor, atualmente o m odelo mais aceito é o bio-psico-social, que \ncorresponde à base para o atendimento multidisci plinar no diagnóstico e tratamento da DPC. \nEste modelo postula que os estímulos dolorosos  são universais e que co ndições psico-sociais \nespecíficas contribuiriam para o desenvolvimento e manutenção da dor crônica.  \nA DPC pode ser um grande problema em termos de níveis de sofrimento e estresse para \na pessoa acometida, tendo-se em vista o grande número de pessoas acometidas por esta queixa \nnos serviços de saúde e as dificuldades vivenciadas para o diagnóstico e tratamento efetivo. \n \n1.2. Fatores Psicológicos\n \n \nExiste uma forte associação entre ansied ade e depressão com dor pélvica crônica \n(Huskinson EC, 1974; Waller KG, Shaw RW, 1995; Lorençatto C, Vieira MJN, Pinto CLB et \nal, 2002; Kurita GP, Pimenta CAM, 2003; Lorençatto C, Petta CA, Navarro MJ et al, 2006).  \nA depressão foi descrita e definida pela American Psychiatric Association  (DSM-IV-\nTR, 2002) como transtorno do humor que envolv e um grupo heterogêneo de sintomas: humor \n\n \n \n \n31\ndeprimido, interesse ou prazer acentuadamen te diminuído, perda ou ganho significativo de \npeso, insônia ou hipersonia, agitação ou retar do psicomotor, fadiga ou perda de energia, \nsentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada, capacidade diminuída de pensar \ne pensamentos de morte recorrentes. Depe ndendo da freqüência e intensidade desses \nsintomas, a depressão é classificada em leve, moderada ou grave, sendo que para o \ndiagnóstico efetivo é necessário um período míni mo de duas semanas, nas quais predomina o \nhumor deprimido ou a perda de interesse por quase todas as atividades. Devido a estes, \nobserva-se comprometimento no fu ncionamento social, profissiona l e afetivo, que se agrava \nde acordo com a intensidade dos sintomas (DSM-IV-TR, 2002).  \nAtualmente a depressão é considerada como um dos transtornos mentais mais comuns, \ntratando-se de uma doença crôni ca, recorrente e limitante. A pr evalência e bastante discutida \nentre diversos autores, vari ando entre 4% a 15% na popul ação geral (Hetem LAB, 1994; \nKaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA, 1997; Assun ção SSM, Guimarães DBS, Schiovoletto S, \n1998; Bernik MA, Vieira Filho AHG, 1998; Cord as TA, Sassi Júnior E, 1998; Bernik V, \n1999; Takei EH, Schivoletto S, 1999). De aco rdo com o DSM-IV-TR (2002), a prevalência \ndo transtorno depressivo é estimada entre 5% a 9% para mulheres e entre 2% a 3% para \nhomens adultos, não apresentando relação com etnia, educação, rendimentos ou estado civil \n(DSM-IV-TR, 2002). Os principais fatores de risco para depressão é idade entre 25 a 45 anos, \ne sexo feminino. A prevalência ligada ao sexo feminino pode estar associada aos aspectos \nbiopsicossociais, como oscilações hormonais, o estresse diário e a sobrecarga de tarefas \nprofissionais e familiares que muitas vezes comprometem a qualidade de vida dessas \nmulheres, propiciando ou desencadeando um ep isódio depressivo (Bernik MA, Vieira Filho \nO, 1998; Bernik V, 1999; DSM-IV-TR, 2002). \nApesar dos conhecimentos relacionados à depressão, é ainda uma doença pouco \nreconhecida, mal diagnosticada e mal tratada. Devido à diversidade de sintomas vivenciados é \n\n \n \n \n32\ncomum que pacientes deprimidos procurem esp ecialistas de áreas di ferentes apresentando \nqueixas somáticas relacionada s ao estado afetivo comprome tidas, sendo estimado que as \nqueixas dolorosas ocorram em 30% a 100% de les (Hetem LAB, 1994; Figueiró JAB, 1999; \nPimenta CAM, 1999). Portadores de doenças crônicas são os que mais apresentam \nsintomatologia depressiva no contexto médic o. As características das doenças de base, sua \nintensidade e grau de limitaçã o, somados à história de vida do paciente, seu funcionamento \npsíquico anterior e a rede de apoio sócio-fam iliar que dispõe, são importantes para determinar \nquais implicações sociais, emocionais e cognitiv as terá a doença na vida da pessoa (Coelho \nMO, 2001). \nA perda do corpo saudável e ativo pode sign ificar, para muitas pessoas com doenças \ncrônicas, a perda da autonomia e da independê ncia. É comum que apresentem também perdas \ndo círculo social em decorrência das limitações  impostas pela doença e sintomas, alterando a \ndinâmica social e principalmente afetiva. Pe rdas de emprego e da estabilidade econômica \npropiciam sentimentos de inutilidade gerador es de estados ansiosos ou depressivos. As \npercepções cognitivas vão sendo gradativamente  alteradas, pois a doença ocupa um lugar \ncentral na vida dessas pessoas (Santos CT, Sebastiani RW, 1996). \nDa mesma forma que as doenças, sintomas  crônicos como a dor podem apresentar \numa relação significativa com o quadro depressivo. A depressão é considerada um dos fatores \npsicológicos mais pesquisados em pessoas  com dor crônica, independente da doença \nassociada a este sintoma.  A prevalência é estimada em até 78%, sendo que evidências \nindicam a depressão como uma conseqüência da dor crônica, mas ainda não existe um \nconsenso ao afirmar qual condição precede a outra. Alguns autores referem ainda que a \nintensidade da depressão corresponda à intensidade da dor relatada pelos pacientes (Ford CV, \n1986; Barbosa CP, Moreira HNC, Kuke R et al, 1989; Doan BD, Wadden NP, 1989; Wade \n\n \n \n \n33\nJB, Dougherty LM, Hart RP et al, 1992; Fis hbain DA, Cutler R, Rosomoff HL et al, 1997, \nFigueiró JAB, 1999; Angelotti G, 2001). \nQuanto à associação entre DPC e depressão observa-se mútua interação. Dentre os \npacientes deprimidos há freqüe ntes relatos de dor, de dife rentes tipos, incluindo DPC nas \nmulheres, sendo que e a dor pode resultar em depressão. Uma recente revisão da literatura \nsobre a associação de dor e depressão menciona  prevalência de depressão de 12 a 17,2%, em \npacientes submetidas à laparoscopia ginecológica, por decorrência da necessidade diagnóstica \nrelativa à DPC (Bair MJ, Rebecca R, Katon W et al, 2003). A associação dor-depressão pode \nagravar o sofrimento, comprometer a adesão ao tratamento e a resposta aos analgésicos, \nacarretar isolamento social, desesperança e privação de cuidados. A progressão da doença e os \ndesapontamentos com os resultados das muitas te rapias aplicadas são causas de hostilidade \ncontra as pessoas e os profi ssionais envolvidos na assistênci a (Almeida ECS, Nogueira AA, \nReis FJC, 2002) \nOutro transtorno psiquiátrico associado a p acientes com dor crônica é o da ansiedade. \nA ansiedade é um estado emocional com compone ntes psicológicos e fi siológicos, que faz \nparte do espectro normal das experiências humanas, sendo propulsora do desempenho. Ela \npassa a ser patológica quando é desproporcional à situação que a desencadeia, ou quando não \nexiste um objeto específico ao qual se direcione (Andrade LHSG, Gorenstein C, 1998).  \nA ansiedade, de acordo com Takei EH , Schivoletto S (2000), “é um estado \ncaracterizado por sintomas e sinais inespecí ficos, que juntos tr azem uma sensação \ndesagradável de apreensão, expectativa e medo qu anto ao futuro. Caracteriza-se por sintomas \nsomáticos e psíquicos que se mani festam de forma básica ou tônica ”. Os sintomas somáticos \npodem ser respiratórios (sensação de afogamento, fa lta de ar, respiração curta...), cinestésicos \n(ondas de calor, calafrios...), musculares (dores , tremores...) e autonômicos (palpitação, frio \nnas extremidades...). Os sintomas psíquicos sã o de medo, apreensão, mal-estar, desconforto, \n\n \n \n \n34\ninsegurança, estranheza do ambiente ou de si mesmo, sensação de que algo ruim pode \nacontecer. Os transtornos de ansiedade estã o entre os transtornos psiquiátricos mais \nfreqüentes na população geral, com prevalênci as de 12,5% ao longo da vida, 7,6% no ano e \n6% no mês anterior à entrevista (Andrade LHSG, Gorenstein C, 1998). \nA ansiedade pode ser situacional (quan do está associada a determinadas \ncircunstâncias), ou ser constante na vida do i ndivíduo. Assim, é necessário levar em conta o \ncontexto pelo qual a emoção ocorreu, além das suas características individuais para \ndeterminar se as manifestações clínicas sã o desproporcionais à intensidade e a duração de \nfatores desencadeantes (Castro MMC, Quaran tini L, Neves-Batista et al, 2006). Alguns \nautores demonstraram que pacientes com dor  crônica apresentaram muita preocupação, \ntensão, nervosismo e apreensão frente à sua doe nça, que proporcionaram níveis de ansiedade \nmais elevados do que a população geral (Pagano T, Matsutani LA, Ferreira EA et al, 2004). \nCom o objetivo de verificar níveis de ansiedade em pacientes com endometriose e \nDPC, foi realizada uma avaliação com 47 mulh eres com diagnóstico de endometriose e DPC, \natendidas no Setor de Endometriose do HCFM USP, utilizando o Inventário de Ansiedade \nTraço-Estado (IDATE). Os autores concluíram qu e houve uma ligeira elev ação destes níveis \nquando comparados às escalas padrão, podendo sugerir a existência do componente ansiedade \nnessas pacientes (Abrão MS, Abrão CM, Reis RW et al, 2000). \nCom finalidade de avaliar sintomas ansios os e depressivos foi criada a Escala \nHospitalar de Ansiedade e Depressão ( Hospital Anxiety and Depression Scale , HAD – \n(Zigmond AS, Snaith P, 1980). A versão em por tuguês foi validada utilizando-se de uma \namostra de pacientes internados em uma enfe rmaria de clínica médica (Botega NJ, Bio MR, \nZomiganani et al, 1995). Botega NJ, Ponde MP, Medeiros P et al (1998), utilizaram o HAD \nem pacientes ambulatoriais. A amostra foi composta por 56 pacientes atendidos e 56 \nacompanhantes de um ambulatório de epile psia da FCM da UNICAMP. Os resultados \n\n \n \n \n35\nevidenciaram a capacidade da escala em revela r ao clínico, casos de transtorno de humor, \ndemostrando assim a sua adequação também para o contexto ambulatorial. Recentemente, \nesta escala foi validada em pacientes com dor crônica mostrando uma boa sensibilidade para \navaliar sintomas de ansiedade e depressão (Cas tro MMC, Quarantini L, Neves-Batista et al, \n2006). É formada de 14 questões do tipo múltipla escolha as quais são compostas por duas \nsubescalas para ansiedade e depressão, com sete itens cada. A pontuação global em cada \nsubescala vai de 0 a 21. As suas características principais, de acordo com Botega et al NJ, Bio \nMR, Zomignani A et al, 1995 são: foram evitado s sintomas vegetativos que podem acontecer \nem doenças físicas; os conceitos de depressão e ansiedade são apresentados alternadamente, \npara não induzir a nenhuma resposta; o conceito  de depressão encontra -se centrado na noção \nde anedonia o qual se destina a detectar graus le ves de transtornos afetivos em pacientes não \npsiquiátricos; trata-se de um a escala breve, podendo ser rapidame nte aplicada; solicita-se ao \npaciente que procure responder as  perguntas pensando em como se sentiu durante a última \nsemana.  \nIndivíduos com dor crônica, em geral, po ssuem longa história de dor, acentuado \nsofrimento psíquico, comprometimento laborati vo e físico e descrença no tratamento. Tais \ncondições podem favorecer a não adesão, prolonga r a dor e o sofrimento, ocasionar prejuízos \nà funcionalidade física, psíqui ca e deteriorar a qualidade de vida (Kurita GP, Pimenta CAM, \n2003).  \nDe acordo com a Organização Mundial de Saúde  (WHO, 1995), qualidade de vida \nrefere-se à percepção das pessoas de sua posição  na vida, dentro do contexto de cultura e \nsistema de valores nos quais elas vivem e em relação à suas metas, expectativas e padrões \nsociais. Esse conceito aborda amplas dimensõe s incluindo o bem estar fí sico, mental e social, \nmas principalmente sua relação estabelecida  com o ambiente em que vive. Babotte E, \nGuillemin F, Chau N et al (2001), ainda define m qualidade de vida relacionada à saúde como \n\n \n \n \n36\nsendo a autopercepção da morbidade. Nas últimas décadas, em parte devido à queda da \nmortalidade e aumento da expect ativa de vida, tem-se, que ao invés de processos agudos que \n“se resolvem” rapidamente pela cura ou óbito, tornam-se predominantes as doenças crônicas e \nsuas complicações, que implicam aumento da utilização dos serviços de saúde (Chaimowicz \nF, 1997) \nEm se tratando de doenças crônicas, tem sido cada vez mais abordado o papel da \nassistência à saúde na melhora da qualidade de  vida, tendo como meta o alívio da dor e do \nsofrimento. Ao contrário de décadas atrás, quando os esforços estavam direcionados no ganho \nda vida em anos vividos, recentemente muito te m se falado em melhora da qualidade de vida \n(Ferraz MB, 1999). Desta forma, tem se desenvol vido muitos instrumentos de avaliação de \nqualidade de vida. A utilização de instrumentos ou questionários de avaliação de qualidade de \nvida tem sido reconhecida com importante ár ea do conhecimento científico no campo da \nsaúde. Na prática clínica, eles  podem identificar as necessida des dos pacientes e avaliar a \nefetividade da intervenção. Em experimentos clínicos controlados, servem como instrumentos \nde medida dos resultados e como important e componente de análise custo-utilidade do \ntratamento (Carr AJ, Thompson PW, Kirwan JR, 1996). Estes instrumentos podem ser \nespecíficos ou genéricos. Os instrumentos específicos são capazes de avaliar a forma \nparticular, determinados aspectos da qualidad e de vida, próprios de uma população com uma \ndeterminada doença. Já os instrumentos gené ricos foram desenvolvidos objetivando avaliar a \nqualidade de vida do indivíduo com qualquer patologia ou mesmo de indivíduos saudáveis.  \nConsiderando-se a importância crescente da s dimensões envolvidas no conceito de \nbem estar e qualidade de vida, e diante da constatação de que não havia nenhum instrumento \nque avaliasse tais conceitos dentro de uma pesquisa transcultural, a Organização Mundial de \nSaúde (OMS), procurou desenvolver um amplo estudo, envolvendo 20 países, com o objetivo \nde criar um instrumento de medidas padroniza das para avaliar estas dimensões. O projeto \n\n \n \n \n37\nvisou desenvolver instrumentos  de medidas válidos e flexíveis para serem usados em \ndiferentes contextos, com difere ntes sistemas de saúde e com di ferentes tipos de estruturas \nsócio-econômicas (Fleck MPA, Fachel O, L ouzada S et al, 1999; Bandeira M, Pitta A, \nMercier C, 1999). Depois da elaboração do instrumento em 1998, ele tem sido amplamente \nutilizado no contexto de saúde, em diferent es realidades sócio-culturais (The WHOQOL \nGroup, 1994; Szabo S, Orley J, Saxena S, 1997, The WHOQOL Group , 1998; Fleck MPA, \nFachel O, Louzada S, 1999, Fleck MPA, Louzada S, Xavier M et al, 2000; Lima AFBS, 2001; \nChisholm D, Amir M, Fleck MPA et al, 2001; Herrman H, Patrick D, Diehr P et al, 2002; \nFleck MPA, Lima AFBS, Louzada S et al, 2002, Berlim MT, Flec k MPA, 2003,  The \nWHOQOL HIV Group,  2003; Berlim MT, Fleck MPA, 2003;  Fleck MPA, Borges ZN, \nBolognesi G et al, 2003, O'Connell K, Shevington S, Saxena S, 2003).  \nDois desses estudos citados são referentes  à aplicação da versão em português do \ninstrumento da OMS. O primeiro (Fleck MPA, Fachel O, Louzada S, 1999), objetivou testar o \ninstrumento WHOQOL-100 em uma amostra de  pacientes de Porto Alegre. Para a \ncomposição da amostra foram selecionados pacien tes oriundos das difere ntes especialidades \natendidas no hospital bem como  os diferentes regimes de atendimento (ambulatorial e \ninternado). Os resultados mostraram um bom desempenho psicométrico apresentando \ncaracterísticas satisfatórias de consistência interna, validade discriminantes, validade de \ncritério, validade concorrente e fidedignidade teste-reteste. \nO segundo estudo realizado pelos mesmos autores (Fleck MPA, Louzada S, Xavier M \net al, 2000), teve como objetivo a aprese ntação do teste no campo brasileiro do WHOQOL-\nBref. Este instrumento consta de 26 quest ões divididas em quatro domínios: físico, \npsicológico, relações sociais e meio ambiente , nas duas últimas semanas. Foi utilizada uma \namostra de 300 indivíduos na cidade de Po rto Alegre. Foram obtidas características \npsicométricas satisfatórias de consistência in terna, validade discriminante, validade de \n\n \n \n \n38\ncritério, validade concorrente e fidedignidade teste-reteste, o que de acordo com os autores \ncoloca este instrumento como uma alternativa útil para ser usado em estudos que se propõem \na avaliar a qualidade de vida no Brasil.  \nO instrumento é composto por quatro domínios. O domínio físico se refere às \ncondições orgânicas do paciente, ou seja, em que medida sente dores, precisa de \nmedicamentos e tratamento médico para viver,  se tem energia suficiente para o cotidiano, \ncomo está sua capacidade para trabalhar, como está o seu sono e quão bem é capaz de se \nlocomover. O domínio psicológico refere-se às condições psíquicas do participante, avaliando \no quão aproveita sua vida e acha que ela tem sen tido, em que medida consegue se concentrar \nnas atividades, se é capaz de aceitar sua aparência física, o quão satisfeito está consigo mesmo \ne com que freqüência tem sentimentos negativ os como mau humor, depressão, ansiedade, \ndesespero, etc. O domínio social diz respeito à satisfação com suas relações sociais, apoio de \namigos, família, comunidade e sociedade como um todo e inclui também um item sobre \nsatisfação com a vida sexual. O domínio ambien tal está relacionado ao próprio ambiente em \nque está vivendo, ou seja, confor to, barulho, sujeira, poluição, segurança, disponibilidade de \ninformações, meio de transporte, acesso aos serv iços de informações, acesso aos serviços de \nsaúde e dinheiro suficiente para suprir as ne cessidades básicas. Com esses quatro domínios o \ninstrumento pretende avaliar aquilo que se convencionou chamar de qualidade de vida.  \nA doença crônica pode começar como uma condição aguda, aparentemente \ninsignificante e que se prolonga através de episódios de exac erbação e remissão. Embora seja \npassível de controle, o acúmulo de eventos e as restrições impostas pelo tratamento podem \nlevar a uma drástica alteração no estilo de vida das pessoas (Thompson JM, 1990). Desta \nforma, indivíduos acometidos de doença crônica passam a ter novas incumbências como fazer \nregime de tratamento, conhecer a doença e lidar com incômodos físicos; perdas nas relações \n\n \n \n \n39\nsociais, financeiras, nas atividades como lo comoção, trabalho e lazer; ameaças à aparência \nindividual, à vida e a preservação da esperança (Trentini M, Silva DG, Leimann AH, 1990). \nA complexidade e a extensão da problemáti ca inerente à vivência da cronicidade da \ndoença têm levado muitos autores a desenvolvere m estudos com o objetivo de analisar o \nimpacto desta condição sobre a qualidade de vida das pessoas acometidas por doença crônica, \nsob diferentes aspectos (Santos PR, 2006; Ca margos ACR, Copio FCQ, Sousa TRR et al, \n2004; Pereira LC, Chang J, Fadil-Romão MA et al, 2003) e em dor crônica (Silva LD, Pazos \nAL, 2005; Marques AP, 2004) \nA DPC pode envolver múltiplos aspectos se jam fisiológicos, psíquicos e sociais, \npermanecendo como doença desafiadora. A ava liação completa exige pesquisa de causas \nfísicas, das condições psicológicas e sociais. O objetivo de cons iderar o aspecto emocional no \ntratamento da DPC é de compreender a associação  existente entre este fator, a doença e seus \nsintomas, a fim de se estabelecer um tratamen to mais efetivo garantindo atenção para as \nqueixas físicas e emocionais.  \nDiversos autores sugeriram que a DPC está diretamente relacionada com a depressão e \nansiedade e que a qualidade de vida destas paci entes está alterada. No  entanto, não foram \nencontrados estudos que avaliam a associação  e o impacto da ansiedade e depressão na \nqualidade de vida destas pacientes. Desta forma o objetivo deste estudo é avaliar a prevalência \nde ansiedade e depressão e o seu impacto na qualidade de vida de mulheres atendidas no \nAmbulatório de Dor Pélvica do HCFMRP-USP. \n \n \n\n \n \n \n40\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n2. OBJETIVOS \n \n \n \n \n\n \n \n \n41\n2. OBJETIVOS \n \n2.1. Objetivo geral \n \n• Verificar o impacto da ansied ade e depressão na qualidade de vida de mulheres com \nDPC \n \n2.2. Objetivos Específicos \n \n• Comparar a freqüência de ansiedade e de pressão em mulheres  com DPC e do grupo \ncontrole \n•  Comparar a freqüência de qualidade de  vida em mulheres com DPC e do grupo \ncontrole \n• Verificar a associação entre ansiedade, de pressão e qualidade de vida entre os grupos \nestudados. \n \n \n \n\n \n \n \n42\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n3. CASUÍSTICA E MÉTODOS \n \n \n \n\n \n \n \n43\n3. CASUÍSTICA E MÉTODOS \n \n3.1. Casuística \n \n Foi realizado um estudo do tip o transversal, no qual foram incluídas 106 pacientes, das \nquais 52 apresentavam diagnóstico de DPC em tratamento no Ambulatório de Dor Pélvica \nCrônica do HCFMRP-USP, com idade entre 18 e 45 anos e 54 mulheres, sem dor pélvica \ncrônica da mesma faixa etária e com as mesmas  condições sócio-demográficas, atendidas em \nconsulta de rotina no Ambulatório de Ginecologia do Centro de Saúde - Escola, localizado na \ncidade de Ribeirão Preto, São Paulo, que apresentam outras ginecopatias. As variáveis de \nexclusão para os dois grupos fo ram as que se seguem: história  de transtorno psiquiátrico \n(psicose) anterior à doença, presença de outra s doenças crônicas como: Hipertensão Arterial \nSistêmica, Diabetes Melittus, câncer, pacientes gestantes, pacientes não alfabetizadas ou que \ntinham alfabetização precária, ou seja, que não tinham condições de compreensão em relação \nàs escalas utilizadas, pacientes deficientes e as que se recusaram a participar do estudo. \n Todas as pacientes responderam os inventár ios sem ajuda do pes quisador. A escolha \nfeita utilizando o HAD se deu pelo fato de se r uma escala curta e também ter como vantagem \na ausência de sintomas comuns entre doenças clínicas e depressão, como fadiga, perda de \napetite e alterações do sono. Este instrumento ta mbém pode avaliar sintom as subjetivos mais \nespecíficos para a depressão, demonstrando no seu resultado final a necessidade ou não do \nuso de outros métodos diagnósticos adequados, na  identificação e na condução do tratamento. \nOutro motivo da escolha deste instrumento é a familiaridade na aplicação e correção deste. \nQuanto ao WHOQOL-Bref, a escolha foi devida também a familiaridade da aplicação e por \nser um instrumento que tem sido amplamente util izado no contexto de saúde em diferentes \nrealidades sócio-culturais.  \n\n \n \n \n44\n3.2. Métodos \n  \n Todas as pacientes foram avaliadas pelo mesmo examinador, logo após o atendimento \nmédico, através do protocolo de coleta de da dos das pacientes (Anexo D) e foram aplicados \nos instrumentos de avaliação psicológica (A nexo E, F).  Foram co letados e analisados \ncomparativamente os dados sócio-demográf icos (idade, escolaridade, renda mensal, \nremuneração, paridade, religião e estado civil) de todas as p acientes incluídas no estudo, não \nhavendo diferenças significativas em relação a estes parâmetros (Tabela 1). Para o grupo de \npacientes com dor pélvica crônica foi avalia do o tempo de dor e a intensidade da dor \n(utilizando a escala visual analógica).  \n  \n \n \n \n \n\n \n \n \n45\nOs dados de caracterização dos grupos podem ser vistos nas tabelas que se seguem:  \n \nTabela 1 -  Caracterização dos grupos com DPC e c ontrole quanto às car acterísticas sócio-\ndemográficas \nCasuística  Grupo com  \nDPC \nGrupo \nControle \nP \n     \nIdade  31,70 ± 8,1 30,28 ± 6,2 0, 235 \nNº Filhos  1,52 ± 1,19 1,56 ± 1,29 0, 263 \nEscolaridade Básico 12 9 0, 548 \n Fundamental 18 19  \n Médio 19 26  \n Superior 3 1  \nRenda Familiar Até 5 SM 43 45 0, 548 \n 6-10 SM 8 9  \n Acima de 10 1 0  \nOcupação Remunerada 23 34 0, 114 \n Não remunerada 29 20  \nReligião Católica 35 29 0, 395 \n Evangélica 11 6  \n Outros 5 9  \n \n\n \n \n \n46\n Para avaliação dos escores de depre ssão, ansiedade e qualidade de vida foram \nutilizados os seguintes instrumentos: \n  \na) World Health Organization Quality of Life\n (WHOQOL-Bref) (Fleck MPA, Fachel O, \nLouzada S et al, 1999)(Anexo E).  \nEste instrumento mede a pe rcepção do participante em quatro domínios. O domínio \nfísico relaciona-se às condições orgânicas do paciente, ou seja, se apresenta dor e desconforto, \nse precisa de tratamento médico, se apresenta energia para realizar atividades cotidianas e \ncomo está o sono. O domínio psicológico está relacionado a condições psíquicas do paciente \ncomo sentimentos positivos, auto-estima, imagem corporal e aparência, sentimentos negativos \ne espiritualidade/religião/crenças pessoais. O terceiro domínio envolve satisfação com as \nrelações pessoais e inclui também um item sobre satisfação com sua vida sexual. O quarto \ndomínio está ligado ao ambiente em que está vivendo, como segurança física, ambiente no lar, \nrecursos financeiros, cuidados de saúde, oportunidades de adquirir novas informações e \nhabilidades, participação em oportunidades de recreação e lazer, ambiente físico e transporte.  \n \nb) Escala de Medida de Ansi edade e Depressão Hospitalar (Hospital Anxiety and Depression \nScale – HAD) (Botega NJ, Bio MR, Zomignani A et al, 1995) (Anexo F) \n Esta escala é formada de 14 itens divididos em duas subescalas, cada uma delas \nconsta de sete itens bem defi nidos para cada transtorno de hu mor, sendo que sete pesquisam \nansiedade (HAD-A) e sete depr essão (HAD-D). Para cada item existem quatro alternativas \ncom uma pontuação, conforme a alternativa assi nada, que vai de 0 a 3, sendo que a soma da \npontuação obtida para os itens de cada subesc ala fornece uma pontuação total que vai de 0 a \n21. Tendo como ponto de corte 8 para ansiedade e 9 para depressão. \n\n \n \n \n47\n Antes de iniciar a coleta de dados, foi explicado as participantes a proposta de \ntrabalho, as atividades a serem realizados, os  objetivos, os responsáv eis pela pesquisa, a \nparticipação como sendo voluntária, o sigilo, e o direito de desistir da pesquisa, a qualquer \nmomento.  \nPara avaliar a intensidade da dor foi utilizada a escala visual analógica que é muito \nutilizada pelos profissionais da área da saúde  para identificar a intensidade que o doente \natribui à dor, ela não quantifica o sofrimento  do indivíduo, mas ava lia o quanto o doente \nsente-se capaz de falar do seu incômodo ou se acentua muito o seu desconforto. Não existe \num instrumento padrão (único e invariável, tal como uma régua) que permita a um observador \nexterno mensurar de forma objetiva essa experiência interna, complexa e genuinamente \npessoal (Silva JA, 2006), no entanto, medir a dor  é de extrema importância no ambiente \nclínico, já que contribui muito para propor e ve rificar a eficácia do tratamento. Considerar \napenas a característica sensorial da dor, esp ecialmente a sua intensidade, ignorando suas \npropriedades afetivas e emocionais é olhar pa ra apenas parte do problema, e talvez, nem \nmesmo para a parte mais importante dele. \n \n3.3. Análise dos Dados \n \n \n Os dados foram armazenados em um banco de dados criado com auxílio do software \nMicrosoft Excell 7.0. A análise estatística foi re alizada utilizando-se os programas GraphPad \nPrism 4.0*. A análise dos instrumentos foi reali zada segundo os critérios estabelecidos pelos \nautores nas versões em português (Pimenta CA M, Cruz DALM, Santos JLF, 1998); (Botega \nNJ, Bio MR, Zomignani A et al, 1998); (Fleck MPA, Louzada S, Xavier M et al, 2000). Para \na análise comparativa dos escores de qualidade de vida nos domínios  físico, psicológico, \nsocial e ambiental foi utilizado o teste não paramétrico U de Mann-Whitney. Para análise \n\n \n \n \n48\ncomparativa das variáveis qualitativas foi ut ilizado o teste exato de Fisher ou teste Χ² entre \ngrupos independentes. Para correlação entre as  variáveis do estudo foi utilizado o teste de \nSperman. Para todas as comparações foram cons ideradas significativas as diferenças para \np<0,05.  \n \n3.4. Aspectos Éticos\n \n \n Anteriormente à coleta de dados, o projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de \nÉtica em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e \npela comissão interna de pesquisa do Centro  de Saúde Escola Prof . Dr. Domingos Machado \n(C.S.E) (Anexo A e B). Todas as pacientes as sinaram o termo de consentimento livre e \nesclarecido (Anexo C). As pacientes que nece ssitaram de atendimento psicológico foram \nencaminhadas ao Serviço de Psicologia Médica do HCFMRP-USP. \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n49\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n     4. RESULTADOS \n \n \n \n\n \n \n \n50\n4. RESULTADOS \n \nA média de tempo de dor relatado pelas mu lheres do grupo com DPC era de 4,48 ± \n4,92 anos. A prevalência de ansiedade nos grupos com DPC e controle foram respectivamente \n73% e 37%, sendo esta diferença significativ a (p= 0,0001). A prevalência de escores de \ndepressão nos grupos com DPC e controle foram respectivamente 40% e 30%, sendo esta \ndiferença significativa (p= 0,0269). \nO gráfico a seguir mostra as diferenças entre as medianas dos dois grupos para \nansiedade e depressão. \n \nAnsiedade Depressão\n11\n8,5\n7\n4,5 DPC\nControle\n \nGráfico 1 - Comparação entre ansiedade e depressã o para os grupos com DPC (n=52) e \ncontrole (n=54) \n \n\n \n \n \n51\nQuanto aos escores de qualidade de vida observaram-se diferenças significativas entre \nos domínios físico (p<0, 0001), psicológico (p<0,003) e social (p<0,005), entre os grupos com \nDPC e controle, não havendo diferenças significativ as do escores de qualidade de vida para o \ndomínio ambiental (p=0,610) entre os grupos supracitados. \nO gráfico a seguir (2) mostra as diferenças  entre as medianas dos dois grupos obtidos \nrespectivamente para a Qualidade de Vida. \n \nDomínio \nFísico\nDomínio \nPsicológico\nDomínio \nSocial\nDomínio \nAmbiental\n50\n54\n58\n54,5\n71 69\n75\n51,5\nDPC\nControle\n \nGráfico 2 - Comparação entre as medianas de qualidade de vida entre os grupos de DPC \n(n=52) e grupo controle (n=54).  \n \nNo grupo com DPC fora m comparadas pacientes com e sem ansiedade quanto aos \nescores de qualidade de vida, observando-se níveis significativam ente mais elevados para os \ndomínios físico (p=0, 0011), psicológic o (p<0,0001), social (p=0,0186) e ambiental \n(p=0,0187) nas pacientes sem ansiedade. Neste mesmo grupo, foram comparadas as pacientes \ncom e sem depressão quanto aos escores de qualidade de vida, observando-se níveis \n\n \n \n \n52\nsignificativamente mais elevados para os dom ínios físico (p=0, 003), psicológico (p<0,0001), \nsocial (p=0,0015) e ambiental (p=0,0048) nas pacientes sem depressão. \n \nTabela 2 – Comparação entre os escores de qualidade de vida (medianas) entre as pacientes \ncom e sem ansiedade e depressão no grupo com DPC.  \n Com \nansiedade \nSem \nansiedade \nCom \ndepressão \nSem \ndepressão \nDomínio Físico \n \n43 57 41 57 \nDomínio \nPsicológico \n \n46 71 46 67 \nDomínio Social \n \n50 67 50 67 \nDomínio \nAmbiental \n47 62 47 60,50 \n \nNo grupo controle foram comparadas pacien tes com e sem ansiedade para os escores \nde qualidade de vida, observando- se níveis significativamente mais elevados somente para o \ndomínio social (p=0, 0114) nas pacientes sem ansiedade, não havendo diferenças \nsignificativas para os domínios físico (p=0, 1111), psicológico (p=0, 0966) e ambiental (p=0, \n2464). \nNeste mesmo grupo foram comparadas paciente s com e sem depressão para os escores \nde qualidade de vida, observando-se níveis nã o significativos nos domínios físico (p=0, \n0931), psicológicos (p=0,1062), soci al (p=0,4032) e ambiental (p =0,5028) para as pacientes \nsem depressão. \n \n\n \n \n \n53\nTabela 3 – Comparação entre os escores de qualidade de vida (medianas) entre as pacientes \ncom e sem ansiedade e depressão no grupo controle. \n Com \nansiedade \nSem \nansiedade \nCom \ndepressão \nSem \ndepressão \nDomínio Físico \n \n64 75 62 73 \nDomínio \nPsicológico \n \n67 71 67 71 \nDomínio Social \n \n58 75 67 75 \nDomínio \nAmbiental \n47 53 47 53 \n \nCorrelação entre tempo e intensidade da dor, ansiedade e depressão \n \nNão houve correlação significativa do tem po (cronicidade) da dor, ansiedade \n(p=0,5831 ; r = 0,07789) e depressão (p= 0,5097 ; r = -0,09351), não houve correlação \nsignificativa entre intensidade da dor, an siedade (p=0,3079 ; r = 0,0,2079) e depressão \n(p=0,02972 ; r = -0,2172) e também não houve correlação significativa entre tempo e \nintensidade da dor (p=0,2743 ; r = 0,02386). Houve correlação si gnificativa entre os escores \nde ansiedade e depressão (p< 0,0001 ; r = 0,6418). \n \n \n \n \n\n \n \n \n54\n0 10 20 30\n0\n10\n20\n30\nTempo (anos)\nAnsiedade\n \nGráfico 3 - Correlação entre os escores de ansiedade e tempo do grupo de DPC \n \n0 10 20 30\n0\n10\n20\nTempo (anos)\nDepressão\n \nGráfico 4 – Correlação entre os escores de depressão e tempo do grupo de DPC. \n \n0 5 10 15 20 25\n0\n10\n20\nAnsiedade\nDepressão\n \nGráfico 5 – Correlação entre os escores de ansiedade e os escores de depressão do grupo de DPC \n\n \n \n \n55\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n5. DISCUSSÃO \n \n \n \n \n\n \n \n \n56\n5. DISCUSSÃO \n \n Embora não sejam considerados padrão-ouro para se estabelecer relações de causa e \nefeito, os estudos transversais  são de grande importância pa ra suscitar novas hipóteses a \npartir das associações encontradas. Não foram detectadas diferenças significativas quanto às \nvariáveis casuísticas analisadas (idade, es colaridade, número de filhos, renda mensal, \nremuneração e estado civil) refletindo a homogeneidade entre os grupos, aumentando assim \na confiabilidade dos dados. \nA prevalência de ansiedade encontrada nest e estudo foi de 73% nas mulheres com dor \ne 37% nas mulheres do grupo controle. Estudos mostram associação significativa entre dor \ncrônica e ansiedade (Peveler R, Edwards J, Daddow J et al, 1995), no entanto poucos são os \nestudos que mostram esta associação em mulheres com dor pélvica crônica.  \nJá a prevalência de depressão foi de 40% do grupo com DPC e 30% do grupo controle \n(p= 0, 0269). Estudos anteriores demonstraram  associação significativa entre dor pélvica \ncrônica e depressão, independent e da ginecopatia envolvida (Renaer RC, Vertommen H, Nijs \nP et al, 1979; Gomibuchi H, Taketani Y, Doi M et al,  1993; Monga  TN, Tan G, 1998; Tan \nG, Monga U, Thomby et al, 1998). A prevalência de depressão em pacientes com DPC oscila \nentre 38 e 87% (Bair MJ, Rebecca R, Katon W et al, 2003; Castro MMMC, Quarantini L, \nNeves-Batista et al, 2006) e entre 12 a 17,2%  (DSM-IV-TR, 2002). Porém, apenas um estudo \navaliou a depressão em pacientes com dor crônica utilizando o HAD, onde se encontrou \nproporções semelhantes de ansiedade e depr essão às encontradas neste estudo: 67% \napresentavam ansiedade e 46,2% apresentavam depressão (Fráguas Jr R, Figueiró JAB, 2000). \nOs resultados deste estudo foram compatíveis com outros trabalhos, mostrando que pacientes \ncom DPC apresentam maiores escores de an siedade e depressão quando comparadas às \npacientes do grupo controle. \n\n \n \n \n57\nA depressão pode ocorrer em diversas situações, associada a uma doença ou não. Na \npopulação geral, a prevalência tem variado de 5% a 9% para as mulheres e de 2% a 3% para \nhomens (DSM-IX, 2002). Já no contexto médico não psiquiátrico, a depressão é estimada em \naté 83%, dependendo da doença a ssociada e metodologia empregada na avaliação (Fráguas Jr \nR, 2000).  Por um lado acredita-se que a depre ssão pode ser secundária à condição médica, \nquando se identifica uma associação etiológica entre a fisiopatologia da doença e o quadro \ndepressivo (Doan BD, Wadden NP, 1989). No en tanto, alguns autores como Violon (1982) \nafirma que 56% de seus pacientes apresentaram uma causa somática como precipitante da dor \ne já estavam deprimidos antes do evento físico. Pilowsky (1987) encontrou depressão \n(discreta e grave) em 85% dos pacientes reum atológicos, mas uma boa parte dos enfermos \natribuía seu estado a uma causa psicológica e não física. Apesar das controvérsias em relação \nà causalidade, de qualquer forma o impacto psicossocial que uma doença e seus sintomas \npodem trazer na vida de uma pessoa são sufi cientes para provocar uma sintomatologia \ndepressiva (Botega NJ, Bio MR, Zomignani A et al, 1995). O presente estudo, por ser \ntransversal, mostra apenas uma associaçã o. Não é possível estabelecer, com os dados \ndisponíveis, uma relação de causalidade, pois ta nto a sintomatologia depressiva poderia ser \nresponsável pela dor quanto o inverso.  \nSugere-se que a dor também esteja associad a à intensidade da depressão (Botega NJ, \nBio MR, Zomignani A et al, 1995), porém este da do não foi encontrado neste estudo, talvez \ndevido a limitações do tamanho amostral para realização das análises em subgrupos ou ao \nmétodo utilizado para avaliar a intensidade da do r. Pelo fato da dor ter sido considerada uma \nexperiência sensorial e emociona l subjetiva e difícil de quantificar e qualificar, sua avaliação \ndeve englobar a consideração de inúmeros dom ínios, incluindo o fisiológico, o sensorial, o \nafetivo, o cognitivo, o comportamental e o sócio-cultural. \n\n \n \n \n58\nA não correlação entre o tempo que o paciente cursa com dor e sua intensidade pode \nser analisada a partir da compreensão clínica de que, à medida que o paciente persiste no \nquadro álgico, maiores poderiam ser os repertór ios de comportamentos aprendidos por este \npara lidar com a condição dolorosa. Este  fato poderia ser mais bem esclarecido, se \npudéssemos avaliar o nível e co mo estes pacientes enfrentam a doença, a fim de que \npudessem dar suporte às queixas su bjetivas inerentes ao processo doloroso, levando em conta \nque a dor é uma condição afetada pelos estados subjetivos, que dificilmente são medidos, que \nenvolvem mecanismos pessoais como nível de atenção, estado emocional, personalidade e \nexperiências passadas que pode servir como sintomas e defesa contra o estresse psicológico.  \nA HAD possui como grande vantagem ausênc ia de sintomas confusos comuns entre \ndoenças clínicas e depressão,  como fadiga, perda do apetit e e alterações de sono. Esse \ninstrumento também pode avaliar sintomas s ubjetivos mais específi cos para a depressão, \ndemonstrando, no seu resultado final, a necessidade ou não do uso de outros métodos \ndiagnósticos adequados, na identificação da pa tologia e na conduta do tratamento (Keogh E, \nMaCracken LM, Eccleston C, 2005). Neste trabalho, ao se comparar ansiedade com depressão \npela HAD, evidenciou-se que os pacientes co m depressão, estavam também com ansiedade. \nIsto mostra alta correlação entre os sintomas de ansiedad e e de depressão em um mesmo \npaciente. Alguns autores sugeriram que a dor crônica está diretamente relacionada com a \ndepressão, sendo ansiedade parte de uma reação de medo e de desconhecimento do \ndiagnóstico (Averill PM, Novy DM, Nelson DV et al, 1996). Neste estudo, as pacientes foram \navaliadas no primeiro dia de consulta, no di a do caso novo, possivelmente  este fator pode ter \ninfluenciado nos índices de ansiedade, já que são comuns sentimentos de apreensão e \nexpectativa quanto ao diagnóstico. A correl ação entre ansiedade e depressão não está \nassociada somente à DPC, já que existem outro s estudos que citam tal associação em outras \npatologias (Appolinário JC et al, 2005; Marcolino JAM et al, 2007). \n\n \n \n \n59\nEm relação à qualidade de vida, observou- se que as pacientes do grupo com DPC \napresentam escores inferiores nos domínios fí sico, psicológico e social, mostrando que a dor \npode estar associada à piora da qualidade de vi da (p> 000,5). O domínio físico está ligado às \nquestões relacionadas à dor como impedimento, necessidade de tratamento médico, energia \nsuficiente para o dia-a-dia, capacidade de  locomoção, satisfação com o sono, capacidade de \ndesempenhar funções na vida diária e capacidade para o trabalho. Percebe-se que os pacientes \ndo grupo de dor apresentam piores condições físi cas que os pacientes do grupo controle. Esta \nincapacidade pode estar relacionada às dificuldades cons eqüentes do estado doloroso e \ntambém decorrida das questões emocionais, já  que este grupo também apresenta níveis \nsignificativamente mais elevados de ansiedade e depressão.  \nO domínio psicológico refere -se às questões como: o quanto a paciente aproveita a \nvida, ao sentido da vida, a capacidade de con centração, a aceitação da  aparência física, a \nsatisfação consigo mesma e a freqüência de  sentimentos negativos. Estes resultados \ndemonstraram que os pacientes com dor apresentaram maiores limitações ligados aos aspectos \nemocionais, dados estes que reforçam os resultados obtidos pelo HAD.  \nO domínio social corresponde às questões como: satisfaçã o com relações pessoais, \nsatisfação com a vida sexual e satisfação com o apoio dos amigos. O fato de a DPC ser um \ndiagnóstico sindrômico complexo, muitos pacien tes entram num ciclo crônico de buscas \nmédicas para melhora da sintomatologia. A pr esença constante da dor pode ser responsável \npor alterações nas dinâmicas afetiva, familiar, social e sexual. No início a pessoa se depara \ncom a perda de um corpo saudável e ativo, passando para um estado de dependência e \nlimitações. São também comuns perdas refere ntes ao fator social e econômico devido às \nmudanças no desempenho físico. As relações afetivas também ficam prejudicadas devido às \ninúmeras queixas referidas pelo pacientes com dor crônica. Esta situação pode gerar \nsentimentos de hostilidade e agressividade cont ra o médico que não cura a doença, que por \n\n \n \n \n60\nvezes considera o enfermo como neurótico ou histérico ou que valoriza pouco suas queixas. \nEssa agressividade por acaba se voltando para contra o próprio pa ciente, já que este continua \na precisar do clínico e de sua atenção, não podendo agredi-lo. Com o decorrer do tempo e com \na persistência da dor, surgem preocupações constantes e crescentes com seu corpo e podendo \nlevar a hipocondria (Lobato O, 2000).  \nEm relação satisfação com a vida sexual, não está claro o quanto a dor crônica \nprejudica o relacionamento sexu al, ou se as queixas neste âmbito seriam atribuídas à \ndepressão ou a fatores envolvidos na experiência da própria  dor. Esta dis tinção é um ponto \nimportante para desenvolver tratamentos eficazes para lidar com a dor crônica.  \nJá no domínio ambiental, não houve dife renças significativ a entre os grupos, \nmostrando uma homogeneidade entre os grupos es tudados. Este domínio está relacionado às \ncondições ligadas à: segurança na vida diária, ambiente físico saudável, dinheiro suficiente \npara a satisfação das necessidades, disponibilid ade de informações, oportunidades de lazer, \ncondições do local onde mora, acesso aos serviç os de saúde e satisfação com os meios de \ntransportes. Não se sabe como estas condições  eram antes da doença,  pois, não foi este o \nobjetivo do nosso estudo. O que se sabe é que as pacientes com DPC apresentam pior \nqualidade de vida quando comparadas ao grupo controle. \nQuanto aos escores de ansiedade e qualidad e de vida, observou-se  que pacientes com \nescores mais elevados de ansiedade apresentavam  escores mais baixos de qualidade de vida e \nos pacientes com escores menores de ansiedade apresentavam melhor a qualidade de vida. \nQuanto à associação entre depressão e qualid ade de vida, observou-se que pacientes com \nescores mais elevados de depressão também apresentavam escores mais baixos de qualidade \nde vida e os pacientes com escores menores de  depressão apresentavam melhor qualidade de \nvida. Esses resultados demonstram que possive lmente a depressão e a ansiedade podem estar \nrelacionadas ao impacto negativo na qualidade de vida destas pacientes. \n\n \n \n \n61\n É importante ressaltar que o planejamen to experimental do presente estudo é \ntransversal, o que torna impossível afirmar de  forma contundente que haja relação causal \nentre estas variáveis, o qual pode ser apenas sugerido. Não foram encontrados outros estudos \nque fizessem correlação entre o impacto da ansi edade e depressão na qualidade de vida de \npacientes com DPC, desta forma, este estudo co ntribui para que pesquisas futuras esclareçam \nmelhor esta associação. \nConsiderando que as pacientes com DPC apre sentavam escores significativamente mais \naltos de ansiedade e depressão que o grupo cont role e que possivelmente estes altos índices \nestejam relacionados ao impacto negativo na qu alidade de vida destas pacientes com DPC, \nsalienta-se a importância de uma abordagem específica no tratamento da depressão e \nansiedade além do tratamento clínico, objetiv ando a melhora da qualidade de vida destas \nmulheres. Os achados demonstram a importânc ia do atendimento interdisciplinar a estas \nmulheres com DPC, considerando suas manifest ações físicas, sociais, emocionais, relacionais \ne sexuais. O acompanhamento emocional pode minimizar os impactos causados pela doença, \nauxiliando no enfrentamento dos sintomas. A avaliação e o acompanhamento psicológico \npodem ser considerados como um dos fatores importantes no manejo da DPC, objetivando \nmelhorar a qualidade de vida destas mulheres.  \n \n \n\n \n \n \n62\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n6. CONCLUSÕES \n \n \n\n \n \n \n63\n6. CONCLUSÕES \n \n• Pacientes com DPC apresentam escores de ansiedade e depressão mais elevados que \nos pacientes sem DPC. \n• Pacientes com DPC apresentavam escores de qualidade de vida menores que as \npacientes sem DPC. \n• Pacientes com DPC com escores mais elevados de ansiedade e depressão \napresentavam escores mais baixos de qualidade de vida e pacientes com escores \nmais altos de qualidade de vida apresentav am escores mais baixos de ansiedade e \ndepressão. \n• Pacientes com ansiedade também apresentavam depressão \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n64\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n7. PERSPECTIVAS FUTURAS \n \n\n \n \n \n65\n7. PERSPECTIVAS FUTURAS \n \nA associação entre ansiedade, depressão e DPC foi encontrada neste trabalho. Em \nrelação à vida sexual, não está claro o quanto a dor crônica prejudica o relacionamento sexual, \nou se as queixas neste âmbito seriam atri buídas à depressão ou a fatores envolvidos na \nexperiência da própria dor. Os estudos ai nda são modestos e necessitam de maiores \ncomprovações. No entanto, é necessário que se  façam novas pesquisas que esclareçam estas \nrelações mais efetivamente. A partir de mais  pesquisas será possível conhecer melhor estas \npacientes e quais são suas reais necessidades de acompanhamento psicológico. \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n66\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS \n \n \n\n \n \n \n67\n8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS \n \nAbrão MS, Abrão CM, Reis RW et al. Ansiedade, estresse e endometriose. In: Abrão, MS \nEndometriose: uma visão contemporânea. 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ANEXOS \n \nANEXO A \nAprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de \nMedicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo-USP. \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\n \n \n \n81\nANEXO B \n \nAprovação da Comissão Interna de Pesquisa do Centro de Saúde Escola Prof. Dr. Joel \nDomingos Machado (C.S.E) \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n\n \n \n \n82\nANEXO C \n \nTERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO \n \nNOME DA PESQUISA: Avaliação do comportamento sexual,  qualidade de vida, satisfação \nconjugal e índices de ansiedade e depressão de  mulheres com endometriose e dor pélvica \ncrônica \n \nPESQUISADORES RESPONSÁVEIS:  \nPsicóloga Adriana Peterson Mariano  \nProf. Dr. Antônio Alberto Nogueira  \nProf. Dr. Ricardo Gorayeb \n \n Vários estudos têm mostrado que mulheres que apresentam endometriose e dor pélvica \ncrônica podem apresentar alteração na qualida de de vida, alteração no comportamento sexual \ne presença de ansiedade e depressão.  \n Por isso, considera-se importante avalia r estas questões. Assim, o objetivo deste \nestudo é avaliar o comportamento sexual, qualidade de vida e níveis de ansiedade e depressão \nde mulheres com endometriose e dor pélvi ca crônica, do Ambulatório de Ginecologia e \nObstetrícia do HCFMRP-USP e Ambulatório de Ginecologia do Centro de Saúde Escola. Para \nisso, convidaremos pacientes destes ambulatórios para que respondam a questionários e \nquestões para avaliar tais itens. Os resultados deste estudo poderão trazer benefícios aos atuais \ne futuros pacientes destes ambulatórios.  \n \nCaso aceite participar deste estudo, você precisa saber que: \n \n1- Você responderá a um questionário sobre voc ê (idade, escolaridade, cor, nível de \ninstrução, renda mensal, trabalho remunera do ou não, número de filhos, religião, \nestado civil, uso de medicação, informação sobre a patologia, qualidade da dor e \nestadio da doença), sobre como está sua qualidade de vida, como você enfrenta \nsituações estressantes e a uma entrevista com questões relacionadas ao comportamento \nsexual, infertilidade e trabalho, o que demandará aproximadamente 20 minutos. \n2- Você responderá a estas questões em um dia previamente agendado. \n\n \n \n \n83\n3- Todas as informações serão mantidas em si gilo e poderão ser util izadas apenas para \neste estudo. \n4- Não será possível identificá-la, o que garante seu completo anonimato. \n5- Caso seja necessário o acompanhamento psicológico, este será fornecido pelo \nAmbulatório de Psicologia Médica – HCFMRP-USP. \n6- Você está livre para desistir de particip ar do estudo e isto não prejudicará seu \natendimento no Hospital das Clínicas de Ri beirão Preto USP e no Centro de Saúde \nEscola. \n7- Não há nem um risco significativo ao participar deste estudo. \n \nEu, _____________________________________________________________, \nAceito participar desta pesquisa. Sendo que recebi as informações acima e que minha \nparticipação é inteiramente voluntária. \nAssinatura:__________________________________________________________ \nData: \nAssinatura dos pesquisadores responsáveis: \n• Adriana Peterson Mariano ____________________________________ \n• Prof. Dr. Antonio Alberto Nogueira ____________________________ \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n84\nANEXO D \n \n \n \nIDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE \n \nNome: ____________________________________________________________ \nRegistro :______________________________________________________ \n \nIdade:______ anos         18 a 25                    26 a 35              36 a 45 \n \nEscolaridade:  ____________ 1ª a 4ª      5ª  a 8ª     1° a 3° colegial        Superior \n \nRenda Mensal: ___________________  \n até 5 salários mínimos              de 6 a 10 salários mínimos \n de 11 a 15 salários mínimos                      mais de 16  \n \nTrabalho:           Remunerado \n                           Não - remunerado \n \nNúmero de filhos:  Nenhum     1               2                3            4 ou + \n \nReligião:  Católica      Evangélica   Espírita        Outras? Qual: _____________ \n \nEstado Civil:  \n Solteiro    Casado    Amasiado    Separado    Divorciado    Viúvo \n \nTempo de Casamento:_______________ \n De 1 a 5 anos  De 5 a 10 anos   Mais de 10 anos \n \nTempo de dor (anos): \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n85\nANEXO E \n \n \n \nINSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA – VERSÃO \nABREVIADA (WHOQOL-Bref) \n \nInstruções \nEste questionário é sobre como você se sente a respeito de sua qualidade de vida, saúde e outras áreas \nde sua vida. Por favor, responda a todas as questões . Se você não tem certeza sobre que resposta dar em uma \nquestão, por favor, escolha entre as alternativas a que lh e parece