{"paper_id":"45d6bd78-1fc5-4935-b79a-6b93a59b0b3b","body_text":"Yamada, A.M.F .; Antunes, L.O.; Souza, L.R.M.F .;\nBrad Cases - Brazilian Radiological Cases 2024, 3: e20240020\n1\nENDOMETRIOSE DA REGIÃO INGUINAL ENVOLVENDO A PORÇÃO EXTRAPERITONEAL DO \nLIGAMENTO REDONDO DO ÚTERO. RELATO DE CASO \nPelve feminina\nDADOS DO CASO\nAutores: Ariadne Mayumi Fernandes Yamada - Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro -\nUberaba (MG) - Grupo Digimax - Medicina Diagnóstica, Radiologia - Joaçaba  (SC) - Brasil;\nLivia de Oliveira Antunes - Lumi - Bragança Paulista (SC) Grupo Digimax - Medicina Diagnóstica - Joaçaba (SC);\nLuis Ronan Marquez Ferreira de Souza - Faculdade de Medicina da Universidade Federal d o Triângulo Mineiro -\nUberaba (MG)\nAdriano Benicio Fernandes Yamada - Hospital Bruno Born - Lajeado (RS);\nAutor correspondente: Ariadne Mayumi Fernandes Yamada  - Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, \nRadiologia - Uberaba -  (MG) - Grupo Digimax - Medicina Diagnóstica, Radiologia - Joaçaba (SC) - Brasil;\nPalavras-Chave: Endometriose; Canal Inguinal e Ligamento Redondo do Útero;\nURL: https://brad.org.br/article/4421/pt-BR/endometriose-da-regiao-inguinal-envolvendo-a-porcao-extraperitoneal-do-ligamento-\nredondo-do-utero--relato-de-caso\nDOI: 10.5935/2965-1980.2024v3e20240020\nDESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO:\nPaciente do sexo feminino, 43 anos, apresentando história de \ndor pélvica crônica e investigação diagnóstica de infertilidade. \nRefere dor e abaulamento em região inguinal esquerda. Não \nhá relato de cirurgias prévias. Ultrassonografia transvaginal \nevidenciou miomas uterinos. Prosseguiu investigação \ndiagnóstica com Ressonância Magnética da Pelve\nACHADOS DE IMAGEM \nA ressonância magnética da pelve evidencia nódulo \nendometriótico infiltrativo com predomínio de fibrose e \npresença de tecido glandular, inclusive com sangramento, \nlocalizado na tela subcutânea da região inguinal esquerda, \ncom sinais de continuidade com a porção extraperitoneal do \nligamento redondo que se apresenta espessado, medindo 3,7 \nx 2,7 x 3,4 cm, distando 1,0 cm da superfície da pele (figuras 1 e \n2). O exame de controle realizado após nove meses evidenciou \naumento do componente glandular e áreas de sangramento \nda lesão endometriótica em região inguinal (figuras 3 e 4). O \nligamento redondo direito e canal inguinal direito apresentaram \nmorfologia e sinal habituais. Além desses achados, a paciente \napresenta também sinais de endometriose profunda no \ncompartimento posterior da pelve e miomas uterinos.\nDISCUSSÃO\nA endometriose é uma doença inflamatória crônica, caracterizada \npor tecido semelhante ao endométrio localizado fora do útero \n[1]. É considerada doença de origem multifatorial, resultante \nda combinação de fatores ambientais, genéticos, hormonais e \nimunológicos, gerando dificuldades ao diagnóstico. O alto custo \ndos procedimentos e os resultados insatisfatórios associados \nao quadro clínico incapacitante, resultam em um problema de \nsaúde pública [2]. As diretrizes de 2022 da Sociedade Europeia \nde Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) recomendam \no uso de ultrassom (US) e ressonância magnética (RM) como\nteste diagnóstico [3]. Os sítios de envolvimento mais comuns são\no espaço retrocervical, vagina, ovários, bexiga, retossigmoide e\nligamentos redondos. A endometriose extrapélvica é rara, sendo a\nregião inguinal envolvida em 0,3% a 0,6% dos casos, pode envolver a \nporção extraperitoneal do ligamento redondo, linfonodos inguinais,\ntecido subcutâneo ou mesmo hérnias [4]. Um nódulo na região\ninguinal pode ser difícil de distinguir de uma ampla variedade de \ndiagnósticos, como hérnia, linfonodomegalia, neoplasia, hidrocele\nde Nuck e lipomas. Os exames de imagem são fundamentais para\na diferenciação diagnóstica, sendo os achados semelhantes aos\nidentificados em endometriose de localizações típicas [5]. Nas \nimagens de RM, as lesões endometrióticas sólidas se apresentam \ncomo estruturas nodulares hipointensas irregulares ou estreladas,\npodendo ter focos hiperintensos em T2 (glândulas endometriais).