mais apropriada. Esta, muitas vezes, poderá ser \nsua primeira escolha. \nPor favor, tenham em mente seus valores, as pirações, prazeres e preocupações. Nós estamos \nperguntando o que você acha de sua vida, tomando como referência as duas últimas semanas. Por exemplo, \npensando nas últimas semanas, uma questão poderia ser:  \n \n nada muito \npouco \nMédio Muito completamente \nVocê recebe dos outros o apoio que \nnecessita? \n1 2 3 4 5 \n \nVocê deve circular o número que me lhor corresponde ao quanto você receb e dos outros o apoio que necessita \nnestas últimas duas semanas. Portanto, você deve circular o número 4 se você recebeu “muito” apoio como \nabaixo. \n nada muito \npouco \nMédio Muito completamente \nVocê recebe dos outros o apoio que \nnecessita? \n1 2 3 - 5 \nVocê deve circular o número 1 se você não recebeu “nada” de apoio. \nPor favor, leia cada questão, veja o que você acha e circule no número que lhe parece a melhor resposta. \n  Muito \nruim \nRuim nem boa \nnem ruim \nboa muito \nboa \n1 \n \nComo você avaliaria sua qualidade de \nvida? \n1 2 3 4 5 \n \n  Muito \nSatisfeito \nInsatisfeito Nem  \nSatisfeito \nNem  \ninsatisfeito \nSatisfeito Muito  \nSatisfeito \n2 \n \nQuão satisfeit (a) você está \ncom a sua saúde? \n1 2 3 4 5 \n \nAs questões seguintes são sobre o quanto você tem sentido algumas coisas nas últimas duas semanas. \n  nada muito \npouco \nmais ou \nmenos \nbastante extremamente \n3 Em que medida você acha que sua \ndor (física) impede você de fazer o \nque você precisa? \n1 2 3 4 5 \n4 O quanto você precisa de algum \ntratamento médico para levar sua \nvida diária? \n1 2 3 4 5 \n5 O quanto você aproveita a vida? 1 2 3 4 5 \n6 Em que medida você acha que a sua \nvida tem sentido? \n1 2 3 4 5 \n7 O quanto você consegue se \nconcentrar? \n1 2 3 4 5 \n\n \n \n \n86\n8 Quão seguro(a) você se sente em \nsua vida diária? \n1 2 3 4 5 \n9 Quão saudável é o seu ambiente \nfísico (clima, barulho, poluição, \natrativos)? \n1 2 3 4 5 \n \n \nAs questões seguintes perguntam sobre perguntas sobre quão completamente você tem sentido ou é capaz de \nfazer certas coisas nestas últimas semanas.  \n  nada muito \npouco \nMédio Muito completamente \n10 Você tem energia suficiente para \nseu dia-a-dia? \n1 2 3 4 5 \n11 Você é capaz de aceitar sua \naparência física? \n1 2 3 4 5 \n12 Você tem dinheiro suficiente para \nsatisfazer suas necessidades? \n1 2 3 4 5 \n13 Quão disponíveis para você estão às \ninformações que precisa no seu dia-\na-dia? \n1 2 3 4 5 \n14 Em que medida você tem \noportunidades de atividade de \nlazer? \n1 2 3 4 5 \n \n \nAs questões seguintes perguntam sobre quão bem ou satisfeito  você se sentiu a respeito de vários aspectos de \nsua vida nas últimas semanas. \n  muito \ninsatisfeito \nInsatisfeito nem satisfeito \nnem \ninsatisfeito \nsatisfeito muito \nsatisfeito \n16 Quão satisfeito(a) você \nestá com seu sono? \n1 2 3 4 5 \n17 Quão satisfeito(a) você \nestá com sua capacidade de \ndesempenhar as atividades \ndo seu dia-a-dia? \n1 2 3 4 5 \n18 Quão satisfeito(a) você \nestá com sua capacidade \npara o trabalho? \n1 2 3 4 5 \n19 Quão satisfeito(a) você \nestá consigo mesmo? \n1 2 3 4 5 \n20 Quão satisfeito(a) você está \ncom suas relações pessoais ( \namigos, parentes, \nconhecidos, colegas)? \n1 2 3 4 5 \n21 Quão satisfeito(a) você \nestá com sua vida sexual? \n1 2 3 4 5 \n22 Quão satisfeito(a) você \nestá com o apoio que você \nrecebe de seus amigos? \n1 2 3 4 5 \n23 Quão satisfeito(a) você \nestá com as condições do \nlocal onde mora? \n1 2 3 4 5 \n24 Quão satisfeito(a) você \nestá com seu acesso aos \nserviços de saúde? \n1 2 3 4 5 \n25 Quão satisfeito(a) você está \ncom o seu meio de \ntransporte? \n1 2 3 4 5 \n\n \n \n \n87\nAs questões seguintes referem-se à com que freqüência  você sentiu ou experimentou  certas coisas nas \núltimas semanas.  \n \n  Nunca algumas \nvezes \nFreqüentemente muito \nfreqüentemente \nsempre \n26 Com que freqüência você \ntem sentimentos negativos \ntais como mau humor, \ndesespero, ansiedade, \ndepressão? \n1 2 3 4 5 \nAlguém lhe ajudou a preencher este questionário? ........................................................... \n \nQuanto tempo você levou para preencher este questionário?............................................. \nVocê tem algum comentário sobre o questionário? \n \nOBRIGADO PELA SUA COLABORAÇÃO \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\n \n \n \n88\nANEXO F \n \n \nESCALA DE MEDIDA DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO HOSPITALAR (HOSPITAL \nANXIETY AND DEPRESSION SCALE – HAD) \n \nEste questionário ajudará o seu médico a saber como você está se sentindo. Leia todas as frases. Marque \ncom um “X” a resposta que melhor corresponder a como você tem se sentido na ÚLTIMA SEMANA. Não \né preciso ficar pensando muito em cada questão. Neste questionário as respostas espontâneas têm mais \nvalor do que aquelas em que se pensa muito. Marque apenas uma resposta para cada \nPergunta \n \nA 1) Eu me sinto tenso ou contraído: \n3 ( ) A maior parte do tempo \n2 ( ) Boa parte do tempo \n1 ( ) De vez em quando \n0 ( ) Nunca \n \nD 2) Eu ainda sinto gosto pelas mesmas coisas de antes: \n0 ( ) Sim, do mesmo jeito que antes \n1 ( ) Não tanto quanto antes \n2 ( ) Só um pouco \n3 ( ) Já não sinto mais prazer em nada \n \nA 3) Eu sinto uma espécie de medo, como se alguma coisa ruim \nfosse acontecer: \n3 ( ) Sim, e de um jeito muito forte \n2 ( ) Sim, mas não tão forte \n1 ( ) Um pouco, mas isso não me preocupa \n0 ( ) Não sinto nada disso \n \nD 4) Dou risada e me divirto quando vejo coisas engraçadas: \n0 ( ) Do mesmo jeito que antes \n1 ( ) Atualmente um pouco menos \n2 ( ) Atualmente bem menos \n3 ( ) Não consigo mais \n \nA 5) Estou com a cabeça cheia de preocupações: \n3 ( ) A maior parte do tempo \n2 ( ) Boa parte do tempo \n1 ( ) De vez em quando \n0 ( ) Raramente \n \nD 6) Eu me sinto alegre: \n3 ( ) Nunca \n2 ( ) Poucas vezes \n1 ( ) Muitas vezes \n0 ( ) A maior parte do tempo \n \nA 7) Consigo ficar sentado à vontade e me sentir relaxado: \n0 ( ) Sim, quase sempre \n1 ( ) Muitas vezes \n2 ( ) Poucas vezes \n3 ( ) Nunca \n \nD 8) Eu estou lento para pensar e fazer as coisas: \n3 ( ) Quase sempre \n2 ( ) Muitas vezes \n1 ( ) De vez em quando \n0 ( ) Nunca \n\n \n \n \n89\nA 9) Eu tenho uma sensação ruim de medo, como um frio na \nbarriga ou um aperto no estômago: \n0 ( ) Nunca \n1 ( ) De vez em quando \n2 ( ) Muitas vezes \n3 ( ) Quase sempre \n \nD 10) Eu perdi o interesse em cuidar da minha aparência: \n3 ( ) Completamente \n2 ( ) Não estou mais me cuidando como deveria \n1 ( ) Talvez não tanto quanto antes \n0 ( ) Me cuido do mesmo jeito que antes \n \nA 11) Eu me sinto inquieto, como se eu não pudesse ficar parado \nem lugar nenhum: \n3 ( ) Sim, demais \n2 ( ) Bastante \n1 ( ) Um pouco \n0 ( ) Não me sinto assim \n \nD 12) Fico esperando animado as coisas boas que estão por vir: \n0 ( ) Do mesmo jeito que antes \n1 ( ) Um pouco menos do que antes \n2 ( ) Bem menos do que antes \n3 ( ) Quase nunca \n \nA 13) De repente, tenho a sensação de entrar em pânico: \n3 ( ) A quase todo momento \n2 ( ) Várias vezes \n1 ( ) De vez em quando \n0 ( ) Não sinto isso \n \nD 14) Consigo sentir prazer quando assisto a um bom programa \nde televisão, de rádio ou quando leio alguma coisa: \n0 ( ) Quase sempre \n1 ( ) Várias vezes \n2 ( ) Poucas vezes \n3 ( ) Quase nunca","source_license":"CC0","license_restricted":false}