\nQuando há extravasamento de glóbulos vermelhos dos ductos\nglandulares ao estroma, essas pequenas hemorragias tornam-se\nvisíveis como pontos hiperintensos nas imagens ponderadas em \n\nBRAD Cases - Brazilian Radiological Cases\nBrad Cases - Brazilian Radiological Cases 2024, 3: e20240020\n2\nYamada, A.M.F .; Antunes, L.O.; Souza, L.R.M.F .;\nT1 [6]. A US com doppler demonstra massa hipoecoica com fluxo \nausente, com ou sem áreas císticas. A RM tem mais acurácia porque \npode demonstrar o conteúdo hemorrágico antigo relacionado ao \nsangramento cíclico. O sangue espesso e envelhecido é responsável \npelo alto sinal em T1 e baixo sinal em T2 (“sinal de sombreamento”). \nO diagnóstico final é baseado nos resultados histopatológicos após \na excisão cirúrgica, sendo rara a degeneração maligna.O tratamento \nde escolha é a ressecção cirúrgica da lesão e deve incluir a remoção \nda porção extraperitoneal do ligamento redondo para evitar \nrecorrências. Devido à alta associação com endometriose pélvica, a \nlaparoscopia concomitante é indicada para tratar doenças pélvicas \n[4]. No caso apresentado, apesar da localização atípica, os achados \nde RM evidenciaram sinais típicos de endometriose, facilitando o \nmapeamento pré-operatório dos focos endometrióticos pélvicos \ne extrapélvicos. A paciente foi submetida a cirurgia com excisão \ncompleta da lesão e análise histopatológica que confirmou o \ndiagnóstico de endometriose sem sinais de malignidade.\nDIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS\n• Linfonodomegalia inguinal;\n• Hérnia inguinal;\n• Hidrocele de Nuck.\nO QUE APRENDI COM ESTE CASO?\nAtualmente, a endometriose é um problema de saúde pública, \nsendo importante conhecer não apenas as localizações \ntípicas, mas, também os sítios atípicos de acometimento da \ndoença. A endometriose extrapélvica é rara e pode ser difícil \nde diagnosticar devido à grande variabilidade de localização \ne manifestações clínicas. O diagnóstico tardio é comum em \npacientes com endometriose pélvica e é ainda mais comum \nnaquelas com doença extrapélvica. A excisão cirúrgica do tecido \nendometriótico ectópico é a principal opção de tratamento \ndefinitivo, portanto, o radiologista tem papel fundamental no \nmapeamento dos focos endometrióticos.\nREFERÊNCIAS\n1. Horne AW, Missmer SA. Fisiopatologia, diagnóstico e tratamento da endometriose. BMJ 2022;379:e070750 doi: https://doi.org/10.1136/bmj-2022-\n070750.\n2. Cruz Araújo FW, Schmidt DB. Endometriose um problema de saúde pública: revisão de literatura. SAÚDE [Internet]. 17º de novembro de 2020;14(18).\n3. Piccolo CL, Cea L, Sbarra M et al. Magnetic Resonance Roadmap in Detecting and Staging Endometriosis: Usual and Unusual Localizations. Appl. \nSci. 2023, 13, 10509. https://doi.org/10.3390/app131810509\n4. Chamié LP , Ribeiro DMFR, Tiferes DA, Neto ACM, Serafini PC. Atypical Sites of Deeply Infiltrative Endometriosis: Clinical Characteristics and Imaging \nFindings. RadioGraphics 2018 38: 1, 309-328. https://doi.org/10.1148/rg.2018170093\n5. Li SH, Sun HZ, Li WH, Wang SZ. Inguinal endometriosis: Ten case reports and review of literature. World J Clin Cases. 2021 Dec 26;9(36):11406-\n11418. doi: 10.12998/wjcc. v9.i36.11406. PMID: 35071572; PMCID: PMC8717526.\n6. Foti PV, Farina R, Palmucci S et al. Endometriosis: clinical features, MR imaging findings and pathologic correlation. Insights Imaging. 2018 \nApr;9(2):149-172. doi: 10.1007/s13244-017-0591-0. Epub 2018 Feb 15. PMID: 29450853; PMCID: PMC5893487.\n\nYamada, A.M.F .; Antunes, L.O.; Souza, L.R.M.F .;\nBrad Cases - Brazilian Radiological Cases 2024, 3: e20240020\n3\nFigura 1 - RM axial ponderação em T2. Nódulo irregular infiltrativo com predomínio de fibrose (seta) e presença de tecido glandular \n(cabeça de seta) localizado na tela subcutânea da região inguinal esquerda. Região inguinal direita normal.\nIMAGENS\n\n\nBRAD Cases - Brazilian Radiological Cases\nBrad Cases - Brazilian Radiological Cases 2024, 3: e20240020\n4\nYamada, A.M.F .; Antunes, L.O.; Souza, L.R.M.F .;\nFigura 2 - RM sagital ponderação em T2. a) nódulo endometriótico infiltrativo na região inguinal com presença de fibrose e tecido \nglandular (seta). b) sinais de continuidade do nódulo endometriótico com a porção extraperitoneal do ligamento redondo que \napresenta espessamento.\n\n\nYamada, A.M.F .; Antunes, L.O.; Souza, L.R.M.F .;\nBrad Cases - Brazilian Radiological Cases 2024, 3: e20240020\n5\nFigura 3 - RM axial ponderação em T2. Exame de seguimento realizado nove meses depois evidencia aumento das dimensões do \nnódulo endometriótico em região inguinal esquerda (seta) e aumento dos componentes glandulares.\n\n\nBRAD Cases - Brazilian Radiological Cases\nBrad Cases - Brazilian Radiological Cases 2024, 3: e20240020\n6\nYamada, A.M.F .; Antunes, L.O.; Souza, L.R.M.F .;\nFigura 4 - RM axial ponderação em T1 com saturação de gordura. Componentes glandulares do nódulo endometriótico evidenciando \nalto sinal, sugestivo de sangramento (seta).","source_license":"CC0","license_restricted":false}